terça-feira, 31 de julho de 2012

De pequenino




se torce o pé ao pepino.
Ou, se preferirem, de manhãzinha se dá ao botão.

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Vitória ou morte (ou quase)




Por esta altura, tal como há quatro anos e quatro anos antes disso e quatro anos mais atrás, está o povo português e não só a vibrar com os jogos olímpicos.
Logo a abrir, o grande espectáculo, que de jogos e de espírito olímpico pouco teve, não passando de uma super produção para fazer uns trocos graúdos.
Depois, a expectativa das medalhas: há que ganhar uma medalha, seja lá por onde for, insistem os jornaleiros, ao serviço dos directos e das manchetes. Quando não, deduz-se, e conjugado com a troika, os cortes nos subsídios, os relvas e os incêndios estivais, será a grande depressão nacional e não chegarão psiquiatras e psicólogos para atender os coitados dos tugas que em casa chorarão o não haver ouro, prata ou mesmo bronze.
Esquecem-se todos eles, os que se batem no sofá, junto ao computador ou em frente da objectiva, que cada um dos que lá está, a competir nos Jogos Olímpicos, já é de si mesmo muito grande, muito bom, para lá poder estar. Acontecerá, eventualmente, virem a encontrar outros que são tão bons ou melhores que os nossos.
E é por isso mesmo, por esse frenesim em torno da competição com os outros, que não ligo peva aos jogos olímpicos. A única competição que entendo por válida, é a competição de cada um consigo mesmo, tentando cada dia ser melhor naquilo que faz que na véspera.
Quanto ao resto, aquilo que nos tempos que correm acontece nos estádios olímpicos e a forma como é interpretado cá fora não passa de guerras entre nações, a ver que trás mais medalhas. Batalhas campais em que os combatentes, coitados, lutam fazendo aquilo de que gostam, não se apercebendo que o seu esforço resulta no saciar da sede de violência da populaça e que os media tanto acarinham.
Ora batatas para os jogos olímpicos!

By me

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Lua hoje




Esta é uma fotografia feita da minha janela, agorinha mesmo.
Usei uma objectiva 400mm e ampliei-a duas vezes no tratamento de imagem posterior.
Feita à mão, tem um tempo de exposição de 1/125, f:8, ISO 100.
Necessitei de abrir um niquinho mais, já que o céu não está, por estas bandas, tão limpo quanto gostaria.
Quem quiser usar estes dados de exposição e brincar à roda deles, esteja à-vontade. Quanto mais não seja para constarem que o cota das barbas, às vezes, tem razão. 

By me

Meio metro




Tem meio metro!
Garanto que tem meio metro!
Meio metro de diâmetro!
Tem meio metro de diâmetro este cano.
Ou melhor: Aquele cano de revolver de calibre .38 tinha meio metro de diâmetro!

Mas comecemos pelo princípio:
Estávamos no primeiro Outono da revolução. E uma revolução significa isso mesmo: tudo muda e se revolve. E se houve coisas onde aconteceram mudanças foi com a gente mais jovem e com a educação.
Até então o ensino era sexualmente segregado. Se hoje se pretende que exista educação sexual nas escolas, a grande vitória de então foi os estabelecimentos de ensino passarem a ser misto, rapazes e raparigas lado a lado.
No início daquele ano conturbado de 74/75 juntaram-se dois liceus, um masculino, outro feminino e redistribuíram-se os alunos em função das moradas e dos melhores acessos à escola. Aconteceu nestes dois, como em todos os outros pelo país.
Claro que foi a grande confusão, com toda a gente sem saber onde estava colocada, entre muitas outras coisas que não se sabia. A confusão, diga-se de passagem, estava mais nas cabeças dos pais e encarregados de educação, que nas dos alunos.
Para nós, o mundo era um cubo e havia que o deixar redondo como vinha nos livros. Havia inúmeras arestas para limar, superfícies a polir, mas isso não nos assustava. Nunca nos tínhamos “cortado” nas ferramentas e o trabalho não nos intimidava.
Todos queríamos fazer algo. A mim tocou-me estar na recepção de um dos liceus, com as listas dos dois. Com um mapa ao lado, ajudava aqueles alunos e pais que estavam meios perdidos com localizações e transportes. E não eram tão poucos quanto isso…

Num desses dias de entusiasmo e confusão, surge um pai de uma rapariga. Consultada a lista, verifica-se que ficou colocada no antigo liceu masculino. O pai não aceita. Diz que ele (o liceu) tem má fama e que não quer lá a filha.
No que diz respeito à fama, até que tinha alguma razão: eu próprio tinha ajudado a construi-la. Mas tudo isso era história passada. Com a nova organização de alunos e professores, tudo iria ser diferente.
Mas aquele pai não havia forma de ser convencido. De jeito algum. Deveria haver muita confusão naquela cabeça e naquelas vidas. Ele era peremptório e nada o demovia. O tom da conversa subiu, começaram a juntarem-se mais alunos em redor, o homem foi-se enervando ainda mais…
Até que mete a mão ao bolso e saca de um revolver. Como a conversa era comigo, calhou-me em sorte ser o alvo daquele cano.
E garanto: a vinte centímetros dos olhos, um .38 tem meio metro de diâmetro!
Claro que a situação não durou muito! Rapidamente foi submergido pela maralha que nos cercava, foi desarmado e ainda levou uns “encostos”. E constatou-se que a arma, afinal, estava descarregada! Mais ou menos como estava o meu ânimo e interior depois de uma situação daquelas.

Mas o homem tinha que ser esclarecido. E a filha tinha mesmo que ir para o tal liceu.
Passado um pouco, todos mais serenos e sem a intervenção da tropa que aparecia por ali volta não volta, acabei por ir no carro dele mostrar-lhe o tal liceu, que eu bem conhecia, numa visita guiada.
Acabei por não conhecer a filha dele nem me recordo da sua idade ou do ano que cursava.
Mas fiquei a saber que um revolver .38, a vinte centímetros, tem meio metro de diâmetro.

By me

domingo, 29 de julho de 2012

Imitando




Se fosse de dia, se fosse uma lamparina e se não tivesse óculos, poderia dizer-se que estaria a fazer uma imitação de Diógenes, que assim procurava um homem honesto.
Não sendo nada disso, até porque é uma busca que já desisti de fazer, é apenas uma fotografia de noite, o estado luminoso em que se encontrava a rua na altura em que consegui terminar a reparação de um maldito computador que me foi pedido para fazer.
E se filosofia é, etimologicamente, a procura ou o amor ao conhecimento, então talvez eu seja um praticante, mas só talvez, que dá mesmo muito trabalho.

By me 

Desvio




Quando, no decurso de uma viagem, encontramos indicação de desvio que nos força a tal, interpretamo-la como um incidente de percurso e continuamos, presumindo que se trata de algo inevitável mas temporário.
Mas se, na continuação dessa mesma viagem, constatamos que as placas de desvio se sucedem, erráticas e sem nexo aparente, começamos a colocar questões.
Será que embarquei na viagem certa?
Será que estou no veículo certo?
Será que chegarei a bom porto?
Será que chegarei a algum porto?
Será melhor sair nalguma escala?
Será que haverá alguma escala?
Adianta continuar numa viagem repleta de desvios e sem que saibamos que rumo temos ou mesmo se haverá rumo?

Por vezes, em viagens atribulas e quase sem sentido, faz sentido arrear as velas, largar ancora, tomar a altura do sol, consultar o quadrante e pensar seriamente na jornada feita e naquilo que, eventualmente, teremos ainda p’la frente.

By me 

A única





Esta foi a única imagem que consegui registar em quase dez horas de actividade formativa.
Saber que há gente que atenta nas nossas palavras, gestos, linhas, que as considera como referência e que as irá repetir, contestar ou considerar como importantes, por muito levezinho e divertido que levemos a coisa, é uma responsabilidade demasiadamente grande para que o possamos por de parte, mesmo que por momentos.
E se estou concentrado naquilo que os que nos cercam vão fazendo, preocupado em ter a certeza que as aprendizagens estão a acontecer e da forma mais útil, dificilmente consigo escutar a voz interior, ou ver as imagens projectadas atrás da retina, para que com isso possamos criar alguma coisa.
Não sei ao certo o que acontece com muitos e muitos outros, mas eu não sou multi-tasking.


By me

sábado, 28 de julho de 2012

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Olhando para




Marca a actualidade desportiva: os Jogos Olímpicos.
Claro que o espírito já não é o mesmo do que foi há uns milhares de anos nem o que os jogos modernos recriaram.
Mas quem vê os desportistas a entrarem no estádio, bem mais que o espectáculo que antecedeu o desfile, talvez não entenda o que é ali estar. O participar num evento deste tamanho, mesmo que se não compita, mesmo que se não esteja a representar um país, mesmo que apenas se esteja a trabalhar, bem suado, é algo que abana fundo qualquer mais empedernido.
Garanto-o eu, que o sei em primeira mão, ao vivo e a cores.

By me 

Estética dermatológica




Baba de caracol, alcachofra, veneno de cobra, extracto de caviar, essência de pepino, aloé, óleo de zimbro, carpaína…
No dia em que isto estiver referido em belos rótulos, com todas as letras ou bem disfarçado, como sendo o tratamento cutâneo ideal, passarei a usar o nariz muito antes da boca. E mesmo assim…

By me

Gostos




Se há coisa de que gosto são chefinhos vingativos. Só não os como ao pequeno-almoço com receio de aumentar de peso.
Mas sendo certo que o universo, na sua evolução constante, tem tendência para algum equilíbrio, cedo ou tarde uma de duas coisas acontecerá:
Ou deixam de ser chefinhos ou como-os mesmo ao pequeno-almoço, dissolvidos em Coca-Cola.
Já a questão de serem vingativos é irresolúvel. É que o mau carácter não tem solução!

By me

Ser livre




Há quase dez anos publicava eu este textinho:

“Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.
Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”
Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.
Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.”

Na altura recebi este comentário de uma leitura assídua:

“aki ha uns anos axava k seria livre no dia em k ganhasse a minha independencia...e k isso iria akntcer kd fizesse 18 anos e entrasse finalmente para a faculdade...
hmmmm....
19 anos....prestes a entrar ja no 2º ano de faculdade....
liberdade? onde é k ela está?
agora pergunto-me (ja com um bocadinho mais de consciencia do mundo e do país onde vivo) se algum dia knseguirei alcançar essa tao ambicionada liberdade...
mas será que sei realmente o que é ser livre?
alguma vez vou saber...?”


Espero, sinceramente, que ela tenha descoberto o que é liberdade de ser e de pensar. E que o seja!

By me

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O pacote




Sinto-me enganado. Burlado. Frustrado. Chateado. Abusado. E outras coisas acabadas em “-ado”. Ou mesmo em “-ido”.

Vejamos a história:
Há umas semanas uma pessoa amiga mostrou tristeza ao constatar que havia perdido um pacote de açúcar. Uma coisinha pequena, que usamos para adoçar cafés, galões ou chás. O motivo da tristeza prendia-se com o facto de ter sido guardado para oferecer a alguém conhecido que os colecciona.
Ouvi o queixume e registei. Num daqueles cantos onde guardamos informações pertinentes para eventual uso posterior.
Hoje estive perto do local onde se usam. Não é zona por onde costume passar, mas lá calhou. E lembrei-me.
Procurei onde se usam e fui tomar um café. Normal. O que não seria normal seria o eu palmar um pacotinho, se pudesse. Quando não, o plano B implicaria tomar a minha bica mais amarga, mas trazer o bendito pacote de qualquer forma.
Encostado ao balcão, peço um café. Na chávena ao lado, já usada, sobrava um pacote. Boa! Embolsei-o como quem não quer a coisa.
Veio a bica com… palheta de plástico. Peço uma de metal, que não há. Peço a alternativa – colher de galão para usar o cabo – e dizem-me que estou com sorte, porque vão passar a usar apenas de plástico para breve, mesmo de galão ou chá. Mas acabo por usar algo reutilizável, felizmente.
O que me fez sair mesmo do sério foi terem-me pedido uns enormíssimos 75 cêntimos por um café. Tomado ao balcão, acompanhado de palheta de plástico, se não tivesse reclamado. E, ainda por cima, não era grande coisa, o tal do café!
Garanto que, em passando por aqui, não voltarei a consumir a cafeína com que alimento parte da minha energia.
Mau café, caro e com palhetas… Nem pensem! Nem mesmo para satisfazer uma colecção de pacotes de açúcar!

Nota extra: a fotografia é má? Não me apeteceu fazer melhor, considerando a história que a envolve.

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Noite




Para os que queiram ir pensando um pouco na coisa, aqui deixo uma pergunta dupla preparatória das Trocas Fotográficas de Sábado:
O que é noite e como se representa?

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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um último olhar p’la janela




Antes de ir conversar com a almofada.

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O acaso nem sempre o é!




Fazer ao calhas, por vezes, redunda em acertar bem em cheio.
Eis que abro ao calhas um livro que tenho em cima da secretária para acabar de reler. E dou com a transcrição que se segue. Que, de uma forma ou outra, define e justifica o que e como tenho feito ao longo de mais de três dezenas de anos de fotografia, vídeo e escrita.


2.1. A ligação

A função de ligação, tal como a definiu Barthes, é uma forma de complementaridade entre a imagem e as palavras, aquela que consiste em dizer aquilo que a imagem dificilmente pode mostrar.
Deste modo, entre as coisas dificilmente representáveis na imagem fixa, temos a temporalidade e a casualidade. Com efeito, a tradição dominante de representação em perspectiva faz prevalecer a representação do espaço em relação à representação do tempo. Aquilo que estamos habituados a decifrar é o perto e o longe no espaço. Admitimos a existências de ecrãs visuais (uma montanha, uma cortina) que pela sua suposta proximidade nos escondem aquilo que se esconde por detrás deles. Isto obriga a imagem fixa a abandonar a representação do tempo para além da instantaneidade. Contar uma história numa única imagem é impossível, enquanto que a imagem em sequência (fixa ou animada) encontrou os meios para construir narrativas com as suas relações temporais e casuais. A fotonovela, as bandas desenhadas podem contar histórias, imagem única e fixa não.
Vimos que uma das preocupações do movimento cubista na pintura havia sido precisamente a introdução de uma nova relação espaço-tempo no quadro, quebrando com os constrangimentos da representação em perspectiva  e a procura dos equivalentes visuais da expressão da temporalidade. Mas a maior parte das vezes é a língua que vai compensar esta incapacidade da imagem fixa para exprimir as relações temporais ou casuais. As palavras vão completar a imagem.

In: “Introdução à análise da imagem”, by Martine Joly, Edições 70, pp 122, 123

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Orgulho




Sabemos que o clubismo pode ser terrível!
Ele é aquela frase “Quem não é do benfica não é bom chefe de família!”, ele é as claques, nem todas ordeiras e pacíficas, ele é as agressões às viaturas das equipas oponentes, ele é os parentes que se deixam de falar…
Mas, em regra, esta clubite afecta os grandes clubes.
Depois, há as clubites dos adeptos ou sócios dos pequenos clubes, de bairro, lá da terra, onde joga aquele parente… São clubites de afecto, com ligações permanentes mas quase que por obrigação.
Mas ainda há as clubites do coração, daqueles ócios que defendem o seu clube, mesmo que nunca ganhe uma competição, que fazem gala de se afirmarem como adeptos perante a sanha daqueles que quase se batem depois ou antes de um jogo.
Ser adepto, mesmo perante a constante adversidade é gostar de um clube sem saber dizer porquê, é colaborar com ele mesmo nos piores momentos, é saudar uma derrota com um sorriso e dizer “Estivemos o melhor que pudemos!”
Tenho dois colegas assim, no caso adeptos do Belenenses, a ponto de terem lugar cativo na bancada e de exibirem com orgulho o cartão que a ela dá acesso. E de dizerem “Domingo lá estarei, aconteça o que aconteça!”
Este é o cartão de um deles, daqueles que dizem que gostam de um clube porque sim.
Bom jogo, neste Domingo!

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O último sono





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terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma resposta




Por vezes, ao vernáculo há que responder com vernáculo

Diz o Primeiro-Ministro sobre o equilíbrio de interesses entre governação e eleições, que a sua atitude é a de “Que se lixe as eleições”.
Cá p’ra mim a frase correcta é: “Que se fδΔ@ quem disse tal frase!”

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When I’m blue




I just do some pictures like this and I’m back to normal.

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Um olhar - Sónia





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Pé direito, pé esquerdo





O que importa mesmo é que lá cheguemos


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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Também em vermelho





(ou parecido)


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Trocas fotográficas




Troco:
- Alguns conhecimentos fotográficos
Por:
- Aquilo que entenderem, desde que feito pelo próprio.

Quando:
Sábado, 28 de Julho, pelas 20.30 horas
Onde:
Largo do Rossio, Lisboa, junto à estátua.
Prevê-se que termine cerca das 24 horas.
Quem tiver tripé, traga-o. Quem não tiver não se preocupe, que certamente que haverá algum para partilhar.
Recomenda-se que traga um cartão de memória vazio e baterias carregadas de fresco.

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Like




E quando eu começo a gostar daquilo que os prelados dizem em Portugal e sobre Portugal, é altura de ficar realmente preocupado com o que por cá se passa!

“D. Jorge Ortiga diz que os governantes não estão a saber responder à crise que o país atravessa. Este já é o segundo bispo, depois de D. Januário Torgal Ferreira, a criticar o Governo num curto espaço de tempo
O arcebispo de Braga criticou hoje o Governo por não responder às necessidades por que passam os portugueses.
D. Jorge Ortiga, que é também ex-presidente da Conferência Episcopal, aproveitou um festival da Juventude, para lançar fortes acusações aos partidos do poder.
"Para eles [os políticos], muitas vezes e quase sempre, vale apenas o bem estar pessoal ou, quanto muito, do seu grupo ou partido", afirmou o bispo, citado pela Rádio Renascença.
…”

In: “Diário de Notícias”

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domingo, 22 de julho de 2012

Não posso ser bom rapaz o tempo todo!




Nem vocês podem ter a cabecinha a pensar sempre dessa maneira!
Isto não é o que estão a pensar, mas tão só a curva interior do meu joelho.

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Não sou uma lata




O projecto “Latas na Cidade” é coisa com graça.
Deixar latas em locais públicos, abandonadas, à espera que quem as encontre lhes dê o uso para que foram concebidas – fazer uma fotografia – e esperar que regressem à base para que a foto seja revelada é, no mínimo, incomum.
O deixar coisas em locais públicos para que tenham continuidade não novo. Sei que aconteceu – ou acontece – com livros. No campo da fotografia o sistema “em continuidade” também não é original. Já participei com câmaras convencionais e com objectivas. Neste último caso, foi uma 28mm que deu a volta ao mundo, literalmente, entre amantes de câmaras Pentax.
Agora câmaras “pinhohe” ou estenopeica é mesmo novidade.
Claro que – e chamem-me de desconfiado se quiserem – isto não é completamente gratuito.
Apesar de haver um projecto cultural associado – quem fotografa, o que é fotografado e de que modo, o criar um “retrato colectivo” sobre a cidade onde acontece, etc. – este projecto serve também de chamariz às actividades da “Imagerie”, empresa dedicada a produções fotográficas e à formação de base na fotografia. E, como não poderia deixar de ser, quem quiser saber mais sobre o processo fotográfico que usou com a lata, mais não tem que frequentar um workshop – pago – promovido pela referida empresa.
Mas considerando que:
A – Os tempos estão beras; B – Não há almoços grátis; C – Há coisas que só se aprendem fazendo com orientação; D – A curiosidade despertada sobre o desconhecido pode dar origem a coisas muitos interessantes;
Tudo por junto o projecto é particularmente válido.
Assim: se nunca usou um a câmara destas, se nunca esteve num laboratório fotográfico, se gosta de fotografia… Ao ver uma destas latas num jardim perto de si, leia o lá consta e dê-lhe uso.

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sábado, 21 de julho de 2012

O saquito do passado




Eu sei que a ortodoxia não é o meu forte.
Faço o que entendo, usando apenas como norma inflexível que o que faço não seja prejudicial aos outros.
Neste caso, e apesar das dúvidas que podem ser suscitadas, não tenciono arredar pé.
Comprar pão aqui no bairro, avulso, implica receber um saquito de papel. Faz algum sentido, considerando que transportas os papo-secos soltos na mão não será o mais cómodo. Ou higiénico.
Mas entendo eu que deitar fora, todos os dias, um saco de papel é inútil. Desperdício absoluto, já que cada saquito serve apenas uma vez. E entope sacos de lixo e ecopontos.
Decidi assim inverter a situação e regressar a métodos antigos. Mas não muito, que os usava em catraio, quando comecei a ter idade para ir comprar pão sozinho: um saco de pano.
E se a intenção era já velha, foi a oferta na sequência das “trocas fotografias” que permitiu a sua concretização.
Claro está que a cara de quem me vende o pão, ao apresentar-lhe o meu saco merecia um registo. Que, disse-me ela que vem do outro lado da Europa, que só tinha visto alguém com um saco para pão na sua aldeia.
Quem sabe se, comum pouco de sorte, vou criar aqui uma moda?
Aqui no meu bairro e aí no seu bairro, onde vive e onde me lê. Não terá por aí um saquito de pano que possa passar a usar?

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Epitáfio V




Acabava aqui a carreira 21.
A bandeira, por cima do motorista, dizia “Av. De Berlim”, mas a verdade é que terminava, ou começava, na Av. Cidade de Luanda. Mesmo no cruzamento com a tal Av. de Berlim, onde ficava, e fica, o cantinho mais ignoto da velha piscina dos Olivais.
Os tempos mudaram, oh se mudaram. E se naqueles tempos só andavam na rua de noite guardas-nocturno, padeiros, operários e meliantes, hoje as coisas são de outra forma, que os centros comerciais fecham tarde e os demais horários são diversificados.
Assim, foi criada algures no tempo a “rede da madrugada” que, não funcionando com a frequência que muitos desejariam, acabam por poder levar ao seu destino muitos dos que acabam ou começam a labuta diária quando muitos ainda nem sonham em acordar.
Nesses reajustes e em parte do trajecto, não sei por humor se por que outra razão, a paragem a 21 passou a denominar-se 210. Suponho que quem hoje a utilize nem desconfie que aqui mesmo, naquela chapa, em tempos não houve o zero.
Mas também acredito que, dentro de algum tempo, a grande maioria nem se recorde mesmo que já houve uma carreira 21. Talvez dê pelo estranho de esse número não estar a ser usado, mas nem saberá por onde passava, de onde vinha ou onde terminava. Era aqui.
Inicialmente vinha do Rossio, passava ao Marquês, fazia as Avenidas Novas, atravessava Alvalade, subia até ao Relógio, entrava nos Olivais por cima e acabava em baixo.
Não me recordo se terá usado os velhinhos “porta atrás”, mas talvez seja falha minha. Mas por certo que foi das primeiras, a par com o 44, a usar os de dois pisos e duas portas, modernaços à época. Carros esses que já tinham os varões verticais forrados de plástico e onde já não se ouvia o bater do alicate do mui odiado cobrador.
Já não há de dois pisos, já não há cobradores, já não há alicates e já não há carreira 21.
Não moro nos Olivais nem em Alvalade, ainda que os cruze de quando em vez. Mas consigo imaginar o que sentirão os que ali vivem ao ser-lhes assim retirado uma carreira de autocarro sem que o que supostamente o substitui - o metro – satisfaça as necessidades dos pontos intermédios.
Mas se por lá morasse, seria certo que faria uma vigília que, se não servisse para convencer os decisores de gabinete, serviria como velório de uma carreira. A 21.

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Epitáfio IV




Quando eu conheci esta paragem, só havia dois números inscritos nela: 10 e 31.
Ambas oriundas de Moscavide, seguia a primeira para a Praça do Chile, a segunda para o Hospital de Santa Maria. Cruzavam parte do bairro da Encarnação, atravessavam os Olivais Sul, seguiam até ao Relógio (que era realmente grande) e aí divergiam para os seus destinos.
Por estranho que possa parecer, a segunda circular não existia e ao fim da tarde a Av. Do Brasil engarrafava até ao Marquês. Outros tempos.
As vias multiplicaram-se de então para cá. E os autocarros baixaram em altura, aumentaram em comprimento, mudaram de cor e mudaram de rotas. Alguns mudaram tanto, mas tanto mesmo, que deixaram de existir, como a carreira 10.
Outras carreiras foram entretanto reajustadas nos seus percursos. A 21, deixou de cruzar os Olivais pelo antigo Pão de Açúcar e a passou a descer esta avenida, a Av. Cidade de Lourenço Marques. E a parar nas mesmas paragens onde eu tomava o autocarro a caminho da escola e do liceu.
O que então eu via enquanto esperava pouco tinha de comum com isto: não havia abrigo, com o que isso implicava de chuva ou sol, e aquelas mesmas árvores que agora vemos eram mais pequenas que os autocarros. Em boa verdade, muitas delas eram mais pequenas que eu mesmo, mas cresci eu e cresceram elas, com vantagem para os vegetais.
De então e daqui não guardo fotografias. Ainda que possuísse uma câmara, oferta de Natal, fotografar era muito caro e raramente havia dinheiro para isso.
Em compensação, esta fotografia, digital e feita com os dedos e com a memória, foi registada no último dia possível: ontem. Que hoje esta placa indicadora já não deverá ostentar o número 21.
Tal como alguns dos meus vizinhos de então, da minha idade ou da geração anterior, já faleceram, também ontem morreu a carreira 21, vítima das modernidades e evoluções. No caso, das novas estações de metro.
Claro que aqui, nesta avenida ladeada de arvoredo de um lado e prédios do outro, não há bocas de metro. Talvez que, aqui, não faça falta nem metro nem autocarro, se alinharmos o nosso pensamento por aquele de quem decidiu o fim da carreira.
Mas, em passeando por aqui, constato que tal como eu envelheci e as árvores cresceram, também boa parte da população envelheceu, havendo agora muitas mais bengalas e muletas que nos meus tempos de catraio estudante.
A carreira 21 morreu, executada por decisores de gabinete que mais importância darão aos custos que aos benefícios sociais. Tal como morrerão parte dos habitantes deste e de outros bairros atravessados por ela. E tal como também morrerão, de pé, estas árvores. E eu mesmo, p’la certa.
Sobreviverá, talvez, o asfalto que ela percorria. E, garantidamente, a memória.

By me

Epitáfio III




Cruzavam-se, um bem estático, o outro em movimento tão livre quanto o tráfego e os passageiros permitiam: o Centro Comercial de Alvalade e a carreira 21.
De idades aproximadas, o primeiro a sofrer bem fundo os efeitos da modernização e das migrações dentro da urbe foi o centro comercial. Já teve cinemas (duas salas), já teve excelentes lojas de livros, música, fotografia, bricolage…
Foi nesta última, por exemplo, que comprei o primeiro mini-berbequim, que outro ainda se não vendia em Portugal, e que muito uso lhe dei no miniaturismo.
Também era aqui que existia aquilo a que chamávamos “a loja do D’Artagnan” e cujo nome advinha da forma como o seu dono tinha a barba crescida e aparada, comércio de fotografia onde se encontravam artigos novos e usados e de onde veio a primeira câmara fotográfica que comprei.
A livraria aqui existente rivalizava com as melhores da cidade na sua secção de artes, em particular de fotografia, entre técnicos e monografias. Foi daqui que trouxe o primeiro livro de Ansel Adams, se isto diz alguma coisa a alguém.
Mas foi também este centro comercial a primeiro a fazer uma ligação inteligente e profícua entre comércio e serviços, já que tinha uma passagem directa para a estação de metro. E com esta paragem à porta, nesta avenida, e uma outra paragem, de outras carreiras, na outra porta e avenida, em dobrando a esquina.
Os tempos foram passando e os centros comerciais foram surgindo, quais cogumelos por entre as pedras. As modas e as rotas comerciais dos clientes foram-se alterando e as salas de cinemas fecharam. Tal como fechou a livraria. E a discoteca. E a loja de bricolage. E a loja de fotografia. E outras.
Agora, tentando sobreviver perante uma concorrência feroz, o centro está em obras, espero (esperamos) que para melhor. E que nos ofereça de comércio e serviços aquilo que não consta nos outros espaços comerciais uniformizados.
O que não sobreviveu às rotas e mudanças, e que foi mesmo assassinada pelo metros e novos troços, foi esta carreira. A 21.
O prolongamento de uma linha de metro, que nem sequer aqui passa, fez acabar com a distribuição de passageiros por bairros envelhecidos e deixou de haver paragens convenientemente dispostas para residentes, serviços e comércio, tradicional ou não.
As gestões de rotas e frotas fez com que o serviço público de transporte de passageiros se transformasse num negócio quase privado, em que os rendimentos económicos são bem mais importantes que os residentes e utentes.
É difícil extinguir um centro comercial, que não se desloca nem transfere. Já uma carreira de autocarros…

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Epitáfio II




E pronto!
Alguém, num gabinete, fez exactamente isto a propósito da velhinha carreira 21 da Carris, em Lisboa.
Ter-se-á baseado, certamente, em estudos de tráfego, custos operacionais, quantidade de passageiros por quilómetro percorrido, sobreposição com o novel troço do metropolitano… e a velhinha carreira 21 parou.
Aquilo que não terá considerado, acredito eu, são os velhinhos passageiros que a frequentavam, que esta carreira atravessava dois bairros de população envelhecida, que a usavam para ir às compras, para ir ao centro de saúde, para aceder ao já de si longe metropolitano… estes passageiros velhinhos, que os bons dos motoristas esperavam que chegassem vagarosamente às paragens, que esperavam parados nas paragens que eles conseguissem sentar-se, que esperavam pacatamente que eles conseguissem vencer o degrau para descer, hesitantes entre ainda se segurarem no corrimão ou transferirem o seu equilíbrio precário para a bengala ou canadiana, estes passageiros velhinhos que os motoristas conhecem, alguns pelo nome, certamente que não foram contabilizados nas estatísticas ou, se o foram, foram considerados pesos mortos ou a morrer em breve.
Esquecem-se os gestores, bem como os autarcas que deram aprovação a este plano economicista, que estes mesmos velhinhos, utentes da velhinha carreira 21, são aqueles que só não vão às urnas de voto se lhes for impossível deslocarem-se, que o voto é das poucas coisas que lhes resta para mostrarem que estão vivos.
Têm estes mesmos velhinhos passageiros da velhinha carreira 21 magras reformas que não lhes permitem usar de táxis. Mas o peso dos anos e a leveza das carteiras em nada os ajuda a subir ou descer de dois ou três autocarros, no lugar de um, nem a percorrer quinhentos ou mais metros em tempo invernoso ou estival rigoroso, só porque uns gestores economicistas entenderam que o troço final de uma linha de metro pode fazer desaparecer uma ou mais carreiras de autocarros. Será verdade nesse troço novo, não onde os velhinhos hesitantes subiam a custo a velhinha carreira 21.
Talvez que no futuro alguém faça “stop” às mordomias dos então velhinhos gestores e autarcas, como motorista às ordens ou crédito junto de táxis, e saibam o que custa andar mais, subir e descer mais, viajar em carros apinhados, de pé, em que nem a boa-vontade de um motorista lhes pode valer.
E talvez então eles entendam o que realmente aconteceu quando fizeram “stop definitivo” à velhinha carreira 21.

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sexta-feira, 20 de julho de 2012

Epitáfio I




Chamam-lhe terminal porque é aqui que termina. Mas, vistas as coisas de outra forma, será aqui que se inicia. A carreira de autocarro, entenda-se.
No entanto, hoje, este será o melhor nome que será possível dar a esta paragem/situação.
Que esta carreira termina hoje!
Mais logo, p’la noitinha, circulará o último autocarro que ostentará o número 21 na cidade de Lisboa.
A recente inauguração do novo troço do metropolitano, junto com as políticas de contenção de custos operacionais, levam a Carris a cortar algumas carreiras, encurtar outras e ajustar percursos. Assim é a evolução.
Noutros casos, de outras carreiras, não me posso pronunciar com detalhe. Não as conheço a fundo. Mas esta, a 21, conheço-a desde que me desloco de autocarro na cidade, que é como quem diz, desde quase sempre.
Com este terminar de uma carreira, termina um pouco de mim mesmo.
Esta fotografia, este conjunto de fotografias, é um epitáfio disso mesmo.

By me

Promoções




Confesso que não resisti! O meu nariz comprido levou-me inexoravelmente ao interior da loja para fazer a pergunta.
A loja é antiga. Bem antiga. Conheço-a quase há tanto tempo quanto me conheço (ou quase) e recordo ter lá sido cliente em pequenote.
Trata-se de um fotógrafo e foi lá que fiz, se a minha memória me não falha, a fotografia que foi ilustrar, para meu orgulho, o primeiro bilhete de identidade que tive. Nos tempos em que se ia ao fotógrafo com a melhor roupinha, em que as luzes feriam o tempo todo os olhos e que em que o resultado só se conhecia uns bons dias depois, uma semana se me não engano.
Os tempos foram passando e a tecnologia evoluindo.
A última mudança de que foi alvo foi passar a ostentar a indicação de “fotografia digital” e os trabalhos fotográficos passarem a ser os “books” e as fotografias de família, que o BI agora também é digital na fotografia para além da impressão.
E hoje, num passeio lento e atento pelo bairro de Alvalade, tentando fazer um registo específico, dou comeste aviso, mesmo no cantinho da montra. Já lá está, ao que me pareceu e vim a saber, há uns tempos, mas só hoje o vi.
E a minha curiosidade foi maior que a minha vergonha.
Carregado com mochila, câmara, monopé e demais tralha, franqueio a porta, dirijo-me ao balcão e começo a conversa coma mocinha que me deu os bons dias com “Não venho comprar nada”.
Continuo, antes ainda de ela se recompor, com um “Venho apenas fazer uma pergunta, por estranha que pareça”.
Sorriu, aguardou e continuei com “Que idade tem o dono da loja?”
Ficou a olhar para mim, de sobrolho franzido e disse-me que já havia falecido há tempos.
“Pois, continuei, mas o actual dono que idade tem!”
“É a filha e tem cerca de quarenta anos.”
“Bem, então deve esperar viver e trabalhar até aos setenta e tal anos.” terminei após fazer contas de cabeça rapidamente. “Com o aviso que têm na montra…”
Sorriu e ficou a olhar para mim, enquanto me afastava para fazer o registo que aqui se vê. E ainda deu para que eu ouvisse, p’la porta aberta, o que explicou a um colega, que entretanto tinha vindo saber o que se passava.
Suponho que a actual dona esteja em plena sintonia com as modernas políticas de segurança social e reforma, e que conte trabalhar por ali até para além das idades legais em vigor por agora.
Em qualquer dos casos, quem sabe se um dia me não dá na bolha e vou até lá com muita paciência e desplante, e não pergunto pelos arquivos de há quarenta e quatro anos? E quem sabe se não serei surpreendido?

By me

É fooooogo!




Embrulhámo-nos em nacionalismos!
Frementes de ardor e plenos de esperança, as cores nacionais decoraram janelas, subiram mastros, encheram almas e cobriram corpos.
Pela vitória de uma equipa de futebol. Pelo confronto de uns quantos de portugueses com outros tantos de outras nações.
Em cima do verde-relva, a bola-prateada fez bombear o sangue-vermelho dos portugueses. Até à frustração final.
Agora as cores são as mesmas mas, mas o confronto é entre nós e nós mesmos. O prateado da água não é suficiente para equilibrar o vermelho-fogo com o verde-mato.
Na batalha contra nós próprios, vamos perdendo eliminatórias sobre eliminatórias. Mas se o campeonato se repete todos os quatro anos, as árvores levam dezenas para medrar.
Vemos os soldados da paz a combater numa guerra inglória e incessante. Porque mal equipados, porque insuficientes, porque as condições são péssimas, porque mal protegidos…
São carros obsoletos, é a falta de auto-tanques, é a falta de protecção, é a falta de acessos, é a falta de vigias, é a falta de aceiros, é a falta de meios, é a falta de água…
Entretanto os soldados da guerra guerreiam nos quartéis.
Preparados para fazer jorrar o vermelho-sangue sobre verde-mato, aguardam em exercícios inofensivos e no remanso dos quartéis que sejam chamados para uma qualquer intervenção bélica.
E, enquanto não o fazem, são enviados para fora, em acções de manutenção de paz, criando créditos para o país pela nossa solidariedade internacional. Fazendo com que as nossas cores flamulem nas zonas complicadas. Do estrangeiro.
Enquanto isso, os veículos verde-pardo dos soldados da guerra ganham pó nos aquartelamentos em alternativa aos veículos vermelho-vivo dos soldados da paz que ganham pó e cinza nas serras e planícies.
Investimos em submarinos e fragatas para guerrear nas águas. Águas que nos fazem falta para fazer a paz.
Substituiremos as G3 por novas e mais modernas armas, mas as agulhetas são as mesmas.
Os Puma sairão de serviço porque novos foram encomendados, mas continuamos sem baldes nos céus.
Terminou o serviço militar obrigatório.
Agora só vai aprender a ferir e matar outro ser humano quem o quiser fazer, ainda que a contra-gosto de muitos outros. Vão-no profissionalmente, sabendo o que os espera: a vã e inglória tarefa de se treinarem nos quartéis para uma guerra tão ilusória quanto distante no espaço e no tempo.

E que tal fazer parte desse ofício o combate da paz?
Investir em treinos, conhecimentos e equipamentos para que possam também intervir nas lutas de paz.
Dentro de fronteiras.
Sem glórias nem fanfarras, sem tiros nem baionetas. Defendendo o que é nosso e dos vindouros, investindo domesticamente na existência do ser humano e de todos os outros.
Talvez assim não pensasse, ao ver um militar (praça, sargento ou oficial):
“Lá vai um que decidiu fazer do assassinato uma profissão!”
Talvez assim tivéssemos orgulho nas nossas cores, usadas em paz e pela paz.
E pudéssemos todos cantar em uníssono: “… contra os incêndios, marchar, marchar!”

Eu mesmo

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Os dois lados da crise




E enquanto vamos vendo p’la cidade e arredores os publicitários lutarem por terem anúncios nos seus painéis, nos bairros mais populares ou suburbanos pululam as lojas dos agiotas, cujo passo seguinte será levarem os dedos.
A principal diferença está em que estes conseguem ser mais criativos e capazes de explorar as oportunidades nacionais que os criativos de profissão.

By me 

O aviso




Sobre esta fotografia muita coisa pode ser dita.
Começando pelos malefícios do tabaco, coisa que todos os fumadores sabem, eu mesmo incluído, mas que fazem por esquecer.
Passando pela questão do acordo ortográfico, que me leva, ao lê-lo, a ficar na dúvida que falta ali um B de bato, um C de cato, um F de fato, um G de gato, um J de jato, um M de mato, um N de nato, um P de pato, um R de rato, um T de tato, ou um C de acto. Admito que levo uns segundos a ler isto e a fazer uma leitura de interpretação e não uma leitura factual e inequívoca, como deveria ser. Tenho para mim que este Acordo resulta mais na contracção de palavras usadas nos SMS que na uniformização das grafias de diferentes países. E fico curiosos em saber se a moda pega ou se, em breve, o comum dos utilizadores da língua mandará às urtigas as decisões de lentes desfocadas e escreverá de forma a que todos entendam.
Mas o mais importante nesta fotografia e no aviso que ela contém é a existência do aviso.
Foi ela feita ainda não há uma semana porque me surpreendeu que ali estivesse colocado. Que o está no cafezinho da minha rua, que conheço há anos, e onde nunca por ele tinha dado.
De conversa com a dona do local, enquanto me preparava a bica cheia, explicou-me ela que há alguns clientes que vêem buscar o tabaco ao balcão para ir para as mesas e, quando se vão embora e pagam a despesa, o tabaquito cai no olvido.
Falamos de alguns clientes habituais, daqueles que vão ali passar uma hora ou mais de volta do jornal do dia, generalista ou desportivo, que o estabelecimento compra para que os clientes consultem. Falamos daqueles clientes que, em entrando e para além da saudação aos presentes, vão a esta ou aquela mesa perguntar pela saúde de algum parente ou pela resolução de algum problema anteriormente ali exposto. Falamos de vizinhos da mesma rua, que este café só tem destes como clientes, que por aqui é raro parar quem o não seja.
Mas também falamos, acrescentou-me ela, dos mesmos clientes que a obrigaram, há muito, a ter fora do alcance fácil no balcão, o adoçante para os cafés, que pouco duraria uma caixa dele. Ou dos mesmos clientes que a levaram a também retirar de cima do balcão os cestos de açúcar para evitar que seja “colhido” às mãos cheias.
A desonestidade ou o aproveitar da ocasião é algo que está intrinsecamente em cada um de nós. Disso não há dúvida. O que nos impede de o fazer será, talvez, o respeito que temos pelo próximo, o sabermos que aproveitarmo-nos do que não é nosso não é correcto, que roubar é um acto feito. Mas essa fronteira também é flutuante, ajustando-se às circunstâncias e às necessidades. O aumento do desemprego e das dificuldades económicas leva muitos, que conhecemos desde há muito, a passar para o outro lado e a cometer estes “pequenos” delitos. Que, por pequenos que sejam, não deixam de o ser.
Não creio que aqueles que acerrimamente defendem a competitividade e a sobrevivência dos mais aptos entendam que ao alimentar essas teorias estão, na prática, a desviar as fronteiras do civismo, a colocar os valores éticos bem mais abaixo que a questão da satisfação de necessidades básicas ou parecidas. E a incentivar a que estes pequenos furtos, cometidos sobre conhecidos e vizinhos, sejam o início de uma carreira na mesma linha mas de maiores dimensões, em que o café ali da esquina é substituído pela gasolineira ou supermercado e em que a descrição do acto se substituirá pela violência de uma qualquer arma, usada ou não.
A existência do crime e do medo que ele aconteça é algo que satisfaz em pleno os detentores do poder. Que enquanto estivermos preocupados sobre a segurança de pessoas e bens aqui na porta de casa, nem pensamos nos outros roubos de muito maiores dimensões, permitindo que o medo da insegurança seja a desculpa para o cercear da liberdade de ser e pensar.
Faz parte de qualquer cartilha de aspirantes a títeres que o medo é a base de uma sociedade super controlada e o alimento das ditaduras.
Naquele dia saí do café com um troféu na câmara fotográfica. Mas com a alma um pouquinho mais triste.

By me 

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Manias!




Há coisa de quinze dias tive uns técnicos de comunicações aqui em casa.
O trabalho implicava passar cabos e instalar equipamento, pelo que ainda demorou um pedaço.
A dada altura não resisti e perguntei-lhes se poderia fumar um cigarro.
Ficaram a olhar para mim, com cara de espanto, dizendo-me de seguida que naturalmente que sim, que eu estava em minha casa.
Ainda assim, fiquei na dúvida se a resposta foi de circunstância ou se, de facto, não se importavam que eu fumasse por perto.
É que, mesmo estando eles em minha casa, estavam também a trabalhar e não faria sentido obrigá-los a suportar os restos do meu vício.
Pouco tempo depois, numa jantarada de colegas num restaurante, um houve que não se conteve e, por duas vezes, tratou de acender um cigarro, às escondias de quem nos atendia. Era tarde e o espaço estava quase por nossa conta. Mas a noite estava simpática e aporta mesmo ali ao pé.
Ele há uns e há outros. Por mim, prefiro continuar a perguntar a quem recebo em casa, mesmo que em trabalho, se não incomodo.

By me