segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Lá ao fundo



E se, nestas circunstâncias, virem algo a aproximar-se a toda a brida, tratem de lhe sair da frente.
É mesmo um comboio e não o tal de Sebastião, Dom segundo dizem, o que aí vem.
E os que estão à espera que o tal Dom chegue para resolver estes problemas que nos afligem, arranjem mas é uma cadeirinha confortável e um casaco que resista à humidade que se faz sentir.


By me
A desvantagem de se usar uma barba branca e grande em dia de nevoeiro cerrado é que, ao fim de um pedaço, não se distingue uma do outro.

Nem na cor nem no grau de humidade.


Admito que dá um certo prazer constatar como algumas pessoas não gostam mesmo nada de mim.

É que a reciprocidade é coisa muito bonita!

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Informação meteorológica



A meteorologia avisa para chuva p’ro país.
Da minha janela não a vejo.

Aliás, tenho mesmo dificuldade em ver a ponta do meu nariz.

By me 

P'la porta



Só a via quando as portas se abriam. Ou, se espreitasse um pouquinho sobre a esquerda, através dos vidros das duas portas. Era só uma nesga e teria o comboio estar numa recta. Nas curvas deixava de a poder ver.
Nada demais, esta situação. Ainda que não seja este um dos meus bancos preferidos, já estou habituado a isto. E até pode ser interessante, se no banco onde ela estava sentada, estiver uma carinha laroca que dê gosto observar. Não era o caso: teria uns sessenta e muitos, quando não mais.
O que me prendeu a tentação foi o insólito da sua actividade na hora em que acontecia. Era o fim de uma tarde de um domingo, com a luz solar já fugidia. E ela vinha a tratar da sua maquiagem.
Não é incomum ver essa actividade numa carruagem. Mas, geralmente, acontece de manhã, dando a entender o ter havido pouco tempo entre o sair da cama e o sair de casa. E, também geralmente, este pintar de cara faz-se na estação. Sentadas nos bancos, enquanto esperam pelo comboio.
Agora a bordo, em trânsito, ao fim da tarde e com os solavancos… pouco normal.
Mas raro, raro mesmo, era a forma como estava a ser feito.
Com um pincelinho, ia retirando a tinta do frasquinho preto para bem ruborizar os lábios. Mas, talvez que da idade, talvez que com a trepidação, o certo é que estava a ser difícil de acertar nos lábios, pintalgando em direcção ao nariz e ao queixo. Os lados também não eram poupados.
Confesso que não sei se eu mesmo conseguiria melhor resultado: a composição, não sendo velha, já não é nova e trepida o suficiente para não ser fácil. Mesmo o escrever, com a mão apoiada, não resulta em letra bonita, quanto mais sem apoio para braços ou mãos e acertar em coisas pequenas com um pincel com um quatro ou cinco centímetros de comprido.
Mas o trágico, que alguns entenderão como cómico, é que quando terminou e guardou os pertences, o seu espelho mostrava-lhe certamente a falta de firmeza. Tal como eu a via por entre os vidros ou quando alguém passava e abria as portas. E deu-se ela por satisfeita com o vermelho muito para além dos lábios. Muito para além. O seu sorriso ao espelho dizia-o bem.
Não sei para onde foi. Quando desci na minha estação, ainda lá estava, sorrindo como se tudo estivesse bem. Suponho que, para ela, estivesse tudo bem.

Divertido foi o fazer da fotografia. Não me passaria pela cabeça o mostrar quem assim se pintou. Nunca. Por isso, deu-me algum trabalho conseguir o ponto de vista certo para o fazer: esperar que ninguém passasse, chegar-me um nico para o lado… mas lá o consegui.
A acompanhar as minhas manobras, um jovem, com um saco desportivo e a ouvir música, sentado num banco entre mim e a porta. Olhava para mim de soslaio e franzindo o sobrolho. Quando me dei por satisfeito e guardei a câmara no bolso, foi a sua vez de espreitar para onde tinha apontado eu. E deve ter visto a senhora. Mas não se apercebeu que a perspectiva não era exactamente a mesma e que o que ele via não correspondia com rigor ao que eu tinha registado. Que abanou a cabeça, em notória desaprovação. E, quando saiu e já no cais, abanava a cabeça olhando para mim.

Não tive oportunidade de lhe mostrar a imagem ou explicar a minha atitude. Nem sei se adiantaria.

By me 

domingo, 29 de setembro de 2013

Uma janela em noite de chuva



By me

Um mundo



São os últimos cartuchos de uma precária bem curta.
Venho ao Jardim da Estrela. Mesmo com uns ameaços de pinguitos, há sempre onde ficar, de café na mesa, a ler algo e a ver quem e o quê acontece. Que, aqui, é um mundo de que eu gosto para carregar baterias.
Antes de abancar, dou um giro. Faço-o sempre, que há sempre novidades, mesmo que a novidade seja não a haver. A que encontro hoje é um cenário montado para a rodagem de um filme, esta semana: uma grade, um portão, umas estátuas. Em fundo a tudo isto, toda a vegetação que por aqui existe. Bem escolhido, ainda que tivesse que andar de nariz aguçado para encontrar o aviso que confirmava as minhas suspeitas.
Na outra ponta do jardim, num banco, um fulano, seco de carnes mas abundante na idade. Que me saúda com um “Há anos que o não via.”
Interpretei mal a sua afirmação e disse-lhe que já aqui não vinha fotografar como dantes.
“Não! Não é isso!” disse. “Há muito que o não vejo no Fundão!”
“Fundão? Mas não sou de lá e há mais de 30 anos que lá não vou.”
“Não!? Então é das manifestações, na baixa. Já sei! Você é um operacional. Um perigoso operacional das FP. Não diga que não, que não me engana.”
Afastei-me sem muito mais troco. O Jardim da Estrela é um mundo, onde de tudo acontece. Mas aquela cabeça conseguiu ir bem mais longe.
Fosse eu como o autor do livro que tenho ara acabar, e teria feito uma fotografia do fulano, talvez que de longe por entre os arbustos. Ou talvez que bem de caras, sem enfeites. Mas não sou.
Fica a esplanada, onde fiquei, com os seus toldos bem largos que nos protegem dos aguaceiros que neles marcam ritmos selvagens.

É um mundo, todo o Jardim da Estrela.

By me 

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Nada como uma carga! Perfeito e útil.
Uma carga de água ou uma carga de porrada, na conta certa, na altura adequada e em cima do que ou de quem deve cair… nada melhor!
Mas se a primeira depende dos deuses, por muito que se dance ou polvilhe as nuvens com químicos, já a segunda… não será um prazer divino, mas fica lá perto quando as damos.

E se os do Olimpo vão fazendo a sua parte, você… já teve o seu prazer hoje?

By me

Curiosidades



É incrível como não há um sábado, domingo ou feriado em que, deambulando eu no cais dos comboios do meu bairro, não oiça alguém ao telefone com uma conversa desagradável sobre filhos.
Parece ser, em regra, um pai ou uma mãe (as mais das vezes estas) que discutem com o outro progenitor em situação de separação do casal.
Não sei se é sinal dos tempos se uma questão geográfica.

Mas o que é certo é que, nesses dias, se vejo alguém só ao telefone, aposto comigo o tema da conversa. E costumo ganhar em metade dos casos, não importa a hora ou o clima.

By me

Já botou hoje?



Pouco importa se é rijo que nem cornos, doce ou podre.
A escolha é sua e o seu futuro está nas suas mãos e na ponta dos seus dedos.
É fácil e é grátis. Até lhe emprestam a caneta!
Bote, que no botar é que está o ganho. O seu!


(Nota extra: foi usada a técnica do ovo de Colombo)

By me

sábado, 28 de setembro de 2013

Não sou fotógrafo!



Mais que fazer registos do que vejo, preocupo-me em usar a luz que incide no que me cerca para reflectir as emoções que sinto ou suponho sentir.
Não percorro o mundo, nem mesmo a minha cidade em busca daquela situação, daquele enquadramento ou daquela luz. Limito-me a fazer o que tenho a fazer, com um bloco de apontamentos comigo.
Raras vezes registo gente. Quando o faço, é sempre uma cumplicidade, raras vezes um espontâneo.
Que tenho pudor em guardar um nico da vida dos outros. Que se eles não souberem de mim ou da minha câmara, o que fazem e vivem é deles. Os troféus que possa trazer serão roubados, por muito bonitos ou expressivos que possam ser. Não o faço.
Quanto ao mais, prefiro assistir ao que acontece e fazer, com a câmara um ícone do que tentarei contar com a imagem.
Que estes registos, nunca contam tudo. Que lhes escapa sons, e cheiros, e paladares, e memórias. O mais que podem mostrar é luz e as texturas e volumes por ela escondidos ou desvendados. O resto das histórias ou estórias, ou bem quem as memorizo para mais tarde as contar ou bem que se me escapam.

Não sou fotógrafo. Na melhor das hipóteses serei um iconógrafo com luz.

By me 

É sempre assim!



Há sempre uns apressadinhos que decidem botar antes da data marcada!

Talvez que por causa da chuva, quem sabe.

By me 

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O último pedido de uns quantos que conheço e de muitos que não conheço.

By me

Genunflectir



Só para que se saiba o que nos é pedido hoje para fazermos, aqui ficam algumas palavras em torno disso: o verbo original, o verbo em causa e um outro que lhe é semelhante.
Um pouco de cultura nunca fez mal a ninguém. Já bastante dela costuma ser perigoso para os poderes instituídos, que gostam de nos ver na terceira forma.


Flectir
(Verbo transitivo)
Dobrar, curvar

Reflectir
(Verbo transitivo)
Reenviar
Repercutir, reverberar
(figurado) Revelar, traduzir, dar a conhecer
(Verbo intransitivo)
Mudar de direcção; incidir
Pensar com detenção e mais de uma vez, reflexionar

Genuflectir
(Verbo intransitivo)
Dobrar o joelho, ajoelhar
Dobrar pelo joelho

Fazer uma genuflexão

By me

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Promessas



Encontrei uma promessa eleitoral.
Como esperava, é fútil, vazia de tudo e inatingível.

O costume!

By me

TVs



Tem sido notícia o facto de não ter sido notícia a campanha eleitoral.
Por outras palavras, é polémica a decisão das televisões generalistas não fazerem a cobertura noticiosa da campanha eleitoral autárquica face à lei existente.
Por mim, tenho a solução futura infalível: sendo certo que está em canal aberto a ARTV (canal televisivo sobre a Assembleia da República), sendo certo que ele é pago, mesmo, por todos nós e sendo certo que o Parlamento é a sede da Democracia, faz sentido que seja ela a encarregar-se de todas as campanhas eleitorais.

Porque, caramba, se aquela casa não consegue ser isenta e democrática, onde iremos encontrar isso?

By me

O vento



Haver vento não é, obrigatoriamente, algo de mau.
Se estiver de feição, e acima do ruído dos automóveis e das rodas no asfalto molhado, posso ouvir o toque da campainha e os gritos da canalha miúda a sair da escola do primeiro ciclo, duas esquinas mais abaixo.

E disto eu gosto!

By me

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Ao contrário do que muitos lamuriadores se vêm queixando, eu não estou a perder poder de compra.
Continuo a ter os mesmos luxos, a fazer as minhas extravagâncias, a usar o dinheiro como quero e entendo.

Só que durante muito menos tempo: uma hora ou duas por mês.
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Escolhas



Só para que saiba:
Domingo não precisa de ter caneta. Nem papel.
Basta comparecer você mesmo, com aquela coisa que trás sempre consigo e que nunca sabe para que serve, o BI, e apresentar-se em público, na mesa eleitoral.
Depois, pegue nos papelinhos que lhe darão, vá ao cantinho privado ali ao lado, e faça o que tem a fazer: faça as suas escolhas.
Há várias argumentações para ir e para não ir. Eu digo-lhe algumas das primeiras.
O estado da sua rua, a sua iluminação, os esgotos, o abastecimento de água, as taxas e derramas para isso, tudo o que depende das autarquias será decidido por si.
Não será o seu vizinho a decidir o como você chega a casa nem o que pode fazer nela.
Se você não gosta dos autarcas que têm exercido o cargo, é fácil: escolha outros. Se gosta, também é fácil: escolha os mesmos. E se não gosta de nenhum dos que se candidatam, escolha o mal menor: de todos eles, opte pelo que menos o incomoda.
Não ir lá, gastar a tinta e o papel que lhes disponibilizam, não servirá para coisa nenhuma: apenas que outros decidam por si.
Mesmo o argumento mais que falado que o sistema não funciona e que há que protestar contra ele de nada servirá: Se você lá não for e não fizer uma escolha válida, outros o farão e será o que eles escolherem que vingará.

Muito se tem falado em como a democracia representativa não funciona e que há que mudar para uma democracia participativa. Até que concordo, pelo menos em parte.

Mas se você nem nisto participa, como quer participar no resto?

By me 

Chuva, vento...



Chuva, vento, relampejar, temperatura que me faz arrepender de vir à varanda com vim ao mundo…
Não tenho dúvidas: chegou o mau tempo!
O que me leva a confirmar aquilo que já suspeitava: deixou de haver Outono e Primavera. As estações do ano, por cá, ficaram reduzidas a Verão e Inverno.

E o motivo é simples: Não há orçamento para quatro estações!

By me

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Correntes d'ar



Com a actual e sofisticada tecnologia existente, acredito que existam processos práticos e inovadores de, mantendo as janelas abertas, se evitem as correntes d’ar.

Confesso que sou um nico bota d’elástico e prefiro o que aprendi de pequenino: manter as portas fechadas.

By me 

Abordagens



A fotografia, goste-se ou não do conceito, é basicamente uma forma de comunicar. Imagens, com códigos culturais e visuais inseridos, que transmitem mensagens. A questão de ser ou não arte é, no caso, secundária.
E consumidores e produtores de fotografia, profissionais, são os jornais. Que raramente dão ponto sem nó.

Vejamos como vários jornais, hoje, abordam um mesmo tema.
No caso, a notícia da manhã: o acórdão do Tribunal Constitucional sobre alterações ao Código do trabalho.
Os títulos:

Diário de Notícias: Algumas alterações ao Código do Trabalho são inconstitucionais

Jornal de Notícias: Tribunal declara algumas alterações ao Código do Trabalho inconstitucionais

Correio da Manhã: Declaradas inconstitucionais algumas alterações ao Código do Trabalho

Jornal I: TC declara inconstitucionais algumas alterações ao Código do Trabalho

Expresso: Corte de feriados é constitucional

Público: Tribunal Constitucional chumba algumas alterações ao Código do Trabalho


Já quanto às fotografias, é interessante ver as opções dos editores de imagem. Alguns fulanizam a decisão, mostrando um dos juízes; um mostra um detalhe do traje de juiz, com o respectivo símbolo; outro ainda ilustra com contestação popular ao Código do Trabalho. Outros, nem ilustram, não sei por opção se por falta de tempo.
E veja-se como uma imagem é de tranquilidade absoluta; outra de sobranceira e saída; uma terceira a andar para trás; e como a contestação também anda para trás.
Compare-se quem ilustra e como o respectivo título.
Não acredito que todos estes jornais, com as imagens que vêm recolhendo ao longo dos tempos, tanto no respectivo tribunal como nas ruas, não tivessem outras para usar.
São opções concretas, deliberadas e, sem margem para dúvidas, intencionais.


A fotografia nunca, mas nunca mesmo, é inofensiva ou inocente!

By me

Enganos



Sabemos que a fotografia é um produto criado e desenvolvido na chamada sociedade ocidental.
A Europa e o continente norte-americano são as zonas do globo onde, para além de muito produzirem fotografia, têm formas de a divulgarem massivamente. Quer através das publicações que as usam como ilustração, quer através de publicações que a têm por objectivo, quer através de exposições e galerias de arte.
Se a isto acrescentarmos as questões da língua e/ou caracteres, quase que ficamos restritos a estes continentes.
E quando procuramos mestres ou referências na fotografia, a nossa mente vai, quase que invariavelmente, para essas zonas. Quer os antigos quer o contemporâneos.
No entanto seria presunção a mais entender que a fotografia só aqui acontece. A difusão dos processos de produção e consumo está globalizada e em tudo quanto é sítio (ou quase) se produz fotografia. Boa fotografia.
E se é verdade que necessito de pistas para o meu próprio caminho fotográfico, também é verdade que estou sempre curioso por saber que trabalhos são feitos naquelas zonas do globo de onde nos chegam poucos indícios. Se alguns. Até porque, convenhamos, as raízes culturais do mundo ocidental não são as únicas e outras origens resultam noutras abordagens e estéticas.
Quando posso, tento alargar os meus horizontes: África, América do Sul, Ásia… mesmo mais próximo, como o norte ou o leste da Europa, de onde nos chegam poucos trabalhos.

Um destes dias tropeço neste livro, numa livraria. Tinha estado, guloso, a folhear outras obras, algumas muito bem impressas, de nomes consagrados, quando o meu olhar caiu sobre este. Com a lombada meio escondida no canto de uma prateleira. Agarrei-o com sofreguidão. “Eis algo de muito pouco comum, de onde certamente vou aprender algo”, pensei.
E, dando de barato o seu preço, veio comigo.
O primeiro olhar, ainda antes da caixa registadora, não me surpreendeu por demais. As paisagens, os trajes, os objectos, até a luz, eram-me familiares. Até porque, sejamos honestos, é uma zona do globo mais que mediatizada e não pelos melhores motivos. Apenas dois autores, que fazem trabalhos mais gráficos que fotográficos, sobressaíam pela diferença.  
Depois, fui degustar mais em profundidade o que ali se mostrava. E tive uma sensação de frustração. Não senti grandes novidades no que ia vendo, um após outro. Nas abordagens, nas estéticas, nas linguagens. Destes pontos de vista, a maioria dos trabalhos poderia ter sido feito no Kosovo, no Paquistão, na Colômbia ou em Nova York.
“Que raio!”, pensei. “Será que se me escapa algo?”
E passei da leitura das imagens à leitura das letras. Percebi tudo, então.
Com duas honrosas excepções, os fotógrafos aqui representados, se bem que originários do Médio Oriente, tinham formação académica ou local de residência no chamado “mundo ocidental”.
Aquilo que eu estava a ver não seria uma visão de alguém que ali vivesse e que registasse de acordo com a sua própria cultura e forma de ser, mas tão só olhares de alguém que, podendo ter ligações afectivas ou familiares com os locais, pouco mais é que um estrangeiro na sua própria terra. Quase que qualquer fotógrafo “ocidental” poderia ter feito o que ali está publicado.
Senti-me frustrado e quase que dei por mal empregue o dinheiro gasto.
Só quase, que ver de uma assentada uma boa mão-cheia de imagens bem feitas é sempre lucro.
Mas que não é o que esperava, lá isso não.


By me

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Dantanho

Dos tempos em que eu era leitor fanático da banda desenhada da Walt Dysney, três épocas jurásicas atrás, ficou-me na memória uma histórinha em particular.
A figura principal era o Pato Peninha, o meu favorito, e protagonizou uma campanha publicitária com a frase “Não provei, não gostei!”.
Ontem tive a mesma atitude: Não assisti à estreia e não gostei. Porque, acredito, se tivesse assistido, não teria gostado na mesma e poupei-me o sofrimento.

Tenciono, na medida do que me for possível e não for exigido por dever d’ofício, a continuar a não ver.

By me 

Barricadas



Calhou hoje, num outro local virtual que não este, falar de barricadas e dos que estão de um lado e de outro.
E, a esse respeito, relembrei-me desta fotografia, já por mim exibida, e da história que a ela está associada, que também já aqui contei.
Mas sendo que certos alertas nunca são demais fazer, aqui fica o que aconteceu a um dos lados de uma barricada:

Saiba-se que essa coisa de as autoridades usarem imagens para procurar e deter manifestantes nada tem de novo.
Em 1871, aquando da Comuna de Paris, muitos foram os cidadãos que se deixaram fotografar nas barricadas. O orgulho na acção e a novidade da fotografia assim induziam. E os fotógrafos de então faziam uma das primeiras intervenções de foto-reportagem em situações de conflito, desta feita sem ser às ordens de nenhum jornal.
Terminada a Comuna com a vitória das forças do poder, os arquivos dos fotógrafos foram vasculhados pelas polícias. Os retratados foram assim identificados, tendo o seu fim visível na imagem aqui exibida: fuzilados!
Há 142 anos.


By me
Imagem: by Désideri

À vezes...



Às vezes dá-me p’ra isto: apetece-me fazer uma fotografia que exprima os meus sentimentos, mas não tenho mais nada à mão que sirva que não eu mesmo. Ou não tenho imaginação p’ra mais.


“Fico espantado como o ser humano é capaz de repetir, vezes sem conta, os mesmos erros, não aprendendo nada com o passado.”

By me

Fruta da época



Se mais de meio mundo fala disto, eu não sou menos que os outros!


“Eh pah! Ao tempo que não via a vida assim!”

By me
Foi suspensa uma lei, que impunha o aumento de 35 para 40 horas de trabalho semanal para os trabalhadores da função pública.
Resultado de uma acção judicial de um sindicato.
Claro que esta medida foi largamente antecedida por informações sobre Jesus e um caso de polícia desportiva.
Assim vão os media em Portugal!

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Lojas e caixeiros



Procurava eu algo de muito concreto e especializado. E fui a uma loja do centro da cidade, conhecida por ter uma secção dedicada a este tipo de artigos.
Ao entrar, e olhando em redor, vi o que procurava, mas de um tamanho que, de forma alguma, me convinha.
Dirigi-me ao balcão e disse ao caixeiro que aí estava:
“Bom dia. Procuro uma coisa daquelas, mas de tamanho bem menor, que aquilo é um “monstro” para o quero fazer.”
“Não temos.” disse-me ele, olhando para o expositor em causa.
“Ah! E sabe quem possa ter?”
“Não sei.”
“Ah! E sabe se a loja “Tal”, no Chiado, terá disso?”
“Não, não sei.”
“Certo. Então, bom dia.” e saí. Saí e bem chateado com a falta de assistência que aquele homem, numa loja especializada, me tinha dado. Ter entrado nela, casa específica e de renome, com porta para a rua e tudo, ou ter entrado numa indiferenciada de um qualquer centro comercial foi a mesma coisa em termos de tratamento.
Fui à tal outra loja “Tal”. Aí, a menina disse-me que não tinham, que já era peça difícil de encontrar porque a procura diminuta, e que a loja “Coiso” talvez tivesse. Acabei por trazer dali mesmo métodos alternativos que, não sendo exactamente o que procurava e implicando um pouco mais de trabalho da minha parte, haveriam de fazer o que eu queria. Que ainda sei da poda o suficiente para tal.
Horas depois, e por mero acaso, passo, no Rato, por outra loja do mesmo grupo da primeira. “Mal não tem que pergunte!”, disse com os meus botões. E entrei.
Não tinham. Mas a senhora não me deixou sem resposta e pediu-me para aguardar um nico, indo consultar o computador.
Levantou os olhos, sorridente, e disse-me:
“Na nossa loja junto ao Técnico há um. Quer que mande vir?”
“Deixe estar. É mais fácil se eu passar por lá, que não é longe.”
“Então deixe-me só confirmar.”
E ligou para a loja, confirmou, reservou, perguntou-me em nome ficaria e desligou, sempre sorridente.
Agradeci-lhe, contei-lhe o episódio da loja da Baixa que lhe apagou o sorriso, fiz um elogio ao seu desempenho, demos mais dois dedos de conversa e umas larachas que lho acenderam de novo e saí.
Fui onde combinado, encontrei, e a bom preço, o que procurava, ainda tive oportunidade de saber que fazem ali um outro artigo incomum mas que gosto e consumo (a Âmbar, a fábrica que os fazia, fechou), e continuei o meu passeio, já em fim de tarde.
Tenho para mim que um caixeiro, empregado de balcão, vendedor, o que lhe queiram chamar, tem que deixar o cliente satisfeito. Mesmo que não tenha para venda o que o cliente procura, deve encontrar modo de o deixar satisfeito. Se não com o artigo, pelo menos com alternativas possíveis e um sorriso. Ou, no mínimo dos mínimos, com algo mais que o laconismo que recebi na primeira loja.
Falta referir que a cadeia de lojas dá pelo nome de “Papelaria Fernandes”, uma das referências da cidade, que esteve em graves dificuldades económicas, a ponto de ter que fechar algumas das lojas que possuía e que, por aquilo que vou sabendo, está a conseguir reorganizar-se pela positiva. Hajam bons exemplos de sucesso.
Mas, claro, sendo que continuarei cliente desta loja à da baixa não voltarei.


By me

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A turista



By me

Fruta da época



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Clássico



Por muito que não queira, por vezes não há como recorrer a algo clássico para exprimir sentimentos banais:

O tédio de esperar p’lo eléctrico.

By me 

Não!



Este é um dos motivos, entre outros, pelo qual entendo que a democracia é um sistema de gestão da coisa pública que não presta.
Desde que a actual maioria parlamentar tomou posse, e com ela o governo liderado por Pedro Passos Coelho, que as vozes a exigir a sua demissão têm sido mais que muitas. Coelho, Portas, Relvas, Gaspar, Crato… os nomes não faltam.
De todos estes, dois demitiram-se. Consta que um, Relvas, terá sido avisado para adiar o seu casamento enquanto estava no cargo. Demitiu-se pouco depois. Consta, igualmente, que Gaspar terá sido insultado e cuspido num supermercado. Demitiu-se dias depois.
Mas mais nada aconteceu a estes dois ex-membros do governo. Nem a todos os que integraram os governos anteriores.
O exercício de cargo político é sempre inimputável, é sempre alheio a punições posteriores se os seus actos forem prejudiciais ao país e alheios à vontade do povo. E sabemos que têm sido. O actual e os anteriores.
A democracia não é um bom sistema. Trata-se, sempre, de fazer valer a vontade da maioria sobre a vontade da minoria. E sabemos que, ao longo da história de que há documentos, tem sido o menos mau.
Mas este sistema em que os eleitos uma vez afastados não respondem pelos seus actos, torna tudo pior.
Tal como o sistema vigente, em que os cidadãos, por lei, apenas se podem pronunciar e agir sobre o que é público aquando de eleições. Fora delas, fica restrito aos eleitos o tomar decisões sobre o público e o país.

Este não é meu sistema nem me vejo nele representado. Sou obrigado a participar, tornando-me conivente, porque a alternativa é deixar os demais decidirem por mim e sobre mim. E isso não deixo! Mas não é a sociedade que entendo por minimamente justa e igualitária.
Enquanto puder, continuarei a miná-la. Por dentro e por fora. 
Nunca “até à vitória final”, porque isso significaria a estagnação da sociedade. E ela deve ser dinâmica e evolutiva. Que a evolução é parte integrante do universo.

Mas isto que vivemos não é o que quero e contra isto agirei!

By me 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Manias



É um daqueles hábitos antigos que tenho: em vendo alguém com uma Pentax na mão, peço-lhe para a fotografar.
A razão é simples: já somos tão raros os que as usam que se justifica fazer o registo do acontecimento.
Nem sempre é fácil consegui-lo. Por vezes são turistas, com quem nem sempre é fácil explicar os motivos, por vezes é gente desconfiada, que pensa logo o pior, por vezes são tímidos… Mas em conseguindo chegar à fala, um pouco de bom humor, o exibir a minha própria câmara e um sorriso acabam por ser suficientes.
Foi o caso.
Encontrei-o num lugar cosmopolita e popular da cidade. No meio daquela gente toda, o olhar treinado não deixou escapar a marca na câmara e na correia e abordei-o.
Começou por entender que queria uma foto dele e estava em vias de aceder quando lhe expliquei que não, que era mesmo e só da câmara. E foi o início de uns bons quinze minutos de conversa em torno da fotografia, das vantagens da marca, da sua retro-compatibilidade…
E foi aqui que a porca torceu o rabo!
Que procurava ele uma objectiva antiga, de rosca, e cuja marca se me escapou. Dizia ele, enquanto lhe indicava eu onde procurar por cá coisas dessas, que a óptica tinha um belo “bouquet”, uma suavidade rara. Fiquei chateado!
Se ele me tivesse argumentado com a luminosidade aceitava. Se me tivesse falado no ângulo de visão e como se sentia confortável com ele, aplaudia. Se me tivesse referido o gostar de trabalhar com objectivas antigas, em que o visor fica escuro quando ajustamos o diafragma, também compreendia.
Agora porque está na moda o “bouquet”, que nem ele bem sabe o que é (nem eu, já agora)…
Recordo os tempos em que o maior desejo de qualquer um com uma câmara era ter objectivas nítidas, bem nítidas. O controlo dessa nitidez fazíamo-lo nós, jogando com a profundidade de campo, com o bafejar a objectiva, com o recurso a meias de senhora (técnica que lhe referi e que desconhecia)…
Para já não falar naquele outro fotógrafo famoso, cujas imagens suaves se baseavam na luz – e como ele bem trabalhava a luz – e no ser patrocinado por uma marca de equipamento entretanto desaparecida, e que ele despolia suavemente o elemento frontal das objectivas.

Lamento, com muita tristeza, que a actual moda dita “artística” seja o procurar equipamento e não o procurar o fazer de imagens.

By me 
Não sei o que pensam os demais cidadãos deste país.

Mas, para além de políticos, crápulas, aldrabões, vendedores da banha-da-cobra e ofícios correlativos, tenho um ódiozinho de estimação por aqueles que deixam, sorrateiramente, pastinhas elásticas no caminho de quem passa.

By me 

domingo, 22 de setembro de 2013

Compensações



A noite fora curta. Muito curta.
Somado a isso, um dia passado em andanças que me fizeram recordar outros tempos, que tinha prometido não voltarem. Mas as promessas foram criadas para se quebrarem.
Em cima de tudo isto, um almoço particularmente tardio, uma tarde de muito calor e o suave embalar do comboio, acabaram com as minhas resistências: quando dei por mim, tinha acabado de passar a minha estação.
Saí na seguinte e, no largo que lhe é fronteiro, parei um pouco. À sombra. E fiquei, sem pressas, a ver o que acontecia no lago da estação de um bairro suburbano num fim de tarde domingueira que, sendo Setembro, bem que podia ser Agosto.
Uma moça, em idade de terceiro ciclo escolar, e com trajes a condizer, esperava impacientemente por algo ou alguém. Não era da zona, que foi confirmar com funcionários dos autocarros locais se estaria onde pensava. P’lo semblante, pareceu-me que sim.
Eis que pára um carro, com um rapazola já bem crescidote ao volante e que, p’la forma como abordou os incomuns sentidos rodoviários, também não seria dali.
Toca o telemóvel dela, que atende: era ele. E não se conheciam.
Aguardava ela, e trazia ele, um manual escolar. Que ela reconheceu de imediato com um “É mesmo este, obrigado!”
Volta ele p’ro carro e ela p’ra carrinha de onde saíra, onde uma mulher, ao volante, aguardava com mais duas garotas atrás.
Seguiram os dois veículos e eu fiquei a vê-los afastarem-se. E pensando com os meus botões que aquilo terá sido uma cedência gratuita de manuais usados. É bom ver tal coisa ao vivo.
E estou eu a pensar e a sorrir sobre isto, quando sou abordado.
Um velhote, andrajoso e com um olho inchado e fechado, vinha pedir-me um cigarro. “Mas só se puder ser e não lhe fizer falta”, disse-me.
“Claro!” e tirei a cigarreira do bolso, abrindo-a e estendendo-lha. “Sirva-se”.
Olhou para ela, olhou para a sua mão suja e calejada e deixou-me de boca aberta: “Se não se importe, tire o senhor.”
Dei-lhe quatro.


Por vezes, compensa adormecer no comboio!

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As gargalhadas descontroladas



Ele há gente…!
Vejo passar uma carrinha de construção civil, em Lisboa. Foi de relance, que rapidamente dobrou uma esquina e mal tive tempo de ler tudo o que estava no taipal. Mas fixei-lhe o nome.
Mas tive dificuldade de sonorizar todo o conjunto de vogais e consoantes que o constituíam. Levei tempo, já com ela fora de visão, a organizar as letras para formar qualquer coisa que se puder dizer. Disse-o, finalmente.
Primeiro estranhei. Depois entranhei, como disse o outro. E, logo de seguida, tive que me sentar na beiro do passeio, sufocado que estava com um ataque de riso descontrolado. A tal ponto que um casal de turista parou, olhando para mim sem perceber se eu estaria mesmo bem disposto, se estaria em dificuldades de saúde ou se não regularia bem da cachimónia. E não era para menos, caramba.
E o meu ataque de riso foi motivado, em parte, por aquilo que me ouvi dizer. Mas, na outra parte, porque me fez recuar muitos, muitos anos, aos meus tempos de estudante, em que levávamos os mais ingénuos a cair na esparrela. Anos depois, um compincha e mestre fazia-o também, com a mesma matreirice, àqueles que o desconheciam.
O que é que eu li? Nada mais, nada menos que “odemaquiphe”. Se duvidam, procurem-no na net, com o domínio .eu.
Porque é que me ri? Digam várias vezes o que aqui está escrito, mas baixinho para que vos não oiçam, e depois digam-me se não se riram também.

Haja imaginação e bom-humor!

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Imagem - Da net 

No prato



Não me recordo da última vez que estive tanto tempo sem comer, beber ou fumar, acordado e voluntariamente.
Que a dormir ou em trabalho não conta. Se bem que, no segundo caso, teria dado direito a bronca da antiga.
Este mereço-o!

E se está um nico fora de foco, desculpem-me. Mas mal tive tempo de fazer o boneco, antes de lhe ferrar o dente.

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Houve a geração “rasca”.
Depois veio a geração “à rasca”, logo seguida da geração “desenrasca”, que é o que mais se vê e sente nos dias que correm.
Antes de tudo isso, houve a geração “tasca”. E ainda antes a “geração “basta”.

Infelizmente, destes últimos já somos poucos!

Em trânsito



Rondavam a mesma idade: vinte anitos, mais coisa, menos coisa.
Ambas sentadas à minha frente, no comboio, contrastavam entre si como azeite e água.
Uma, dita “gótica”, era toda preto e branco. Preto no vestuário, em que o branco aparecia apenas na sola das sapatilhas. E no tom de pele, que não deveria saber o que é sol há bem meio século.
A outra, também morena, mas com um ar rural, vestida com um vestido estampado em tons de rosa e verde pálidos.
Tinha esta, por enfeites, um par de brincos metálicos, com uns brilhantes, que me pareceram mais pechisbeque que outra coisa. Cara lavada, unhas não pintadas.
A de preto, sentada à minha frente, também de cara e unhas virgens, tinha tatuado no peito, que o decote em barco bem deixava ver, um morcego preto, com olhos vermelhos. Simétricos, no lábio de baixo, dois piercings metálicos. Nos lóbulos, brincos pretos, de massa.
Na mão de cada uma, um aparelhómetro de comunicação portátil. Um preto, como seria de esperar, estava ligado aos ouvidos e deveria ir jorrando música. Suficientemente baixo para que não a ouvisse eu.
O outro era cor-de-rosa, parecido com o do vestido, e estava a ser usado para ler mensagens.
A outra mão de cada uma segurava uma mala. Uma, uma mala ou saco, de pano preto, de alça bem comprida, decorado com caveiras em branco e vermelho.
A outra, se bem que tivesse a sua malinha no colo, segurava uma mala de viagem na coxia, não fosse tombar com os solavancos.
Saiu esta numa estação, na cidade. Ao levantar-se, endireitou o vestido atrás e, pela velocidade e decisão com que caminhou no cais, não teria muito tempo até ao autocarro de longo curso que supus que iria apanhar.
A outra levantou-se na estação seguinte. Mesmo que o saco fosse bem descido, a bater-lhe no joelho, o cós das calças de ganga preta fora subidos atrás, tapando pudicamente o elástico das cuecas, azul-bebé. Que contrastava com as rendinhas pretas que exibia de um lado e do outro das asas do morcego. O seu passo era de quem caminha para onde é obrigada, quiçá um emprego.
O que ambas tinham em comum era a dificuldade em tirarem os olhos da minha barba, branca, e do que trago na lapela, um Azinho em preto e branco. Estive vai-não-vai para lhes explicar o seu significado, mas não sei se aceitariam a conversa ou se o entenderiam.

É por estas, e por todas as outras, que gosto tanto de andar de comboio, suburbano ou longo curso. Que o mundo está ali, na lombriga metálica, com todas as suas diversidades e contrastes, partilhando bancos e coxias.


By me

sábado, 21 de setembro de 2013

Hoje




Entre um e outro compromisso com terceiros ainda encontrei tempo e alma para respeitar um compromisso comigo mesmo e com o universo: celebrar um dos quatro feriados mundiais.
Desde a pré-história, e transversal a todas as culturas e geografias, os solstícios e os equinócios são celebrados.
Celebrações pagãs, têm sido absorvidas por outras religiões, com outros nomes e outras justificações, mas sempre em cima ou muito perto das datas fulcrais: os inícios das estações, marcados pela orbita da terra em torno do sol.
Todas as outras datas que o Homem celebra são fruto da sua própria actividade ou imaginação: momentos divinos, nascimentos ou mortes, guerras e revoluções…
Mas o movimento dos astros, planeta terra incluído, pouco se importa com o que a Humanidade faz. Muito antes de o Homem ter deixado de ser uma amiba e muito depois de já nem sequer sermos memória na galáxia, os corpos continuarão a movimentar-se, em orbitas não circulares, com solstícios e equinócios.
Se há datas que mereçam ser celebradas, estas são elas. E faço questão, para dentro e para fora, de o fazer. Mesmo que só por umas fracções de segundo mas sempre usando a luz do sol, em torno do qual giramos.

Espero que tenham tido um bom feriado!

By me