domingo, 17 de julho de 2016

O grande irmão



Entro numa livraria por um livro. Acabou por ser uma mini pilha de dois, mas é pouco importante.
Importante é que no balcão estava um exemplar de 1984. E perguntei à mocinha que me atendeu se já o tinha lido.
Disse-me que perdera a paciência a meio, com o factor auto-biográfico e a mais que batida critica à sociedade actual.
Perguntei-lhe se entre o momento em que o lera e o agora se sentia mais madura e recomendei-lhe que o lesse de novo.
Desta feita não parando a meio e saltando a primeira parte, mais mediática, e mergulhando naquelas menos conhecidas mas tão ou mais profundas. E descrevi-lhas quanto baste, sem retirar o prazer da leitura.
Depois de feito o negócio, diz-me ela, enquanto guardo os livros na mochila:
"Obrigado pela conversa, que fez a noite diferente."
Por vezes não é preciso muito: basta ter um nariz comprido e não ter vergonha na cara.


E sim é verdade: o grande irmão observa-nos.

By me

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