domingo, 31 de agosto de 2014

Marcando o território



Húmido

By me

Respeitinho

Sempre gostaria de saber que reacções teriam os clientes se, num restaurante ou café, a atenção dos empregados para com os clientes fosse diminuída ou interrompida porque em uso de aparelhos de comunicação (voz ou texto).

Tivesse eu um desses estabelecimentos e instalaria um sistema que inibisse estes sistemas, com o respectivo aviso na entrada.
Que nem empregados nem os demais convivas à mesa são escravos nos nossos vícios ou dependentes dos desejos de conversa de alguém que nem sequer está presente.


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P´la janela



Enquanto espero que o café matinal fique pronto, espreito p’la janela, na nesga de exterior que consigo ter da minha cozinha, entre a roupa que eu mesmo deixei a secar e a que a minha vizinha de cima pendurou da sua.
Não consigo ver mais que isto, mas o que vejo assegura-me que será um belo domingo. Talvez de praia, talvez de campo, um excelente fim de Agosto para que os que regressam de férias as terminem em bem.
E, enquanto penso isto, sou assaltado por um sentimento terrível de inveja: vou passar este belo dia de Agosto enfiado num canto escuro, sabendo do belo dia que estará apenas por aquilo que a tecnologia me disser. Ora bolas.
Mas, logo de seguida, recordo-me que muitos são os que não têm onde ir trabalhar ou como ir de férias.
Fiz o registo a correr, às três pancadas, enchi e provei a primeira caneca de café fumegante, e fui tomar banho.
No fim de contas, sou um sortudo: Ainda posso tomar café e ainda tenho água corrente para um banho matinal.


Bom domingo!

By me

sábado, 30 de agosto de 2014

Coisas de que não gosto


Conversar com um cavalheiro, da minha idade e que conheço há muito, e que me diz que sempre incutiu nos filhos o espírito de “tens que ser o melhor”.
E que acrescenta que são hoje gente de sucesso na sua actividade, com excelentes perspectivas de futuro.

Mas que, quando perguntado se vivem para além do trabalho, se são felizes, fica a olhar para mim e demora longos segundos para me dar uma resposta, atabalhoada.
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Trocas fotográficas, versão 2.0.7



Troco 
Alguns conhecimentos fotográficos
Por
Não importa o quê, desde que feito pelo próprio.

Data – Domingo 14 de Setembro 2014, 14.30 horas
Local – Esplanada do Jardim de São Bento, ao lado da Assembleia da República, em Lisboa

- Objectivo:
Disponibilizar alguns conhecimentos básicos de fotografia, de modo a melhor dominar o equipamento que possuem os participantes.
Neste caso específico iremos abordar, e para além das dúvidas dos participantes, o objecto: função, matéria, forma, cor.

- Conhecimentos exigidos aos participantes:
Nenhuns.
- Equipamento:
Um bloco de notas e uma caneta ou lápis;
Uma câmara fotográfica, digital de preferência e não importando a sua simplicidade ou complexidade, com um cartão vazio e baterias carregadas. Se possível, trazer consigo o manual de instruções.
- Duração:
Dependente da quantidade de participantes, três a quatro horas. 

Esta iniciativa é uma réplica de uma outra já verificada, com pequenos ajustes e correcções de método, baseada no princípio de trocas: cada um dá o que possui e pode, deixando de parte o conceito de dinheiro ou de valor do que estiver em causa.

Com a enorme vantagem de passar ao lado da crise existente, com ou sem troikas.

By me

Farpas



Numa manhã de sábado, solarenga e ameaçar de quente, faria sentido publicar uma qualquer fotografia e/ou texto fofinho.

Mas depois de ler e ouvir as notícias do dia, não me apetece mais que isto!

By me

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Subversão!



Nas palavras, nos actos, nas mentalidades.
É talvez a coisa que me dá mais prazer fazer com um estranho, logo a seguir a fotografá-lo ou ajudá-lo.
E quanto menos vícios de vida ou pensamento tiver, mais prazer me dá.
Que é de muito novo que há que conhecer outras formas de pensar, à margem das convenções.

Ao terceiro dia, quase consecutivo, conseguiram convencer-me a comprar uma destas bolinhas feitas mundo (ou o oposto) para “ajudar” uma qualquer organização de solidariedade.
Mas não fiquei eu só com o mundo, como se vê p’la imagem. Ainda estivemos um bom bocado à conversa, tanto mais que esta minha “modelo” estuda e gosta de filosofia.
Ficou com uma ideia estranha, talvez, do cota de barbas, que lhe falou no seu vocabulário, de permeio do do seu professor. E que lhe sugeriu um ou dois livros p’ra ler, à margem do que em casa e na escola lhe recomendam.

Espero que groques, Elisette. E que saibas para que serve a fotografia.

By me 

Linhas e linhas, SGPS



By me

Tempo



Porque hoje é hoje, tenho mais um dia no lombo.
Do que foram todos os outros sei-o, na medida em que a memória e relevância dos acontecimentos fizeram sobrepor uns a outros.
Do que será este só a sucessão dos momentos, e na medida em que os controlar, o dirá.
E entre o que foi e o que será há o este momento, que se torna relevante porque dele falo e o registo.
E não, o relógio não está certo. Melhor: este relógio não está certo nem com a hora legal nem com a hora solar do local onde me encontro. Mas está síncrono com algum ponto do espaço/tempo que conhecemos ou não.
Amanhã poderei dizer, de novo, que tenho mais um dia no lombo. Por ser o dia que é. E será tão importante, ou não, dizê-lo amanhã como o é dizê-lo hoje ou foi dizê-lo ontem.
Excepto que a cada dia que passa, depois de cada instante que vivo, estou bem mais rico em saberes. E, para mim, é isso que conta.

Já o tempo… bem, está bom tempo, lá fora.

By me 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

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No tribunal mais rigoroso e exigente da vida, o juiz não pode usar o clássico martelo.

Ou partiria o espelho.
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Sombras



Fotografar considerando apenas a luz, excluindo as sombras, é o mesmo que conduzir numa noite de nevoeiro cerrado com os máximos ligados.

Esta parede e as sombras que nela se projectam são-me irresistíveis!


By me

Meet the pala



Estavam ela por ela, eles e elas.
Com os seus símbolos de grupo, estampados ou encavalitados na cabeça, alguns brilhantes como se aço as correntes fossem, eles eram o costume de qualquer outro lado.
Por seu lado, elas, exibiam-se como de costume, cada uma tentando ser mais exuberante no diminuto dos trajes ou no respectivo colorido. Como em qualquer outro lado.
E estavam, como em qualquer outro lado, nos seus jogos de provocação recíprocos, quase pueris, eles com eles, elas com elas e eles com elas, como se o mundo, nesta tarde, se reduzisse a eles e elas.
Tudo por junto, eles e elas, os que estavam em grupo e os que cirandavam em busca de um grupo, mais não seriam que uns duzentos e cinquenta. Bem medidos. De tão poucos que eram, eles e elas, que quase se não viam sob a imensidão da pala. E quando procuravam as sombras mais frescas das colunas, nem se viam mesmo.
Quem se via mesmo eram os outros eles. Tudo por junto estes eles não seriam mais de trinta, apeados. Mais uns quatro ou seis nos carros que, como os outros, cirandavam em busca de grupo.
Mas estes eles, sempre aos pares ou em dupla de par, faziam por serem vistos. E eram-no. Que os bonés na cabeça não destoavam do azul dos uniformes nem da parafernária profissional que traziam à cinta, no cinto.
Muito mais discretos, a ponto de só se verem quem os soubesse ver, eram os à civil que cirandavam no interior do centro comercial, como se evitassem qualquer grupo.
Mas para quem já anda nestas coisa há algum tempo como eu, é fácil interpretar alguns sinais. Para já não falar de algumas caras reconhecidas de outras circunstâncias.
Resta falar do terceiro grupo de eles. Os seguranças. Para além dos habituais, de casaquinho vermelho, o contingente fora reforçado com mais uns quantos, de fato-macaco, tamanho king-size, que estavam tão visíveis e estrategicamente colocados quanto os anúncios de telemóveis ou outras inutilidades no interior do centro.
Não sei se haveria mais dos eles em carrinhas estrategicamente colocadas a distância discreta. Mas, e considerando o visível, seriam em quantidade.

No meio de todo este quase-drama, com eles e elas alegres e descontraídos por um lado e os outros eles, carrancudos e ameaçadores por outro, houve gente frustrada ou incomodada. A saber:
Um jornalista com o fotógrafo. Enquanto esperavam o táxi, e eu fumava um cigarrito observando, comentou o segundo para o primeiro: “eu disse-te que não dava nada!”;
Um casal de noivos, com o respectivo traje e fotógrafo, que não conseguiam fazer as fotos da praxe sob a pala como queriam. Polícia de um lado, miudagem do outro não dá, ouvi o fotógrafo comentar, enquanto se afastavam, ela segurando o seu vestido acima das agruras das pedras da calçada;
Duas funcionárias do centro, que ouvi em momentos diferentes, que comentavam nos corredores e ao telemóvel “isto ‘tá cheio de bófias e segurança!”

Quanto ao resto eu, que fui ali parar sem suspeitar que nesta quinta-feira estava previsto o que quer que fosse, diverti-me à brava com o que vi, ao mesmo tempo que fiquei cheio de raiva do aparato policial, nitidamente repressivo pela dissuasão, preparados para o desse e viesse daquele bando deles e delas que ali não estava que não apenas para aproveitar o fim de Agosto e, de caminho, fazer um nico de provocação às autoridades. Sem mais.
Que faz parte da adolescência o ficar até à última e o provocar.
Alguém terá que explicar bem explicado a este governo e a este comando de polícia o que é pedagogia, o que é a adolescência, o que é delinquência e o que é opressão policial.



By me

Definições

O sempre e o nunca têm aquela particularidade divertida de estarem sempre certos até que alguém demonstre que nunca o estiveram.
Tal como ter ou não razão depende, acima de tudo, do contexto em que se analisa a coisa.
A democracia não serve para definir quem tem ou não razão. Serve, antes sim, para permitir que o todo chegue a conclusões e decida do seu futuro.
Se estiverem certos ou errados é algo que apenas o futuro o poderá dizer. E, mesmo assim, a opinião poderá mudar.
O que importa, penso eu, é poder-se agir e decidir em liberdade, mesmo sendo a democracia uma ditadura da maioria sobre a minoria.

O resto prende-se com felicidade e semântica.

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Superlux



Mão amiga fez chegar à minha este aparelho.
Trata-se de fotómetro (em boa verdade é um exposímetro, já que não indica candelas por pé quadrado mas tão só permite calcular a exposição em função da luz existente.
A sua marca é “Superlux”, tendo atrás a referencia adicional “Edla”.
Nunca tinha eu visto ou lido sobre este aparelho, que se encontra num estado quase perfeito. Uma análise mais atenta informa-nos que já aconteceu uma tentativa de abertura, já que lhe falta um parafuso minúsculo. Talvez que procurando colocá-lo em funcionamento, o que seria impossível. O seu sistema de reacção à luz é antigo e a célula tem uma capacidade limite, naturalmente já extinta.
E este “naturalmente” advém deter sido fabricado nos anos trinta do séc. XX. Por aquilo que consegui apurar, foi fabricado na Hungria, tendo a Kodak usado a patente e o mesmo modelo sob o nome de “Kodalux”.
Acrescente-se que este aparelho possui uma característica invulgar para a época: permite medir a luz (ou calcular a exposição) num ângulo muito restrito (oito graus, pelas minhas contas) usando um sistema muito simples de favo-de-abelha no seu interior. Com o adicional depossuir um sistema de mira, permitindo-nos saber que zona em frente de nós estaria a ser medida. Engenhoso e funcional.
Claro está que ter este aparelho arcaico e bonito (muito bonito) nas mãos me levou a partilhar a sua existência com diversas pessoas, em particular quem está ligado ao uso da luz no seu ofício. Que desencanto!
A maioria dessas pessoas pouca importância lhe atribuiu. Nem à sua beleza, nem à sua antiguidade e menos ainda à forma original de funcionamento. Para essas pessoas, o mais importante no que toca a equipamentos é a modernidade, a novidade, o último grito. O que passado, mesmo que já tenha sido o último grito, é passado e pouco importa. Mesmo que de ontem.
Quem deu mais valor ao aparelho, enquanto ferramenta e enquanto objecto, foram pessoas que pouco se relacionam com o ver, analisar e captar luz. Entenderam estas pessoas o “valor” histórico, a raridade do seu funcionamento e ficaram solidariamente satisfeitas comigo por ele ter sobrevivido à voragem do tempo.

Fica um aviso a todos aqueles para quem o último grito da tecnologia é o mais importante:

Todos esses “últimos” em breve, muito breve, serão passado e arcaico. E quem não souber dar valor ao que fomos, às raízes do que somos, dificilmente será um bom utilizador da modernidade. Mais não será que um consumidor compulsivo daquilo que os fabricantes colocarem no mercado, correndo ao ritmo das vendas e dos lucros.

By m

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O simples facto de haver tanta gente a defender a mesma coisa não significa que estejam certos.

Apenas que estão de acordo.
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Conto brevíssimo



Este é um conto breve. É mesmo brevíssimo. De resto, se não fosse breve, muitíssimo breve, correria o risco de não ser um conto. A obrigação principal dos contos, mais que dos homens, é conhecerem os seus limites.

Propondo-me escrever um conto breve, tão breve como este, é-me impossível dizer qualquer coisa de mim. A brevidade não permite essas expansões, quase sempre vaidade, em que sacrificamos uma narrativa a nós próprios. Ora, se há coisa que não goste de sacrificar, ainda que a mim próprio, é uma narrativa. Claro que narrar não é, como todos sabem, o suficiente para escrever um conto. Mas também não é, como todos reconhecerão, uma coisa absolutamente necessária: mais, se o conto é breve, brevíssimo, o lugar para a narrativa estreita-se de tal modo, que ela quase não cabe; e, se a forçássemos, ela, como a intromissão das nossas pessoas o faria, ampliava os limites - aqueles limites que é preciso conhecer - para além do razoável num conto breve.

Porque, reconheçamo-lo, a brevidade é tudo. A brevidade permite contenção, prudência, reticência, pudor. O pudor é essencialmente uma virtude breve.

Sem dúvida, porém, que as virtudes, mesmo breves, não são comportadas pela brevidade de um conto brevíssimo. Além de que é ponto assente e demonstrado que as virtudes são inteiramente alheias, como virtudes, à estética literária. E um conto breve é, acima de tudo, uma obra de arte, de arte literária, onde tudo se reduz ao efeito artístico.

Contudo, na brevidade de um conto é extremamente difícil, senão impossível, preparar um efeito. Se não queremos, e eu não quero, apenas contar uma anedota, os limites razoáveis não dão azo a tais preparativos. Estes, à semelhança da perda das virtudes, requerem preparação, embora a perda propriamente dita possa ser praticamente instantânea, quer seja sentida no momento em que se perde (a virtude), quer seja uma descoberta mais tardia, quando alguém descobre que lhe fazia falta alguma coisa (“coisa” é um modo de dizer) que afinal perdera. Num conto breve é tão duvidoso caberem as virtudes, quanto é duvidoso que se percam.

Lembro-me que, uma vez, em Londres, eu procurava com os olhos, parado numa esquina, a estação de correio, que era por ali perto. Eu tinha-me informado, e era por ali perto. Então uma senhora de idade, com óculos de aro de aço e uma couve repolhuda esticando uma saca de malha, parou ao meu lado, voltou-se para mim, afastou os cabelos grisalhos e sujos que apareciam caídos do chapéu de feltro preto, sem forma mas pontudo, e perguntou-me onde era a estação de correio. Imediatamente o meu olhar, depois de ter fitado o casacão cinzento e os sapatos rasos com fivela grande, que eram o resto da imagem dela, percorreu os prédios - todos georgianos com janelas brancas nas paredes de outro branco - e viu a estação de correio. Apontei-lha, e a senhora agradeceu com efusão, e atravessou a rua. Quando ela atravessava, dei passos pelo passeio, e vi, numa montra que era uma janela, um chinês de porcelana, coberto de pó. E, repentinamente, voltei atrás, porque não tinha - verifiquei - nenhuma carta para deitar no correio (havia um marco de correio ao pé de mim) e não queria comprar selos (tinha selos no bolso).

Não posso esquecer a brevidade deste episódio, não por ser episódio, que o não é, nem sequer por eu saber ou não saber a razão de não poder esquecê-lo. Já pensei que isto se relaciona com o retrato de uma velha, que vi no jornal, não sei se no dia seguinte, assassinada numa estação de correio. Mas, se bem me lembro, a estação de correio era noutro bairro. É provável, todavia, que a razão (de eu saber ou não) resida apenas na brevidade, uma brevidade insignificante, insignificada, sem conteúdo algum, como o pudor, tão breve essencialmente.

Mas, reflectindo melhor, talvez que a brevidade não desculpe a ausência de atenção com que jamais aproveitei um acidente. A não ser que seja a hesitação natural (e já reflectida) em ver, neste acidente, um incidente. É uma diferença da maior importância para o conhecimento dos limites. E os limites, que é tão imperioso conhecer, eles só, e mais nada, nos autorizam as definições. Sem definições, a brevidade não existe, não se realiza, da mesma maneira que, com elas, não tem essência própria nem estrutura virtual. E um conto breve, brevíssimo, que seja a própria desistência de narrar (e narrar implica, reparemos, interpretar ou, pelo menos, escolher), e em que passemos incógnitos (embora não fora do tempo e do espaço), não sendo mais nada, será por certo a brevidade impreparada, a brevidade captada, a brevidade em si, tanto mais que, no caso presente, eu nunca mais tornei a ver aquela velha, mesmo que (a não ser que ela fosse a do retrato) outras vezes me tenha cruzado com ela na rua. Não muitas, nessa hipótese, porque parti pouco depois (exactamente pouco, não garanto que tenha sido) para a Bélgica. A brevidade, porém, isenta-nos de quaisquer perigos. Ora os perigos são, quase sempre, muito breves. Pelo que poderemos concordar em que este conto é brevíssimo.

Texto: By Jorge de Sena

Imagem: algures na net

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

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Hoje, no meu local de trabalho, vai ser uma confusão dos diabos.
Convoquei para uma meet todos os meus alter egos e, sendo que existe uma enorme rivalidade entre eles, não sei bem o que acontecerá.

O melhor mesmo é chamarem a polícia, os bombeiros, a força aérea e o exército de salvação.
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Campanha



É sempre bom ver como as diversas instituições colaboram, mesmo que o termo “colaborar” seja estranho.
Não me recordo de ver tanta notícia por antecipação nos jornais, excepção feita aos jogos de bola. Aqui, há sempre um montão de opinadores de serviço que fazem inveja a qualquer vidente.
Mas hoje estão todos ao serviço da lei e da ordem, fazendo uma verdadeira campanha de dissuasão.
“Vai estar polícia!”, “Vai estar polícia!”, “Vai estar polícia!”, “Vai estar polícia!”, é o que se lê por tudo quanto é lado a propósito de uma tal de “meet” anunciado para um centro comercial em Lisboa.
Intimidação, dissuasão, são as palavras de ordem.

Ou os RP’s da PSP têm muita força ou o grupo SONAE vai ter uma bela campanha publicitária nos jornais.

By me 

Recomendações



Foi há uns dias.
E se agora estou em frente a um computador portátil segurando um copo de café de qualidade bem conhecida e não pelos melhores motivos mas que possui cafeína, aquando desta estória estava repimpado numa esplanada, olhando rio à minha frente e tendo na mão um gelado bem bom.
A meu lado, noutra mesa, uma família que incluía dois pimpolhos, de uns 7 a 8 anos um e de uns 5 anos o outro.
Nem teria dado por eles não fora de súbito ter ouvido a mãe afirmar para o mais velho:
“Estás a ver? Isso não tinha acontecido se prestasses atenção ao mundo que te cerca.”
Prestei eu atenção ao que me cercava.
O garoto ter-se-ia aleijado, por desatenção, e este era o conselho que a mãe lhe dava.


Gandapinta de mãe! Se todas e todos dessem conselhos destes nestas e noutras idades, metade dos nossos males não existiriam!

By me

Interrogações hipotéticas



Sobre a mais que batida questão das novas taxas sobre dispositivos de armazenamento electrónico com o pretexto de compensar os autores da pirataria, uma outra questão:

Em querendo eu possuir ou ofertar um trabalho autoral (escrita, musical, videográfico) que já não existe no mercado porque não re-editado, tenho duas alternativas:
Ou bem que convenço alguém que o possua a vendê-lo, usado, ou bem que copio o trabalho, com tudo o que isso significa de perda de qualidade face ao original.
Mas o que é interessante é que se o comprar usado, numa feira ou num alfarrabista, o autor e editor nada recebem. Ou seja: o negócio é legal, são pagos os impostos legais de uma transacção de um bem usado mas o autor, o tal que se quer proteger com esta nova taxa, nada ganha com isso.

Vem isto a propósito de querer ofertar um livro, cujas duas edições em português estão esgotadas.
Faço questão que seja lido, mas também faço questão de não perder o exemplar que possuo.
Que fazer dentro da lei? Da tal lei absurda?

Ou mando a lei dar uma volta ao bilhar grande enquanto trato de usar opções à sua margem?

By me

terça-feira, 26 de agosto de 2014

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Não me digas o que és, não me fales do que fazes.
Sê-lo e fá-lo!
Que os pedestais importam a escultores, arquitectos paisagísticos, operadores de câmara e políticos.


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O conceito nada tem de original. Conheço-o desde há muito e em várias versões.
Mas certo é que cheguei à conclusão que nada tenho de masoquista.
Há já uns anos que estes governantes me incomodam, magoam, lixam, prejudicam, matam aos bocadinhos…
E continuo a não gostar.

Faz falta que, um destes dias, façamos o feiticeiro tomar o seu próprio remédio.
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Quase já sem brilho



By me

Just for the fun



By me

Liberdade



O conceito “A minha liberdade termina onde começa a do outro” é um absurdo!
A liberdade não termina. A liberdade não tem limite, ou deixa de o ser. Ponto final!
A liberdade é o eu fazer o quero fazer, sem amarras ou peias.
Se assim não for, mais não será que liberdade condicional, como vemos nos filmes.

Acontece que eu não quero interferir com a liberdade dos demais.
Faz parte da minha liberdade o querer que os outros sejam livres. A minha liberdade depende de os outros serem igualmente livres. É uma decisão minha, livre e autónoma. Não imposta por um qualquer dogma ou conceito vindo de fora.

Talvez que seja nesta questão, que aparenta ser apenas semântica, que reside toda a diferença.

By me 

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“Se eu souber o porquê, saberei o como!”
E se eu não souber o porquê, não farei fotografias, farei fotocópias do que me cerca.
……
……
……
Mas, e para concluir um texto que seria longo e muito fulanizado:
Não me interessa ajudar a preparar grandes fotógrafos que façam grandes fotografias que saiam nas capas das grandes revistas.
Interessa-me, antes sim, ajudar a que encontrem satisfação ou felicidade no uso da câmara fotográfica.
O mais são trocos e pedantices quem se acha grande no meio de uma elite.

E eu sou povo!

By me

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Alegrias



Ontem foi dia de “Trocas fotográficas”.
O tema que levava mais ou menos preparado versava a composição de imagem. O como colocar em evidência o assunto principal, algumas “regras” de composição e o como nem sempre o que vemos ao vivo resulta na fotografia.
Mas sendo certo que não me entendo como sendo um mestre no assunto, bem melhor que as minhas opiniões ou trabalhos é o ver-se o que outros fizeram. E saí de casa com duas mochilas cheias de livros.
Serviriam de base de trabalho e discussão sobre o tema, analisando as preferidas e antes de partirem os participantes para fotografar assuntos seleccionados.
Os livros abordavam fotografia no seu todo. Alguns mestres de grande gabarito, alguns contemporâneos e “avant-garde”, reportagem, nu, paisagem, objectos, guerra, monografias e colectâneas. Havia um pouco de tudo.
Já em trânsito para o local, lembrei-me que deveria comparecer uma família que incluía uma mocinha novita, com menos de dez anos. Que também fotografa e que também haveria de ver e trabalhar nos livros.
Quando chegaram, questionei os pais sobre se haveria algum problema em a filha ver os que envolviam o nu. Não sei quais as conversas e quais os tabus existentes e não queria ferir susceptibilidades.
Fiquei sabendo que não haveria problema e não me preocupei mais.

A minha grande alegria foi quando, passado um pouquinho, vejo a mãe recusando o acesso da mocinha a um dos outros: o que versava a história da fotografia em cenários de guerra.
E o argumento foi lapidar:
“Não me importo que veja nus. Agora atrocidades e horrores de guerra, isso não!”
Mentalmente levantei-me da minha cadeira, tirei-lhe o chapéu e aplaudi. Longamente.
Tivessem os decisores da imprensa e das televisões esta mentalidade e esta abordagem na hora de decidir o que é exibido em horário nobre ou nos conteúdos de filmes e animações das tardes dominicais…

Na imagem:
À esquerda: Prisioneiro Chinês, decapitado por um Japonês, aquando da invasão da China pelo Japão, 1931, sem autor, in “Smithsonian, War a photo history”

À direita: “Sylvia in my studio”, Paris, 1981, por Helmut Newton, in “Helmut Newton, private property”

By me

Uma histórinha



Uma ocasião pus-me eu em campo em busca de um tema musical.
Não que fosse muito importante, que não é, mas entendi que o queria e tratei de o procurar.
Acontece que não sabia o título da canção, em que disco teria sido publicado ou mesmo quem o interpretava. Apenas o refrão da canção, portuguesa, que ia trauteando a medo para que não o assassinasse.
Percorri diversas discotecas sem sucesso. Na maior parte não conheciam o tema. Talvez por serem muito novos os que me atendiam e a canção, inicialmente cantada numa revista à portuguesa nos anos 30, estar já quase no olvido.
Em algumas lojas, duas, recordavam-se dela.
Numa entregaram-me uma versão que comprei, pese embora não gostar dela nem um nico. O tema original é um dueto, masculino e feminino, e esta é interpretada por uma senhora cuja voz, ainda por cima, não colhe as minhas simpatias. Mas vim com ela, como último recurso.
Na outra recordavam-se com exactidão do que queria eu, não possuíam, mas tinham uma ideia de quem o teria publicado. Ficaram de me contactar mais tarde. Quem mo disse foi um dos empregados, já entradote, que não me disse que a loja, ali para os lados da Av. de Roma, estava por um fio. E tanto assim que, passados uns meses, voltei lá e já não existia. É agora um banco.
Mas a pedra de toque nesta minha busca pelo “santo graal” foi uma discoteca, de renome, de um centro comercial.
A menina, que não teria mais de 25 anos, não conhecia o que eu procurava e, depois de pensar um nico voltou-se para ir para a parte reservada da loja.
Suspeitando eu que fosse procurar na net, disse-lhe que não adiantaria, já que isso vinha eu fazendo de há muito e sem resultado.
Voltou-se para mim, com ar conformado, e disse-me:
“Então se não está na net, não existe.”
Não me dei ao trabalho de lhe explicar que o mundo e a vida é muito mais que o que está ou acontece na internete. Espero, sinceramente que agora, que já deve andar pelos 35 anos, já o tenha aprendido e da melhor forma.


Qual o tema musical? Guardo para mim essa informação, que há prazeres que são egoístas.

By me 

domingo, 24 de agosto de 2014

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“Perdoar é próprio dos deuses, esquecer é próprio dos burros”, diz-se.
Acontece que, não sendo eu um destes, também não consigo ser um daqueles.

Desculpem a imperfeição.

Há dias assim



Há dias assim!
Há dias em que Photographia é bem mais que ver, registar, tratar e cogitar em torno do que se fez.
Há dias em que a Photographia é falar dela, enaltecê-la, promovê-la, facilitá-la.
Há dias em que a Photographia é bem mais que fotografar.
Hoje foi um desses dias e o melhor que consegui foi isto, feito quase que à sucapa entre dois momentos em que a Photographia imperava mas não a minha.

Há dias assim!

By me

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Quando você diz que gosta dos domingos é por serem dias santos, por serem o “dia da família” ou por serem dias de não trabalhar?
Bem, saiba que o não são, nenhuma dessas coisas, para muitos milhões de pessoas no mundo.

Em Portugal também.

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Grafia - Photographia



Eu não tenho carta de condução.
Nunca aprendi a conduzir um automóvel nem nunca tentei conduzir um.
Se, no início e quando tinha idade para isso, não tinha dinheiro para a carta e muito menos para o carro, quando passei a tê-lo percebi que podia organizar a minha vida sem carro, tirando partido das vivências que os transportes públicos permitem. E são muitas e muito neles se aprende, garanto.
Mas muitos foram os que me perguntaram porque raio não tiro eu a carta, podendo fazê-lo.
A explicação é simples: não adianta ter a carta se não se praticar. O simples facto de ter sido aprovado em aulas de código e de condução não faz de mim um condutor. Apenas um encartado.
E sabemos todos que, se não praticarmos, o aprendido esquece-se. Passa do estado de “talvez saber” ao estado de “talvez lembrar”. Talvez nem tanto. Perigoso no caso de automóveis.

O mesmo se aplica em todas as outras áreas do saber. Teórico ou prático, científico ou subjectivo, do fritar um ovo ao erguer um prédio, passando pela fotografia, naturalmente.
De pouco adianta aprender técnicas e conceitos estéticos se não forem postos em prática amiúde, se não se fizer disso uma actividade em que o domínio desses campos seja algo instintivo, deixando para o acto de criar as questões de conteúdo e ocasião.
O papel do pedagogo passa por aqui: promover e facilitar o conhecimento e a prática de forma que do lembrar se passe a saber. E dar “ferramentas” a quem aprende para que possa manter esse saber activo e permanente.

No entanto, de pouco adiantam as melhores práticas pedagógicas, mais conservadoras ou mais revolucionárias, se não houver por parte de quem aprende vontade de tal.
É muito fácil trabalhar com crianças. Como todo o juvenil, possui muitas perguntas e ainda poucas respostas. Assim, basta ir satisfazendo essa curiosidade natural, dando-lhes as respostas às perguntas ou, melhor ainda, provocando-lhes novas perguntas para as quais queiram respostas.
Acontece que à medida que o juvenil se vai transformando em adulto, vai adquirindo respostas e perdendo o interesse nas perguntas. Chega mesmo a entender que tem todas as respostas a todas as perguntas.
E é aqui que o papel do pedagogo se torna mais difícil. Na maioria dos casos os estudantes adultos (aprendizes, formandos, alunos) não querem realmente aprender ou encontrar respostas a perguntas. Querem, antes sim, encontrar respostas a perguntas concretas e objectivas, de como solucionar esta ou aquela situação em concreto, deixando de parte os porquês envolvidos. Ou, e é legítimo, querem obter creditações que lhes permitam melhores condições de vida. Rapidamente e sem esforço.
O papel do pedagogo, nestes casos, duplica. Que, e para além de dar ou ajudar a encontrar as respostas, tem que fomentar as perguntas intermédias que conduzam à resposta final. Tem que provocar a curiosidade, tem que fazer com que haja dúvidas, com que brotem incertezas. E tudo isso sem que esses mesmos adultos se sintam manipulados no seu raciocínio. Ou que, ao senti-lo, tenham prazer nisso e disso tirem proveito.

Muito se tem falado, por cá e ao longo dos tempos, na actividade docente: das condições de trabalho, das remunerações, das turmas grandes, dos dinheiros disponíveis para o ensino, do acesso à profissão…
Mas pouco se fala da dificuldade do ofício, dos tempos extra-escola mas de trabalho, da adequação dos conteúdos aos tempos disponíveis, dos métodos impostos por entidades que desconhecem o que é trabalhar com indivíduos…
Que a pedagogia não é lidar com um montão de gente mas com cada um em particular, com as suas capacidades, dificuldades e características, levando a bom porto o objectivo comum na actividade: aprender. Muito para além das avaliações e quotas de sucesso.

Por mim, continuo a não querer ter carta de condução. Quero continuar a andar no meio dos meus iguais e tentar encontrar respostas às questões que se me levantam. Quero continuar a aprender.


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sábado, 23 de agosto de 2014

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Olhando com um pouquinho de atenção o que consta na Bíblia, encontramos logo no início, no Livro de Génesis:
“No princípio, Deus criou os céus e a terra. A terra era informe e vazia. As trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas.
Deus disse: “Faça-se a luz”. E a luz foi feita. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou dia à luz e noite às trevas.
Assim surgiu a tarde e, em seguida, a manhã: foi o primeiro dia.”
Um pouco mais à frente, no mesmo Livro de Génesis, ficamos a saber que só alguns dias depois é que o Homem foi criado.

Conclui-se, assim, que a coisa mais importante na Criação foi a luz, tendo sido o Homem criado muito depois, na véspera do sétimo dia, dia em que Deus descansou.
Portanto, fotógrafos de todas as qualidades: A Luz foi a primeira coisa a ser criada no universo e, por conseguinte, a mais importante. Talvez que a mais simples, mas a mais importante. A origem de todas as coisas. Quem não tiver pela Luz uma reverência bem maior que por tudo o resto que existe, Homem incluído, não apenas não respeita a Fotografia como não respeita a Criação!


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Escrita criativa



Por vezes vou para a varanda praticar escrita criativa num laptop à moda antiga.

São estranhos, os resultados.

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Medindo



De tanto ouvir falar em competitividade, em mais e menos, em pior e melhor, quase que acabo por concluir que as emoções se medem em léguas, os afectos em canadas, a beleza em joules e a criatividade em arráteis.


Quase!

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Luz e digital



Como se explica, em duas penadas e a quem não está de todo vocacionado para a questão, o que é temperatura de cor, calibração de equipamentos e sensibilidade visual humana?
Fácil! Rapa-se da câmara de bolso e demonstra-se.
Mais difícil de explicar e demonstrar é o quão errados estão os ecologistas ao advogarem os usos das novas tecnologias de iluminação doméstica.
Efectivamente gastam menos energia para produzir a mesma quantidade de luz. Mas…
São muito mais caras na produção das lâmpadas, estas possuem circuitos electrónicos que esgotam recursos, contêm gazes nocivos e não reciclados… No total, entre somar custos globais e vantagens globais, as vantagens serão maioritariamente para os fabricantes, se considerarmos que a energia pode ser sustentável com o recurso a renováveis.
Mas, muito pior: a transformação que estas novéis formas de iluminar estão a provocar no ser humano.
Desde sempre que este vive com o espectro luminoso total. Do infravermelho ao ultravioleta, todos os comprimentos de onda visíveis. Tanto oriundos da luz natural (sol) como das demais que fomos inventando ao longo dos séculos: queimando algo.
Acontece que as novas formas de iluminação não têm todos os comprimentos de onda. Em maior ou menor proporção, têm uma dominante verde, em curva ou risca. E esta dominante é tanto maior quanto o envelhecimento ou tempo de uso da lâmpada (leia-se gás no seu interior).
Ao passarmos hora e horas, dias, meses seguidos, com este tipo de iluminação como principal, alteramos a nossa própria capacidade de aferir cores, assumindo que uma dominante esverdeada é natural. E que aquilo que é iluminado pelo sol é demasiado azul ou vermelho.
Estamos a modificar a nossa relação com o mundo em que vivemos.
E eu, que necessito da acuidade visual para o que faço todos os dias, tenho diversas experiências e situações que bem o demonstram.

Sugestão para os cépticos:
Comprem duas lâmpadas economizadoras no mesmo dia, da mesma marca e modelo. Guardem uma e ponham a uso a outra. Passados seis meses liguem a não usada e comparem a luz resultante. A olho nu ou recorrendo ao registo de uma câmara fotográfica.
Podem fazer o mesmo teste com as novas “lâmpadas” de LED, se bem que eu ainda o não tenha feito.
Na imagem: câmara calibrada para a luz solar.
Da esquerda para a direita:
Um papel branco sob a luz solar, o mesmo papel branco sob a luz de uma lâmpada economizadora, o mesmo papel sob uma “lâmpada” de LED.
Nenhuma correcção de cor, saturação, brilho ou contraste.

Quando acabei de explicar em três penadas estes fenómenos ao empregado do café aqui da rua, tinha uma plateia de sete pessoas – ele e mais os seis clientes presentes – a querer ver os resultados.

O digital tem vantagens, digam lá o que disserem.

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Estrangulados



É nestas questões que a porca torce o rabo.
Leio um artigo num jornal que nos conta como têm aumentado a ofertas privadas no campo da saúde. Em simultâneo com o que sabemos de cortes na saúde pública, de locais de atendimento a postos de trabalho. E vemos como os profissionais da área vão manifestando o seu desagrado e preocupações quanto ao futuro. Pessoal e do sistema.
Sabemos o mesmo no que se refere a justiça e educação. A transferência para o campo do privado das actividades ligadas à justiça, o encerramento de tribunais e esquadras de polícia, a redução de efectivos em ambas as áreas, o encerramento de escolas públicas e as parcerias com escolas privadas, a redução de quadros.
E, no que toca a transportes também as notícias são férteis: privatizações de empresas, desmantelamento dos equipamentos públicos, gestão privada do investimento público, os portos, estradas, aeroportos…
O mesmo no que toca a cultura, comunicação social, água, orla costeira…

Quando, no início do seu mandato, este governo argumentava que havia que considerar ou reconsiderar o “estado social”, as suas funções, custos e recursos para tal, os protestos faziam-se ouvir em tudo quanto é lado: nas ruas, nos sindicatos, nos partidos.
Mas este governo, depois de remodelado, mudou de atitude.
Deixou de falar na remodelação do estado social. Como se a questão deixasse de lhes ser querida e fazer parte importante da sua agenda política.
Mas não deixou! De forma alguma!
Apenas passou a executar o seu plano ideológico sem dele falar. No lugar de fazer grandes mudanças, mediáticas e contestadas, passou a fazer pequeninas mudanças. Uma aqui, outra ali, uma hoje, outra amanhã, devagar como que por acaso.
O rumo e o plano é o mesmo hoje que era há três anos: destruir o que foi construído na sociedade portuguesa ao longo de anos. Transformar o conjunto dos cidadãos em meros sobreviventes, em gente que se preocupa em conseguir chegar ao fim do dia vivos e com alguma coisa na barriga, enquanto passa o dia a garantir que alguns, muito poucos, tiram partido pessoal desse esforço. Em dar vantagens aos tais 1%, em desfavor dos restantes 99%.
É um transformar a sociedade muito para além do que foi mandatado, bem à revelia da chamada “democracia”.
Que este governo foi mandatado para gerir a coisa pública, não para a destruir. Que este governo foi mandatado para gerir a sociedade em função dos seus recursos, não para impor formas de vida a cada cidadão, disfarçadamente.

Aos pouquinhos vão reduzindo os cidadãos à condição de meros servos de interesses que não os seus. E de uma forma tão encapotada que, receio bem, quando todos se aperceberem do que se está a passar será tarde demais.

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Marcando o território



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Uma pedra



Uma pedra não sabe parar. Assim como uma maçã não sabe parar.
Aliás, tal como o planeta não sabe parar, também a galáxia e o universo não sabem parar.
Então porque se espera que os humanos em geral, ou eu mesmo em particular, o saibamos fazer?

Como se fossemos, no todo ou em particular, mais sabedores ou importantes que o universo!

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sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Aparentemente...



... ficou nu e ao pé coxinho.

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