sábado, 30 de junho de 2012

O comboio que não apita mas chora




Quando primeiro vi, bem à distância, achei estranho.
A primeiríssima ideia que tive foi “Então agora o comboio vem até cá a cima?”
Depois apercebi-me que a “máquina” vinha atrás, o que só costuma suceder em casos de manobras especiais. E não era o caso.
Aproximei-me.
E o meu espanto perante tal composição foi tal que teve que ser a “máquina” materna a chamar-me à realidade e perguntar-me se não a reconhecia. A cara não me era estranha, mas não sabia localizar com exactidão, nem no espaço nem no tempo. Foi ela que me chamou à realidade e lembrei-me então que muitas refeições, jantares em regra, me tinha ela entregue, num restaurante aqui do bairro que já fechou. Com pena minha, que era o único onde se podia fumar.
E lá me contou ela, orgulhosa a ponto de rebentar, que tinham oito meses, que um deles vinha a refilar por vir na alcofa do meio, que só gosta de andar na da frente, mas que como está meio constipado ali vai mais resguardado, goste ou não. E sabia de cor os nomes deles e em que alcofa estavam mesmo sem olhar para eles.
E acrescentou que o parto tinha corrido bem e que, apesar de pequeninos, nenhum deles precisara de incubadora. E ainda bem, que com diferença de horas naquele hospital tinha havido dois partos triplos. E que se os dela tivessem necessitado de cuidados especiais, como os da outra parturiente, teriam que ser transferidos de hospital, que não tem aquele para tantos ao mesmo tempo.
Pudera! Três gémeos por mãe, duas mães…
O percurso chegou ao fim, bordejada que foi a escolinha do primeiro ciclo que eles os três irão frequentar daqui por uns cinco a seis anos. Ainda estive para a ajudar uma ou duas vezes no sobe e desce dos passeios, que boleados como deveria haver por aqui não há muitos. Mas a boa da tripla mãe já tem os truques para fazer subir o “comboio”, com dois jeitos de mão e um jeito de pé, que eram uma lindeza. Foram eles para um lado, os três pequenitos, a mãe e o irmão deles, aí com os seus oito anitos. E fui eu para outro, sem ser capaz de desgrudar o olhar daquele carrinho enorme e a fazer entre dentes uma pergunta de ordem prática:
Cabe aquele “monstro” no elevador do prédio?
Fiquei-me com a dúvida e com a fotografia.

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Verdinha




Confesso:
Com este formato ainda não tinha encontrado nenhuma.
Mas também confesso que com esta cor também não.
Pergunto agora se, ao atirarem-na para o meio das ervas, estariam a tentar que ali ficasse mais tempo devido ao mimetismo?

By me

Para além do mato e do morro




Em minha casa fuma-se. Bastante.
Implica isso que, por sistema, haja pelo menos uma janela aberta, quando não mais, por via do arejamento. Só mesmo quando está um frio de rachar ou uma tempestade de fazer encolher de medo o Adamastor é que ficam todas fechadas.
Não tem sido esse o caso.
Pois em tendo uma ou mais janelas abertas, por elas entram todo o tipo de ruídos: se o vento estiver de feição, a petizada na escola; dois quarteirões abaixo, a flauta do amolador quando passa; o chilrear da passarada se estiver ela voltada para isso; grilos e cigarras no tempo deles; p’lo meio-dia, e também se o vento ajudar, a sirene dos bombeiros; se o Inverno tiver sido molhado, umas rãzitas nuns charcos lá mais longe, no sossego da noite…
Claro que também oiço o que não quero e não gosto: buzinas de automóveis, que dá muito trabalho sair do carro para tocar a campainha; tarde na noite os camiões do lixo; motores postos a acelerar para carregar baterias; carros ou motos de escape livre, como se isso melhorasse alguma coisa o rendimento; festarolas, até altas horas que, se fossem no meu prédio já teriam tido direito a presença policial; discussões familiares…
Mas há um som, que só de quando em vez oiço e de que não gosto nem um nico. São só alguns dias por ano, o vento tem que estar de feição e não pode haver muitos outros barulhos por perto. Mas, vindo bem detrás deste eucaliptal, bem detrás dele, e ele também não fica pertinho de minha casa, oiço o treino militar com armas de fogo de uma carreira de tiro que por aqui há.
Caramba! Andamos todos a tentar que isto não chegue a vias de facto, anda o país em crise a poupar nos cêntimos que pode e que não pode, e andam os militares a desperdiçar munições, preparando-se para matar o seu semelhante!
Mesmo que as coisas não andassem beras, eu contestaria, que mantermos um exército afinado e pronto a entrar em acção, matando seres humanos, é coisa que contesto do fundo da minha alma. Agora em tempos de crise…
Acabem lá com isso que eu não quero sair da cama, logo de manhãzinha, e ouvir o som da morte entrando-me p’la casa dentro.

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Os dois lados da minha rua




Assim funciona a natureza: De manhã dá-nos sol de um lado, de tarde dá-nos sol do outro. E, quando chove, chove na rua toda!
Igualitária, sem preferências nem demagogias.
Bom seria que nós, seres humanos, nos reduzíssemos à condição de “pertencentes à Natureza” e agíssemos tal como ela, no lugar de querermos que o sol só brilhe do lado privilegiado e que chova só longe da piscina e das espreguiçadeiras.

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Um olhar – Talvez Maria



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Números




Adoro quando os números dizem o que queremos. Melhor, quando dizemos os números que queremos pela ordem e valores que queremos.
O jornal I diz que, dos dez suspeito de fraude com medicamentos, dois médicos ficam em prisão preventiva, outros dois suspeitos também em prisão preventiva e três em prisão domiciliária com pulseira electrónica.
No jornal Diário de Notícias, lê-se que sete vão ficar em prisão preventiva e domiciliária.
Já o jornal Público conta que quatro dos suspeitos vão aguardar julgamento em prisão preventiva e três em prisão domiciliária com pulseira electrónica.

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Não adianta




Escusam de cá vir ou mesmo telefonar.
Este é o último pedaço de pizza de farinheira com a qual me bati e lambi os beiços.
O vinho, esse, é do Douro. E se é sabido o que ele faz a um tuga esperto, imagine-se a um japonês inteligente.

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A palavra não




Ao serem contratadas para fazerem assistência ao cliente via telefone, as pessoas são objecto de acções de formação.
Eu diria que de “formatação”, já que se há coisa que passaram a ignorar é o significado da palavra “não”, quer seja dita com delicadeza que seja dita com aspereza, quer seja dita com todas as letras bem pronunciadas e uma por uma.
Mas fica aqui bem claro, caso tenha ficado alguma dúvida, que nenhuma pessoa, ao serviço desta empresa tornará a entrar em minha casa, seja lá porque motivo for. A única quebra nesta regra é fazerem-se acompanhar de um agente da autoridade e portador de um mandato passado por um juiz para tal efeito.
O equipamento será entregue em local a combinar ou, em falta de acordo, numa loja e com a presença de testemunhas.
Quanto a tudo o resto, a palavra que desconhecem é “NÃO!”
Procurem no dicionário.

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Press






Tropeço no “estatuto editorial” do jornal “correio da manhã”. Leio-o porque entendo como interessante saber quais as regras de base, ou as motivações, que norteiam quem neste jornal trabalha e publica.
O texto, que não é grande e está na edição on-line de hoje, tem um dos seus parágrafos composto da seguinte afirmação:


“O Correio da Manhã cultiva o jornalismo de investigação, para o necessário escrutínio da vida pública e como forma de controlo pelos cidadãos contra eventuais abusos de poder, autoridade ou posição dominante.”


Fico assim ciente que uma entidade privada cujo objectivo é lucrar com a sua actividade assume o papel de fiscalizadora, em nome dos cidadãos, da actividade pública. 
O tal “quarto poder” das sociedades ocidentais, que não é democrático porque não está sujeito a escrutínio por parte dos cidadãos. Que, por muito independente que se assuma, nunca divulgará temas que possam por em causa a sua actividade comercial ou em risco o lucro da sua actividade empresarial. Do jornal ou do grupo ou pessoas que o possuam. 
O “quarto poder” é perigoso. Não pode ser destituído pelos cidadãos, não pode ser fiscalizado pelos cidadãos e pesa quase tanto, senão mais, que os outros três por junto. 
Anteontem disse-me uma licenciada em psicologia que havia estudado o efeito dos media na sociedade. Ontem soube que um aluno do 8º ano tinha tido, na disciplina de português, um estudo sobre as diferenças entre “notícia”, “reportagem” e “publicidade”. 
Tão importante quanto o sabermos escolher, aquando de eleições, quem governará o país, é sabermos diferenciar o bom do mau trabalho jornalístico e saber diferenciar quando ele está ao serviço de entidades privadas ou ao serviço dos cidadãos. 
Que o “Quem, como, onde, quando e porquê” não pode estar condicionado pelo “Quanto”, que é a mola propulsora das empresas privadas de comunicação. 
Sejam elas jornais, rádios, televisões ou sites web!  

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quinta-feira, 28 de junho de 2012

A língua e o mercúrio




Tem-se falado, nos últimos dias, em como os termómetros subiram em flecha e caíram a pique.
Cá por mim não me queixo!
Para já, os meus termómetros estão, regra geral, guardados em locais de onde não podem cair.
Depois, estão dentro de caixas onde, mesmo que caiam, ficarão protegidos de alguma violência implícita.
Como se tudo isso não bastasse, tenho o cuidado de possuir termómetros robustos, capazes de resistir a algum tratamento menos condigno a um aparelho de medida de algum rigor.
Como é o caso deste, velho companheiro de, talvez, trinta anos, fiel medidor de temperaturas de líquidos, operação imprescindível para quem trabalha com químicos de fotografia.
Que, e para quem não saiba, não é o mesmo revelar a 20º ou 22º, nem se recomenda que a amplitude térmica entre químicos sucessivos seja maior que um grau e meio. O reticulado resultante, quer na emulsão propriamente dita quer, e se formos mesmo exagerados, na superfície de suporte pode dar um efeito com graça mas não é o que se pretende na esmagadora maioria dos casos.
Quanto ao resto, e se formos tão rigorosos com a língua quanto com as temperaturas, o que sobe ou desce não são os termómetros. Será o mercúrio neles contido e se este estiver na vertical.
Isto presumindo que falamos de termómetros de mercúrio, agora em desuso. Que nos termómetros de máxima e mínima será mercúrio e álcool e nos electrónicos será resistividade.
Em termos de linguagem comum, até podem dizer que as batatas fritas atingiram um valor de 26º.  Que o que importa é que nos entendamos. Agora se vamos ser rigorosos – como a fotografia pode impor – ou se vamos usar as temperaturas como justificação ou explicação para outros fenómenos, então convém que saibamos de que estamos a falar e usemos os termos correctos.
Por mim, e apesar da “queda da temperatura”, não foi o seu barulho que me incomodou e dormi bem esta noite.

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Retratos da minha rua - João





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O gato do Senhor Marquês




Volta e meia recordo-me daquela estorieta em que o Senhor Marquês, ausente em viagem, recebe um telegrama de Jarbas, o seu mordomo. Dizia:
“Senhor Marquês, o seu gato morreu.”
Sendo que o Senhor Marquês tinha um enorme afecto pelo gato, a notícia ia provocando um ataque cardíaco. Em regressando, repreende Jarbas:
“Sabes que esse tipo de notícia, assim dado de chofre, pode ser perigosa. Deverias ter-me preparado. Por exemplo, avisavas-me que o gatão tinha subido ao telhado. Depois, novo telegrama dizendo que o gato havia caído do telhado. E por aí fora. Assim, eu ia antevendo o pior.”
“Sim, senhor Marquês, assim farei da próxima vez.” Respondeu Jarbas.
Algum tempo depois, estando o Senhor Marquês de férias, recebeu um telegrama de Jarbas, dizendo:
“Senhor Marquês, sua mãe subiu ao telhado.”

Por algum motivo alguns títulos dos jornais dos últimos dias me lembram do Jarbas:

25/6 - Passos não exclui mais austeridade
26/6 - Passos Coelho diz que é cedo para falar em mais medidas de austeridade
26/6 - Passos Coelho diz que não pretende "neste momento" agravar a austeridade
26/6 - Passos: «Não há intenção de agravar austeridade»
28/6 - Governo descarta mais austeridade “exclusivamente” para o Estado
28/6 - Passos abre a porta a que Portugal tenha mais tempo para cumprir metas

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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Comprei, sim senhor!




Dando algumas voltas pela cidade, em que a bílis foi marcando presença, dou comigo junto à praça do Campo Pequeno. Confesso que não previ a coisa, mas tentei tirar o melhor do inevitável.
Já que no meio desta maralha enlouquecia, tentei fazer algum registo, o possível, considerando o que penso da loucura específica. E comprei.
Comprei esta maldita corneta, pela módica quantia de 3 aerios. Dei e dou de boa vontade semelhante quantia para ter a certeza que, pelo menos esta, não irá azucrinar os ouvidos de ninguém os meus incuídos.
Em chegando a casa, irá fazer companhia a uma vuvuzela de má memória, que também foi motivo de vendas inopinadas de aspirinas e afins. E, tal como esta buzina, também foi comprada com o mesmo fito: ter a certeza que garanto um nico, por pequeno que seja, de tranquilidade.
Devo acrescentar, em abono da verdade, que quando a vendedeira me disse o preço, bem no meio da maralha, pensei em comprar-lhe todo o stock, que já só tinha umas sete ou oito, que lho perguntei.
Mas entendi que a minha tranquilidade valia bem mais que isso, e fiquei-me pelo simbolismo do gesto.

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Aditivos




Foi há já uns anos valentes, mais de vinte.
Eu e um compincha fôramos convidados para integrar o quadro docente de uma escola profissional. E sendo que este tipo de escola tem liberdade (ou tinha, não sei se ainda assim é) na definição de conteúdos e métodos, desde que respeitados os objectivos definidos pelo ministério, foi-nos pedido que reformulássemos a disciplina que iríamos dar a meias.
Mas remendar acaba quase sempre por não resultar em nada de jeito. A nossa opção foi fazê-lo de raiz, pegando apenas nos objectivos definidos.
Não é tarefa fácil nem coisa que se faça em duas penadas. A responsabilidade é grande, há que ser capaz de prever e organizar as sequências de conhecimentos adquiridos, gerir os tempos necessários em função dos disponíveis, prever equipamentos, consumíveis e respectivos orçamentos, conciliar isso com as restantes actividades da escola… se a isso acrescentarmos que estávamos dos inícios da revolução tecnológica nas escolas, constata-se que não foi projecto fácil.
Eu e este meu compincha tínhamos longas e apaixonas conversas sobre tudo isso e mais um par de botas, tentando juntar o que havia que ser feito com as personalidades e métodos de cada um, que se complementavam mas que, por vezes, estavam em oposição de fase.
Um fim de tarde, em saindo da escola, entrámos p’lo Pairro Alto fora, em busca de onde jantarmos mas absorvidos na conversa. E fomos olhando para as ementas nas portas e recusando um por um os restaurantes, que não tinham o que nos apetecia. Até que, a dada altura, encontrámos o que queríamos: ovas p’ra ele, pataniscas de bacalhau p’ra mim. Entrámos e foi uma longa noite de comes, bebes, conversa e anotações, sentados na mesinha lá do fundo.
Como é que recordo tudo isto? Porque, sendo que ficámos clientes, passou este restaurante a ser um dos destinos preferenciais. Nós os dois ou com as respectivas companheiras e descendências. Até porque, e acrescente-se, a garrafeira era particularmente boa, factor importante.
De lamentar que o Bizarro, assim se chamava o restaurante, já tenha fechado. Por um lado o cozinheiro, homem já de certa idade, faleceu. E ele era parte da alma daquele espaço. Por outro, os locais no Bairro Alto vão variando de donos e nomes, sendo que apenas alguns sobrevivem no tempo.
Para além das memórias várias e boas, uma jorrou agora por todos os meus neurónios.
Num outro restaurante, ontem, pedi de sobremesa mousse de chocolate. Ao ser-me servida, perguntou o empregado se não quereria eu “um cheirinho” nela. Nunca foi meu petisco, mas pedi uma alternativa: café moído. Que, polvilhado assim por cima da mousse e depois misturado, faz um pitéu para quem goste de doces. Eu gosto de doces.
O empregado, pessoa para ter metade da minha idade, se tanto, sorriu e afastou-se, regressando de imediato com um pires. Que me aguçou e satisfez o palato e a memória.
Que esta combinação aprendi-a eu no tal restaurante “Bizarro”. E tenho tentado repeti-la noutros locais, sempre com um olhar de espanto por parte de quem me ouve pedir. A ponto de há muito tempo não o fazer, só mesmo para não ter que entrar em explicações gastronómicas.
Fica a imagem, ficam as memórias e fica a sugestão para quem queira terminar uma refeição de uma forma diferente.  

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Nada de novo, em terras lusas




Quando tenho uma ideia para concretizar e não encontro saída para ela, costumo usar de um entre vários truques: vou para um restaurante, sozinho, com o bloco de apontamentos ao lado e deixo que a comida faça efeito sobre o cérebro. Em regra, funciona.
Não desta vez! Tenho um assunto longo para escrever e ilustrar, sei o que quero dizer e mostrar, mas ainda não descortinei o como. E fui para o fast-food aqui do sítio. Não será a melhor opção gastronómica mas, dadas as condições climatéricas, permite comer na esplanada e, se tudo corresse como eu queria, poderia continuar escrevendo e fumando sem sair do lugar.
Não foi o caso, infelizmente. Creio que o calor terá sobreaquecido algum neurónio e as coisas não funcionaram.
Deixei, então, que a mente vogasse para onde queria. E constatei que, afinal, este país é como qualquer outro, igualzinho no seu melhor e no seu pior, sem tirar nem pôr. Que até aquilo que eu receava que acontecesse, por hábito, não estava a acontecer. Talvez por ser noite de meio da semana, com muito calor e alguma coisa tivesse mudado. Ou talvez efeitos da Troika. Ou da austeridade. Ou da selecção. Ou de alguma evolução positiva que os meus concidadãos estivessem a ter e que eu ainda não tivesse dado conta.
Mas não. Ao fim de um pedaço, o chicoespertismo luso manifestou-se no seu melhor. E, apesar de haver mais lugares vagos, estes dois, reservados para portadores de deficiência, foram ocupados da forma que se vê, sem que nenhum dos elementos das familórias saloias de deles saíram manifestasse qualquer constrangimento. Nenhum não é verdade. Uma petiza, aí dos seus sete ou oitos anitos, ainda protestou junto do seu pai e motorista, dizendo aquilo que a evidencia mostrava: havia lugares vagos e não reservados mais à frente. Inconsequente. “Não percebes nada disso!” foi a resposta paterna.
Afinal, apesar de andarmos na boca do mundo por bons e maus motivos, não aprendemos nada com elas.
E continuamos a ter deficientes mentais ao volante a ocuparem lugares de deficientes físicos.

Serviu, no entanto, este episódio lamentável para constatar que a minha câmarizita de bolso, apesar de serem quase dez da noite e de ter que ser apoiada num pilar, mesmo a 1600 faz alguma coisa que se veja.

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terça-feira, 26 de junho de 2012

Uma questão de tempo




“E precisa de ajuda ou de alguma explicação para calçar ou experimentar esses sapatos?” disse-me a solícita vendedora de uma sapataria.
“Bem,” respondi, “Há já muitos anos que uso sapatos e sei onde me apertam.”
Imagina-se a cara da mocinha.

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Bitoques, gatos e lebres




Não é bem o clássico “bitoque”. Falta-lhe a molhenga gordurosa onde ensopar o pão, tem um toque de “novelle cuisine ao usar presunto no lugar de fiambre e vinha com uma, uma só, azeitona.
No entanto, posso dizer-vos que a carne estava espectacular, que o vinho da casa – Dão – se recomenda e que não sendo uma pechincha, não foi caro.
Onde? Num centro comercial aqui da minha zona – Sintra.

No mesmo centro onde vi no corredor um dito fotógrafo a fazer fotografias ditas artísticas a uma mocinha acabada de entrar na adolescência. Tudo sob o olhar vigilante e babado da mãe.
Aquele que segurava na câmara (que outro nome me não atrevo a dar-lhe) tinha o espaço, ainda que exíguo, mais ou menos bem apetrechado: três flashes, dois com caixa difusora larga, um terceiro com sombrinha reflector, sistema wireless de disparo…
Claro que não usava pára-sol, mas isso não serve para nada debaixo de telha, não é?
Claro que as três fontes de luz estavam uma de cada lado, simétricas a 180º e a terceira p’la frente, a 45º com a objectiva.
Claro também que luz de recorte (ou luz de trás, ou “Hair Light” como dizem os americanos) não existia. Para quê? Afinal, quem é que vê a parte de trás da cabeça do/a fotografado/a?

Enquanto que para este bitoque usei luz natural, que entrava p’la janela e serviu para o efeito, fazia sentido que alguém fosse ensinar esses fotógrafos de meia-tijela que a matéria prima com que trabalham é a luz e que se não a souberem usar estão vender gato por lebre aos incautos que querem mostrar como os seus rebentos são prendados.

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Vai gargalhando




que, por enquanto, ainda não paga imposto.
Mas deixa que eles descubram e até nisso irão impor austeridade.
Já estou a ver: o sorriso paga taxa mínima de IVA, o riso taxa máxima e a gargalhada uma sobretaxa de 40%.

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E na semiótica da imagem?




Alguém pensa nisso ou é só no resto?

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A tarraxa




Leio num jornal diário, que na Hungria o revivalismo histórico e Nazi está a ganhar força, com o apoio explícito das forças governamentais.
Leio também que a selecção de futebol Alemã foi multada por os seus adeptos terem exibido uma bandeira neo-nazi durante um jogo.
Ainda não há muito tempo que ouvíamos e líamos sobre as medidas proteccionistas francesas sobre imigrantes, bem como de que forma a extrema-direita vai ganhando força nesse país.
Também na Suíça, uma nação supostamente neutra e que gosta imenso de ter imigrantes a fazer o que os nativos não querem – como todos os demais países, de resto – vão aumentado as discriminações sobre as nacionalidades de quem aceitam como imigrantes.
A Itália, um país que não o era ainda não há tanto tempo quanto isso, está igualmente a braços com segregações nacionalistas em que, naturalmente, os de fora são os alvos preferenciais.
Mesmo aqui ao lado, em Espanha, vimos os resultados das últimas eleições, vamos vendo o que vai acontecendo em manifestações, mas não nos vai sendo contado o que acontece com os “sem papeis”, de que forma as autoridades vão lidando com os migrantes que procuram fazer da península Ibérica uma porta de entrada para um tal utópico “EL dourado” europeu.
Por cá… por cá vamos assistindo a uma mistura entre o querermos que os estrangeiros por cá estejam, que trabalhem, tenham filhos e paguem impostos, e à redução de migrantes em território nacional que a eles são dados os trabalhos mais penosos ou desagradáveis e a eles se paga menos e sem contratos legais.
Assusta-me ver estes pequenos grandes sintomas de extremismo, em parte motivados pelas crises económicas que vamos vivendo, em parte alimentados pelos nacionalismos radicais, em parte satisfazendo uns quantos de títeres ainda encapotados.
A história tem-nos contado o que sucede às civilizações quando as posições se extremam, quando o trabalho, ou mesmo a comida, começam a escassear.
As euforias provocadas pelos confrontos desportivos, com as respectivas frustrações dos perdedores que abordam as derrotas como se de tragédias se tratassem não são apaziguadores de ânimos.
Que, após cada jogo, se se apercebe que a tarraxa está cada vez mais apertada. E as bílis se manifestam sempre para o mesmo lado.

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segunda-feira, 25 de junho de 2012

De manhãzinha




Ainda o sol brilhava e antes de chegar o capacete.

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Sinais dos tempos




Na minha rua há três cafés.
Em verdade há dois, que o terceiro fechou há meses.
Outro passou a ser o meu favorito, onde tmco a cafeína que me mantém, o bolinho que me agrada e o tabaco que necessito.
O terceiro, no meio dos outros, foi o meu habitual até há uns tempos. A falta de cortesia para com os clientes, o não possuírem a marca de cigarros que então fumava e o da ponta se prontificou a ter e o aumento dos preços fizeram-me desistir dele. Só lá vou por causa do pão e quando os demais estão fechados. É o caso da segunda-feira.  
Pois ao fim da tarde, preparava-me eu para pedir um café ao balcão quando um rapaz, na casa dos 14/15 anos pediu um copo de água. A resposta foi “Agora não posso, que estou a trabalhar!”
Estranhei.
A meio do café com salgadinho surge um outro, mais novo, com uma pequena garrafa de plástico, perguntando se a podia encher.
“Não!”, foi a resposta curta e pronta.
Franzi o sobrolho.
Ao pagar entra um terceiro que pergunta se pode usar a casa de banho. Na mão tinha uma garrafa de plástico vazia.
“Não pode!”, foi o que ele e eu ouvimos.
Nós os dois e uma senhora, já de idade, que sentada numa mesa perto da porta, também tinha assistido a tudo. E, antes ainda que eu pudesse dizer algo, falou ela.
Chamou a empregada e afirmou: “Olhe que água não se recusa a ninguém! Isso não se faz!”
A empregada encolheu os ombros e afastou-se, tal como o patrão, que se tinha aproximado.
Saí com vontade de ir a casa buscar uma garrafa vazia, voltar aqui e pedir para encher. E, depois de cheia, levá-la ao parque infanto-juvenil de onde tinham vindo todos eles. Que o dia esteve quente e as brincadeiras fazem sede, sabemo-lo.
E se não o fiz foi apenas para que não se suspeitasse do que a garrafa pudesse conter, que os tempos andam esquisitos, caramba.
Sei que os tempos estão difíceis. Sei que há um café, algures numa praia algarvia, que cobra por copo de água. Sei que não há obrigatoriedade formal em dar a quem não esteja a consumir.
Mas quem recusa água à gente jovem, num dia de muito calor, esperará que lhe façam o quê, daqui por uns anos valentes, quando estiverem acamados e não puderem, sequer, mudar as suas próprias fraldas?
É nos momentos de crise que o melhor e o pior de cada um vem ao cimo. E esse mesmo melhor e pior é moldado ao longo da vida.
Os meus mais sinceros agradecimentos àqueles que ao longos dos últimos tempos têm defendido com unhas e dentes a competição desenfreada. Estes são os resultados!

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De costas




A vida tem coisas bem importantes e belas para serem vividas.
Algumas são apenas para serem desfrutadas.
Outras implicam lutar por elas para que o pleno se atinja.
Outras ainda não merecem que nos demos ao trabalho de, sequer, nos incomodarmos. Que as primeiras nos dão prazer e as segundas trabalho.

À medida que vamos vivendo vamos definindo estes grupos. Com maior ou menor requinte, com mais ou menos fronteiras entre aquilo que achamos por que vale a pena lutar e aquilo que não queremos, sequer, que nos incomode.
A questão da liberdade, nas suas diversas facetas, sempre fez parte dos meus primeiro e segundo grupo. Faço questão de a desfrutar e faço questão de por ela lutar. Que é uma batalha permanente, que gente há que entende que “Somos todos iguais, mas uns mais iguais que outros”.
Não na minha cartilha, não no meu grupo de convivência.
Mas também sei que, e como dizem os brasileiros, “Não adianta dar murro em ponta de faca”.
Donde, o melhor mesmo em algumas lutas, é ignorar a situação. Não o fazer de conta que não existe. Isso seria o alheamento completo! Mas antes a resistência pacífica, fazendo de conta que a limitação à liberdade não existe e continuando a agir como se nada fosse. Pagando o preço, naturalmente, mas agindo de acordo com a consciência.
Cedo ou tarde, nem que seja pelo cansaço, a vitória sorri e aquilo que agora é limitação à liberdade de agir, de pensar e de ser acaba por cair de podre.
Que as causas nobres nunca são derrotadas: apenas se retarda o seu sucesso.  

By me

Seriam parentes?





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Trocas fotográficas




Troco:
- Alguns conhecimentos de fotografia
Por:
 - Aquilo que entenderem, desde que feito pelo próprio.

Quando:
Domingo, 1 de Julho, 2012, 14.30 horas
Onde:
Restauradores, Lisboa, junto à geladaria Veneziana

Em tom de passeio, iremos tentar organizar o nosso olhar com base em tema definido, gerindo-o em função da luz, da cor e da perspectiva.

By me

Pois!





By me

domingo, 24 de junho de 2012

Publicidade postal – a praga dos tempos que correm




Há talvez duas dezenas de anos enxotei um distribuidor de publicidade nas caixas do correio.
O edifício em que então vivia tinha um aviso bem claro em como não o queríamos mas, mesmo assim, insistiu o rapazola em tocar às campainhas para entrar. Alguém fez a besteira de lhe abrir a porta e eu dei por isso através do intercomunicador do prédio.
Não fui de modas: desci rapidamente até ao piso térreo e perguntei-lhe se não havia visto o aviso. Ao mesmo tempo que empunhava um Colt Navy, cal. 36, uma réplica funcional das armas usadas pelas marinha Norte Americana na segunda metade do séc. XIX.
Naturalmente que não estava municiada, mas quem se preocupa com detalhes desses ao ver tamanho bacamarte? O susto que ele apanhou foi tão grande que ainda hoje deve correr, fazendo inveja a qualquer atleta olímpico.

Hoje, a meio da tarde, tocaram-me à porta. Era na entrada do prédio e ao inquirir sobre o que queriam ouvi, que não vi, duas vozes que pareceram de criança a pedir que lha abrisse. Como as não reconheci, ignorei o pedido.
Minutos depois, dependurava eu roupa que tinha a secar, e ouvi o que me pareceu serem as mesmas vozes, desta feita na rua por baixo da minha janela. E vinham repetindo, como quem está a aprender uma ladainha:
“Boa tarde. Somos publicidade para o correio. Por favor abra a porta.”
Debrucei-me para ver quem vinha repetindo semelhante texto p’la rua fora.
Uma petiza, talvez com 10 ou 12 anos, caminhava ao lado de outra figura feminina que, não dando para perceber com rigor a idade, era adulta jovem. E estava esta a repetir o que a mais nova lhe ia ensinando, pronunciando cada palavra como se de coisas novas se tratassem. Seriam, p’la certa!
Eram ambas asiáticas, e traziam as mãos cheias de panfletos comerciais. Que estavam já distribuídos por metade da rua, faltando a outra metade.

Felizmente que, desta vez, nem eu tinha o Colt em casa, que o usei então para efeitos fotográficos, nem eu estava c’os azeites. Que se a crise está o que está, imagine-se para quem está despatriado, sem ligações à terra onde vive e, p’ra mais, sem o domínio da língua.
Sobram os mais pequenos, para quem uma língua ou outra pouco importa, que as aprendem com facilidade. Assim os deixem conviver com os nativos.

By me 

Viva quem faz




Só faz mesmo é sentido.
Ah, falta acrescentar que do outro lado da avenida existe outra bomba da mesma marca, quiçá do mesmo gasolineiro, que tem a mesma indicação.

By me

Viva quem faz!




Um olhar menos atento poderia dizer que se trata de carris abandonados, talvez que de uma velha unidade fabril. Poderia também dizer-se que se trata de carris ferroviários raramente usados que atravessem uma zona entretanto ajardinada e que foram disfarçados para não quebrar o agradável do local.
Nada disso!
Estes carris são usados muitas vezes por hora, todos os dias, e a relva não faz parte de uma zona de lazer para crianças, adultos ou seus cãezinhos.
São os carris do metro sul do Tejo, de superfície, e que em parte do seu percurso estão escondidos por relva. À vista de todos e escondidos de todos.
Sendo que o corredor reservado para este meio de transporte lhe é exclusivo, foi decidido que o impacto visual deste pedaço de avenida “estéril” e aparentemente abandonado teria que ser bonito de ver. É-o!
Foi-me dito que esta ideia foi copiada da Suécia. Ideias destas podem e devem ser copiadas mais vezes e em muitos outros locais.

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sábado, 23 de junho de 2012

E o dia fechou assim





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Janelas improváveis





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Indicadores




Pouco passava do meio-dia quando fui tomar o primeiro café da jornada.
No trajecto fica um ponto de recolha de lixo, indiscriminado ou ecológico, e que me tem dado motivo para diversas fotografias, nomeadamente no tocante a sapatos abandonados.
Sabendo-o, dou sempre uma olhada mais atenta, que nunca sei se será ocasião de tirar a câmara do bolso e dar-lhe uso.
Hoje não foi excepção, não fora o não estarem caídos no chão mas ensacados como se vê. Fiz o registo, mais por hábito que por outra coisa, e fui à cafeína que o corpo a pedia.
Dei mais umas voltas que havia que dar e, coisa de uma hora depois, torno a passar no local. Nem sei porque me espantei.
O saco, e respectivo conteúdo, primavam pela ausência. Ainda espreitei, por descargo de consciência, o interior dos contentores e dos ecopontos, não fosse alguém lá o ter colocado. Como estava ou depois de escrutinado. Coisa nenhuma!

Quando os nossos políticos e bem falantes vêm a terreiro falar de dificuldades, de austeridade, de aumentos disto e daquilo, impostos incluídos, deveriam passar p’lo meu bairro, e por tantos e tantos outros p’lo país fora, e constatar estas minudências que, tanto ou mais que os gráficos da macro-economia, nos falam da forma como vão sobrevivendo os portugueses.
E, já agora, seria particularmente útil que os nossos jornalistas fizessem o mesmo, para que os retratos que fazem do país se aproximem da realidade.

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Tinha chovido nessa noite





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Pois




No fim desse dia talvez o tenham feito

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Tipoteclando




Um jornal on-line.
Secção “últimas notícias”.
16.37 horas, 22/06/2012.

- Última –  16.31 - Os africanos começaram a consumir leite de vaca há sete mil anos
- Penúltima – 16.12 - Já é possível deitar comentários no Facebook
- Antepenúltima – 16.07 – Duarte Lima nega envolvimento no processo dos submarinos

Como eu gosto dos media em Portugal!

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Janela impossível





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Apelos




A crise está como sabemos.
Resta saber o que será mais apelativo: ser a “Martini girl”, o aspecto do “Martini man”, os 150.000 euros, os 12 pares de sapatos Louboutin ou as 12 peças de roupa exclusiva.

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Um retrato





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É triste




Muito se vai falando de “crise”. E muitos são os apartamentos posta à venda, a maioria por os seus donos não suportarem aquilo que por eles deveriam pagar.
É triste!
Mas bem mais triste é ver que, por estes dias, há bem mais bandeiras que cartazes de “vende-se”.
Talvez que o cartaz verde e vermelho adejando ao vento seja sinónimo de “vende-se o país”.
É triste!

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O dia mais longo




E este foi o fim do dia mais longo do ano.
Uma coisa posso garantir: sob inúmeros pontos de vista valeu a pena.
Seja como for, fica uma lembrança para os menos avisados: nunca julguem seja o que for pela aparência ou tamanho. Que mesmo uma camarazita de bolso faz disto, à unha e sem pensar muito.

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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Ao balcão



A conversa surgiu divertida, por via de um mal entendido. Aproveitando o quebrar do gelo, ganhei eu coragem e fiz a fotografia que queria.
Do lado de cá do balcão só havia um homem. Mas eu era o mais novo do grupo de clientes. Que, enquanto eu mostrava e não mostrava as fotos, me perguntaram rapidinho:
“E em que número do Jornal da Região vai sair a fotografia?”
Sabendo que não seria impressa mas antes digital e na web, afirmou toda sorridente uma das que comigo partilhavam a não existência de bancos naquele balcão:
”Ena! Na Internet e tudo! Viva o luxo.”

As febres nacionalistas rectangulares em torno do redondo mantêm-se bem vivas. Tal como algumas ignorâncias e relativização de valores. 

Subliminariedades




Acedo ao supermercado aqui do bairro pelo estacionamento subterrâneo. Não que tenha carro – pois se nem carta! – mas antes porque é o acesso mais directo.
Esteve este espaço em obras recentemente, com o repintar da marcação dos lugares de estacionamento e zonas de peões, sinalização horizontal e demais detalhes que não dei por eles.
Ontem dei foi com estes dois cartazes, simpáticos, por cima de lugares de estacionamento pintados a cheio, um a verde, outro a azul e fiquei francamente elucidado sobre o que acontece no supermercado aqui do bairro.
Fiquei a saber, por exemplo, que aqui no bairro as crianças de colo conduzem, já que têm lugar reservado. A menos que se refiram aos seus carrinhos ditos “de bebé”, mas serão carrinhos enormes, pelo espaço que lhes está reservado.
Já o espaço para famílias numerosas também foi elucidativo. Esclareceu-me que um casal com duas crianças já é numeroso. Esta seria fácil de deduzir, se consideramos a taxa de natalidade Lusa.
Fiquei também ciente que as famílias numerosas não viajam em autocarros ou carrinhas especiais, que a área reservada tem exactamente o mesmo tamanho que qualquer outro lugar de estacionamento.
Também descobri que, na mente de quem concebeu este cartaz, as crianças do sexo masculino andam de calções.
Mas, mais importante que tudo isso, foi-me passada a informação de que este supermercado, de uma grande cadeia alimentar do país, tem um carinho especial por famílias numerosas, a ponto de lhes dar lugar de destaque. Talvez porque sejam grandes consumidores.

A questão das mensagens subliminares é levadinha da breca. Principalmente quando damos pela marosca.

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De um dia p'ro outro




E se a noite de ontem, a última de primavera, estava como se viu – ou não viu – na manhã de hoje o verão abriu assim as hostilidades.  

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Um nico




Conheço a minha rua e arredores razoavelmente bem. Em particular as trajectórias do sol, bem como as marcas de sombra que vai deixando.
Assim, é-me fácil saber em que ponto o sol cruza o horizonte em cada estação do ano, mais ou menos uns graus, entenda-se.
E hoje o sol deve ter ficado escondido algures ali, onde o clarão é mais forte. A minha convicção disso é tal que acredito que esse clarão, captado 5 minutos depois da meia-noite, seja o restinho que nos deixou, para que, quem para ele olhar nesse momento, saiba que este é o momento em que nos encontramos mais perto um do outro. Ele, na sua plenitude, e nós, na nossa insignificância.
Este momento único no ano, tal como o seu oposto – o solstício de Inverno, são duas das datas que deveriam ser celebradas seriamente em todo o globo. Tal como os dois outros momentos raros: os equinócios.
Sabemos que são celebradas desde que o Homem foi capaz de olhar para as estrelas e pensar sobre elas. E passar o que pensou e descobriu de uma geração para outra, mesmo antes, muito antes, de ser capaz de escrever ou cantarolar a tabuada.
As civilizações, com as suas ciências, filosofias, artes, teologias e sistemas políticos passam. Que o Homem é efémero. Já os Solstícios e os Equinócios, esses, enquanto houver sistema Solar continuarão a acontecer, façamos nós o que fizermos.
Vale a pena pensarmos no que somos e no que fazemos, neste nico de tempo nenhum em que cá estamos.

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quarta-feira, 20 de junho de 2012

E, lá fora, está assim




Mas, queiram ou não, irei celebrar o momento “mágico” que se avizinha.

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Making of




Há sempre quem afirme que fazer fotografia é coisa complicada, requer muito equipamento, muito dinheiro gasto em espaço e tralha…
Mentira!
O que é preciso é saber o que se quer e ter flexibilidade suficiente para ajustar isso ao que se pode fazer.
Um ou dois candeeiros de secretária, um tripé para a câmara, uma superfície reflectora (papel branco ou papel de alumínio de cozinha numa cartolina), uma mesa e duas ou três cadeiras, molas de vários tipos (de roupa, de papel, clips), fio de sapateiro ou guita, fito gomada ou fita isoladora, algumas ferramentas, daquelas que há em todas as casas, paus de vassoura, cartolinas da escola, e já temos QB para arrancar com um mini estúdio.
Onde o improviso pode imperar, mas onde se não houver vontade de fazer nem o melhor equipamento do mundo e arredores tem serventia.  

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E depois...




Bem, depois havia aquele que era tão rebelde, mas tão rebelde, que vivia sozinho e fugiu de casa!

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Também em versão veloz




O nacionalismo rectangular em torno do redondo

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Equivalente




Em linha com Alfred Stieglitz

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... e nas palhinhas deitados.





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terça-feira, 19 de junho de 2012

E não esturriquei o que importa




A ideia de fazer esta imagem não é nova.
Surgiu há algum tempo quando, de conversa com um colega com filhos pequenotes, lhe disse que, volta e meia esta era a minha refeição, tendo ele dito que seria uma boa ideia, o por as crianças a ajudar no fazer do jantar e a divertirem-se também.
Na altura, e agora, tive pena deste meu colega e dos seus filhos. Que se o partilhar as tarefas domésticas, em particular o fazer daquilo que nos dá o prazer da boca, não for divertido, estar em casa deve ser um aborrecimento terrível.
Nunca os catraios saberão desta nossa conversa nem desta fotografia. Mas espero, sinceramente, que tenham gostado de assar linguiça, que a partilha do preparar da comida tenha contribuído para a união familiar e que eles tenham percebido, crianças e adultos, que o que se faz em conjunto e com amor sabe muito melhor.

Agora: porque demorei eu tempo até fazer a fotografia?
Porque precisei de arranjar coragem de colocar, quase na vertical, um flash. Porque por muito bom que possa ser o jantar, saber-me-ia a amargo se resultasse no queimar a fonte de luz.

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