terça-feira, 11 de abril de 2017

Um delito



Podemos debruçar-nos sobre o que é um crime, um pecado, um delito. Cada um deles terá todo um rol de possibilidades, algumas a partilharem mais que um grupo.
Pois eu, hoje, cometi um delito.
É delito porque é quebra de regra, não é pecado porque não ofende divindades, não é crime porque não consta em nenhum código civil ou penal.
Foi um delito.
Um pouco mais grave, talvez, por saber que é um delito. Sabendo-o, o grau de culpa é maior, como se a ignorância fosse desculpa.
O que torna a coisa interessante é que o cometi quase que em jeito de teste: Serei eu capaz de o fazer? O que se lhe sucederá? Vai pesar-me na consciência?
A questão da consciência fica resolvida. Usando da técnica dos cristãos seguidores de Roma, a confissão alivia e perdoa. É o que estou a fazer.
O que se lhe sucederá? Coisa nenhuma, já que foi acto único, consciente de tal. E sou homem para o cumprir.
Se fui capaz? Claro que sim, que os limites do ser humano são enormes.

Terminada que está a confissão pública, escusam de cá vir perguntar que delito cometi.

Guardarei ciosamente esse segredo até que a terra me engula, que tenho assim a modos que vergonha do que fiz.

By me 

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