quinta-feira, 16 de maio de 2013

Teorias




A ideia original de base não é minha, p’lo que aqui deixo a ressalva, ainda que não saiba atribuir a autoria.
Considerando que existem umas dez confissões religiosas, ou derivadas, em que o conceito de céu e inferno fazem parte das perspectivas de futuro;
Considerando que todas elas se afirmam como verdadeiras e únicas;
Considerando que todas elas defendem que só elas salvarão de um inferno atroz ao contrário de todas as outras;
Considerando que, para ser intelectual e teologicamente honesto, só posso acreditar numa delas.
Estou assim condenado a nove infernos, por muito piedoso e crente que possa ser no décimo.
Ora é igualmente certo que todas elas me consideram pecador e condenado devido a qualquer coisa que aconteceu algures na origem do mundo, num tempo em que só existiam dois seres humanos e em que eu, nem sequer sendo sonhado, não poderia fazer o que quer que fosse a favor ou contra. E que tudo devo fazer, hoje, para obter o perdão daquilo de que me considero inocente.
Prefiro, assim, criar eu mesmo o meu próprio paraíso e inferno, sendo eu mesmo acusador, juiz e carrasco. Não alinhando nos conceitos, terrores e delícias que outros me querem impingir.
Com a vantagem de nunca ter que dizer, a uma criança recém-nascida:
“És culpada dos erros dos outros e passarás a vida a humilhar-te e a pedir perdão. E, mesmo que o faças, estás desde já condenada a nove em dez infernos.”
Que essa coisa de querer formar (ou formatar) as crianças pelos nossos próprios pensamentos com imposições, ameaças e terrores infernais, impedindo-as de crescer em plena liberdade intelectual e de assumirem em plenitude a responsabilidade dos seus próprios actos e decisões…

Tenho p’ra mim que as duas piores coisas que a Humanidade criou, ao longo da sua história, foram a teologia e o dinheiro.
E, em havendo dúvidas sobre tal, veja-se o que esteve na origem de todas as guerras e respectivas matanças e sofrimentos.

By me 

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