domingo, 31 de janeiro de 2016

Fim do dia suburbano.




É notório que os teleles não servem em todas condições. Mas é o que tenho à mão.

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Atrasos



Por vezes atrasamo-nos.
Perante compromissos com outras pessoas, trabalho, a vida, nós mesmos, a morte…
Apesar de não gostar de chegar atrasado, alguns atrasos aplaudi. Com a morte, por exemplo, que já me pediu explicações e a mandei bugiar, dizendo-lhe que lá chegarei mas só quando eu quiser.
O tipo de atraso que mais me incomoda, que mais me chateia, que me deixa mesmo fora do sério é aquele comigo mesmo. Que podemos sempre arranjar umas justificações, umas desculpas esfarrapadas perante terceiros, mas é sempre muito complicado mentirmo-nos.

O tempo não perdoa! Chegar atrasado ao encontro que temos connosco mesmos é muito mau!

By me

Desabafo



Não estando muito inspirado esta manhã para algo de novo, fui dar uma olhada no arquivo. E fui dar comigo a ler um texto, que abaixo transcrevo, de 2009.
Fiquei curioso sobre se o que me levou a pensar e escrever então se manteria hoje, pelo que fui em busca da pessoa em causa nas redes sociais.
Por aquilo que vi, continua ele a escrever e a fotografar da mesma forma. E, presumo, a pensar e agir de igual modo.
O texto de então continua válido hoje. Tal como continua válido o meu principio ético de não o nomear.

“Tenho para mim que é da variedade de opiniões que o conhecimento evolui. Tanto com opiniões concordantes como, e principalmente, com opiniões discordantes. Que será de conhecermos o que pensa quem de nós discorda -ou aqueles de quem discordamos – que podemos ter acesso a outras formas de pensar.
Por isto mesmo, tenho o hábito de ir dar uma olhada a espaços virtuais – blogs – de gente com quem não partilho boa parte daquilo que lá exprimem. E se, em regra, fecho essas páginas com a mesma opinião com que as abri, volta e meia tenho que dar a mão à palmatória e reconhecer que alguns dos pontos de vista ali lidos até têm algum fundamento. Mesmo que com eles possa não concordar. E fico bem mais rico no que sei ou julgo saber.

Tem sido o caso do blog de alguém que está ligado ao mundo do fotojornalismo. Não apenas exerce o ofício numa empresa de comunicação social de relevo neste país, aí ocupando um lugar de destaque, como emite opiniões sobre esse mesmo mundo da fotografia.
As mais das vezes não consigo concordar com o que lá é exposto. Tanto sobre fotografia como sobre a sociedade. Tem o seu autor uma visão diametralmente oposta à minha, o que lhe é legítimo e salutar. E nem sempre gosto das fotografias que expõe, tanto na web como em galerias, que já tive a oportunidade de as ver ao vivo e a cores.
No entanto, lá calha ter que concordar com alguns pontos de vista. E algumas das fotografias até que são mesmo do meu agrado.

Acontece que publicou ele um trabalho no seu blog que entendi que deveria ser objecto de comentário meu. Assinado com a minha identificação de um dos blogs que subscrevo. Nesse meu comentário, e tão fundamentadas quanto o possível num comentário a um post, exprimi o que entendia ser errado, bem errado, no trabalho em causa. Não referi questões estéticas ou técnicas, mas antes as vertentes éticas ou deontológicas que ali estavam manifestas. Ou melhor, à sua falta no trabalho.

Foi com alguma surpresa, ou talvez não, que passadas umas horas constatei que a pessoa em questão tinha ficado aborrecida para além do aceitável com o que eu havia escrito e ali publicado como comentário ao trabalho. A ponto de ter decidido apaga-lo e de passar a tê-los (aos comentários) objecto de análise prévia da sua parte. E disso fazer alarde num post.
Incomoda-me ver esta atitude da parte de alguém que faz da informação o seu ofício, a par com o ensino da mesma e que, ainda por cima, expõe e se expõe num blog.
É que, e do meu ponto de vista, o que foi por ele feito foi apenas um acto de censura, pura e dura. Não gostou e apagou. Ponto. E impede que ali fiquem quaisquer outros comentários de que não goste. Ponto.
Será esse um seu direito, até porque o servidor de blog o permite. Mas é pouco consentâneo com um profissional da informação, o acto de censurar. Um pouco pior em tratando-se de alguém que, na empresa onde trabalha, exerce um cargo decisório sobre os trabalhos de outros. E, pior ainda, alguém que usa o que sabe e pensa para o transmitir a outros, bem mais novos e que querem com ele aprender do ofício. Espero, neste último caso, que os seus alunos entendam que o professor que têm defende e pratica a censura sem pudor.

Pela parte que me toca, a solução até que é fácil:
Entendo que não quero mais visitar um espaço que assim trata os seus visitantes, pelo que lá não voltarei. Apaguei mesmo o link ao seu espaço que aqui tinha. No fim de contas, eu até nem concordo com a maioria dos seus pontos de vista.
Mas, pela parte que nos toca a todos, saber que esta pessoa tem um papel de relevo num periódico de grande tiragem e impacto em Portugal, incomoda-me de sobre maneira.

Não tenciono deixar aqui o nome desse fotógrafo, nem o nome do seu blog, nem mesmo o nome do jornal para que trabalha. Eu sei de quem estou a falar, o próprio também o sabe e sabe quem eu sou. E não creio que venha ler estas linhas. E, se vier, saberá o que penso, que destas linhas lá não deixo cópia.
Quanto a todos os restantes jornalistas e fotojornalistas deste país, estou em crer que não fariam um acto destes, pelo que não os incluo neste julgamento francamente pouco abonatório que desta pessoa faço.

Entenda-se que todo este discurso é um desabafo. Entenda-se também que não tenciono apagar nenhum comentário que, por mero acaso, aqui venha cair, venha de onde vier, contenha o que contiver. Que eu da censura já tive a minha boa dose, antes e depois de Abril.”


Nota adicional: a pessoa em causa continua a leccionar hoje, em 2016, o que é notoriamente perigoso!

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sábado, 30 de janeiro de 2016

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Para fechar o dia, uma daquelas coisas da língua portuguesa:
“Tudo junto” escreve-se separado e “separado” escreve-se tudo junto.

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Pouco importa



Pouco importa com que são feitos ou de que cores são os teus sonhos.

Desde que os tenhas!

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Sem título ou vontade de o escrever



Leio num jornal diário um pequeno artigo sobre condomínios e o que fazer caso não se possa comparecer nas reuniões.
Nada de novo em relação ao que sei de há muito.
O que me deixou de boca aberta foi o último parágrafo. Conta-nos ele:
“E quer saber o que acontece se não pagar a pensão de alimentos? Terça-feira respondo.”
Do meu ponto de vista (e ainda não é terça-feira, pelo que não sei o que a redactora terá para nos contar) o não pagar uma pensão de alimentos a filhos daria direito a açoitamento em praça pública, com nome e fotografia escarrapachado nos jornais.
Não é, de todo, admissível o não assumir as responsabilidades dos filhos, que nem sequer “foram ouvidos no acto de que nasceram”.


Tudo o que possa ser dito ou legislado para proteger ou desculpar um progenitor (ele ou ela) que ignore ou negligencie as suas responsabilidades perante os filhos será tão criminoso quanto o acto em si!

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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Just for the fun, I guess.



By me

Ficção



Temos a literatura de ficção, o cinema de ficção e a fotografia de ficção.
Sem truques ou efeitos especiais.

By me

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Quando é que um tipo se sente assim a modos que muito cota?

Quando as memórias de quem nos rodeia não referem a televisão em preto e branco.

Cheio e forte



De manhã é que se começa o dia.

Café cheio e forte, por favor!

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

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O texto acabou por ficar comprido, comprido demais, e livrei-me dele, cansado de escrever sobre cidadania.
Encurtando-o:
Só têm receio de radares para controlo de velocidade escondidos os que se estão nas tintas para condutas de respeito para com os outros condutores. Aqueles que não se apropriam de algo que não seja seu apenas porque têm medo de ser apanhados.

Por outras palavras: só receiam os radares ocultos os Chico Espertos que não têm coragem de dar a cara pelos seus actos.

Obrigação



Demasiadas vezes me pergunto porque terá uma fotografia que obedecer a regras – técnicas, estéticas, comunicacionais, semióticas.

Será que não basta que o fotógrafo que a fez se sinta satisfeito com ela? Independentemente da opinião que outros, especialistas ou não, possam ter?

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Um episódio



A história passou-se aqui mesmo, em frente a este centro comercial, em Lisboa.
Junto à porta vi um homem, na casa dos trinta e poucos anos, cego, com um comportamento de desorientado. A forma como dava meia dúzia de passos para um lado, explorando o chão com a cana, e tentando para outro e outro ainda, sem dar sinais de estar satisfeito, não enganava ninguém.
Fiquei alerta mas não intervim de imediato. Todas as pessoas com algum tipo de limitação gostam de ajuda, mas gostam mais ainda da sua auto-suficiência. E fiquei à espera que encontrasse o seu caminho. Não encontrou.
Assim, aproximei-me, ofereci-lhe ajuda e o meu braço e levei-o onde ele queria ir: uma paragem de autocarro do outro lado da estação ferroviária fronteira.
Pelo caminho contou-me ele que estava a trabalhar ali perto havia poucos dias e ainda não tinha certezas nos caminhos e referências. E, nesse dia, havia uma que o estava a perturbar: um cheiro.
Dizia ele que havia no ar um odor a cachorros quentes cuja origem não conseguia determinar e que isso o fazia perder a orientação.
Depois de o deixar no seu destino, regressei em busca dos cachorros quentes, que não me cheirava a nada nem os havia visto.
Só ao fim de um pedaço dei com a coisa: no piso inferior mas a céu aberto havia uma barraquinha que os vendia, mas completamente fora de visão de quem estivesse onde estávamos: na rua. E, apesar de passar a seu lado amiúde, nunca tinha dado por ela.
Lembrei-me hoje do episódio, velho de alguns anos, porque junto àquela mesma porta me chegou o aroma dos tais cachorros quentes. Que continuam fora do alcance visual.
Estou, efectivamente, a ganhar uma relação com o mundo que me esteve vedada anos a fio.

Ainda que, admito, nem sempre se recomende.  

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Até



Numa parede quase impoluta, num beco esconso de umas traseiras de um bloco de apartamentos, este grito.
Não importa quem a quem ou sequer quando!
É uma verdade incontornável, insofismável e eterna.
Pelo menos até que pintem o muro ou que se mude de turma.

Há coisas que não têm tempo nem lugar. Nem mesmo convenções sociais.

O amor é, e o resto são episódios!

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

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- Olhe que não pode estacionar aí.
- Não? Porquê?
- Está ali a placa: reservado a portadores de deficiência.
- Mas eu sou o candidato eleito!

- Não! Esse tipo de deficiência não está contemplada na lei.

Equivalent



Sugestão do dia (ou da semana, considerando o seu conteúdo e sentido):
Procurar em livros ou na net mais imagens como esta e do mesmo autor – Alfred Stieglitz -  e saber porque lhes chamou “equivalent”.
Mais de meio século depois, continuamos a fotografar nuvens. Mas sabemos porque o fazemos ou alguns fizeram?


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Contradições:

Dia 9 de Março:
A grande festa de despedida, o grande lamento da chegada!
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Era domingo



Nas janelas a roupa secava, alguns assomavam a fumar um cigarro, outros apenas para ver quem passa e aproveitar o estranhamente cálido fim de tarde em Janeiro. A brisa, essa, o mais que conseguia mesmo esforçando-se muito, era isto.
Era um dia bonito para quebrar a invernia e dar um passeio ao sol tépido, passando pela escola da zona e deixar o seu voto.
A maioria não o fez.

Muitos serão os que irão amargar por muito tempo o terem preferido ficar à janela ou a lavar a roupa.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

David Hockney



Em rigor, não é conhecido principalmente por ser fotógrafo mas por ser pintor.
Mas os trabalhos que fez, usando colagens de fotografias em Polaroid, sobrepostas, justapostas, dando uma dinâmica única de movimento num suporte que é, por excelência, estático, fazem de David Hockney um dos meus fotógrafos favoritos.
Para quem quiser, sugere-se que se procure os seus trabalhos. E, caso possam, que os vejam num ecrã tão grande quanto o que puderem encontrar.
Tive eu oportunidade de ver uma exposição dos seus trabalhos em Lisboa e ver num pequeno ecrã de computador composições fotográficas com mais de dois metros de alto é quase como que comparar as pirâmides do Egipto com peças de Lego.

Em qualquer dos casos, será o possível e que se recomenda.

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Cavaco veta adoção por casais do mesmo sexo e alterações à lei do aborto

É confrangedor constatar o conservadorismo atroz dos nossos governantes.
No entanto, neste meu protesto não esqueço que foram eleitos pelos meus compatriotas. Ou por parte deles, já que têm sido muitos os que têm recusado participar nos actos eleitorais. Tal como ontem.
Neste caso muito específico, sei que a comunidade LGBT é bastante activa e que a sua maioria deve ter participado no acto deste domingo.
Mas sendo um país onde a igualdade de género vai ganhando lugar, mesmo que lentamente, pode-se deduzir que metade das mulheres portuguesas não participaram na votação de ontem. Ou nas anteriores.

Para elas em particular, e porque se trata da lei do aborto que, antes de mais, lhes diz respeito muito de perto, este é um bom exemplo das consequências da abstenção.

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A fotografia



Tenho o azar de a minha vida profissional já me ter feito cruzar pessoalmente com o filho de um ministro da ditadura e que agora, em democracia, foi eleito para o mais alto cargo da nação por vontade de um quarto dos cidadãos eleitores.
Creio que a fotografia, retirada de um jornal desta manhã, diz tudo.


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domingo, 24 de janeiro de 2016

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Eu vi! Eu juro que vi!
Depois do discurso de vitória, o futuro PR, Marcelo Rebelo de Sousa foi transportado num automovel e o trajecto transmitido em directo pelas televisões, com câmaras em motos. 
Em transito e a alta velocidade, o motorista atende um telemovel e estende-o ao futuro presidente, sentado a seu lado.
Ainda não tomou posse e já está a pactuar com o cometimento de ilegalidades!
Tudo isto transmitido em directo pelas televisões.
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Tivemos uma época Marcelista, que por sinal era bem falante na televisão, que terminou dentro de uma Chaimite.
Terminará esta segunda época Marcelista, que por sinal é bem falante na televisão, dentro de uma Pandur? 
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Fui exercer o meu direito e dever de votar pouco passava das treze horas. Antes do meu almoço.
Para grande surpresa minha, a urna de voto estava cheia a ponto de ser difícil o boletim ficar por inteiro no seu interior.

Espero que seja um bom presságio!

Trocas e truques



“Se os deuses não quisessem que trocássemos os Bs pelos Vs, não os tinham colocado lado a lado nos teclados”

E não te esqueças: Vai botar!

Velharia com uns dez anos, feita com uma câmara para a qual já nem se encontram os respectivos leitores de cartões e com uns actuais míseros 3,3Mp.
E ficam duas perguntas para os actuais fanáticos do consumo e das tecnologias:
- O que é que está na imagem e para que serve?

- Como se faz esta imagem sem recurso a editores de imagem?

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Sete vezes quatro



Pondo de parte qualquer questão mística, a verdade é que o número sete consta de quase todas as civilizações desde sempre. E não é à toa. Vejamos:

A unidade mais básica para medir o tempo é o dia. Não implica aparelhos e basta saber se está sol ou não.
A unidade seguinte, também não implicando sistemas de medição mas tão só a constatação, serão os ciclos lunares. Quando da Lua se vê ou não e quando volta a estar do mesmo modo e forma.
Já o degrau seguinte na escala de tempo implica, para além da simples observação, algum tipo de registo: o ciclo anual, constatável através dos solstícios e equinócios. O tempo que separa cada um deles é suficientemente grande para obrigar a algum tipo de registo físico, mesmo que apenas marcas no chão.
É assim que na medição do tempo surge a semana, com os seus sete dias. Cada unidade destas corresponde a um quarto do ciclo lunar (ou a uma fase da lua) e o seu somatório a um mês lunar, ainda hoje em uso em algumas civilizações.
O sete e o vinte e oito, números importantes para o ser humano.
E tanto que assim é que hoje, domingo, é o sétimo dia da semana. Dia de descanso. Dia de oração. É no sétimo dia, de acordo com a lei portuguesa, que se vota.
E vinte e oito, já que hoje, mesmo que não prestemos muita atenção a isso, é Lua cheia. Não prestaremos nós, a maioria dos humanos na sociedade de consumo. Mas quem vive da agricultura ou da vida no mar sabe-o e usa essa data para fazer – ou não fazer – alguma actividade. Até mesmo a meteorologia usa o ciclo lunar e a lua cheia para prever e justificar fenómenos climatéricos.

Para mim, o dia de hoje é importante:
É dia de lua cheia, fotografável se o céu a descoberto;
É dia de eleições, também um ciclo cujo ritual e função são importantes e que tenciono cumprir;
Completa-se um ciclo de quatro semanas, 28 dias, uma lua, que estou sem fumar.
Este último ponto só será, de facto, importante para mim, apesar de aqui o partilhar. Não creio mesmo que disso tenha consciência quem me levou neste caminho.
Mas cada ciclo que passe – diário, lunar, anual – neste meu processo é uma vitória. E as vitórias devem ser celebradas, mesmo que pessoais e íntimas.


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sábado, 23 de janeiro de 2016

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Jogos e eleições:
Aquela triste ilusão de que poderemos ficar ricos ou decidir sobre os destinos do país.
Adenda: Eu vou jogando e faço questão de votar. Que o sonho ninguém mo tira.

By me

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Num país de idiotas, a probabilidade de ser liderado por um idiota é particularmente alta.
Como o demonstra as mais recentes sondagens.
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Segundo li algures, o imposto sobre os produtos petrolíferos vai aumentar para 69%.

Apesar da notícia, de uma coisa eu tenho a certeza: nenhum de nós vai gozar com isso!
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Reflexões



Hoje é dia de reflexão.

Em querendo fazer umas brincadeiras escritas em torno do termo “reflexão”, mas não me apetecendo ir fazer uma fotografia, fui fazer uma pesquisa no meu arquivo, tendo uns três ou quatro temas em mente. Vidros, espelhos, charcos, alguma coisa haveria de servir para o mote.
E dou com esta imagem, já velhota, de um vidro quebrado. Nele procurei a reflexão e a refracção. E foram ambas as que usei.
Mas o que foi importante nesta busca nem foi esta imagem que agora uso. Foi a que estava logo ao lado, duplicada que é de uma outra muito mais antiga.
Pese embora ter bem mais de um quarto de século, lembro bem onde foi feita, com que câmara, que objectiva, que película em preto e branco, que revelador usado, em que papel foi impressa… A impressão original está aqui, quase que ao alcance da mão, protegida da luz para que se não estrague.
Mas o que será importante nessa fotografia – um retrato – nem será nada disso mas antes o ter sido – e ainda ser – uma das mais polémicas fotografias que fiz.
Que ainda hoje (ou pelo menos da última vez que falei com a pessoa retratada) discutimos sobre se será um retrato ou uma fotografia.
Para mim era e é um retrato, a minha interpretação da pessoa que nela é visível, com toda a objectividade e subjectividade que a fotografia permite e implica.
Para a pessoa retratada mais não é que uma fotografia, não reflectindo a sua personalidade ou forma de estar no mundo.
Não creio que a distância – no espaço e no tempo – alguma vez venham a diminuir esta nossa divergência de opiniões. Até porque, passados que são mais de trinta e tal anos, do que fomos restam as imagens subjectivas das nossas mentes e memórias.
Mas ficará para sempre esse elo inquebrável entre fotógrafo e fotografado, feito de reflexões e refracções, sempre um pouco para além daquilo que a escrita da luz permite ver e saber.

Postas estas considerações mal-amanhadas sobre um tema complicado e que daria para muitos tomos se eu tivesse jeito para tal, tratemos de reflectir seriamente. Não sobre fotografia, significados, significantes ou interpretações, mas sobre o acto de amanhã.

E no que ele significa, mais do que sobre o passado, para o futuro.

By me 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

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Eu decidi deixar de fumar e estou a cumprir a minha decisão.
O governo decidiu aumentar os impostos sobre o tabaco e nada me leva a concluir que não o fará.
Agora, por favor: não me venham dizer que sou anti-patriótico!
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É triste ver como grande parte dos portugueses confunde demagogia e ambição pessoal com ideias concretas e honestidade intelectual.
E é ainda mais triste ver como não reparam o trabalho de sapa, (escavar, escavar, escavar) de alguém ao longo de anos para se guindar ao mais alto cargo possível, sem que pelo meio tenha mostrado algo mais que opiniões, opiniões, opiniões.
Que de opinativos inconsequentes estão cheias as bancadas dos estádios, as cervejarias e as filas dos autocarros.

E sim, estou a falar daquele que parece estar à frente nas sondagens para este domingo.

Que os deuses nos protejam agora, já que o não fizeram com Passos Coelho e Paulo Portas.

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Só para que conste:
O próximo ano chinês, o ano do macaco, começa no dia 9 de Fevereiro que, por mero acaso, também é o nosso Entrudo.

Imagino a macacada que será um ano que começa no carnaval!
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Banda larga divina



Um destes dias, ao dar uma olhada num jornal on-line, dei com este aviso.
Nem me atrevi a clicar!
Imaginem que sim, que seria verdade, que me iria responder e que seria a tudo ao mesmo tempo.

A confusão que iria acontecer neste jardim à beira-mar plantado e muito mal amanhado…!

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

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É verdade que sim: por vezes sou um “melga” levado da breca.
Mas se eu não agir de acordo com o que penso e sinto não vivo: limito-me a existir.

E isso é coisa que recuso liminarmente, contra tudo e contra todos!
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Uma das minhas



Já nem sei bem porquê, lembrei-me há pouco de um fotógrafo que esteve na berra pelas piores razões.
Falado e comentado em fóruns e trocas de opiniões, o apodo mais simpático que lhe ouvi atribuírem foi de “O fotógrafo mais piroso de todos os tempos”. Todas as demais classificações eram daí para baixo.
Já na altura não gostei um nico do que se dizia. Que dizer mal – muito mal – é sempre fácil. Caramba! Essa é a especialidade dos portugueses.
Mas aquilo que nunca soube foi a opinião das pessoas fotografadas. Eles e elas.
E se estavam em trajes menores, em poses eventualmente sugestivas e com adereços incomuns, certo é que nenhuma dessas pessoas parecia estar ali a contragosto. E se o fotógrafo, pessoa já não jovem, as exibia, de algum modo aquelas imagens satisfaziam-no a ponto de as mostrar. Como se de um catálogo ou portfolio se tratasse.

A maledicência na net e fora dela foi de tal forma que o seu perfil numa rede social foi apagado e acaba por ser difícil de encontrar vestígios dele que não os tais comentários demasiado mordazes.
Mas se o fotógrafo estava satisfeito com o seu trabalho, se os modelos estavam satisfeitos com o trabalho efectuado… quem são todos os outros para dizer que não presta? Que será mau, piroso, o pior fotógrafo do mundo, etc., etc., etc.?

Tenho para mim que o principal objectivo da fotografia é a satisfação dos envolvidos: atrás e à frente da objectiva.
Tudo o mais não passa de opiniões de treinadores de bancada que, curiosamente, nem sequer mostram as suas próprias virtudes fotográficas.

E não! Não digo o nome da pessoa em causa nem exibo nenhuma das suas imagens. Não me sinto no direito de aviltar o nome de alguém que faz o melhor que pode ou sabe.

Prefiro, em vez disso, mostrar uma das minhas, correndo o risco de ser objecto de uma classificação equivalente.

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Um plágio



É verdade que sim: este post é uma espécie de plágio.
Não será uma cópia exacta, mas a ideia não é minha e fica aqui expressa com uns acréscimos da minha parte.
Dizia o post original:
“Toda a gente é fotógrafo até descobrir o modo manual”.
Não podia estar mais de acordo.
Fazer com que a câmara faça aquilo que queremos e não aquilo que consta nos seus programas e automatismos é algo que a esmagadora maioria dos utilizadores de câmaras fotográficas desconhece. Um pouco em linha com o que acontece no resto das actividades humanas nesta sociedade de consumo em que vivemos.
Procuro eu não existir assim, pese embora muitas sejam as circunstâncias em que falho nesse meu propósito.
E ainda sobre os automatismos fotográficos, recordo-me de um episódio tristemente divertido:
Numa actividade fotográfica colectiva, num estúdio, reparou alguém que eu usava uma velhérrima objectiva Tamron, 90mm f/2,5, integralmente manual.
E, para além de ter conversado comigo a esse respeito, fez questão de notar junto dos demais que eu não estava a usar o auto-focus no trabalho que estávamos a fazer.
É efectivamente coisa rara ver gente a focar manualmente. E a optar por uma dada abertura de diafragma para obter uma profundidade de campo em função daquilo que se quer mostrar e não em função de um qualquer programa de exposição.
Tal como é raro de encontrar gente a funcionar à margem das programações impostas pelos noticiários, pelas redes sociais, pelos partidos políticos, pelas modas de vestuário, pelos últimos gritos da tecnologia…

É raro de encontrar gente a pensar e agir pela sua própria cabeça!


Nota fotográfica adicional: aposto em como talvez quatro quintos dos utilizadores de câmaras fotográficas desconhece o que é e para que serve esta marca branca no corpo da câmara, no canto inferior direito da imagem.

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Eventos



Fico sempre com aquela dúvida terrível: Domingo é o primeiro dia da semana ou o último?
Se, de acordo com livros sagrados, “ao sétimo dia descansou”, também é verdade que ao dia que se lhe segue chamamos de “segunda”, implicando o haver uma primeira.
E esta questão levanta-se por não saber se o Domingo faz parte desta semana se da próxima. E se os alertas do Facebook estão certos ou errados.
É que recebo um aviso da rede social sobre os eventos desta semana mas nada consta sobre o mais importante, por cá, no próximo Domingo: votar.

Talvez que Domingo seja da semana que vem;
Talvez que o Facebook não se queira meter em questões políticas;
Talvez que quem programa estes eventos prefira a abstenção e não queira alertar os utilizadores para o acto eleitoral.

Em qualquer dos casos, fica o alerta para este evento e a informação de que as temperaturas estarão amenas para a estação e que não se prevê chuva em todo o território continental.



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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

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Quem pondera a sua opção de voto presidencial ou parlamentar considerando questões de futebol deveria ser privado dos seus direitos de cidadão e ser açoitado em praça pública.

"A espera é!"



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Como os outros



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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Nem tudo está perdido



Nem tudo está perdido quando num bairro dormitório suburbano se pode assim pendurar a roupa a secar com a certeza de a ter no mesmo lugar ao fim do dia.

By me 

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Demasiadas vezes me apetece imitar o filme “O Padrinho” e fazer propostas impossíveis de recusar.

Já foi



“Então mas o que se passa? O que é que tem de importante?”, perguntam-me.
“É que, sabes, esta loja agora fechada, já foi uma das mais importantes de fotografia de Lisboa. Ela e o seu laboratório, que não era aqui.
E lá ao fundo, estás a ver, ali nas escadinhas ao lado do elevador, era outra.
E nas minhas costas, na penúltima esquina, era outra.
E à minha esquerda, lá quase ao fundo, também havia uma: meio para o turista, meio para o sério, que até tinha material de médio e grande formato.”

Este país está a tornar-se num local de romagens!

Este país está a transformar-se num “era ali”! Ou num “Já foi!”

By me

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lugares



Alguém me disse hoje, não importa porquê:
“Ganhaste um lugar lá no céu!”
Confesso que me é pouco importante esse tal lugar no céu. Importa-me, antes sim, tornar este purgatório menos penoso.

E essa é uma ocupação a que dedico boa parte das minhas energias.

By me 

Fala comigo



Existem aquelas figuras, femininas ou masculinas, que são perfeitas.
As feições, as formas corporais, as cores da pele e da pelagem, a voz, a forma de moverem… Tudo nessas pessoas é perfeito.
Depois existem aquelas pessoas que são de excepção: ele é o olhar, o formato do queixo, o comprimento dos dedos, o volume de alguma parte do corpo, a voz em tom mais baixo ou mais agudo… alguma ou algumas dessas particularidades transformam aquela pessoa em alguém que não pode deixar de ser visto e apreciado.
Há ainda aquelas pessoas que, não tendo nada em si que seja realmente bonito, têm algum aspecto que é mesmo invulgar. Alguma discrepância na proporção das formas, um formato invulgar de rosto ou o que quer que seja, a cor dos olhos ou do pelo… Ou tão só um conjunto de características que, naquele lugar e tempo são incomuns mas que na sua região de origem são banais.
Apesar de tudo isto, não são estas pessoas, extremamente bonitas ou invulgares, que nos fazem ficar perdidamente apaixonados ou com quem queremos ficar para todo o sempre. São bonitas, vistosas, fazem-nos virar a cabeça ao passar, queremos conhecer melhor, mas… não passa disso: atracção física e visual.
Depois existem todas as outras pessoas, que não possuem nenhum atributo especial, que são completamente banais ou mesmo “feias”, que, quando com elas nos cruzamos na vida, nos prendem irresistivelmente, em quem não podemos deixar de pensar, com quem acabamos por viver momentos de paixão desmesurada ou amor eterno. Claro que isto também pode acontecer com as tais primeiras pessoas, as de excepção, mas sendo que são em percentagem reduzida, é bem mais comum que seja com alguém deste último grupo, o maior de todos.

O mesmo sucede com a fotografia.
Há fotografias esplêndidas, perfeitas nos aspectos técnicos e estéticos. Paisagens campestres ou urbanas, de pessoas, arquitectura, naturezas mortas, técnicas, publicidade… Existe um bom número de fotografias, e de autores, por esses mundo fora e ao longo da história da fotografia.
No entanto, com muitas delas, dessas perfeitas, não nos daríamos ao trabalho de as comprar ou recortar de uma revista para as emoldurar e pendurar numa parede. Ou ir folhear amiúde o livro onde constam para com ela deliciar os olhos e a alma.
Mas existem muitas outras, muitas mesmo, que não sendo perfeitas do ponto de vista académico, que não respeitando algumas das regras da proporção, do equilíbrio de massas e de tons, tendo linhas de fuga estranhas, se algumas, contendo assuntos banais ou mesmo desagradáveis, nos fazem ficar horas a mirá-las, degustando cada centímetro do papel ou do ecrã, falando connosco a cada instante e contando-nos sempre algo de novo.

Tenho para mim que uma boa fotografia não tem que ser perfeita! Tem que falar comigo!
Claro que há os academismos, os conceitos de técnica e de estética que são dominantes num dado momento e lugar, que pertencem à linguagem de comunicação e que a todos é comum. São essas ideias, estilos e métodos que ensinamos nas escolas de fotografia, que levamos os aprendizes a usar de modo inconsciente. Como quem conhece as métricas e sabe fazer uma quadra.
Mas também um manual de instruções de uma batedeira ou berbequim está tecnicamente perfeito, as manchas de texto e ilustrações estão equilibradas e de acordo com as modas em uso, o texto está gramaticalmente correcto e de acordo com a ortografia do momento… mas nada disso faz dele algo que queira ver e ver e ver e ver…
Uma fotografia de que realmente goste tem que me falar, tem que me contar algo, tem que me levar a imaginar mais que não apenas o que ali está expresso, tem que provocar a excitação da minha memória ou desafiar-me a memórias novas. Mesmo que as regras de ouro, os equilíbrios, as definições ou nitidez, os tons e as cores, mesmo as luzes, não estejam “perfeitos”.
Uma fotografia que não fale comigo, mesmo sendo “perfeita como nos livros” mais não me faz que pensar naquelas pessoas que são extremamente bonitas, mas pelas quais me não apaixono nem pensaria em casar.



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A velharia



E quando me dizem “Ah, e tal, isso já é velho, já não se usa, já há muito melhor e mais moderno…”, só lhes peço que façam disto com o que têm.
Depois comparamos, certo?

Talvez que não a qualidade da ferramenta, mas a capacidade de usar o que se tem nas mãos.

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domingo, 17 de janeiro de 2016

Brincadeiras



Brincando com uma antiga namorada.
Sem enfeites, tratamentos ou preliminares.

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É tempo de



E um tipo olha para o arquivo, verifica datas e conclui que já passou demasiado desde que lá esteve.

É tempo de programar um regresso.

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Redescobertas



Só quem passou por ela o entende:
Aquela sensação de, de repente, passarem a existir cheiros, aromas, nuances estimuladoras no nariz. Algumas simpáticas, outras bem o oposto.
Aqueles cheiros que sempre existiram mas que não se dava por eles.
Um pouco como quem está numa sala onde existem ares condicionados e, de súbito, se desligam e temos aquela sensação de alívio sem que antes percebamos o que nos incomoda.
Sei que, em breve, o meu nariz e o meu cérebro deixarão de prestar atenção a coisas como o café do outro lado da rua. Ou o aroma a colónia do homem que entra na carruagem do comboio. Ou o dos caixotes do lixo que não foram despejados.
Em breve a minha relação com o olfacto será igual a toda a gente.
Mas agora, enquanto regressa lentamente e me vou apercebendo que existe…

Divertido e instrutivo.

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sábado, 16 de janeiro de 2016

Self portrait, vulgo selfie



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Em resposta



Esta fotografia foi feita no Biafra, no ano de 1968, e pelo fotógrafo italiano Romano Cagnoni.
Não é um fotógrafo particularmente conhecido ou divulgado e dele há imagens com mais circulação e referências. No mundo da fotografia, ser italiano não é um factor que ajude, ainda que possa ter excelentes trabalhos. E este é um deles.
Aliás, penso-o de tal forma que este é um dos seus trabalhos que recorrentemente utilizo como exemplo. E uma das raras imagens que tenho exposta em minha casa.
E eu explico o porquê:
Todo o drama da guerra fratricida, da fome atroz e devastadora, da mortandade absurda e o desespero daquele povo está aqui expresso, do meu ponto de vista, pela forma magistral como Cagnoni inverteu os canones, subverteu as regras, ignorou os códigos e usou aquilo que assusta tantos fotógrafos, muitos de renome: a profundidade de campo.
Mais ainda: no lugar de ter nítido quem para nós olha e ignorar ou desfocar o casal ao fundo, como seria habitual, inverteu-o. Tornando ainda mais potente o olhar de pedido de socorro que vemos. E a nossa ligação com ele.
Dos fotógrafos que conheço, poucos tiveram a “ousadia” ou mestria de ir tão longe.

Vem esta conversa e exemplo a propósito de um texto escrito recentemente sobre teleobjectivas e suas aberturas máximas. E de como, considerando preços e tecnologia actuais, não será uma necessidade imperiosa objectivas muito luminosas. As altas sensibilidades possíveis hoje e os estabilizadores de imagem permitem trabalhar com aberturas máximas menores em condições de menor luz.
E quando é referida a questão da profundidade de campo, fala-se nos fundos desfocados. O trivial, o habitual, aquilo que todos fazem.
No entanto, uma objectiva não muito luminosa não teria permitido uma imagem destas. Talvez que o autor nem tivesse tentado fazê-la, se a conhecesse bem. E nós não teríamos esta bela imagem para vermos.

Existe a moda – ou a tendência – que uma fotografia tem que estar toda ela nítida. Esta moda, para além de questões estéticas, será a consequência do fácil acesso a câmaras de sensores menores que o Full Frame ou o 35mm. Algumas de bolso mesmo. E dos automatismos de focagem e exposição, em que os fabricantes procuram a todo o custo que produzam imagens integralmente nítidas. Porque, e na opinião generalizada, uma imagem que assim não esteja ou é arte e de duvidosa qualidade ou é incapacidade do seu autor. Ou, “pior” ainda, o equipamento que não presta.
Esta imagem atesta exactamente o seu oposto!

Eu próprio não faço amiúde este tipo de imagens. Facilitismo, modas, preguiça, falta de sentido estético…
Mas em o querendo fazer, quero poder ter uma abertura tal que mo permita. E isso é tão mais importante e necessário quanto trabalho nas minhas DSLR com formato APS-C, com o qual reduzir a profundidade de campo se torna ainda mais difícil.

Objectivas muito luminosas?
Venham elas e quanto mais o forem melhor. Assim eu tenha meios económicos para a elas aceder.

Do resto trato eu, se “tiver arte e engenho”.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Temos pena



Uma das coisas que me aborrece de sobremaneira é dizerem-me (ou percebe-lo como implícito numa conversa):
“Mas eu mandei-te um mail!”
Ou, em alternativa:
“Mas eu mandei-te uma mensagem!”
Ou ainda:
“Tentei telefonar-te mas não atendeste!”
Como se fosse obrigatório que todos os dias, várias vezes ao dia, tenhamos que aceder ao correio electrónico ou ao telemóvel para ver tudo o que nos querem dizer ou fazer dizer.
Como se estivéssemos permanentemente à disposição de todo aquele que decide dizer-nos algo e haja a obrigação de disso tomar conhecimento.

Para os que assim pensam e assim agem para comigo, o meu muito sincero:

“Temos pena, mas para esse peditório já dei!”

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Opinião



Colado no exacto local onde se obliteram os bilhetes numa mais que concorrida estação de caminho de ferro com ligações suburbanas.

Perfeito e brilhante!

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

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Alguém escreveu, numa crónica publicada num jornal: “O candidato a sabonete”.
Brilhante comparação. Fantástica! Que só peca por incompleta.
Pois que também há o candidato a detergente, que tudo limpará; o candidato a shampoo, sempre sem caspa, o candidato a sabão azul e branco, bem popular; o candidato a limpa-vidros, em prol da transparência; o candidato a lixívia, à moda antiga e corrosivo;…

Tudo ponderado – discursos, ideias, atitudes, história - sobram um ou dois que, não tendo por objectivo as limpezas íntimas ou domésticas, talvez valham a pena escolher.

Um pequeno depoimento



Este sou eu, numa fotografia feita há demasiado tempo para que me recorde quando.
Do que nela se vê, ainda possuo:
A barba, maior e branca; o chapéu e o colete, arrumados nem sei onde; o flash, o punho e o cabo disparador, o primeiro ainda em uso, ou outros guardados onde não os perco.
A câmara, propriamente dita, é uma Linhoff Tecnika 70. Produzia imagens em formato 6x7 ou 6x9, em película formato 120 ou, usando película rígida, imagens em 6,5x9, em carregadores (chassis) individuais e reveladas também individualmente.
Pese embora ter vendido esta câmara faz já bastante tempo, ainda hoje tenho saudades de a usar e do que com ela aprendi.
E se fui buscar esta velharia ao arquivo foi para que os que nasceram para a fotografia já na era do digital possam entender um pouco melhor o texto que se segue.
Trata-se da transcrição de uma eventual entrevista a Eliot Porter, publicada no livro “Dialogo com la fotografia”.
Nele fala-se de uma câmara Linhoff 9x12 e das consequências de a ter usado, nos idos de 1935. Tendo o negativo o dobro da área desta na imagem, pode imaginar-se o tamanho da câmara e a facilidade (ou não) de utilização. Ou, o que não é contado mas que consigo imaginar, tratar-se-ia de uma câmara não usável desta forma, mas tão só em tripé, com o que isso implica de transporte e manuseio.
Mas leia-se o texto:

“…
Quizás 1935 o 1936. Eso fue mientras yo todavia enseñava en el departamento de bacteriologia de Harvard. Volvia a Nueva York de vez en cuando com un conjunto de fotografias y se las mostraba. Las mirava y decía: “Oh, todas son confusas. No es un problema de precisión. La fotografia da mucho trabajo y tienes que trabajar más duro.” Fue siempre muy simpático, y nunca fue grosero conmigo. No me decía: “Pierdes el tiempo” o “Eso es basura”, pero las examinaba cuidadosamente. Entonces fui un verano a Suiza y Austria. Como resultado de su crítica, me compre una Linhoff de 9x12, comencé a tomar fotografias más grandes y me llevé esa cámara a Europa. Cuando volvi e hice algunas copias de fotografias tomadas en el Tirol y otros lugares, incluso fotografias de aves, se las enseñé a Stieglitz. Las miro cuidadosamente, las volvió a mirar una segunda vez, y me dijo: “Quiero exponer estas”. Así fue. Yo no lo esperaba. En cierto sentido fue como si me golpearan en la cabeza, pero fue un golpe muy agradable.
…”

Servirá, talvez, este pequeno depoimento como exemplo da necessidade de pensar a fotografia antes de a fazer. Antes de comprar a câmara que refere, o autor usava já as então novidades “Leica”. Película de 35mm, muito mais pequenas sequer que a exibida na imagem.

O facto de se pensar antes de fotografar, nem que seja devido à complexidade do equipamento, no lugar de se “disparar” à toa pela facilidade com que se o faz, fez toda a diferença.

By me