segunda-feira, 31 de março de 2014

Matriz



Eis a matriz das novas vinhetas que passam a ser de uso obrigatório a partir de 1 de Abril de 2014 para todos os veículos que circulem em território nacional e que não estejam abrangidos pelo Sorteio Factura da Sorte.
Segundo a nova legislação o mesmo deve ser colocado em local visível conforme acontece com a vinheta do seguro e IUC.
A fim de cumprir todos objectivos que o governo se propõe no que se refere ao combate à fraude e à evasão fiscal convinha que a sua distribuição se faça abrangendo o maior numero de automobilistas. 


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???????????

Deprimente, mesmo, é descer a avenida da Liberdade e, p’la janela do autocarro, ir contando quantos polícias ali estão fazendo gratificados à porta de alguns estabelecimentos.
Contei nove, de um dos lados.
E entremeados com aqueles que se preparavam para pernoitar nos vãos de escada.
Quando fizeram a campanha “Lisboa cidade cool”, referiam-se a uns ou a outros?


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Teimosias



É esta uma boa imagem? Nem por isso!
Feita com um telemóvel já em fim de vida mas que, no seu tempo, foi das melhores câmaras que também faziam chamadas telefónicas, esta fotografia existe apenas para provar, nem que seja a mim mesmo, que se fotografa com qualquer coisa.
E que, mesmo tendo esquecido o raio da câmara em casa, não fico impedido de fotografar.
Teimosias, que querem!


By me

Há dez anos



Há dez anos verberava eu assim.
Hoje continuo a pensar exactamente do mesmo modo.
Ou eu cristalizei ou os motivos mantêm-se, tanto para dizer sim como para dizer não.


Há quem vá a Fátima ou à Zambujeira. Todos os anos e nas datas previstas. Eu prefiro ir a Braga.
A Braga e a Coimbra.
Não se trata de uma questão de fé nem da manutenção de uma rotina. É mesmo uma necessidade de lá ir, naquelas duas alturas do ano. À procura de alimento. Para a alma.
São os Encontros de Fotografia de Coimbra e os Encontros de Imagem de Braga.

Não só são uma justificação para fazer umas mini-férias de três dias como vou beber nos trabalhos de outros inspirações para os meus.
Estas minhas romarias são, pouco mais ou menos, como quem bebe café quando tem sono. Vou até lá para espantar o marasmo fotográfico da rotina casa-trabalho-casa-trabalho, sempre com as mesmas paisagens, sempre com os mesmos encontros.
Os locais, as gentes, a luz, as situações, nas suas diversidades diárias acabam por ser um rame-rame quotidiano, em que a capacidade de um se surpreender e se agradar diminui francamente.
Estes retiros visual-espirituais permitem-me durante alguns dias ter a imagem, nas suas diversas vertentes, como o objectivo primordial. O mundo e o Homem, vistos por outros olhares, escritos por outras penas.

Vou ali limpar as lentes do meu cristalino, sacudir as poeiras do meu córtex, desenferrujar as articulações do meu digito virtual.
Os choques térmicos, lúmicos e hídricos das entradas e saídas das salas de exposição, o percorrer os becos, vielas e praças já conhecidas e ir constatando as mudanças que o ciclo solar lhes imprimiu, o sentar na mesma esplanada ou restaurante e olhar com cumplicidade para os empregados e clientes que mudaram mas são os mesmos…
Todas estas pequenas mudanças mais não fazem que reforçar o choque vitamínico de imagem que nestas duas cidades vou receber duas vezes por ano.

Aqui ao pé da porta tenho um evento igualmente importante no contexto da fotografia: o World Press Photo. Mas recuso-me a lá ir. E, quando dava aulas, desaconselhava os alunos a lá irem.
Quem ninguém se engane: a qualidade das imagens aqui apresentadas é elevada, na sua maioria. Ver esta exposição é sempre aprender um pouco mais sobre o género humano, como se comporta e como vê.

Mas não contribuo, com o valor do meu ingresso e com a minha presença nas estatísticas, para um evento onde a maioria das imagens expostas são sobre violência.
Violência da natureza, violência dos azares, violência do homem. Calamidades, acidentes, guerras e assassínios, são os temas maioritariamente tratados nas imagens ali expostas. Porque foram as imagens seleccionadas pelos editores das publicações para fazerem capas ou páginas centrais. E são essas que vão a concurso.
Como se as emoções humanas se restringissem à dor e ao sofrimento.
Esta visão do ser humano não pode nem deve ser A visão.
Pode ser e é UMA visão.
De entre muitas existentes. Que muitos milhares de fotógrafos de qualidade, amadores ou profissionais têm vindo a ter ao longo dos tempos.


Assim, prefiro ir uma vez por ano a Braga e a Coimbra, ver e pensar fotografia no seu todo. Coisas boas e coisas más, tudo à mistura, como a vida realmente é.

By me

domingo, 30 de março de 2014

Old Fashion



A coisa foi assim:
Recebi uma mensagem através de uma rede social.
Nela, uma jovem estudante de um curso superior dizia-me estar a preparar um trabalho sobre fotógrafos à-lá-minuta, que tinha “tropeçado” num espaço virtual onde falo da minha actividade enquanto tal, e pergunta-me se me disponibilizo a ser entrevistado para tal.
A minha atitude foi de “claro que sim”. Não bastava ser sobre fotografia, não bastava ser sobre o meu projecto, não bastava pedirem o meu apoio, ainda por cima é alguém que quer aprender… Vamos nisso!
No mesmo dia lhe respondi, com um resumo e explicação do projecto e suas peculiaridades, bem como do que sou na vida real.
Foi isto na quarta-feira passada. Hoje é domingo. E ainda não recebi coisa alguma em retorno. Nem confirmando o interesse, nem demonstrado o oposto face ao que o projecto foi. Nem sequer acusando a recepção da mensagem. Coisa nenhuma.

Não é uma maçã que estraga o pomar. Mas pena é que haja algumas prenhes de podridão ou, em alternativa, de tamanha falta de educação. Esta jovem é mestranda em Jornalismo, Comunicação e Cultura. Não creio que consiga o diploma merecidamente.

By me 
Assim, de repente, de repente?
Duas coisas de que não gosto?
Lides domésticas e acertar os relógios porque o governo manda.
Mas sou suspeito nestes não-gostos ou desgostos:

Se nunca gostei das primeiras, faz muito tempo que detesto o segundo.
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Brevíssima informação meteorológica



By me

Sou ou não sou



Volta e meia oiço – ou leio – sobre casos que conto aqui ou ali:
“Então e não fotografaste? Tu, logo tu, sempre com a câmara contigo, não fotografaste!?”
A frequência com que me vou deparando com esta afirmação/interrogação vai aumentando, à medida que o tempo passa.
Efectivamente, cada vez menos fotografo o que assisto!

Existem em mim dois fotógrafos que se digladiam face às ocorrências: o bio-químico e o foto-mecânico.
Cada vez mais o primeiro tem relutância em deixar o segundo actuar perante a actividade humana. Aquilo que o segundo pode ver e, eventualmente, registar com a sua objectiva é infinitamente menos que aquilo que o primeiro constata.
Os cheiros, os sons, os sentimentos do dia-a-dia são tantos, tão apelativos, tão inebriantes, tão envolventes que, se todos eles passassem para a câmara, nada mais faria. Seria como aqueles turistas que vão de férias e vêm os locais pelo visor, e apenas por ele. Vi alguns assim na Expo98, por exemplo.
Se a magia da fotografia, a grande magia, é o contrair do tempo do antes e do depois para o durante a exposição efectuada, que duração teria uma exposição que englobasse a vida?
Se a fotografia faz parte da minha vida – e faz indubitavelmente – procuro fotografar com os olhos e, em havendo oportunidade, encontrar algo que, de alguma forma, transmita o que vi e/ou senti.
São ícones fotográficos o que vou fazendo, não procurando reproduzir realidade que não apenas a minha realidade. A minha forma de ver a realidade.
A fotografia documento - e as actuais tecnologias cada vez mais o incentivam – retiram-lhe validade. Já perdi a conta das vezes em que, confrontado alguém com fotografias minhas, me perguntou se a tinha trabalhado no photoshop. A credibilidade de uma fotografia, da fotografia, já não existe. Supondo que alguma vez existiu.

Por isso, quando vejo/vivo algo, prefiro gozar esses momentos, “fotografando” na “película” a que chamamos cérebro e guardar para mais tarde a materialização do todo que vi e senti.
Estou em crer que deixei de ser fotógrafo. O que sou? Nem eu sei bem!

Talvez um medíocre espectador com uma ferramenta que não domina.

By me

Assim



Às vezes, em menos de nada, o mundo fica assim.

By me 

sábado, 29 de março de 2014

Cara ou coroa



Conhecem o jogo do “cara ou coroa”?
Não o jogo!
O que me acontece sai-me das minhas mãos e daqueles com quem me relaciono.

Ao acaso só mesmo a chuva e, mesmo essa, é mais ou menos previsível.

By me 

Liberdade



De acordo com as leis e normas portuguesas, é obrigatório possuir-se um documento identificativo oficial: Bilhete de Identidade ou Cartão do Cidadão.
No entanto, e pasme-se, para se renovar o dito documento, mesmo que nada seja alterado, há que pagar por isso.
Por outras palavras: sou obrigado a pagar regularmente por algo que sou obrigado a fazer.
Posso não ter casa, posso não ter nenhum contracto com nenhuma empresa, posso não ter rendimentos, posso mesmo viver apenas do ar e das ervas selvagens que existem.
Mas pelo simples facto de existir sou obrigado a pagar.

Ouvi aí alguém falar em Liberdade?

By me

!

Enquanto a liberdade for uma festa e não um estado de espírito;
Enquanto a cidadania for uma obrigação… dos outros;
Enquanto a solidariedade for apenas um nome bonito…


Continuaremos a deixar que os abutres se alimentem das nossas entranhas.

Não!



Não! Não! Não! Tantas vezes não quantas as que forem necessárias!
Eu não tenho que ter, nem quero ter e lutarei contra essa obrigatoriedade!
Não!

De acordo com o que os media nos contam, está a ser pensado um método de tornar preferencial o atendimento por parte do estado – finanças e segurança social – a quem o fizer por via electrónica. E esta preferência será por tornar mais caro o atendimento presencial.
Não!
Eu não tenho que possuir equipamento informático para me relacionar com o estado.
Não!
Eu não tenho que saber usar computadores e redes para me relacionar com o estado.
Não! Não! Não!
Eu não tenho que ter um contracto com uma empresa fornecedora de serviços para me relacionar com o estado.
Eu não tenho que pagar a privados para me relacionar com o que é meu: o estado!
Tal como não tenho que ter conta bancária para pagar impostos ou receber excedentes de impostos já pagos!
Tal como não tenho que ter telefone para aceder ao serviço nacional de saúde!
Não tenho que dar lucros a privados para usar o que é meu: o estado!

Não!


(Nota extra: pensem em todos os info-analfabetos e em todos os que, sem terem já de comer, também não possuem acesso às redes de comunicação.)

By me

sexta-feira, 28 de março de 2014

Em morrendo, quero ir para o céu. Em absoluto e não abdico disso.

Os governantes que temos tido irão para o inferno e, pese embora tudo o que tenho feito em vida, não mereço passar a eternidade com eles.
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Saiba-se



O melhor de uma viagem não é o chegar.

É o ir!

By me

Alerta de naufrágio



Por vezes acontece assim: acordo de manhã e, querendo aqui deixar algo, não tenho inspiração QB.
Nessas ocasiões socorro-me de arquivos, procurando textos e fotografias já com uns anitos e que o tempo não os tenha feito perder actualidade. Não importa o tema.
Foi o caso de hoje mesmo.
Fui encontrar um textinho publicado há dez anos, contendo a relação dos barcos salva-vidas existentes na costa portuguesa em 1900, bem como as suas localizações. Eram 18, bem como 9 carros porta-cabos e 6 espingardas lança-cabos.
Interessante, principalmente se quisermos fazer uma comparação entre o esforço de então e o esforço de hoje em função dos recursos e tecnologias disponíveis. No mar e no resto da vida dos portugueses.
Estava esse texto ilustrado com esta fotografia: o barco de socorros a náufragos “Alhandra” pertencente aos respectivos bombeiros voluntários.
E tanto o texto como a imagem remontam a 1943. O primeiro do livro “Aparelho e manobra de navios” de João Brás de Oliveira e que consta aqui por casa, a segunda recolhida da net, do site dos respectivos bombeiros.

Entendi eu, olhando para os arquivos, que a fotografia está tecnicamente fracota. E decidi ir recolhê-la de novo, quiçá dando-lhe algum tratamento que a melhorasse. Impossível!
O site, com o nome de então, já não existe e estive mais de meia hora “chafurdando” em torno de motores de busca para a encontrar mas sem sucesso.
A que aqui está exibida é a que recolhi então e que, mania minha, está arquivada por aqui.

Sirva isto de referência e alerta para todos os internautas. Tanto os que pesquisam como os que colocam conteúdos.
Aquilo que encontramos ou publicamos hoje pode já não estar disponível amanhã, mesmo que seja relevante. O desinteresse dos donos das páginas, os negócios dos servidores de espaços virtuais, as alterações de políticas ou muito simplesmente os acidentes, fazem com que o arquivo virtual desapareça em menos de nada.
Disponibilizar ou usar o conhecimento virtual é isso mesmo: virtual. E se não houver o cuidado de o guardar em local seguro, facilmente acontecem situações como a que descrevi.
E, garanto, um local seguro não é um site ou “a nuvem”, cuja conservação em nada depende de nós.



By me

Anúncios



Depois de ver este anúncio, de página inteira, num jornal da área de negócios, não me espantará ver um outro em que um empreendedor se ofereça para fusilamentos, empalamentos ou enforcamentos, discretos, no pátio traseiro da sua empresa.
Por módicos preços e com garantia de qualidade e higiene.



By me

quinta-feira, 27 de março de 2014

Profissão de futuro



Se eu fosse jovem e procurasse um primeiro emprego, certamente que optaria pelo de costureiro ou alfaiate.
Profissão de futuro nos tempos que correm, já que remendar uma peça de roupa é francamente mais económico que comprar uma nova, mesmo que de origem chinesa.
Mas o que está a dar é mesmo trabalho de virar casacas. Começam a ser tantos, mas tantos mesmo, que vão virando as casacas de acordo com as modas e os ventos, que não teria mãos a medir.

O exemplo público mais recente (de ontem, creio) é de Mário Crespo. Que mais não fez que repetir a fórmula já testada: num momento afagar a mão que lhe dá de comer, no momento seguinte mordê-la, para logo a seguir a voltar a afagar.

By me 

Memória curta



Giro, mas giro mesmo, é ver um montão de gente a contestar o exagero de se sortear um carro de gama alta a quem registar as facturas das suas transacções particulares, mas não vejo ninguém a recusar - assumidamente – o receber factura com identificação fiscal.
“Ah, e tal, eu não quero. Mas se vier… sempre é uma sorte.”
Tivessem esses andado a tentar evitar esbirros e denunciantes e sempre queria ver como agiriam hoje perante este repugnante meio de denúncia e policiamento privado.

Coerência e escrúpulos, procuram-se!

By me

Dia mundial do teatro



No dia mundial do teatro, pergunto:
Quando acaba a tragédia?
Que os farsantes em palco fartam-se de rir com os actos que vão representando, umas vezes à boca de cena, outras atrás das bambolinas.
O que é cómico nisto é que por mais que o público pateie a assobie, cansado do drama quotidiano, nem o pano cai nem a função termina.

Enquanto isto, maestro e encenador vão mantendo o galã, a prima-dona e o compére nos seus quadros e marcações, sempre com olho no camarote lá de cima onde, no escurinho, o empresário vai abanando a cabeça de satisfação.

By me

quarta-feira, 26 de março de 2014

Velharia




By me

Business as usual



Or not.
The old friend is still there.

By me

Do contra



E pronto!
Sou eu à procura deles e a fotografá-los e eles à procura de clientes e a apagá-los.
Ao menos podemos fazer um acordo:
Procuramos os dois, eu fotografo e eles só apagam depois. Muito depois, se possível.


By me

Sugestão



A maioria fica a olhar para mim de lado, por vezes com cara de quem está a falar com um louco, por vezes com ar de quem não acredita no que está a ouvir.
E eu não insisto na coisa. Afinal, não nem é correcto nem é meu objectivo impor aos demais a minha própria forma de viver ou de encarar a vida.
Mas certo é que acredito que o mundo seria muito melhor se todos fizessem como eu (ou parecido): Acordarem bem mais cedo do que costumam fazer, uma a duas horas, e usarem esse tempo para fazerem coisas de que gostam.
Ler, escrever, exercício físico, fotografar, namorar, comer… não importa o quê, desde que seja algo de que gostem.
Desta forma, ao saírem de casa para enfrentarem o mundo, com todas as suas obrigações e proibições, já levariam o papinho cheio de satisfação, de bom humor, capazes de lidarem com as agruras da vida com muito mais bonomia. E com sorrisos.


By me

terça-feira, 25 de março de 2014

Ensaio… ou talvez não.



By me

Teoria compactada



É uma teoria antiga que tenho.
Ainda não me dei ao trabalho de a escrever por completo, porque não só as pesquisas que a consolidem abrangem campos muito variados e que não domino em profundidade, como organizar estas ideias sob a forma de letras sólidas é algo de muito trabalhoso. E preguiça é o meu nome do meio.
Em qualquer dos casos, aqui fica:

A fotografia não é actividade de gente jovem!

Mas, antes que me batam ou me desprezem, leiam toda a argumentação sumária e a própria contra-argumentação.


Se a fotografia é uma forma de comunicação, o órgão sensorial de base é a visão.
Este é o que leva mais tempo a maturar. Não apenas no que aos recém-nascidos diz respeito, que levam semanas e meses a identificar cores, formas, distâncias, como mesmo a chegar ao estado adulto de desenvolvimento biológico e psicológico, atingindo este ponto a partir dos 16/18 anos de idade. Acrescente-se que a sua complexidade orgânica e psico-motora é tal que é a área da medicina que possui maior número de doenças e mal-formações indexadas e que é o órgão sensorial que primeiro perde funções em casos extremos de sobrevivência do individuo.

Por outro lado, a complexidade do ser humano não se satisfez com a efemeridade da comunicação oral ou gestual. Havia que tornar permanente as mensagens, para suprir as falhas de memória dos retransmissores e para chegar a muitos receptores.
Daí que a oralidade e gestualidade tenham encontrado a materialização, através de suportes e códigos incipientes ou complexos, de entendimento geral ou restrito: A escrita, a pintura, a escultura e, no caso vertente, a fotografia.

Mas acontece que a comunicação não é uma actividade unívoca. Quem comunica espera que a sua mensagem seja recebida e entendida. E, para saber se assim é, espera uma informação de retorno, acusando a recepção e interpretação – o feed-back.
Isto acontece na oralidade, na gestualidade, na música e demais artes de representação ou de palco. O receptor, interlocutor ou público alargado, vêem, ouvem e reagem de imediato. Anuindo ou contestando, aplaudindo ou vaiando. Até a própria ausência de manifestação é uma manifestação!
Nas artes visuais tal não sucede. O suporte de comunicação é trabalhado, em regra num espaço e tempo íntimos e reservados, e só depois de concluído é exposto ao receptor. E fica, mesmo na ausência do autor, para ser visto, interpretado, apreciado. O feed-back do receptor, a acontecer, é muito posterior à criação da mensagem, criando um hiato bem grande entre os dois momentos.

Por outro lado ainda, a materialização da mensagem implica matéria-prima para a produzir. E conhecer as suas técnicas. E custos na sua obtenção.
Enquanto que a oralidade, a gestualidade e demais formas de comunicação imediatas se podem fazer com recurso a poucos ou nenhuns objectos ou consumíveis (cantar, falar, dançar, assobiar, percutir…) a materialização de mensagens implica papel, tinta, caneta, telas, pedra, cinzéis, câmaras, películas, químicos, arquivos… E todo o que é necessário para os produzir e obter.

Por fim, consideremos que a comunicação gestual ou sonora é também um factor social.
A música, a palavra, a dança junta quem com a forma ou conteúdo se identifica. Por motivos culturais de hábito ou contestação, por interacção social nas relações materiais ou de género, com códigos e manifestações de um-para-todos ou de todos-para-todos, como pode ser um recital, um hino nacional, o baile da paróquia ou uma declaração de amor.
Já a comunicação materializada não é agregadora. Ninguém se junta em torno de quem escreve, pinta ou esculpe. Ou fotografa. Mesmo o usufruto do trabalho final é individual ou muito pouco gregário.

Introduza-se agora o factor idade e juventude!
Os jovens são, por natureza, aprendizes, experimentadores, consumidores rápidos, buscadores de sensações e de identidade individual e colectiva.
Durante a infância e juventude, o ser humano está a aprender as regras e códigos da sua sociedade, quer se trate das interpessoais ou técnicas e práticas de produção e sobrevivência. Numa primeira fase da vida segue exemplos, numa segunda contesta-os, procurando a sua própria forma de ser e estar.
E porque a sociedade é complexa nas suas interacções e tecnologias, estas experiências passam por inúmeros falhanços e algumas vitórias pelo caminho. Assim, há que ir experimentando para alterar esta relação, aumentando o número de satisfações e reduzindo as insatisfações.
Na comunicação, em que o feed-back é vital para a obtenção da satisfação, os processos morosos e de retorno tardio não são os mais recompensadores. Este atraso redunda em insatisfação e é dela que o jovem foge.


É assim, por tudo o enunciado, que vamos encontrar a maioria – a grande maioria – dos jovens envolvidos em processos de comunicação imediata, com um atraso no feed-back pequeno ou nulo, quer seja enquanto consumidores ou enquanto produtores de mensagens. A comunicação sonora ou gestual.
Todos eles passam, até porque faz parte do processo de aprendizagem socialmente instituída, pela materialização da comunicação. Aprendem a escrever e ler, desenhar e esculpir e também a fotografar.
Mas acabam por as abandonar, pelo timing do feed-back, pela tardia maturação do órgão sensorial e processos associados, pelos custos da matéria-prima, por não servir como acto social.

É evidente que alguns há que se mantêm como utilizadores destes processos.
Porque encontraram satisfação na actividade, porque são precoces, porque têm acesso aos meios de produção ou por não necessitarem de uma afirmação social e pessoal do mesmo cariz dos demais do seu grupo etário. Mas são poucos!


Nos tempos que correm, na chamada “sociedade de informação”, as coisas estão a mudar!
A facilidade de produção da comunicação materializada – no caso da fotografia, a digital e o custo zero na produção de imagens -, a rapidez e imediatismo na produção e exibição das imagens – internete, telemóveis -, o facto de ser novidade e moda – o que define grupos de identificação e, de alguma forma, de contestação à geração anterior – faz com que cada vez mais jovens usem a fotografia como forma de expressão e comunicação.
Em tentativas mais ou menos “artísticas” (o que quer que isso seja), apenas porque apetece fazer ou porque apetece mostrar, o fazer da fotografia é agora fácil, rápido, de feed-back quase imediato e de satisfação bem mais atingível.

Esta nova geração da informação e digital produzirá, espero eu, um muito maior número de fotógrafos/comunicadores de qualidade.
Assim tenham a oportunidade de o tentarem, errarem, satisfazerem-se e aprenderem. E pensarem em profundidade no que produzem e comunicam.

E isto depende, em regra, de um factor não tecnologicamente modificável: tempo de vida!

By me

segunda-feira, 24 de março de 2014

Até ao tecto



Aqui em casa a regra é simples: até ao tecto é meu! E uso-o!
Feita, sem enfeites, com uma câmara digital “velhota”, mas que está aí para as curvas e com estes resultados.

Um destes dias mostrarei algo feito com uma ainda mais antiga.

By me

?!

Considerando esta proposta (taxar os levantamentos bancários de salários) pergunto se não deveríamos ser também taxados com o objectivo específico de comprar cordas, sólidas, para usos públicos: altos e curtos.

E, já agora: se existissem taxas ou impostos sobre estupidez, qual seria o escalão desta senhora?

Equivalente



Teve azar a mocinha.
Apesar de me ter afirmado ter formação na área de fotografia – e referiu duas instituições bem conhecidas – não sabia o que é ou foi um fotógrafo “À-lá-minuta”, chamava de analógica as câmaras de película, tratava por “lentes” as “objectivas” e por “máquinas” as “câmaras”.
Ainda lhe expliquei o que eram esses fotógrafos, o porquê de dizermos lentes e a conversa do costume sobre máquinas.
Do analógico versus digital não estive p’ra isso. Seria usar de uns bons dez minutos e a conversa já se arrastava à quase meia hora.
Quanto ao prestígio das escolas que frequentou (e não as vou nomear) fica desde logo claro quanto vale, se um seu aluno não conhece um pouco que seja da história da fotografia portuguesa nem os termos correctos a usar.
Mesmo que lide diariamente com o público anónimo e pouco esclarecido numa grande superfície comercial.


 By me

Photoconclusão



O photocogitador observou que aqueles graffitis, novinhos em folha, ainda poderiam dar azo a uma photocrónica. E foi-os photocopiando.
No cimo das escadas, no piso térreo suburbano, três mocinhas aspirantes ainda a mulher, observavam. E uma delas perguntou, desafiadora:
“O senhor é photógrapho?”
O photoirónico exibiu a sua ferramenta e retorquiu com cara séria:
“Com isto na mão, dificilmente estarei a vender pneus!”
“Ah! Ah! Ah!”, riram em coro. E a terceira do trio atirou:
“Então tire-me uma photographia!”
“Está bem”, disse o photocaçador. E fazendo ponto de mira, disparou a photoarma.
Olhando para a culatra e depois para cima, desafiou:
“Pronto! Podes vir ver!”
“Você nem me photographou!”
“Anda ver”, disse, exibindo o phototroféu.
Descendo as escadas de três em três, a photocoquete perguntou:
“É daquelas que sai logo?” E vendo-se pequenina mas colorida, acrescentou: ”Olha, até fiquei gira!”
Lá no cimo, onde tinha ficado, a photoinquiridora afirmou:
“Você até é simpático!”
“Tem dias”, respondeu o phototrabalhador, afastando-se em direcção ao vídeotrabalho que o esperava, a 30km. “Tem dias!”

Já sentado no comboio, o photoescrevinhador foi pensando:
“As mais das vezes a importância de se ser photographado não está no resultado ou na pose. Reside, antes sim, no facto de alguém lhe atribuir valor suficiente para dele ou dela fazer uma photo.”


Quem disse que provocar um sorriso ou alimentar o ego é difícil ou sai caro?

By me

domingo, 23 de março de 2014

...

Juro que me divirto à brava com as expressões de alguns, quando constatam ou ouvem contar alguns dos meus hábitos. Que são completamente à margem das regras existente mas antes consentâneas com as minhas próprias normas de viver.
Não creio, por vezes, que ficassem mais espantados se me nascesse de repente um corno a meio da testa.
Noutras ocasiões, e nas mesmas circunstâncias, fico profundamente triste.

Que essas pessoas não entendem que a felicidade não tem que, obrigatoriamente, passar pelo nosso umbigo.
. 

Ratos



De entre todos os ratos de esgoto, os que mais me enojam são os subservientes e os que entendem que o universo gira em seu redor.

Mas talvez que um dia aprendam que aqueles que por eles são bajulados não têm por eles consideração: apenas se servem deles porque conveniente. E que, se for útil, usarão de raticida quanto baste.

By me 

Mau feitio



Tenho mau feitio? Tenho sim senhor!
Mas estou em crer que qualquer um de vós sairia da cama de manhã com a disposição de uma tarântula com uma crise hepática se tivesse passado toda a noite com a buzina de um carro, quase debaixo da vossa janela, a tocar.
Tocava a buzina, piscavam as luzes, mas de dono ou responsável pela viatura é que nada!
Para terem uma ideia do quanto tocou, sempre vos digo que quando voltei a casa com a bica tomada e o pão no saco, já as luzes se tinham apagado, sobrando apenas um ténue som de buzina. Que a corajosa da bateria não aguentou tamanhos maus tratos.
Não sei quem é o dono ou responsável. Mas, se o conhecerem, dêem-lhe uns cascudos da minha parte, que depois eu acabo o trabalho.

Eu e, creio, a vizinhança.

By me

Almoços



Não me importa nem um pouco quais as tendências actuais da sociedade!
Incomoda-me profundamente saber que duas pessoas dão o seu melhor no seu trabalho e, porque têm capacidades físicas ou intelectuais diferentes, auferem pagamentos desiguais. Em muitos casos, muito desiguais.
Mas, venham dizerem-me o que quiserem, ambas têm que comer, que vestir, que habitar, que educar, que ser saudáveis. E ambas têm direito à tranquilidade, ao repouso, à segurança no desemprego, à felicidade. Ambas têm o mesmo direito e merecem-no da mesma forma. Seja qual for a ocupação que, honestamente, tenham na vida.
Infelizmente, as tais tendências actuais da sociedade rumam para o oposto ao que eu desejaria.

Só que, ainda mais grave que isto, conseguem ser perversas ao manter e acentuar estas diferenciações.
Muitos trabalhos há, e o ramo dos audiovisuais em que me insiro é um deles, em que é frequente ter que se ir trabalhar distante da residência. Suficientemente distante para implicar não apenas ter que comer onde calha como pernoitar longe de casa.
As empresas, ou os empregadores pontuais, asseguram que estas despesas extra são pagas, o que vulgarmente se chama de “ajudas de custo”.
Mas são diferenciadas em função dos já diferenciados salários. Quem mais aufere mais recebe e o oposto. O que significa, na prática, que um grupo de trabalho, em chegando a uma terra estranha para exercer o seu mister por conta de outrem, será separado por restaurantes e dormidas em função do que recebem. Que uns terão que ir para a pensão e outros para o hotel.
Não é nem justo nem equitativo! Que todos devem poder comer da mesma peça de carne e dormir em lençóis igualmente limpos.

Só que a tendência actual da sociedade consegue levar esta separação absurda ainda mais longe:
De uma forma ou outra, impele os que mais ganham a ficarem muito calados, para que não percam o que têm. E obriga os que menos ganham a ficarem muito caladinhos e conformados, para que não percam o já muito pouco que possuem.
São estas atitudes de altaneira soberba de uns e de humilhante submissão de outros que me fazem ser um pária no meio deles.

Porque afirmo e defendo que, seja qual for o aspecto, as barrigas são todas iguais!

By me

sábado, 22 de março de 2014

Daaaaaaaaa



Foi esta semana, regressava eu a casa a meio da tarde, após uma jornada de trabalho.
O comboio, já razoavelmente cheio, parecia o costume: uma filial da sede das Nações Unidas.
A meu lado um cavalheiro, por volta dos quarenta, conversava ao telefone em Russo (talvez Ucraniano, que não sei distinguir).
Do outro lado, duas Cabo Verdianas novitas estavam em amena cavaqueira em criolo. Nem desconfio o que diriam, mas iam divertidas.
No banco à minha frente uma senhora ia lendo um livro. Pareceu-me ser em Romeno, mas não asseguro coisa nenhuma.
Um pouco mais à frente, uma casal pouco mais que adolescente ia conversando, ora rindo, ora discutindo. Do que falavam não sei: nunca aprendi chinês, presumindo que seria essa a língua nativa. O aspecto assim o indicava, mas poderiam ser Coreanos, Tailandeses ou mesmo Japoneses.
O que aprendi com este casal foi que a expressão “Daaaaaa”, em tom de desprezo, também se usa nas línguas do oriente. Não sei é se de origem se por influências Lusas.
Mas também não será importante. Tão pouco importante que, em desembarcando todos numa estação intermédia para subir noutra composição, não lhes fui perguntar. Nem sei mesmo se conseguiria falar com eles.
Que, na Linha de Sintra, por vezes ouve-se falar Português.


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Livres?



Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.

Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”

Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.

Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.


E enquanto você o faz, vou ali dar corda ao relógio e trancar a porta.

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sexta-feira, 21 de março de 2014

Verdade insofismavel



Aquilo que me apetece escrever ou fotografar, não posso ou não devo. Por questões pessoais, por questões éticas, por barreiras ainda intransponíveis.
Aquilo sobre o qual poderia ou deveria escrever ou fotografar, não me apetece. Por questões pessoais, por questões éticas, por barreiras ainda intransponíveis.

Resta-me socorrer-me do que alguém escreveu e eu fotografei, faz tempo.

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Colectivo



Ponham-me o carimbo que puserem, tenham lá paciência, mas esta é a minha opinião.
O sistema ensino/aprendizagem deveria ser gratuito!
Não tendencialmente gratuito!
Não subsidiado!
Gratuito!
Pago pelo colectivo!
Em todos os graus, do pré primário ao superior!
Em todas as instituições e para todos os estudantes/aprendizes!
Em todos os aspectos: frequência, material didáctico, alojamento inclusive!

Eu explico o porquê:
Um cidadão válido na sociedade é aquele que, tendo um elevado grau de autonomia e estabilidade material, emocional e intelectual tem, para além disso, uma contribuição útil no e para o grupo em que se insere.
Esta contribuição pode ser através de uma actividade física, intelectual ou mista. E será tanto mais útil quanto melhor preparado estiver e, consequentemente, melhor o desempenhar.

O fazer um curso, seja de que grau for, não apenas lhe permitirá ter uma vida mais confortável e tranquila como, com o resultado do seu trabalho, contribuir para que a sociedade evolua no mesmo sentido.
Logo, ter um curso (tecnológico, profissional, superior) é uma mais valia para a sociedade onde se insere, e não apenas para ele.
O paradigma desta afirmação é a actual carência de médicos pediatras, obstetras e geriatras que grassa em Portugal. Tal como de calceteiros, canalizadores e mecânicos.
Ao limitar-se o acesso a esses mesmos cursos e preparações através das condições materiais do estudante ou da sua família, está-se a cercear o desenvolvimento social.
E isto constata-se através da quantidade crescente de alunos que, todos os anos, deixam o ensino superior e politécnico por falta de meios económicos. Veja-se um relatório recente da Universidade do Minho. E as estatísticas sobre a redução do número de estudantes nos cursos profissionais.

Os cursos que permitem o exercício de um oficio ou profissão reflectem-se mais na sociedade que no individuo. É uma questão de qualidade de vida. É um investimento da sociedade nela mesma.
Ao exigirem-se pagamentos para frequentar esses mesmos cursos, está-se a fomentar e existência de elites, não pelos seus potenciais intelectuais ou de desempenho e habilidade, mas antes pelos seus antecedentes familiares e condições sócio-económicas.
E, naturalmente, a reduzir a qualidade de vida de todos.


Na sociedade actual, pautada basicamente pela competitividade desenfreada e pelo sucesso económico, limitar o acesso à preparação técnica e cientifica do jovem é um suicídio colectivo, lento, metódico e consciente.

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