quarta-feira, 31 de julho de 2013

Love TDM



Considerando a data inscrita, pergunto-me se esta declaração ainda estará dentro do prazo de validade.

By me

Farpas



Enquanto se não entender que as práticas de esquerda pouco diferem das de direita; que numa prevalece uma classe iluminada e dirigente e na outra uma classe endinheirada e dirigente; que ambas usam o poder, supostamente adquirido por via da democracia, para a manutenção de classes e respectivos status; que em ambas as classes dominantes dependem da obediência servil das classes dominadas…

Enquanto tudo isto não entendido e interiorizado, não adianta discutir sobre esquerda e direita: teremos sempre uma grilheta a manietar-nos o pensamento e um chicote a impor-nos comportamentos.

By me 

Não é possível que o grupo funcione sem valorizar cada um dos seus indivíduos.
Não é possível a sobrevivência do indivíduo na sociedade se aquele não respeitar esta.
É este equilíbrio instável que o chamado “arco da governação” tem ignorado e destruído.
E não adianta recorrerem a falácias e demagogias baratas: os objectivos perseguidos pelos governantes têm sido a manutenção e desenvolvimento de instituições emparelhadas com o poder e não, de forma alguma, o bem-estar e felicidade do cidadão enquanto elemento válido e vital à sociedade.
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Tutti-fruti



Mesmo após uma aturada pesquisa em redor, não encontrei os que faltam.
Usados, todos do mesmo modelo e aparentando serem todos do mesmo tamanho.
Sei onde estão, relativamente perto de minha casa, e farei questão de, em passando por lá de quando em vez, ir verificando se se mantêm ou se foram recolhidos. Mas não creio que os serviços de limpeza urbana se aventurem no seu mister p’lo mato adentro.
Resta adivinharmos o como e o porquê de aqui terem chegado.
E, se se quiser levar o exercício de imaginação um pouco mais longe, que tipo de roupas combinariam com estas cores, já que o estilo é igual, quais os masculinos que com eles emparelhariam de noite junto à cama, por onde terão caminhado, ao som de que músicas terão dançado…
Mais que apenas os factos relatados numa fotografia, o divertido e realmente relevante é pensarmos em tudo aquilo que lhe deu origem e o que se lhe seguirá.

Que uma imagem fotográfica, retalho que é do contínuo espaço/tempo, nunca passará disso mesmo: um mero nico do todo. E, tal qual a literatura, dar-nos a liberdade de imaginar o restante.

By me

De conversa



A conversa foi com um colega, daqueles com quem se pode conversar.
Vinha ele todo entusiasmado falar-me do que se antevê para breve: uma câmara com 70 megamixels. “O que isso irá permitir fazer, vê bem! Ampliar a mosca lá do outro lado da rua e não ter grão!”
Pensei em falar-lhe de como não adianta ter superfícies fotossensíveis tão perfeitas se se estiver a usar fundos de garrafa como objectiva. Pensei em explicar-lhe o que é o círculo de confusão admissível e escalas de reprodução Mas daria bastante trabalho e haveria que recorrer a fórmulas que não sei de cor. Afinal, os livros servem para guardar o conhecimento e tê-lo à disposição.
Mas tentei fazer-lhe ver que a evolução da tecnologia só é útil se com ela criarmos coisas. Que, para continuar a fazer o mesmo ou sem qualidade, não adiantam os megapixels.
E expliquei-lhe o que são basculamentos e descentramentos. De como com estes se consegue controlar perspectiva de modos quase impossíveis com processadores de imagem sem algum tipo de perca de qualidade. E de como com aqueles se fazem alterações de profundidade de campo impensáveis com qualquer objectiva convencional ou computador.
A explicação decorreu numa pausa de trabalho, que era para ser de um cigarro e acabou por ser de três.
Perguntou-me ele desde quando se fazia disto e disse-lhe que desde sempre ou quase que existem câmaras que não rígidas como as que conhecemos hoje. E que o meu sonho fotográfico seria ter um banco óptico com costas digitais. Bem fora dos meus orçamentos, excepto de euromilhões e afins.
Sugeri-lhe que fosse ver como eram as boas fotografias publicitárias, ou de interiores, ou de arquitectura, de há uns dez anos para trás: controlo de geometria, nitidez e profundidade de campo, ajustes de gama e exposição, saturações, tudo isso feito sem digitais mas com dedos, olhos e cérebros. Que o digital, mesmo sendo muito bom e simplificado para o utilizador, não dispensa esses três. Nem a criatividade.
Terminámos com uma frase batida e em coro: “Se juntarmos aquilo que eu não sei com aquilo que tu não sabes, daria uma enorme biblioteca!”

E termino eu agora desejando que as tecnologias evoluam para que consiga fazer o que não sou capaz hoje com as actuais. Mas não me tirem algumas das técnicas antigas, que ainda terá que correr muita água por sob a ponte antes que sejam completamente inúteis. O truque, digo eu, é conseguir juntar o melhor de dois mundos: o que foi e o que virá!


By me

terça-feira, 30 de julho de 2013


É assim a modos que estranho ver tanta sujeira na política e governação do país, tantos tão suspeitos e tantas decisões contrárias aos interesses e vontades dos cidadãos, e continuar a ver todos estes a seguirem o seu dia-a-dia, baixando a cabeça e sujeitando-se, como se de carneiros a caminho do redil se tratassem.
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O hábito de os governantes serem surdos às aspirações e vontades dos povos pode sempre redundar no hábito desses povos não respeitarem as últimas vontades dos governantes.
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Tempo e matéria



Por esta altura estival e há uma trintena de anos, talvez mais, estava eu saltitando de parque em parque, com a mochila e tenda às costas. Um deles foi numa cidade de interior, cujo parque distava uns cinco quilómetros.
Calhou ter a tenda sido montada virada para as traseiras, zona de campo agrícola, atravessada por uma pequena ribeira, seca no verão, e um caminho com ponte, por onde via eu o passar de carroças e motocicletas.
Uma das tardes decidi percorrer esse caminho. Entrei nele pela estrada nacional que o cruzava, passei pela ponte de pedra e segui. A dada altura, já longe de tudo e todos e no meio de coisa nenhuma, com o calor de verão interior a bater-me em cheio, oiço o som de partir pedra. Intenso, como se fosse ali mesmo ao lado. Mas nada se via. Ninguém a trabalhar. Mas o ruído continuava, ferro na pedra, pedra a rachar, pedra a rolar… e ninguém por perto ou ao alcance da vista naquela planura.
Durou uns longo segundos, não sei quantos mas longos, deixando-me realmente confuso, até que desapareceu. Assim, de repente, tal como tinha surgido.
Quedei-me no silêncio campestre, apenas interrompido por algumas cigarras, tentando perceber o que estava a acontecer.
Foi nesta altura que vi os penedos. Ladeavam o caminho, não muito altos, mas ainda com as marcas bem visíveis de terem sido usados para deles se retirarem pedaços úteis. Lascados. Fendidos. Fragmentados. Já cobertos de ervas e terra, mas bem notória a intervenção humana no seu aproveitamento.
E o mesmo tipo de pedra que cobria o caminho onde eu estava parado. E para onde olhei com atenção. Por baixo dos meus pés aquilo que me pareceu ser uma via romana, lajeada a todo o comprido, com bermas sólidas e duradoiras. E os penedos em redor, supus, tinham fornecido o material necessário. Tal como para a ponte, que olhei bem atento no regresso.
Passado que é bem mais que um quarto de século, ainda estou por encontrar uma explicação lógica e racional para o que ouvi naquela tarde. E guardo para mim as opções mais estranhas.

Neste local que aqui se vê isso não poderia ter acontecido.
As pedreiras ficam bem longe, são mecanizadas e sobre a calçada passam bem mais que apenas carroças e motos. Além do mais, estas pedras foram aqui colocadas ainda não há três anos, talvez menos, que assisti à obra. Num local francamente concorrido e templo do consumo moderno.
Os ruídos, esses, são fáceis de justificar: motos, automóveis, camiões, autocarros, de tudo aqui passa e tudo ruge nos seus motores de combustão. E, ocasionalmente, ouve-se o saltar de uma destas pedras de encontro à chaparia inferior dos veículos, com uma intensidade capaz de deixar o mais sonolento bem desperto.

Os antigos faziam as coisas à medida das necessidades de utilização e para serem duradoiras. Hoje as coisas são feitas à medida das necessidades das empresas de manutenção. Que se as vias não se danificarem, como sobrevivem aqueles que as reparam?

E que local mais óbvio para tal que mesmo em frente a um enorme centro comercial, símbolo último do consumismo e da inutilidade?

By me 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Contradições



Será talvez estranho. Que um fotógrafo, que escreve com a luz, tanto goste de sombras.
Talvez porque seja do contra. Talvez porque são elas que, no nosso quotidiano, que nos ajudam a perceber da tridimensionalidade que transpomos para o suporte bidimensional.
Mas talvez porque são as sombras que nos mostram a existência de luz. Que são as sombras que nos mostram o que está fora, que ajudam a quebrar os limites impostos do enquadramento, que nos levam a imaginar outro que não o explícito.

Que são as sombras que nos ajudam a sonhar.

By me 

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Leio por aqui, na net, uma página onde se afirma que a auto-estrada é o melhor caminho.
Claro que é!
É se não importar que fiquem registos, numa qualquer base de dados que não controlamos, do local e hora de entrada e saída, da velocidade média, dos pontos de paragem… perca de privacidade, portanto.
É se não importar de usar um serviço que muitas vezes está reduzido (obras, acidentes, etc.) sem aviso prévio e com alternativa, pelo mesmo preço.
É se não importar o usar um serviço que não nos informa com antecedência do seu custo.
É se não nos importarmos de ter à disposição pontos de abastecimento de combustível mais caro que fora das auto-estradas.

Claro que a página é da Brisa, mas não espanta.


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Ops



Qual dos maiores sustos, domésticos, que se podem apanhar?
Ouvir um estalo valente ao ligar a máquina de lavar roupa e esta deixar de trabalhar, em Agosto!

Qual o maior alívio que se pode ter, em termos domésticos?
Descobrir que, afinal, fora apenas o disjuntor a disparar.

Qual a maior preocupação com que podemos ficar, sobre o funcionamento dos
electrodomésticos?

Não entendermos o que de facto aconteceu.

By me

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Não sei se será uma questão do treino que recebem antes de começar a exercer o ofício, se será antes uma questão genética e só quem tiver esta característica se candidata ao cargo.

Mas é uma impossibilidade universal conseguir que quem está na caixa de um supermercado registe os artigos e os passe adiante pela ordem com que os colocamos no tapete rolante, pensando na forma de os transportar.

By me 

Afectos e desafectos



Ao grande chamam-lhe “Ecoambiente”. Está lá escrito e quem sou eu para duvidar. Acredito, até, que o nome tenha surgido do facto de os seus potentes motores de aspiração ecoarem nas paredes dos bairros de ambiente pacato onde actuam.
Aos pequenos conheço-os por “Almeidas”. Não tenho dados que confirmem a origem do nome, mas a versão que mais tenho ouvido prende-se com terem sido originais dessa vila os que, por muito tempo, cumpriam a função de varrerem as ruas da capital.
Será fácil de entender o porquê da minha simpatia p’los pequenos em desfavor dos grandes.
Não apenas porque fazem com que haja mais gente a trabalhar, não apenas porque fazem selecção do que vão encontrando p’las ruas, nalguns casos fazendo chegar a quem de direito o que foi perdido, não apenas porque chegam com as suas vassoiras a recantos onde as máquinas não alcançam.

Mas, principalmente, p’la aversão que tenho por quem ou o quê que me retire da cama como barulhos ensurdecedores bem por baixo da minha janela quando ainda tenho o sono por completar.

By me 

domingo, 28 de julho de 2013

Contrários



Ao contrário do que possa parecer a quem por aqui vem, nem todas as fotografias têm história. Ao contrário das pessoas.

By me

Um olhar - Sofia



By me

Eternidades


Tenho um muito sincero desejo:
Que os membros deste governo e dos anteriores, em morrendo, sigam direitinhos para o céu. E isto não é ironia. É mesmo a sério.

É que tenho a certeza de que, em morrendo eu, irei para o inferno e não mereço passar o resto da eternidade na sua companhia. Tenho pecado, sim, mas não tanto assim.

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Dualidades



Optimista - O tipo que acredita que esta aberta, permitindo ver uma nesga de céu por entre a nuvens chuvosas, se irá manter por cima do local onde irá decorrer um concerto ao ar livre.
Pessimista – O tipo que, alinhando com o optimista, leva o guarda-chuva e o impermeável.


“Não sou optimista nem pessimista: entre mim e a vida não há mal-entendidos.” Almada Negreiros

By me

sábado, 27 de julho de 2013

Atrasei-me



Depois de um dia de trabalho enfadonho para além do que seria legalmente aceitável, acabei por me quedar um nico à conversa e atrasei-me.
Que se tenho contado mais uma laracha e ouvido mais uma história não chegava a tempo de ver (e registar) uma sombra. Numa empena que me cativa e com sombras que me agradam.
E, se me tivesse demorado mais um bocadinho, no lugar de sombras teria apenas uma parede de luz. Que também pode ser interessante, é verdade.
Mas… se não houver sombras, como nos podemos deliciar com a luz?

E, confesso: se não fosse uma luz, bonita com sombras a condizer, para me alegrar um fim de jornada, chegaria a casa com uma neura que só mesmo o eventual saber da extinção deste governo poderia anular.

By me 

Informação



“Como Serge Daney gosta de dizer, “ficamos cegos diante da hipervisibilidade do mundo.” De tanto ver já não vemos nada: o excesso de visão conduz à cegueira por saturação. Essa mecânica contagia outras esferas da nossa experiência: se antigamente a censura era aplicada privando-nos de informação, hoje, ao contrário, consegue-se a desinformação imergindo em uma superabundância indiscriminada e indigerível de informação. Hoje, a informação cega o conhecimento.”


By Joan Fontcuberta, in “A Câmara de Pandora”

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subserviente 
adj. 2 g.
1. Que se presta servilmente às vontades de outrem.
2. Demasiadamente condescendente.
3. Bajulador.

É tão difícil lidar com isto todos os dias…!
E é tanto mais difícil quanto, nalguns casos, nem acontece para que se obtenham vantagens dos actos mas tão só uma forma viver.


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Quando eu morrer



Quando eu morrer não serei relembrado, certamente, como um tipo de bom feitio. Ainda que procure ser afável quando tudo corre bem, se me incomodam ou se me sinto atingido, reajo nem sempre da forma mais previsível ou agradável.
Foi no Jardim da Estrela, há uns quatro anos. A tarde corria bem, o dia estava bonito, toda a gente parecia estar de bem com a vida. A única excepção fora uma das idosas, habituées do espaço, a queixar-se de todos os bancos estarem ocupados, para ouvirem aquela “porcaria de música clássica”. Tratava-se, entenda-se, de um concerto de Jazz, ali, ao vivo e de borla, como as minhas fotografias. Mas, pondo este comentário de parte, tudo estava a correr pelo melhor.
A certa altura surgem duas mocinhas. Vieram direitas a mim, sabendo do preço que cobro, e quiseram fazer uma foto. Vinham com a boa disposição própria da sua adolescência, de ser final de férias, de estarem de regresso de uma temporada de praia e novos amigos e estarem, de volta a casa, a reencontrarem os velhos amigos. Típico de um domingo, inicio de Setembro, com óptimo tempo.
No final, ao verem-se no papel, reagiram como de costume nestas idades, variando apenas nos apodos com que se mimosearam. No caso, um “Que nojo!”, normal para quem ainda não encontrou o equilíbrio consigo mesmo. Mas, quando lhes disse que se não gostassem da fotografia, não a levavam, riram-se a bom rir e fugiram com ela.
Tudo pelo melhor! Para todos os intervenientes!
Passado um pedaço, uma hora talvez, hei-las de volta. Desta feita com uma amiga, com quem queriam repetir a função. Mas, enquanto trocávamos umas graçolas, uma delas, qual Luky Luke da Estrela, saca do telemóvel, interrompe a conversa comigo e saúda o seu interlocutor. E, sem mais explicações, zarpam as três para longe. Suponho que ao encontro de quem quer que estivesse do outro lado da antena.
Não gostei! Não gostei nem um pouco! Esta mania de que quando o telefone toca tudo pára, tudo se interrompe, incomoda-me de sobremaneira. Quase que me transforma num louco furioso! É que, afinal, a vida é bem mais que os telemóveis, as fotografias, os computadores, as músicas ou o que quer que seja. O mais importante nela é mesmo aquele ou aqueles com quem estamos e desrespeitá-los assim é bem pior que um insulto ou agressão. Pelo menos eu não gosto!
Uns vinte minutos depois, bem medidos, regressam. Acompanhadas as três por dois amigos, vieram interromper a conversa que eu mesmo estava a ter com uma já conhecida daquelas paragens, ainda que oriunda do outro lado do globo. E se eu não tinha gostado que a conversa anterior tivesse sido interrompida por um telemóvel, também não gostei de ser interrompido em directo, aquando de uma conversa ao vivo. Não gostei mesmo nada!
Tal como ela não gostou de ouvir, na sequência do seu “Quero agora fazer a fotografia!” o meu “Não!”, seguido de “”Não gostei que tivesses interrompido a conversa por causa do telemóvel; não gostei que tivesses interrompido a minha conversa com esta senhora só porque chegaste. Não faço a fotografia!”
Estranhou, insistiu e eu insisti: “As fotografias aqui são grátis porque eu quero. E esta fotografia eu não faço! Talvez que assim aprendas qualquer coisa de boa educação!”
Fez beicinho, bateu o pé em tom de birra, deu meia volta que nem um recruta na parada e, agarrando na mão de uma das amigas, afastou-se a trotar. Com o resto do bando a olhar para mim e para ela e a seguir-lhe os passos.
A senhora que comigo falava, do alto do seu metro e meio, sorriu, acenou que sim e traduziu para a amiga a conversa. Suponho que tenha sido factual, que eu de indiano nada sei. Sei, isso sim, que a companheira sorriu também e acenou que sim igualmente. E, após mais umas banalidades sobre o assunto, o tempo e a música que se iria ali escutar, afastaram-se para usufruir, prazenteiramente, o resto daquele domingo saboroso.
Quando morrer certamente que ninguém dirá: “Aqui jaz um tipo de bom feitio.” Mas, caramba, nessa altura também não estarei por cá para ouvir e retorquir. Espero, no entanto, que esta mocinha, agora mal-educada, continue por cá por muito tempo e com melhores atitudes para com os outros. Se assim for, valerá a pena o que de mim disserem!


By me

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Não bastava ter nascido em Portugal e ser filho de pais pobres, tinha que levar com este desgoverno?

É azar demais para um tipo só!
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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Auto-retrato



Uma espécie de auto-retrato.
Trata-se, efectivamente, de um animal de que gosto particularmente e com o qual me identifico: camelos e dromedários.
Que só mesmo um camelo (ou dromedário) aguenta tanto disto.
Por outro lado, convém sempre não esquecer que só os camelos aguentam tantos dias sem beber.


By me

Com mil raios e coriscos!



O puto é canhoto! Não se está mesmo a ver?
Porque é que a mãe, que até tem um ar jovem, moderno e desempoeirado, tem que insistir com o coitado do pimpolho em usar a faca na mão direita e o garfo na esquerda? Principalmente se não se tratar de faca de peixe!
Estas convenções castrantes…!

Num mundo de canhotos, os destros seriam os “estranhos”!

By me

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Se há coisa de que não gosto é ter que fazer arrumações.

Porque, depois de arrumado e durante uns meses, ando à procura de coisas que estão muito bem guardadas em locais de que me não lembro.
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Isto é uma fotografia



Opine sobre ela, por favor.

E sabe o que é que tem graça? Ou que é triste?
É que a nossa cultura permite-nos inverter tons de luz e cor e reconhecer objectos ou pessoas a partir de um negativo fotográfico. Basta olhar para ele e concentrarmo-nos um nico.
Mas olhando para o código digital de uma fotografia, mesmo que do seu positivo, somos incapazes de o interpretar, a menos que tenhamos um treino muito, mas muito especial.
Mas afinal, que raio! Passamos o tempo todos divertidos a fazer e a mostrar coisas para as quais somos incompetentes para apreciar a menos que usemos complexos equipamentos.

Pergunto se admiramos o que fazemos ou a perícia em usar as tecnologias que supomos dominar.  

By me

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Perspectivas



A minha carreira já vai longa. Não está perto do fim, mas já vai longa.
Ao longo dela tive a oportunidade de lidar de perto com uma enorme variedade de gente, desde aqueles a quem chamam de “mais humildes” aos apelidados de “mais ilustres”.
Clérigos, políticos, gente das artes e das letras, da ciência e do pensamento, gente que toda a vida foi e quis ser publica e notória, gente que o foi por um acaso ou por muito esforço.
De toda essa gente, de todos esses momentos, um há que não esquecerei aconteça o que acontecer. Um momento em que me senti pequenino, mas pequenino como só naquelas circunstâncias se pode sentir.
Em frente da minha objectiva e ao mesmo tempo tive Sebastião Salgado, José Saramago e Chico Buarque de Hollanda.
Três grandes, três muito grandes do seu tempo (que também é o meu) três grandes que o são ou foram por aquilo que fizeram e deixaram aos seus semelhantes: os seres humanos.
É difícil encontrar um trio de gente maior. E é difícil ter mais orgulho que eu nesse momento de uma hora de emissão.
Desse momento não tenho documentos. Tenho uma cassete, já salvaguardada para suporte digital, com a emissão, mas nada que ateste o eu lá ter estado. Aliás, nem sequer é importante para mais ninguém. Nem fotografias, nem vídeo, nem áudio, nada. Que, aliás, para além da minha memória, que interesse poderia ter? Perante uma qualquer imagem em que eu tivesse tido o arrojo de aparecer junto com eles, qualquer um perguntaria “Quem será aquele que ali se misturou?”

Hoje oiço alguém dizer que terá que aproveitar o próximo domingo para fazer uma fotografia com “Fulano”. Que será a última oportunidade antes de férias e, depois da reentrée, quem sabe se poderá haver outra oportunidade.
“Fulano” é alguém do mundo da política, bem-dito por uns, amaldiçoado por outros, como é normal nesse mundo.


Realmente, essa pessoa que ouvi falar e eu mesmo frequentamos galáxias diferentes.

By me 

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Eu não sou crente, pelo que a minha opinião e perspectiva é a de alguém que está à margem dos mistérios da fé.
No entanto, quer-me parecer que todo esta mediatização é como que um endeusar uma figura humana que está nas funções que ocupa porque escolhido por outros homens.
E quer-me parecer também que toda esta quase histeria colectiva é um transformar em espectáculo aquilo que deveria ser muito íntimo, apenas entre cada um e o seu deus.
Mas, e como disse, não sou crente e vejo as coisas de fora.


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Em trânsito



A propósito do trágico acidente ocorrido ontem na Galiza, comentei eu com um colega que eu nunca seria uma vítima dele, mesmo que estivesse a viajar em Espanha. E expliquei.
Do que já me foi dado ver nos caminhos de ferro espanhóis, o acesso aos comboios de alta velocidade, chamados de AVE ali, fazem-se como se de aviões se tratasse: controlo de identidades e inspecção de bagagens por raio X.
Ora acontece que me recuso em andar de avião por isso mesmo. Porque, por “motivos de segurança”, todos os passageiros são considerados suspeitos até prova em contrário. Ou, se preferirem, tenho que demonstrar que eu sou eu e não uma identidade falsa e que não transporto nada que seja proibido e que possa por em causa a segurança do transporte.
Ora acontece que na minha “cartilha”, na minha forma de me relacionar com o mundo e os restantes seres humanos, actuo exactamente ao contrário: todos são inocentes até que tenha motivos para pensar o contrário. E, muito interessante, também os princípios basilares da justiça funcionam assim: é a acusação formada que tem que demonstrar o delito, tendo o acusado apenas que demonstrar que não é verdade.
E se eu trato o mundo com equidade e justiça, exijo o mesmo para mim, não aceitando ser tratado como criminoso nem que sobre mim caiam suspeitas de tal apenas porque existo.
Donde: não viajo de avião. Nem viajo nos comboios AVE espanhóis. Em havendo outras alternativas, faço a viagem. Em as não havendo, escolho outros destinos.

É por isso que desejo ardentemente que a empresa onde trabalho não me destaque para locais em que tenha que usar avião. Será uma discussão feroz e de surdos, certamente, mas não cederei nem um milímetro.

A minha integridade moral não se vende por dinheiro nem por ir a locais eventualmente exóticos. Tal como a minha liberdade não se troca por medidas de segurança cegas e castrantes.

By me 

O luar



Há coisas que nos fazem parar muito para além daquilo que suponhamos.
Quando saí do trabalho já era noite fechada. Ao cruzar a porta do posto de segurança que temos que atravessar, estaquei. Lá em baixo, sobre o rio, a Lua tinha subido no horizonte fazia pouco.
Já não é lua-cheia, que um dos lados já estava meio abaulado. Mas estava grande, bem grande, amarelada por via da nossa própria atmosfera, mas bonita de fazer parar o mais pintado. Com a luminosidade e o tom certo para fazer qualquer imagem que dela se fizesse um espanto. Mas, e principalmente, para encher a alma de bonito!
Atrás de mim vieram mais dois que tinham o mesmo objectivo que eu: regressar a casa depois de uma jornada de trabalho. E eu ali, na soleira da porta, a impedir-lhes a passagem…
“Então! Ficas cá a dormir hoje, é?” atirou-me um deles, provocador.
“Se aquela ficar assim toda a noite, lá isso fico.” Respondi apontado lá p’ro fundo.
“Ah!” disse o outro. E ficaram a olhar uns bons três ou quatro segundos. E seguiram.
Eu fiquei até que o seu movimento, ainda que lento, a fez começar a ficar tapada por umas ramagens de uma árvore. E a perder o seu tom amarelo.
Foi, talvez, a necessidade de me desviar um nico para a continuar a ver que me quebrou a imobilidade e me fez fazer o caminho inverso, da Lua à Terra. E atravessar a avenida, que já tinha perdido um autocarro.
Mas o que tinha ganho com aqueles minutos valiam muito mais que um transporte, ainda que escasso na noite, p’ra casa.

Se fiz o registo? Não fiz!
À uma porque não tinha comigo senão a de bolso, que por muito boa que seja, não serve para isto.

Depois, porque há coisas na vida que é bem melhor saborear que fotografar. A vida propriamente dita, por exemplo!

By me

quarta-feira, 24 de julho de 2013

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Oiço a alteração à forma como as notas são consideradas na escola António Arroio.
E lembro-me de uma visita presidencial a esta mesma escola que foi cancelada. À porta da escola, uma manifestação de estudantes que contestava políticas e políticos.

Será que se trata de uma vingança?
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Leio as notícias.
Fico a saber que teremos um novo ministro, ligado de alguma forma ao maior escândalo financeiro das últimas dezenas de anos neste país.
Constato que há mais duas pessoas a desmentirem, solenemente e na Assembleia da República, uma ministra de Portugal.
Leio que a Zon aumentou os lucros.
Sou informado que a EDP aumentou os lucros.
Vejo que já há fotografias do bebé real.
Não consigo ler uma linha sobre o apartamento do prédio do lado, que está à venda pelo banco depois da família que lá vivia ter sido despejada.
Não vejo uma referência ao empregado do café, junto à estação, que há dois meses não recebe ordenado.

Uma vez mais, não consigo ficar surpreendido com os media portugueses.


 By me

Pistas



Ao contrário da maioria, deste tenho fortes suspeitas na sua origem. O estar longe de contentores de lixo, a proximidade de uma fachada e o estar, bem mais lá no alto, o seu par pendurado num estendal de roupa, indica-me, qual Sherlock fotográfico, que terá feito uma aterragem forçada no passeio.

Deixei-o ficar onde estava.

By me 

Analogias



Acordo ao raiar do dia e venho à varanda, num misto de boletim informativo e celebração universal.
O sol, se bem que já tivesse cruzado o horizonte, estava bem tapado por um manto de nuvens. E o céu que via da minha janela também. E cinzento plúmbeo.
A temperatura do ar, aliada à brisa que soprava fizeram arrepiar a pele e arrepiar caminho, que eram pouco consentâneas com o andar à pai Adão de quem acaba de sair da cama.
Uma hora depois voltei ao local. As informações televisivas contradiziam as recolhidas pessoalmente e quis tirar as teimas: afinal o dia vai estar bonito ou não? Estava assim, meio cá, meio lá, com as nuvens a continuarem a estar feiosas.
Quinze minutos depois estas fachadas, assim solarengas, regressaram à condição de ensombradas, que o céu voltou a fechar-se.

Não pude deixar de fazer analogias com as demais notícias tristemente ouvidas: o futuro adivinha-se pesado, cinzento, ameaçador, apesar de algumas abertas sonhadoras e de previsões optimistas.

By me 

terça-feira, 23 de julho de 2013

O cerne da questão



Suponho que alguns saberão: o termo “salário” provém da expressão latina “salarium argentum”, que era uma das formas de pagamento aos soldados das legiões romanas espalhados pelo Império. E o seu valor advinha de muitos povos não saberem como o obter.
Passada esta introdução histórica, saiba-se que um quilograma de sal marinho de cozinha vale, números redondos e por cima, cinquenta cêntimos. E que um quilograma de moedas de um euro vale, números redondos, 132 euros.
Saiba-se também que eu levo alguns meses, bastantes, para gastar um quilograma de sal, enquanto que 132 euros do meu salário voam num ápice.

Se calhar andamos a ver as coisas mal e os problemas que vamos tendo não estão na economia nem nos políticos mas antes no facto de usarmos dinheiro.

By me


Palavras e sonhos



Tenho um desejo! Cada vez mais forte, mas cada vez menos passível de se concretizar.
Um dia, em indo cumprir o meu direito e dever enquanto cidadão numa sociedade realmente democrática e participativa, poder votar, poder escolher em consciência, alguém cujo percurso conheça e que, dele, sei não ser demagogo, dogmático, demasiadamente servil ao poder e aos poderes e que tenha a sinceridade de, caso se engane, o assuma e disso peça desculpa.
Até esse dia, terei que me contentar com o que vai aparecendo, que não cumpre um ou vários destes atributos. Ainda por cima, numa sociedade organizada de molde a que, depois de votar, perco o poder de intervir naquilo que me diz respeito.


Virá o dia em que as palavras, mais que apenas ditas ou escritas, serão sentidas. E em que a Evolução ganhará o “R” que lhe roubaram!

By me

Temos pena



Há expressões que me irritam. Enervam-me. Fazem-me urticária.
Uma delas é “azarinho”. Outra é “temos pena”.
E o meu desconforto é tanto maior quanto quem as usa é gente que pouco tem a referir-se a quem nada tem. E que, tempos antes, os primeiros pertenciam à segunda categoria.
Este negar as origens, este negar apoio e solidariedade a quem ainda não ou nunca conseguirá sair do estado limiar de mera sobrevivência material…

Tenho que agradecer à minha personalidade e respectiva curiosidade sobre o ser humano o ainda não os ter mandado, factualmente, a um sítio que eu cá sei.
Que sendo certo que o mundo todos os dias dá uma volta, sempre quero ver que comportamento terão quando ou se se encontrarem em estado de carência e ouvirem da boca de outrem “temos pena”.

Desta, que agora inala o cigarro matinal, não será certamente. Que esta urticária faz-me comichão na alma.

By me 

Na noite



Chego a casa já passava da meia-noite.
Dispo-me, acendo um cigarro e prepara-me para um nico no pc antes de ir dormir. O toque de alvorada será cedo.
Já sentado, sinto um ratito a fazer das suas no estômago. Mal não tem, que uma ou duas bolachas não me atrapalharão o sono. E dirijo-me à cozinha.
À porta, fico uns três ou quatro segundos, atónito, ainda antes mesmo de acender a luz. Que, se a acender, aquilo desaparece.
A luz que me entra p’la janela, cujos vidros até precisam ser lavados, é estranha, não bate certo. A altura do meu apartamento não permite que a luz vinda dos candeeiros da rua iluminem o chão, cá dentro. Mas este está, agora, com luz a incidir-lhe. E a fazer sombras, nunca antes constatadas. Que raio!
Precisei de pensar um pouco e lembrar-me que duas horas antes, enquanto esperava p’lo autocarro e, pouco depois, enquanto esperava p’lo comboio, havia visto como a Lua brincava de tapa-destapa com as nuvens. E havia pensado em como seria bem difícil registar aquela amplitude de contrastes, desde os detalhes na Lua até à suave iluminação das nuvens baixas que cobriam parcialmente a cidade.

A noite e a sua luz, natural ou artificial, não é marcada principalmente pela escuridão, como a esmagadora maioria das pessoas pensam. O que caracteriza a noite do Homem, na sua urbe ou mesmo campesina, são os contrastes entre o que é visível e o que não o é. E as sombras estranhas que vemos. E os medos atávicos que com elas sobrevêm da antiguidade: o lobo, o papão, o homem do saco…
Mas o que é belo na noite é exactamente isso: aquilo que imaginamos p’ra além do que vemos, os que as sombras nos sugerem, o que adivinhamos que possa estar quando pomos o pé sem olhar.
E não será à toa que os namorados e amantes preferem a noite ao dia.

A fotografia não está famosa? Pois não!

Mas se conseguisse fotografar tudo o que e como me vai na alma, seria um génio, que não sou.

By me 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Estar na vida



Por muito estranho que possa parecer a alguns diletantes da fotografia, o meu objectivo enquanto fazedor de imagens fotográficas não é ser bom fotógrafo.
O meu objectivo é, antes sim, o encontrar prazer e satisfação na sua produção e consequências.
Satisfação em olhar para uma fotografia feita por mim e achar que funciona, satisfação em saber que quem vê o que vou fazendo sente algum prazer ou satisfação (ou exactamente o oposto) no acto de as ver.
Porque, e nunca nos enganemos, a fotografia é uma forma de comunicação. E a sua eficácia depende, em boa medida, da forma como o receptor reage. Se reagir no sentido previsto pelo autor, então a comunicação fez-se e o objectivo do fotógrafo realiza-se.
O ser bom ou mau depende, muito naturalmente, da subjectividade da época, cultura, quem analisa, do academismo…
Mas não me interessa ser bom fotógrafo. Interessa-me ter prazer no que faço, nas suas diversas vertentes.

Mas esse meu prazer não pode passar, de forma alguma, pelo desprazer, desconforto, incómodo, sofrimento, de quem é fotografado. A minha felicidade não pode passar pela infelicidade de alguém. Menos ainda daqueles cuja imagem me engrandece e me dá prazer.
Não se trata de leis ou códigos, escritos ou apenas falados.
É uma forma de estar na vida: a minha liberdade ou felicidade não passa por limitar ou impedir a liberdade ou felicidade de outrem.

Fotografia incluída.

By me 

Disparando à toa



Curioso é pensar no termo usado para o carregar no botão que provoca uma fotografia: “Disparar”. Em inglês, a mesma coisa: “Shoot”.
A analogia que se pode fazer com o outro “disparar”, o do gatilho de uma arma, é terrível.
Em ambos os casos, o fotógrafo interpreta o seu gesto como o de caça, o “abater” o assunto fotografado. E a consequência é, em regra, mais um troféu, pendurado numa parede, exibido numa página web ou religiosamente guardado num álbum mais clássico. Eventualmente, divulgado nos media.
Mas o assunto foi alvejado, abatido e guardado.
E a câmara usa-se como quem usava uma arma à cintura ou atravessada nas costas: pronta a usar sobre os alvos que interessassem guardar ou aniquilar.

Curioso também é a falta de respeito francamente manifesta sobre o assunto alvejado.
Fotografa-se aleatoriamente, sobre uma cara bonita ou um corpo em necessidade, sem mesmo se saber se o seu dono ou dona o autoriza. À surrelfa, como que emboscado por entre as folhas de uma mata. E quanto mais discreto for o disparar, quando menos o alvo disso se aperceber e não agir em conformidade, melhor. São os troféus espontâneos, a chamada “street photography”, como hoje está na moda dizer.
A vontade das pessoas assim abatidas pouco conta: “Que diabo, sou um fotógrafo! Não vê a câmara, que cara e sofisticada que é? É meu direito usa-la sobre tudo e todos que estejam ao seu alcance!”

O que não é sofisticado, nada sofisticado, é o procedimento de quem dispara.
Ser fotógrafo implica uma boa dose de voyerismo. Mas não respeitar o que se fotografa, fazendo-o e usando-o à revelia do conhecimento e vontade do fotografado, é a coisa mais rasca e baixa que se pode fazer na nobre actividade de fotografar. É como quem, com binóculos, espreita o tomar banho e vestir da vizinha ou vizinho, pelas janelas que estão abertas.


Para esses tais de “fotógrafos”, o meu olhar de desprezo! E o meu olhar de tristeza para uma sociedade que, vítima de si mesma, cada vez menos respeita o individuo e a privacidade!

By me

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Ego e ética são duas palavras que começam pela mesma letra. Mas as semelhanças terminam aqui.
Aplicam-se, entre ambas, a lei da proporcionalidade do inverso. Por outras palavras, com o aumento do primeiro, a segunda quase desaparece.


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domingo, 21 de julho de 2013

Sondagens



Sou um tipo falador. Coisa que, suspeito, nem sequer é muito do agrado de alguns colegas de trabalho.
Mas o ser falador e o ser capaz de falar com quase qualquer pessoa traz-me vantagens. Nos cafés, nos transportes, nos centros comerciais, nas ruas, vou falando e ouvindo o que o comum do cidadão, o anónimo cidadão, aquele que passa ou está, entre dois outros afazeres, pensa.
Pensa da vida em geral, das circunstâncias do tempo e lugar em que nos cruzamos, dos tempos que correm, das crises e das eventuais soluções.
E uma coisa posso eu garantir desta sondagem não sistematizada nem encomendada:
Mais de 80% das vozes que oiço querem este governo dali p’ra fora. Mais de 80% das vozes que oiço não acredita nos partidos do chamado “arco da governação”. Mais de 80% dos que oiço falar está farto de serem sempre os mesmos a governar e a estragar o país.
Mais de 80% dos que vou ouvindo, mesmo que não sejam adeptos de soluções radicais, quer mudanças profundas e não no sentido das que estão a ser tomadas.


Os que não entendem esta vontade do povo, ou não querem mudar o que quer que seja ou não querem largar a cadeira do poder e o que a ela está associado.

By me 

Segredo



Num país cada vez mais dependente do que os estrangeiros queiram fazer, turismo incluído, ver os espaços públicos cheios de gente de mapa na mão e com linguajares estranhos é bom p’ro negócio.
Mas acontecer isso no exacto dia em que decidimos dar um passeio turista em terra nacional, é bera.
Espaços ocupados, preferências por loiros ou de lenço pudico na cabeça, câmara e guias rápidos de conversação, se tanto, faz com que usufruir do que pertence ao meu concelho seja tarefa quase impossível.
O negócio gosta, a alma não!
Felizmente sobram alguns truques. Ou segredos. Locais que, aprazíveis que são, não atraem os magotes de gente à procura da fotografia “p’ra mais tarde recordar”, ou alimentar o palato com sensações lusas.
Na “Volta do Duche”, em Sintra, há um assim. Esplanada, só esplanada, com um prato do dia, acrescido de hambúrgueres e cachorros (não garanto se pizzas congeladas), nada que convença em demasia os turistas do costume.
Excepto que há sempre lugar sentado, à sombra, o café é bom, e suficientemente tranquilo p’ra um tipo que queira um nico de calma em dia de folga.
Para além das convencionais mesas e cadeiras de ferro, próprias de qualquer esplanada que se preze, tem umas mesas e bancos de pedra, convidativas a quem traga farnel de casa. Coisa que só os autóctones fazem, claro.
A meio da tarde, e em passando a hora do almoço e antes da da merenda, pouco mais que pombos as ocupam.
Para felicidade dos nativos.


Mas é segredo, não contem a ninguém.

By me