segunda-feira, 26 de março de 2012

Reflexos do passado




Em tempos idos era assim:
Só se via roupa pendurada à janela à segunda ou terça-feira. Nunca aos Domingos.
O motivo é mais ou menos simples: Domingo era dia de festa semanal, o dia da família, o dia de missa, o dia em que se não trabalhava, o dia de usar roupa “domingueira”, a melhor que se tinha.
Mas aos outros dias, o homem saía para trabalhar, as crianças saiam para a escola e ficava a mulher em casa, cuidando das suas lides, incluindo a lavagem de roupa. Que a mulher queria-se em casa, com os trapos e as panelas.
Mudaram os tempos e mudaram os hábitos.
A mulher agora trabalha, dias úteis ou inúteis como o homem, domingos incluídos. A roupa, e as demais tarefas caseiras, fazem-se quando é possível, depois do horário de trabalho, ou mesmo ao Domingo, dia de folga laboral se o for, mas só por conta de outrem, que a casa não tem nem patrão nem horários.
A roupa à janela é assim visível, nos bairros típicos ou nos dormitórios suburbanos, a qualquer dia ou hora.
Mas os tempos continuam a mudar e, com eles, os hábitos.
O desemprego, que atinge quase todas as classes sociais e que é bem notório nos dormitórios, faz regressar velhos costumes. E, com eles, o guardar o Domingo para as cerimónias religiosas, clubístiscas, familiares ou outras. E a mulher, a mais atingida pelo desemprego, regressou ao lavar a roupa à segunda-feira, tentando que o Domingo, se for folga do homem, seja mais ameno no que toca a tarefas domésticas.
Há quem diga que a História funciona em ciclos, repetindo-se. Seria bom que só se repetissem os hábitos escolhidos e não os impostos!

By me

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