quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Dúvidas



Um destes dias necessitei de fazer uma daquelas coisas… Comprar meias.
Nada de especial, meias baratinhas, que os tempos não estão para extravagancias e, na minha cartilha, roupa cara é isso mesmo.
Acontece que quando, já em casa, as fui arrumar olhei com atenção para as etiquetas que tive que retirar. Aquelas chatas, coladas ou cosidas, que nos obrigam a uma atenção redobrada, não vá dar-se o caso de as vestirmos com elas ainda agarradas.
Pois constato que me dizem que, para além de serem de algodão, escolha minha p’la certa, são também algodão mercerizado e fio escócia.
Confesso que não sei quantas pessoas conheço que saberão o significado de “mercerizado” e o que é “fio escócia”. Provavelmente sobrar-me-iam dedos, se as fosse contar.
Mas a curiosidade é grande, pelo menos a minha, e fui tratar de saber.
E fiquei a perceber porque é que certas meias perdem o brilho ao fim de algum tempo, ao contrário de outras. E porque é que algumas ganham “carrepetas” e outras não.
Desta forma, farei um figurão quando voltar a comprar meias e disser que quero mesmo fio-escócia e algodão puro, mesmo que mercerizado.


Dúvidas? Procurem vocês, que até nem é difícil de encontrar.

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Chuva



“Eh pah! Isto hoje está desagradável. Frio, chuva, vento…”

“Olha lá: amanhã já é dia um. O que é tu que querias em Dezembro? Ópera?”

By me

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Bem-vindo??????



Está aí a famosa época do “Paz na terra aos homens de boa-vontade (e às mulheres também)”.
E toda a gente trata de o afirmar, de modos mais discretos ou exuberantes, com tudo o que de hipocrisia as mais das vezes significa.
Aqui no prédio é que se vê, com uma vizinha a querer ser a primeira a fazer votos. Estes votos.
Não sei se foi a primeira, que não fui inspeccionar todos os andares e portas, que o prédio é grande.
Mas terá talvez sido a primeira a exibir a sua hipocrisia. É que é senhora para não falar a ninguém, para não sorrir, para nem responder à saudação ou segurar a porta para quem vem atrás… É senhora de quem muitos vizinhos, e eu mesmo, já desistimos.

Não sei quem é bem-vindo nesta casa, mas não serão os vizinhos, pela certa.

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Raisparta



Cai um avião na América do Sul. 76 vítimas mortais, 5 sobreviventes.
Uma tragédia.
Mas o que os jornais nos contam, com os seus títulos e manchetes, é que seguia a bordo uma equipa de futebol que ia disputar a final de um qualquer campeonato. E que de toda a equipa sobreviveram apenas três jogadores.


Ora raisparta para jornais e jornalistas, quando a tragédia de morrerem jogadores de bola é mais importante que a tragédia de morrerem pessoas, passageiros e tripulação.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Duas páginas



Há uns trinta anos, mais coisa, menos coisa, foi-me pedido para fazer uma imagem truncada de uma fotografia de um fotógrafo de renome.
Eu estava integrado numa equipa que fazia um trabalho de ficção que era dirigido por uma conhecida realizadora de cinema e televisão portuguesa.
Perguntei à realizadora se se tratava de uma análise critica da fotografia ou do fotógrafo. Disse-me que não. Perguntei ainda se a imagem que queria que eu fizesse corresponderia à subjectividade de algum das personagens do trabalho que estávamos a fazer. Também me disse que não. E eu disse-lhe que não fazia o que me pedia!
Disse-lhe que não tínhamos nós, eu ou ela, o direito de subverter o trabalho do autor para nossa satisfação. Que seria o mesmo que alterar a ordem dos versos dos Lusíadas ou repintar a Capela Sistina ou reeditar “Os Pássaros”.
Que não tínhamos autoridade moral, criativa ou autoral para subverter o trabalho original. E que eu não o faria!
Foi o “fim da picada”, o puto colocar em causa a decisão de um realizador. E vieram vários convencer-me, ou tentarem convencer-me, do contrário. Não o conseguiram.
Resultado? Fui afastado daquele trabalho em particular e substituído por outro sem problemas éticos, que fez o que lhe foi pedido. E durante uns tempos não fui convocado para trabalhos de ficção, os que dão mais gozo fazer.

Passa-se exactamente o mesmo com os editores ou designers de livros:
Entendem que podem espalhar os conteúdos a publicar pelas superfícies virgens das páginas, respeitando ou não o trabalho original. Por vezes, com a forma como dividem os trabalhos (textos ou imagens) desvirtuando os originais.
E quando vejo reproduções de fotografias, pinturas, esculturas ou outras obras, divididas por duas páginas, como neste caso, “salta-me a tampa”!
A união das páginas quebra por completo o ritmo da sequência dos elementos. O dividir um espaço uno em dois contíguos faz com que as evidências ou ocultações de elementos, as linhas de fuga, os equilíbrios, as forças, se dividam em dois rectângulos, no lugar de um só, com leituras e interpretações distintas.
Indo mais longe, ao olharmos para duas páginas contíguas, estas em regra formam um ângulo entre si, impedindo que olhemos na perpendicular ambas. E criando novas perspectivas, com novas leituras.
Mais ainda: é raro vermos duas páginas contíguas num mesmo plano, ficando uma ou ambas ligeiramente abauladas. Uma vez mais, novas leituras surgem ao observar-se numa superfície curva aquilo que foi concebido para ser visto num plano.
Por fim, é raro que as condições de luz em que nos encontramos não provoquem reflexos numa ou noutra página. E aquilo que era para ser visto de uma só vez acaba por ou não ser visto porque tapado por reflexos ou visto em momentos diferentes, na medida em que alteramos a posição do livro para fugirmos desses mesmos reflexos.

Vem tudo isto a propósito de ter estado na 7ª edição da feira do livro de fotografia. E de ter constatado que edições de autor, com os respectivos autores presentes, continuam a pecar por exibirem os seus trabalhos a duas páginas.
Emiti a minha opinião junto de vários (editores, designers e fotógrafos) em momentos mais breves ou um pouco mais longas. E não sei se consegui fazer passar a minha mensagem.
Mas uma coisa é certa: enquanto consumidor de obras fotográficas, evito comprar livros que mas exibam a duas páginas. As únicas excepções passam por as obras em causa serem tão raras que eu sei que não as encontrarei de outra forma.
Não sei o que se ensina nas escolas de design. Mas se não se ensinar a ter o máximo respeito pelos autores e pela forma como os trabalhos serão exibidos e consumidos, mais vale fecharem-nas e fazerem um auto de fé aos seus professores.

Nota adicional: a imagem aqui exibida não é de nenhuma obra que tenha visto nessa feira.
Trata-se de uma fotografia feita por Patrick Zachmann, fotógrafo da conceituadíssima Agência Magnum, feita na Geórgia, URSS, em 1989.
Tenho-a num livro dedicado a essa agência fotográfica, que a exibe a duas páginas como se vê.

Apesar de o scanning não ter sido dos melhores, não creio ser necessário acrescentar mais nada aos argumentos acima expostos.

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domingo, 27 de novembro de 2016

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É sempre interessante ver os adjectivos e insultos que são atirados a quem pensa ou age de forma diferente.

Vivo ou morto.
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Perspectivas



Descobri, num artigo de jornal estrangeiro, que foi publicado um livro que me interessa.
De um autor de cujo trabalho gosto, de quem possuo alguns trabalhos e que o que dele for novidade quero conhecer.
Que é bom ler trabalhos de gente com quem concordamos e que nos acrescentam algo.
Procurei pelo livro por cá e constatei que ainda não chegou. Nem chegou a edição original, em castelhano, nem há ainda uma tradução para português.
É provável que um destes dias passe por uma livraria que cá sei e lhes encomende a obra.
No entanto…
No entanto há pouco no banho, e pensando no assunto, dei comigo a concluir que não tenho pressa alguma no livro. Aliás, que é um pouco absurdo ir em busca dele. Pelo menos do meu ponto de vista.
Que o que importa não são os autores ou pensamentos que conhecemos e concordamos. Apesar de assim parecer, ao fim de algum tempo lê-los é inútil ou, no mínimo, uma redundância.
O importante mesmo é conhecermos gente que desconhecemos, pensamentos que ainda não vislumbrámos, pontos de vista que nunca nos atrevemos a explorar e que, quiçá, sempre considerámos antagónicos.
Porque é no diferente, no desconhecido, no antagonismo saudável, que vamos mais longe e construímos algo de novo. Ficarmo-nos por aqueles com quem concordamos, que já conhecemos e que não nos surpreendem… É reconfortante, alimenta-nos o ego, mas é pouco profícuo.

Em tendo oportunidade procurarei esse novo de Joan Fontcoberta.

Até lá procurarei a diversidade do pensar e fazer.

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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Absurdos



Entre a estação do Oriente e o C.C. Vasco da gama, em Lisboa, um evento comercial.
Uma tenda toda modernaça a promover os carros movidos a energia eléctrica da marca Nissan. E, por muito interessantes e verdes que possam ser, trata-se de uma promoção comercial.
A primeira coisa que estranhei foi a tenda e toda a demais instalação estar a ser alimentada por energia fornecida por um gerador a disel, ali perto arrumado. Trifásico, saiba-se. E, no mínimo, caricata a contradição.
Estava eu entretido a fazer os meus registos lúmicos de tal contradição e sou abordado por um fulano, todo sorrisos industriais que, acompanhado por um segurança privado, queria saber o que estava eu a fotografar.
Lá lhe contei e ele explicou-me que, sendo o director do evento, não tinha conseguido da gare do oriente um ponto de energia, sendo obrigado a recorrer ao gerador. E trocámos mais umas de circunstância até ter chegado um segundo segurança, bem mais encorpado. Conversaram os três até que se afastaram para irem falar com os funcionários municipais que estavam na biblioteca itinerante, parada no sítio do costume.
Conversa, conversa, conversa, e a carrinha mudou de lugar, uns bons cinquenta metros ao lado. E eu não gostei que a cultura fosse corrida pelo comércio, mesmo que tenha pago à gare do oriente, que tenha pago ao agente de trânsito da PSP, que tenha pago lugares de estacionamento em regra livres para os cidadãos…
Usando do meu nariz comprido, fui meter conversa com os bibliotecários ambulantes, tentando saber que argumentos tinham sido usados para os convencer a mudar de pois.
“Não fomos convencidos: recebemos ordens!”
“Da câmara?”, ainda perguntei.
“Não! Daqueles tipos.”, e apontou genericamente para o evento, para os seguranças, para o pasma…
Tudo isto a acontecer de permeio com o peditório da AMI, a venda de objectos “úteis” por parte da associação os adeptos do sonho, o outro peditório do projecto nós ajudamos, as três carrinhas do corpo de intervenção da PSP e dos seus talvez dez agentes armados até aos dentes com metralhadoras e shotguns, as oito testemunhas de jeová que ali estavam esperando serem abordadas, o entregador de pizzas e a multidão indo ou vindo do centro comercial.


Algo de muito errado se passa por cá!

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Auto-retrato



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Injusto mesmo é que ontem segui o ditado popular “Não guardes para manhã…”, e saí da cama.

Apesar disso, hoje às três e meia…
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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Trim-Trim



Eu sei que é foleiro. Uma campainha de bicicleta com esta decoração. Definitivamente foleiro.
Mas está na moda, que querem. Aliás, creio que a própria Joana terá inveja de uma coisa destas. E, por vezes, eu alinho nas modas.
Para que quero eu uma campainha de bicla, na moda ou fora dela? Fácil!
Esta é aquela época do ano em que se torna difícil caminhar nas ruas e ou centros comerciais. As ruas apinham-se de gente, incluindo famílias e grupos de amigos, caminhando lentamente lado a lado e bloqueando a passagem de quem tenha um pouco mais de pressa.
Um par de campainhadas atrás e a um palmo ou pouco mais da cabeça deles e fica garantida a passagem, como se de Moisés eu me tratasse e eles de Mar Vermelho.


Se há coisa que não acontecerá é escreverem-me na tumba “aqui jaz um tipo de bom feitio”! Trim-Trim!

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A espera é



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Fotografia inocente



A fotografia nunca é nem casual nem inocente.
Há sempre um motivo, mesmo que inconsciente, para cada imagem.
Quando é feita, quando é mostrada, quando é vista.

Quando escolhemos assunto e abordagem, quando escolhemos o contexto em que a exibimos, quando paramos, ou não, a ver.

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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Once upon a time



Uma câmara quase que arcaica nos tempos que correm e com menos resolução que muitos telemóveis de hoje;
Uma objectiva de entrada, das baratinhas;
Um tripé;
Um candeeiro de secretária;
Uns pedaços de cartolina preta;
Uma folha cartolina branca segura com a mão. 



Mais para quê?

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

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“O senhor tem sapatos de crocodilo?”, pergunta o cliente arrogante na sapataria muito in.
“Com certeza!”, responde o empregado. “E que número calça o seu crocodilozinho?”


Piada bem velha, lembrada a propósito de algumas lágrimas do dito que andam por aí a derramar.

Citações



“Não há nada mais atraente, em minha opinião, que andar no encalço das próprias ideias, tal como caçador persegue a caça, sem procurar nunca um determinado percurso.”
Xavier de Maistre, in “Viagem à volta do meu quarto

“Não há nada mais atraente, em minha opinião, que aproveitar a luz matinal para quebrar a monotonia num autocarro trepidante a caminho do trabalho, sem ter outro objectivo que o prazer em o fazer."
JC Duarte, in “Apontamentos lúmicos na inutilidade das rotinas”



(Nota adicional: aceitam-se outras citações)

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Origens



Vários têm sido os que me questionam sobre os motivos que me levaram a partir para o projecto “Oldfashion”. E o que pretendi eu com ele.
Sobre as perguntas originais, as que entretanto sobrevieram e as respostas que tenho ou virei a encontrar, mantenho alguma discrição. Se e quando chegar a um fim definido, e se valer a pena a sua divulgação, cá estarei então para isso.
Mas posso dizer que as referências exteriores passaram e passam pelos trabalhos de diversos autores, nem todos directamente ligados à fotografia.
Pese embora possa parecer alguma imodéstia, aqui ficam alguns dos que, pelo que fizeram ou pensaram, me impulsionaram a partir naquela viagem:

August Sander,
A exposição “The family of Man”,
Susan Sontag,
Roland Barthes,
John Berger,
Antoni Tàpies,
Karl Popper,
Roussado Pinto.

Esta lista, que peca por defeito, deixa de fora inúmeros nomes da fotografia ou do pensamento ligado às artes ou ao conhecimento do Homem e do seu comportamento que, de uma forma ou de outra, me foram provocando e questionando.
Tal como aqueles que, não tendo nome sonante ou obra publicada, me fizeram ou fazem pensar, em tertúlias ou conversas em volta de uns copos ou petiscos.
E uma enorme dose de rebeldia ou contestação, já que este trabalho, do ponto de vista estritamente fotográfico, é a antítese da reportagem ou do caçador de imagens que, com a sua inquietude e itinerância, persegue assuntos e luzes.


Já quanto às questões estéticas não foram nem são, neste caso, uma prioridade que me inquiete.

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domingo, 20 de novembro de 2016

O velhote



Este foi o primeiro que vi este ano.
Só que assim que o fotografei e me virei, vi mais dois no prédio em frente.
Espero que o ano não seja exuberante no que toca a velhotes vestidos de vermelho pendurados nas janelas.


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Chuva invertida



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Previsões



Em relação aos avisos coloridos sobre o estado do tempo, sugiro que passem a ser bem mais concisos.
Amarelo canário e amarelo torrado; laranja fruto e laranja semáforo; vermelho romã e vermelho sangue.
Assim, quando os media nos bombardearem com cores antecipadoras do apocalipse final, poderemos sempre perguntar:
“Mas o aviso amarelo sobre chuva para amanhã é canário ou torrado? Ou seja: vai só chover, ou vai chover-chover?”
Já ando cansado das histerias jornalísticas sobre meteorologia.


Quanto à imagem, foi palmada por aí, na net

sábado, 19 de novembro de 2016

Adágio



Esta não é uma fotografia feita por acidente nem um corte maluco feito num editor de imagem.
Este é o enquadramento original de uma fotografia feita de propósito.
Fotografar pessoas mostrando a sua identidade, quebrando a privacidade possível de um transporte colectivo (ou qualquer outra) à revelia do seu conhecimento ou mesmo da sua vontade, difundir aqui, ou num álbum, ou numa exposição, expressões, rostos, atitudes registadas à surrelfa, como que espreitando pelo buraco de uma fechadura… é coisa que não faço.
Prefiro não fotografar ou mesmo fazer uma fotografia horrenda ou sem nexo a violar o direito à reserva da imagem e da privacidade de alguém.
E se esta atitude vos não convence, quem sou eu para vos impor a minha forma de estar e viver?

Resta apenas lembrar-vos de um velho adágio popular: “Não faças aos outros…”

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O astrólogo



Deixo-vos com este magnífico anúncio encontrado num poste de uma estação ferroviária.
Sugiro a sua leitura integral.
Quanto ao resto, ocultei parte do contacto telefónico, não vá alguém ter tentações.


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Leis e Homens



A justiça confronta actos com leis. Ambas feitas por pessoas.
Enquanto forem as pessoas a servirem as leis e não as leis a servirem as pessoas, teremos sempre uma justiça adaptada a interesses corporativos ou elitistas, já que as leis são escritas e executadas por elites e não pelo conjunto dos cidadãos.

Recorde-se que: O apartheid era legal; o holocausto era legal; a escravatura era legal; o colonialismo era legal; a pena de morte é legal.

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sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Tradições



Se o Continente se internacionalizar a sério, com lojas e distribuição por todo o globo, em breve teremos Popotas penduradas nas janelas, Popotas em trenós puxadas por crocodilos, Popotas a descer pelas chaminés, papeis de embrulho cor-de-rosa com Popotas estampadas, para vergonha e inveja de um velhote que quase todos conhecemos.

Só não sei é como é que vão pôr a Popota, com as suas roupas minimizadas, em terras geladas como a Escandinávia ou o Canadá, mas acredito que os publicitários encontrem uma solução.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Inutilidades ou não



Há uns anos, três ou quatro não garanto, encontrei à venda um objecto semelhante a estes.
Várias foram as ideias que se me surgiram de como o fotografar e o que escrever em redor disso, pelo que não hesitei: comprei um.
Baratinho, que não tenho meios para comprar inutilidades caras.
As fotografias, acabei por não as fazer. Por este ou aquele motivo, foram surgindo desculpas para adiar os projectos até que deixaram de ser projectos mas tão só memórias incompletas de projectos nunca concretizados.
Acabo agora por constatar uma vez mais aquilo que há muito sei: nos sucede na vida não é completamente fortuito e, de um modo ou de outro, acaba por fazer sentido.
Neste meu incómodo doloroso de um joelho temporariamente imobilizado (uns dias apenas), tenho-lhe dado bom uso, pese embora no início nem me lembrar que o possuía.
Claro que a fotografia foi palmada da net, que não estou em condições de as fazer de jeito.
Mas assim que puder, aqui mostrarei esta útil ferramenta, bem como uma bengala que sempre aqui existiu com propósitos exclusivamente decorativos e que desde anteontem bem tem trabalhado.

Tenho uma casa pequena e cheia de inutilidades baratinhas. Até que um dia demonstram não o serem. Pelos melhores ou pelos piores motivos.

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Boas e más decisões



Decidiu, e bem, o governo pela inclusão da RTP3 e da RTP Memória na TDT. A partir de 1 de Dezembro.
É uma boa decisão e só peca por tardia.
Isto porque não faz sentido que a estação de rádio de televisão pública produza conteúdos que só quem tenha contratos com distribuidores de sinal possam ver.
Por outras palavras, não faz sentido que aquilo que é público e pago por todos os cidadãos através da contribuição audiovisual, incluída na factura da energia, esteja restrito a apenas alguns e não acessível a todos que a pagam.
É uma boa decisão.
Já não é tão boa a decisão governamental, inclusa no projecto de orçamento do estado para 2017, que essa mesma contribuição do audiovisual, destinada a financiar directamente a rádio e a televisão pública, passe a ser entregue pelas entidades que a cobram ao estado. E só depois este, que a inclui no seu orçamento, a entrega a quem se destina.
E já não é tão boa a decisão porque o estado, partidarizado como é, dependente de decisões ideológicas, pode gerir o que recebe das empresas de energia como entender: atrasar a sua entrega ao utilizador final, cativá-lo, não pagar em nome de interesses superiores…
Por outras palavras, pode o governo (seja ele qual for) governamentalizar os recursos de uma empresa pública, condicionando o seu funcionamento e futuro aos interesses partidários de quem estiver no poder. Comprometendo a independência que se quer total da RTP. Rádio e televisão.
Deveria o actual governo aprender com o passado e evitar cometer erros que sabemos terem sido quase catastróficos para a rádio e televisão pública.

A menos que haja interesse nisso mesmo!

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Sorte



Ao sair da sala de consultório das urgências, diz-me a médica com o seu sotaque brasileiro:
“Bom dia e boa sorte!”
Apesar das dores e da dificuldade em andar, parei, rodei e enfrentei-a.
Não lhe disse o que pensava de um médico que deseja “boa sorte” a um doente depois de o diagnosticar e prescrever tratamento. Digamos que é muito pouco científico.
Mas não deixei de lhe responder com uma pergunta, depois de ter afivelado um ar sério, o possível dadas as circunstâncias:
“E a senhora sabe o que é sorte?”
“Hein?!”
“Claro! Acaba de me desejar sorte. Sabe o que isso é?”
“- - - - -“
“A sorte é quando a preparação encontra a ocasião. Não adianta passar por dinheiro no chão se não olhar para baixo e conseguir vê-lo. Neste caso a ocasião é eu estar aqui com dores. Qual é a preparação?”
“Ehehehehe. Você tem graça!”
“Tenho, não tenho? Procuro tirar o máximo de cada situação que vivo, mesmo uma como esta. Um bom dia para si.”

Espero que o doente seguinte naquele gabinete não tenha pago uma factura elevada.

By me

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Leio num jornal que uma empresa de aeronáutica se propõe colocar no mercado uma avião supersónico em 2020.
Segundo eles, de Londres a Nova York não se gastaria mais que três horas e meia.
Caramba!
No ir e vir para o trabalho diariamente, gasto mais que isso se as coisas correrem mal!

E sou um residente suburbano, sem oceanos para atravessar.
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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Bazem!



As músicas de “elevador” dos centros comerciais já têm guizos e sininhos;
Já se vêem luzes a piscar sem estarem em automóveis;
Os mais minorcas já olham para mim com um outro brilho no olhar;
A Popota já saltita ágil nos ecrãs.

Bazem!

O natal está a chegar!

Nota adicional: improviso com um telemovel

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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Anúncios



Este é o anúncio pago que encima a primeira página da versão electrónica do Diário de Notícias de hoje.
Recorda-me isto uma expressão absurda de tempo idos:

“A água suja do imperialismo”!

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Lua



E para aqueles que estão a fazer um bicho de sete cabeças em torno da “super Lua” de hoje, gostaria que fossem dar uma voltinha, pequena que seja, na net sobre o nosso satélite natural, as suas órbitas e distâncias.
Saiba-se que a distância média da Terra à Lua é de 380.000 km e que nas chamadas “super luas” ela passa a uma distância que varia entre os 356.000 e os 358.000 km. Nada de assustador ou monstruoso, portanto.
Mais ainda, esta proximidade acontece três a quatro vezes por ano, todos os anos, em consequência da sua órbita não circular em torno da Terra.
O conceito de “Super Lua” e da sua raridade surge da observação a almanaques e dados astronómicos previsíveis feita por jornalistas sem mais nada que fazer e que querem atrair a atenção do seu público.
Dificilmente alguém se aperceberá que a Lua está maior que o habitual, já que a variação é pequena. E menos o notará se a olhar quando ela estiver acima do horizonte mais que um palmo ou dois.
Mas em qualquer noite de lua-cheia, se a observar quando ela sobe no horizonte, ela parecerá, sempre, enorme. Tal como o Sol, ao nascer e pôr, parece muito maior que ao meio-dia. Acontece isto porque a luz vinda desses corpos tem que atravessar uma muito maior quantidade de atmosfera quando passa no horizonte que quando está bem lá em cima. E a atmosfera faz de lupa, aumentando virtualmente aquilo que vemos.
Por outro lado, e com a profusão de câmaras fotográficas e o desejo de bem as usar, todos querem fazer “aquela” fotografia “daquela” Lua em particular.
Esquecem-se (ou não sabem) que numa imagem a duas dimensões, o tamanho aparente de algo varia em função do tamanho com que nos é mostrado ou por comparação com o tamanho de algo conhecido.

Posto tudo isto, apontem lá as vossas objectivas ou apenas sentem-se a olhar a Lua esta noite.
E saibam que existirão muitos milhares de pessoas que estarão a fazer algo de muito parecido ao mesmo tempo.
Será assim como que participar num mega-evento de cobertura mundial.


By me

domingo, 13 de novembro de 2016

Comics



De tanto falarem na “super lua” (já perdi a conta a quantas foram faladas e enaltecidas nos últimos tempos) ainda alguém vai acreditar que se trata de uma personagem da Marvel.

Nota: dificilmente consigo fazer melhor com um telemóvel.

By me

O calendário



Passei por este prédio há uns dias, ia de carro, era de noite e nem me apercebi que ele existia, diferenciado dos demais.
Hoje passei por ele, a pé, de dia e com o sol que se vê. E não pude não reparar nele, no seu imponente último uso.
Admirei-o na quase completa nudez da sua estrutura, pilhado que foi de quase tudo o pilhavel, abrigo fortuito de quem não tem melhor, objecto de eventual rusga policial ou abordagem de uma ONG da zona.
E fui fazer aquilo que não faria com qualquer outro prédio, convidativo que estava este: espreitar pelas janelas do piso térreo.
De um dos lados o soalho afunda-se, que as travessas que o suportam vão cedendo com o bicho ou com a água.
Do outro ainda se via uma porta interior, com almofada e vidros, em vias de sair.
E roupa e sapatos no chão. Não creio que estivessem em uso. A sua diversidade e os sacos por perto sugerem-me mais uma recolha de um contentor de lixo.
O que me surpreendeu (aliás, o que me fez ir espreitar) foi o que estava pendurado numa parede desta ainda sala: um calendário.
Publicidade de uma “loja de chinês” das imediações, mostra-nos os dias, as semanas e os meses do ano de 2012.
Preso num preguinho a uma altura conveniente, não lhe vi nenhuma marca assinalada, uma data especial, um dia que já foi futuro.
Está apenas ali, enfeitando uma parede que já se sabia condenada a mais que miséria, fazendo de uma sala sem portas nem janelas, com o soalho a ceder e coberto de lixo recolhido, um espaço personalizado e acolhedor.
Por vezes nem é preciso muito para tal.
Não entrei.
Pese embora as janelas assim franqueadas me dessem acesso fácil ao interior, não foi algum receio de risco ou sujidade que me impediu.
Foi esse mesmo calendário, a recordar-me que aquele espaço assim decrépito ainda é o lar de alguém.
E eu não devasso o lar de ninguém. Nem com o corpo, nem com o olhar nem com a câmara.

Fiquem-se com a fachada do número 23 da rua que vai dali a acolá.

By me

Ninguém!



By me

sábado, 12 de novembro de 2016

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Há algum tempo, não muito, uma grande cadeia de supermercados passou a impedir que os seus clientes escolhessem a caixa onde querem pagar, obrigando-os a ir para uma fila e serem encaminhados para a caixa que se despache mais cedo.
SOU CONTRA!!!!!!
É que assim sou encaminhado para uma caixa qualquer e deixo de ser eu a escolher. E eu escolhia usando diversos critérios, entre os quais o haver uma cara simpática a atender e fazer o negócio.
Não me apetece ser atendido por um marmanjo qualquer ou uma senhora que, mesmo sendo muito eficiente, não me alegra a alma com um sorriso que não tem.
Mas agora passei a ter um passatempo muito privado.
Enquanto vou avançando na fila, vou tentando adivinhar para que caixa serei encaminhado: se para uma carinha laroca se para um bigode farfalhudo.

Hoje perdi!
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Vendo como a comunicação social se comporta nos casos de crime (sangue ou outros), pergunto-me se não será mais barato ao país mandar encerrar todos os tribunais e deixar que sejam os jornalistas a fazer a investigação, julgamento e condenação, com o apoio pendular da populaça enraivecida, que ora aplaude ora apupa, de acordo com os títulos difundidos.

E, já agora, mandar as leis às urtigas.
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Unicornio



Vou tentar ser breve em algo que é longo: Sou do contra!
Gosto de escolher uma luz que venha do lado da frente da objectiva em vez de das costas do fotógrafo como é habitual;
Assentei arraiais num jardim à espera que os assuntos viessem ter comigo para os fotografar ao invés de palmilhar a cidade em busca de assuntos;
Gosto de observar um objecto ou situação até encontrar dentro de mim a imagem que farei com o que senti, no lugar fotografar de instinto e no momento como a maioria;
Gosto que seja a luz a chamar-me e não ser eu a chamar a luz…
Acho que poderei ser muita coisa, mas não um fotógrafo.

Talvez um iconógrafo.

By me 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Uns olhos



A senhora tinha uns olhos lindíssimos.
Muito escuros, talvez pretos, com as pálpebras definindo um ovalado bem harmonioso, cercadas por algumas rugas, não muitas, mas mais do que seria de esperar para os seus trinta e muitos anos. A sua pele branca e loira, brilhava impoluta de tintas ou pigmentos, o que fazia realçar mais ainda os seus olhos, lindíssimos.
Mas o que primeiro me saltou à vista não foram os olhos, lindos que eram. Foi o ter entrado naquela pastelaria com três pimpolhos, todos a chamá-la de “mãe”. É que ter três filhos, nos tempos que correm, mais que incomum é um acto de coragem.
Pois a criançada, o mais velho com os seus 11/12 anitos, os restantes em escadinha por aí abaixo, encostaram no balcão, tentando escolher o doce ou bolo para o lanche. E a mãe, que tinha uns olhos lindos, disse-lhes com o à-vontade de quem está habituada a dizê-lo:
“Escolham coisas realmente saudáveis.”
Talvez mais que os olhos – lindos – e que a ranchada de filhos, foi a frase que me atraiu a atenção.
A mais pequenita ficou com um brigadeiro, o do meio com uma madalena, o mais velhito com um donuts, fabrico da casa. E foram sentar-se com os seus petiscos. O que a dona dos olhos lindos escolheu não fixei, que a minha atenção se dividia entre os seus olhos e o meu duchesse regado com um café (cheio, assim tipo banheira, está ver?).
Mas a recomendação (e os olhos) ficaram-se-me na memória. Que raro é ver alguém com esta preocupação verbalizada para com crianças pequenas. E se a coisa me tinha marcado, haveria que fotografar, de preferência os olhos, que, se ainda não o disse, eram lindos.
Vim para a rua para aí a abordar e conseguir o registo daquela lindeza de olhos. O que não consegui fazer, ainda que se tivesse sentido lisonjeada, já que um ataque de modéstia, aliado ao insólito do pedido, levaram-na a recusar argumentando que não se sentiria à-vontade para tal.
Ficou-me, em alternativa, o fotografar os bolos sortidos da montra, atrás da qual aquela mãe de olhos lindíssimos havia pedido à pequenada que escolhesse doces saudáveis.

E se, com todo este palavreado, contei o “quê, “quem” e “como”, faltou-me o “onde” e o “quando”. Av. Do Uruguai, Benfica, um destes dias, pela tardinha.

Fico eu com a secreta esperança de um dia ali voltar, pela tardinha também, e re-encontrar aqueles olhos lindos, mesmo que os não fotografe.

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Sem



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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Um telefonema



Quando o nosso interlocutor recebe um telefonema a que não pode fugir, temos que encontrar algo que fazer enquanto não termina. Uma fotografia, por exemplo.

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Bom dia



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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Esquecimentos



É interessante ver como tantos e tão bons estão indignados, preocupados, assustados, com o resultado das eleições do outro lado do atlântico.
Esquecem-se esses que:
- Esse mesmo país expandiu-se e consolidou-se com os emigrantes europeus, e seus descendentes, a guerrear e chacinar aqueles que há séculos por lá viviam, roubando-lhes tudo, incluindo a cultura;
- Esse mesmo país, menos de vinte anos depois de estar independente, veio guerrear aqui para o Mediterrâneo e para a Tunísia;
- Esse mesmo país, desde que o é, nunca esteve mais de dez anos sem estar envolvido num conflito armado algures no globo;
- Esse mesmo país perseguiu, ostracizou e prendeu quem, dentro do seu país, pensava de forma diferente do ponto de vista político da linha oficialmente consagrada;
- Esse mesmo país tem bases militares, com homens e equipamento, nos cinco continentes, fora de fronteiras;
- Esse mesmo país esteve envolvido, directa ou indirectamente, em dois conflitos militares com dois países, quando eles decidiram passar a vender o seu petróleo noutra moeda que não o dollar;
- Este mesmo país mantém sob prisão gente capturada do outro lado do globo, sem culpa formada ou julgamento.

E admiram-se do resultado das eleições?????


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Sonhos



Sonho de um pequeno-burguês:
Ter dinheiro para pagar a alguém que pendure a roupa a secar.
Sonho de um acrata:

Não ter que usar roupa.

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terça-feira, 8 de novembro de 2016

Em contraciclo



Por muito que insistam no contrário, por muito que reclamem pela saída do Euro, eu serei daqueles que defenderei a nossa permanência nestes sistema monetário.
Não se prende esta atitude, de todo, com o gostar das políticas económicas que têm sido seguidas na zona euro. Bem pelo contrário.
Mas a existência de uma moeda comum a tantos países ou, se preferirem, a tamanha área territorial, é um sério passo para a real abolição de fronteiras e, com isto, devolver ao ser humano a mesma liberdade que têm os pássaros migratórios: circular livremente sem ter que prestar contas a ninguém.
Que essa coisa de fronteiras, de limitar ou inquirir quem as cruza num sentido ou no outro, de assumir a posse da terra… isso é coisa arcaica, medieval, própria de uma sociedade castrada e castrante, que tudo e todos quer e pode controlar.
Sou defensor do Euro, preferencialmente alargado a toda a superfície do planeta.
Tal como sou defensor do espaço Schengen de cobertura mundial.
Que não tenho que prestar contas a ninguém sobre quem sou, de onde venho ou para onde vou.


A minha consciência é o único fiscal que aceito!

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A pedra e eu



Eu tenho esta pedra.
Em boa verdade, tenho várias pedras parecidas, mas uma especial predilecção por esta. Cabe-me bem na mão, foi minha confidente durante uns tempos complicados, nunca deixou de me proporcionar a paz que procurava…
Eu tenho uma pedra, esta, e gosto dela.
Mas também tenho um fotómetro. Um Sekonik Studio Delux.
Tenho-o há mais de trinta anos, sempre fiel e rigoroso, sem nunca me ter deixado mal visto. Se algo correu menos bem com o seu uso, fui eu que fiz asneira.
Pode-se agora perguntar: destes dois objectos, ambos antigos, de qual mais gosto? Qual deles me é mais íntimo, mais próximo da alma? Qual o que melhor fala comigo?
Francamente não sei!
De qualquer um encontraria substituto material, igual ou quase igual na matéria, na forma, na idade e na função. No entanto, e por muito iguais que pudessem ser, não seriam aqueles que passaram horas e horas e horas na minha mão, no meu bolso, na minha mochila. Não teriam neles parte de mim, da energia que para eles passei. Nem teria eu parte deles, das energias que me passaram.
Que os objectos, por muito neutros e vazios de significado que aparentem, têm personalidade própria e afazem-se aos que os usam da mesma forma que o oposto. Dando um exemplo muito prosaico, como um par de botas ao fim de dois anos de uso.
É por isso que gosto de fotografar objectos. E quanto menos novos melhor. Para além da matéria de que são feitos e que reflecte a luz que capturo, há algo neles que fala comigo, dos seus usos anteriores e de quem os usou.
Uns falam-me mais que outros, naturalmente. Talvez que mais faladores. Ou eu mais sensível com alguns que com outros.
O pedal de acelerador de um carro, ainda que gasto, não me é muito perceptível. Já uma peça fotográfica ou que, de algum modo, se relacione com a luz… sou todo ouvidos. E quanto mais usada for mais tem para contar, que diabo.
Então, perguntareis, porquê uma pedra por confidente e não uma objectiva, ou um filtro, ou um fotómetro?
Bem, ela estava no meio muitas outras, uns milhares sem exagero. Mas, ao passar por elas, esta como que me chamou. Foi-me impossível não parar para tentar perceber de onde vinha aquela voz não materializada, aquele “Oh tu! Olha p’ra mim!”
E eu olhei, estiquei a mão e ela aninhou-se-lhe como se sempre ali estivesse estado.

Não escolhemos sentimentos. Os nossos ou os dos outros. Acontecem e, se estamos por perto, ajustam-se.
E é pouco importante se os sentimentos são por um “ser vivo”, algo “inerte” ou “manufacturado”.
Nos dois sentidos, se abrirmos a alma a tal.


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Barbas



Há uns anos valentes, valentes mesmo, tive um episódio divertido:
Encontrei-me de manhã com uma amiga para fazermos uma fotografias, como estava combinado e, quando a vi, não me contive:
“Então…? Que te aconteceu? Tens a cara numa lástima!”
Ela sorriu, meio atrapalhada, e não respondeu. E eu insisti:
“Mas o que foi? Não estás em condições de fotografarmos!”
“Desculpa, mas a barba dele arranhava muito…”
Claro que adiámos o combinado para melhor ocasião.

Acredito que, nos tempos que correm, seja coisa habitual.
Talvez não tanto as caras “esfoladas”, que nem todas as barbas são assim tão rijas, mas a quantidade de rostos masculinos que hoje encontramos com a pilosidade em manifesta evidência é enorme.
Umas caras com barbas mal semeadas, outras comprimidas apenas no queixo ou bigode, outras ainda viçosas e exuberantes, “esculpidas” como hoje se diz.
Comprimentos, cores, formas, vemos de tudo. Exactamente aquilo que não víamos há uns dois ou três anos. Ou veríamos apenas em certos grupos sociais, uma espécie de código de grupo ou de comportamento.
No meio de tudo isso, uma tónica dominante, transversal no tempo: os olhares que recebo.
Até há algum tempo, eram olhares de desprezo, como que a dizer “quem é este tipo que assim barbado anda por aqui?”
Agora, a maioria dos olhares masculinos que recebo traduzem um “Que inveja! Quem me dera ter uma assim!” ou ainda inveja de não terem coragem de assim a usarem.

A minha certeza é que a moda passará e daqui por uns dois ou três anos já pouca barbas se verão. A minha, a menos que arda de novo, será uma delas, com ou sem olhares de lado.

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