sexta-feira, 13 de junho de 2014

A mala



Encontrei “A Mala” dia dez, de tarde, numa composição vazia.
Não espanta que estivesse vazia: era feriado, o dia estava bonito e a composição tinha acabado de se imobilizar para retomar a marcha em sentido oposto – do Oriente, Lisboa, para Mira Sintra.
Já sabia do projecto mas, ainda assim, li tudo o que se encontra escrito do outro lado do que aqui se lê. Afinal, nada como pôr em prática a regra do LPM (ler a porcaria do manual).
Quedei-me por ali um pedaço, entretido a tentar fazer uma fotografia que se visse. O melhor que me saiu foi isto, que a carruagem estava mesmo vazia. Até porque, como se sabe, não gosto nem quero fotografar desconhecidos. Manias éticas!
Quando a marcha se iniciou, éramos sete a bordo, entre um extremo e outro da carruagem: para além de mim e de um outro passageiro solitário, um pequeno grupo de duas senhoras e um homem, acompanhados de duas crianças em carrinhos de bebé.
Tentei passar a mala: expliquei o que era e para que servia. Mas nada! Nem numa ponta nem na outra a quiseram aceitar. O mundo anda demasiadamente bera e as pessoas demasiadamente desconfiadas para que aceitem uma mala, mesmo que esta, das mãos de um desconhecido.
Acabou por ficar, sossegadinha, num banco, tal como a tinha encontrado.
Se a memória me não falha, tinha o número 25, que é um número redondo e bonito como qualquer outro.
Boa viagem p’ra ela e p’ras demais.

Mais informação aqui:

https://www.facebook.com/lisboamala/timeline

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