segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um brinde a




Nestes dois últimos milénios tivemos:

Um Nero,
Um Atila,
Um Torquemada,
Um Hitler…

Mas também tivemos:
Um Cristo,
Um Gutemberg,
Um Marques,
Um Miro…

Que nos próximos dois milénios
possam aqueles ficar nos quintos dos infernos
E que estes tornem a passar por cá!

By me

Casado




O seu nome até pode ser “Casado”.
Mas assim, abandonado na rua e sem par, diria eu que é mais é divorciado.

By me 

Liberdade




Liberdade querida e suspirada,
Que o despotismo acérrimo condena,
Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada!

Atende à minha voz, que geme e brada
Por ver-te e gozar-te a face amena
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada!

Vem, ó deusa imortal, vem, maravilha,
Vem, ó consolação da Humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha!

Vem! Solta-me o grilhão da adversidade!
Dos céus descende, pois dos céus é filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!


Texto by Bocage
Imagem by me

domingo, 30 de dezembro de 2012


Discursante




Dia 1 de Janeiro, o Presidente da República dirige-se aos Portugueses, no tradicional discurso de ano novo.
Primeiro foi o Cardeal Patriarca. Depois o primeiro-ministro. Agora o presidente.
Confesso que os discursos me incomodam, na medida em que nada resolvem. Em especial o deste. Porque a sua presidência é de influências mas em nada influi no curso das políticas que estão sendo levadas a cabo.
O pouco que diz e o nada que faz são de uma permissividade atroz, mais fazendo para enterrar que para ajudar os que já estão na mó de baixo.
No próximo dia 1 de Janeiro, irei trabalhar assim ataviado. Igualando os discursantes e bem falantes coveiros de Portugal.

By me 

Trocas em Janeiro #1




Troco:
Alguns conhecimentos fotográficos
Por:
Aquilo que entenderem, desde que feito pelo próprio.

Quando:
Domingo, dia 13 de Janeiro, 14.30 horas
Onde: Ponto de encontro sob a Pala do Pavilhão de Portugal, Parque das Nações, Lisboa.

Iremos rever, consolidar ou, no caso de participantes novos, introduzir, algumas noções de base, servindo este encontro como preparação para o seguinte. Sempre com base no lema “Olhar, ver, captar”.
Pede-se que levem, para além da câmara com bateria carregada e espaço no cartão, um objecto para ser fotografado. Nem muito grande, nem muito pequeno, nem muito pesado, passível de caber na vossa bolsa ou saco.
Será importante que também levem um caderno ou bloco, formato A4 ou A5 e um lápis ou caneta.
Se as condições atmosféricas, porque Janeiro, forem impeditivas, deixarei o aviso de alternativa. 

By me

Passagem de ano




Ontem fiz uma passagem de ano supimpa.
Porque fez ontem exactamente um ano que se estava em 29 de Dezembro. E essa é uma fronteira importante, que só se atinge uma vez a cada 12 meses.
Porque, e não nos enganemos, tudo aquilo que aconteceu antes de 29 de Dezembro não se repete e, nessa data, esperamos que todos os dias que se lhe seguirão sejam melhores que os anteriores.
A todos aqueles que hoje iniciam um ciclo de 52 duas semanas e uns trocos, espero que se divirtam e tenham a força suficiente para impedir o que os arautos da desgraça governamental nos anunciam.

By me 

A única diferença entre arrumar a casa e arrumar o conteúdo de um computador é que no segundo caso estamos sentados.
Quanto ao resto…

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A primeira




Sabemos todos que a “Primeira vez” é sempre muito importante e inesquecível.
O primeiro amor, o primeiro carro, o primeiro emprego.
Esta é, para quem o não sabe, a primeira fotografia de que há registo e que sobreviveu.
Ainda que a data oficial da invenção da fotografia seja de 1838, aquando da apresentação da invenção na Academia de Ciências de Paris, esta foi feita em 1826, por Nicéphore Niépce.
Só mesmo para que conste, esta fotografia foi feita com uma exposição de 8 (oito) horas.


By me

Aaaaaaaaah!




Ter de novo um sistema operativo estável e operacional...
Claro que vai levar mais tempo a afiná-lo que a reinstalá-lo, mas é trabalho que vem incluso na embalagem!

By me

sábado, 29 de dezembro de 2012


Disse alguém sabedor, há muito tempo:
“Penso, logo existo!”
Por brincadeira saudável, diz-se que os alentejanos afirmam:
“Penso logo!”
Em alternativa, alguém acha que em Portugal a frase é:
“Penso, logo desisto!”
Eu acho que no que toca aos portugueses é mais desta forma:
“O que é pensar?”
Que, se assim não fosse, não estaríamos como estamos!

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Honestidade




Saí do comboio já passava um bom pedaço das onze da noite. Fresca, a noite não estava fria, pelo que me deixei ficar um pouco ali, no largo da estação, fumando um cigarro antes de iniciar o caminho até casa.
Neste entretém fui olhando a lua, cheia, que brincava às escondidas com nuvens pesadas. Bonito de ver!
Sou então abordado por dois casais. Africanos, daquele tipo de africanos que nos leva a perguntar se a pele não será já azulada.
Mal falavam português, que o criolo seria a língua nativa. Mas uma delas soube interpelar-me para me perguntar se eu ali morava e onde ficava a igreja.
Disse-lhe que há duas e que me parecia que a maior seria a mais importante. Isto apesar de eu não frequentar a igreja.
Os olhos delas abriram-se quase até ao tamanho da lua e as pálpebras jogaram às escondidas com eles.
Olhou-me de alto a baixo, desconfiando de alguém que não fosse à igreja, mas lá aceitou, como os outros, as indicações para lá chegarem, em atravessando para o outro lado da linha.
Ser honesto nem sempre é uma recomendação, foi a conclusão a que cheguei.

E, claro, não estavam à espera que aqui pusesse uma fotografia deles, pois não? E, sendo que a lua hoje está tímida, fica uma de outra noite, bem mais descarada.

By me 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Dias há



que terminam assim.

By me

Na avenida




Acidente?
Cano rebentado?
Corrida de São Silvestre?
Nada disso!
Apenas mais uma operação stop da divisão de transito da PSP, numa avenida bem movimentada de Lisboa.
Três faixas reduzidas a uma, nove minutos para um automóvel percorrer cinquenta metros (cronometrados e medidos, que não gosto de inventar).
Não sei ao certo quantos e quantas agentes ali estavam, mas eram mais que muitos. E, enquanto ali estive e foi um pedaço que não tinha eu pressa, não vi nem um só automobilista a ser autuado ou notificado do que quer que fosse. Tal como me não apercebi do critério para mandar parar este que não aquele carro.
Espero que o comandante que mandou fazer esta operação tenha chegado a tempo de ir buscar o filho ao infantário, depois de um dia de trabalho!

By me

Solinho bom!




Sol, lenço preto, café quente.
Para quê mais?

By me

Cinco sentidos matinais




Acordar e ir à janela. Saber como é que está o dia e tal, saber se as previsões do tempo bateram certo ou nem por isso, ganhar coragem p’ra fazer todas aquelas coisas que têm que ser feitas antes mesmo de virmos para a rua.
E antes de ver o que quer que seja, antes de ouvir os ruídos do costume ou outros novos, antes sequer de cheirar os odores suburbanos invernais, as pernas nuas sob o roupão dizem-me, quase gritando:
“’Tá um frio do caneco! Vai p’ra dentro!”
Tratei de acautelar o quinto sentido, e reconfortar os restantes quatro, com uma caneca de café quente.

By me 

Parabéns!




Os meus sinceros parabéns àqueles que, com as suas ideias de competitividade, austeridade, incapacidade e outras acabadas ou não em –dade, nos estão a levar a isto:
Gente que, à custa de argumentar por trocos, põe em causa o trabalho e sustento de terceiros.
Para os ideólogos e para os “filhos de uma nota de vinte”, o meu valente dedo do meio! Esticado como de costume, ou fechado e emparelhado com os outros, em cheio nas fuças!
Para as vítimas, a minha promessa de intervenção! Supondo que posso fazer alguma coisa sozinho!

By me

Caminhos




Que é entre a luz e a sombra que caminhamos, não tenho eu dúvida. Todos os dias, a cada momento.
O que não sei mesmo é se o tracejado no chão é para nos impedir de ou para nos convidar a mudar de faixa.
Por mim, não tenho hesitações: Salto o separador se e quando quiser.

By me 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012


Dizem que:
“Não adianta chorar em cima de leite derramado”.
Mas também dizem que:
“Não adianta dar murro em ponta de faca”.

Donde:

Esmurremos as caras certas e riamo-nos de seguida!

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Acordar




Acorda um tipo de manhã, depois de uma noite comprida, e vem espreitar à janela a ver como está o dia.
E dá com isto!
Digam lá se não dá logo vontade de regressar para onde se estava?

By me

Quatro retratos




Aqueles que me conhecem, de uma forma ou de outra, sabem que não gastaria eu tempo a ir cuscar a página do Facebook de Pedro Passos Coelho. Nem uns segundos que fosse.
No entanto, em chegando a casa e consultado quatro jornais diários on-line, a notícia de abertura ou destaque é o texto que ele deixou na sua página, evidenciando a sua frase “Este não foi o Natal que merecíamos”.
Não me vou debruçar sobre ela, já que presumo que também saibam o que dela penso.
Vou, antes sim, mostrar-vos as quatro fotografias que ilustram os artigos dos jornais. A saber: 1 – Público; 2 – Correio da Manhã; 3 – Diário de Notícias; 4 – Jornal I.
Não existe, por certo, nenhuma fotografia desta pessoa a escrever no Facebook. Os jornais e respectivos editores fotográficos tiveram que recorrer aos seus arquivos, escolhendo deles a que pensaram que mais se adequava ao assunto a ilustrar.
É particularmente curioso constatar as opções tomadas por cada jornal e as leituras que de cada uma se podem fazer.
Devo dizer que a minha escolha, com aplauso, vai para a nº1, do Público, logo seguida de perto pela 4, do jornal I.
Aceitam-se opiniões, se as tiverem.

By me

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O sol, quando se põe,



é para todos!

By me

Quando oiço alguém a dizer “Bom dia!” fico sempre na dúvida se se trata de uma constatação se de um desejo.
Que se for a primeira, fico com vontade de esclarecer sobre a realidade em que vivemos.
Se for a segunda, fico com vontade de indicar alguns nomes e moradas que, devidamente tratados na ponta de uma corda, transformaria a todos este num excelente dia!

Portem-se mal, que de tanto nos portarmos bem chegámos a isto!

By me

Prendinhas




E agora, que o tal de natal já acabou, será que podemos voltar a concentrarmo-nos nos nossos problemas reais?
Ou vamos continuar a fazer de conta que há Pai Natal, que a ecologia é substituirmos gasolina por renas e que os laçarotes coloridos são pacotes de saúde, de alimentação em kit, justiça em fascículos e devoluções de impostos em calda?

By me

Desabafo fotográfico




Faz-me pena ver o que vai acontecendo no mundo da fotografia “amadora”, fruto da ganância dos industriais.
Para conseguirem vender os seus equipamentos e proporcionar satisfação a quem os compra, os fabricantes de telemóveis, de algumas câmaras de película e de suporte digital decidiram que se os seus clientes não são capazes de fazer “boas fotografias”, iriam criar sistemas que “estragassem” os que faziam, com uns efeitos especiais (adulteração de cores, diminuição de definição, aberrações geométricas, etc.) e dizendo-lhes que aquilo permitia fazer “arte”. Mais ainda, foram convencendo os seus compradores que aquela “arte” é moderna e avançada e que quem a não entendesse seria, necessariamente, um atrasado ou conservador no que a arte concerne.
Vai daí, todo o “bicho careta” passou a fazer imagens em que a perspectiva é coisa do passado, o equilíbrio de cores resulta de uma dose de bom LSD ou quejando e a definição ou nitidez é, p’la certa, aquilo que se vê pelo fundo da garrafa depois de a beber por inteiro.
Os que assim fotografam e exibem estão convencidos que estão a produzir arte, os fabricantes de equipamento e software satisfeitíssimos, que vão vendendo o que produzem.
Aquilo que estes não anunciam e aqueles não sabem é que a “arte” não é fruto das tecnologias e muito menos fruto de não saber o que se faz!
A arte resulta de um processo interior, de escolhas de algo em desfavor de tudo o resto porque é aquilo que exprime os sentimentos do artista. A técnica apenas auxilia o processo criativo, não é a sua base inicial!
Aquilo a que vamos assistindo neste momento é um verdadeiro bombardeamento de imbecilidades visuais, disfarçando a péssima qualidade dos equipamentos e a ignorância dos seus utilizadores com nomes pomposos e pseudo-intelectuais.
E isto até que poderia não ser muito mau, que cada um exprime-se como quer. O pior mesmo é isto se ter transformado numa moda, levando a que milhões façam borrões iguais, sem um pingo de originalidade ou criatividade, ainda que convencidos que sim.
Ora batatas para as Lomo com sacos de plástico por objectiva! Ora batatas para os telemóveis sem resolução e aplicações mostram imagens como se tivessem acabado de sair da máquina de lavar, com as tintas ainda a escorrer.

Para mim, as fotografias têm que ser feitas com tanta nitidez quanto uma boa objectiva de vidro permite, com as cores tão fieis ao que vejo quanto possível e com a geometria da perspectiva rigorosa. Aberrações, alterações, subversões a isto será, sempre, na sequência de uma decisão, porque será exactamente esse resultado que se adequará ao que sinto ou quero mostrar!
Faço o que faço porque o quero e não porque alguns fabricantes descobriram a árvore das patacas fotográfica!


By me

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Talvez os de Hermes



By me

A lista


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Sorte




Diz-se que sorte é quando a preparação encontra a ocasião.
Acho que tive sorte.

By me

Tradições




Apesar do repúdio que tenho p’las rotinas em geral, insípidas e castrantes da criatividade, algumas há que merecem ser mantidas, por este ou aquele motivos.
Esta é uma dessas, das especiais.
Claro que “as tradições já não são o que eram!” devido às leis do homem e da vida, por aqui já não há os velhérrimos cinzeiros de latão polido agarrados ao balcão. Desta vez já não há balões no tecto, que sempre, por esta altura, conheci. Os comensais já não os mesmos, alguns que não o quererão, outros que não podem, outros que já por cá não estão.
Mas este, que suponho ser o último local em Lisboa com balcão em zig-zag e com bancos de pé alto, continua com a qualidade do que serve e como serve.
Teimoso que sou, vou mantendo esta tradição, para satisfação do palato e da alma, uma das raras que faço questão de manter uma vez por ano. Que não nos podemos esticar muito. No mesmo banco e com a mesma vista.
Segue-se, na tradição, o fazer fotografia. Mas esta, caramba, é todos os dias e não num dia apenas por ano.

By me

Epílogo




E pronto!
O bom do velhote, que pela sua idade já estará reformado mas que como muitos outros se vê na contingência de ainda ter que trabalhar, já terá terminado a sua ronda. E regressado a casa para um repouso bem merecido.
Isto, claro, se não tiver sido confundido com um vulgar assaltante, se não tiver sido alvo de alguns mísseis em zonas de conflito e se não tiver sido autuado por via do metano emitido pelos motores do seu trenó.
E, se não for objecto de confisco, se não tiver que passar a emitir factura com indicação de IVA e se o feriado não for também abolido, para o ano há mais.

Entretanto não se esqueçam: tratem de ir juntando umas migalhitas todos os meses daqui até lá, que quando chegar a altura ainda haverá menos que agora para laçarotes, papeis bonitos ou óleo de fritos.

By me 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Estava fechado




mas eu ainda tinha cigarros suficientes para chegar a casa.

By me

Estes não




Estes, certamente, não serão hoje colocados na chaminé.

By me

Luzes! Câmara! Notícias!




Interessante mesmo seria ouvir nesta data os noticiários falarem de quantos hoje não irão apagar a luz antes de irem para a cama sonharem com doces de Natal porque a EDP lhes cortou o fornecimento por falta de pagamento.
Só mesmo por uma questão estatística, claro, que isto de estragar as festividades aos cidadãos não é politicamente correcto.

By me 

Ao calhas




Por vezes faço isto: Mais ou menos ao calhas pego num livro, abro-o igualmente ao calhas e deixo que os meus olhos se prendam num qualquer parágrafo.
Isto foi o resultado do exercício de hoje, pouco depois de acordar. A imagem foi feita, também mais ou menos ao calhas, para acompanhar a citação.

“Outro critério de fracasso é o do desenquadramento e da descentragem: herdados das regras da composição pictórica em perspectiva, a expectativa que se tem de uma “boa fotografia” é que o motivo principal esteja centrado, situado no eixo do olhar, ao mesmo tempo que respeita o equilíbrio da divisão da superfície em três terços horizontais e verticais. Mesmo vazio, o centro propõe-se como ponto de referência, comandando a organização geral da fotografia. A expectativa do centro como ponto forte das imagens que se julga representarem a própria vida mostra até que ponto a convenção representativa corrompe esta imagem privilegiada, porque vestígio, da ideologia (*). A vida, o real, terão eles centro?

(*)A centragem não é apanágio da fotografia: encontra-se também de forma sistemática no cinema, em particular no cinema clássico hollywoodiano. Foi a pintura que, após ter instituído o Quattrocento, pôs em causa, pelo menos desde o séc. XIX, a centragem na representação visual.”

in: “A imagem e a sua representação”, by Martine Joly, Edições 70, pag 95

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Em minha casa há uma bola de Natal!




Comprei-a, há anos, junto com outras iguais, porque achei graça ainda se encontrarem das antigas, de vidro ou quase, tão frágeis que, quando eu era catraio, estava proibido de nelas tocar. Imagine-se o porquê.
Das outras que comprei com esta acho que sei onde estão, guardadas numa caixa e bem protegidas, só por via de dúvidas.
Mas está aqui onde a vêem, pendurada modestamente de um prego na parede. Todo o ano.
Volta e meia vou por ela e limpo-lhe o pó, as mais das vezes mesmo com água, mas volta sempre para aqui, para o seu modesto preguinho.
Nesta época do ano continua lá, solitária como em todo os demais meses, de Janeiro a Dezembro. É o único enfeite de Natal que por aqui se exibe e está ali o tempo todo, debaixo dos meus olhos.
Serve ela, inalterada decoração natalícia, para me recordar que o natal não é apenas uma quadra de quinze dias de boas-vontades, músicas e doçarias apropriadas.
O Natal, aqui por casa, é o ano todo, com o que de bom ou de mau possa ter.
Que não apenas é uma atitude que se deve manter, como não aceito que seja um calendário que me imponha quando devo ser isto ou aquilo, eximindo-me de o ser no resto do tempo.
O Natal, aqui, é 365 dias de seguida, nos anos comuns.
Quanto ao resto, e porque parece ser o que deve ser dito por estes dias, um bom Natal para os que isto lerem. E para os outros também.


By me

domingo, 23 de dezembro de 2012

Power off




Há muitas e variadas formas de fazer protesto.
Na rua, nas redes sociais, no trabalho, nas assembleias…
Uma das mais simples, mais baratas, menos dolorosas e que se pode fazer sem sequer sair de casa é desligar o televisor quando o primeiro-ministro fizer o seu discurso de natal.
Não será apenas mudar de canal. As audiências apenas constatarão isso e, como se não bastasse, é provável que todos os canais generalistas o mostrem.
Digo desligar mesmo!
E, para além do protesto, tem a vantagem de garantir que a família em casa não assiste ou ouve obscenidades, não estragando, assim, a consoada.

Isto, claro, presumindo que ele terá o desplante de tal coisa fazer!

By me

Aí está ele!




Tinham anunciado para anteontem o fim do mundo.
Na verdade, nada aconteceu que tivesse eu sabido, mas também não me espanta. Com o crónico atraso de que Portugal sofre, teria que acontecer bem mais tarde.
Estou em crer que está a ser agora, de manhãzinha que é quando se começa o dia.
Pelo menos, venho à janela e já pouco dele sou capaz de ver.
Esperava era que fosse amarelo-cerveja ou castanho-café. Agora branco-leite?????

By me 

Panelas de Natal




A tradição familiar dizia que o Menino Jesus descia pela chaminé para pôr prendas no sapatinho.
Assim, depois do jantar, a cozinha era imaculadamente arranjada, o fogão forrado com papéis “bonitos” e os sapatos colocados em cima deles.
Na manhã de natal os pequenos, depois de toda a família acordada, eram autorizados a entrar na cozinha onde, para deslumbre total, lá estavam os presentes. Poucos, que os sapatos eram muitos, mas apetecidos e apreciados.
O mais velho dos quatro foi, naturalmente, o primeiro a ser informado da verdadeira história e a ser incluído na cerimónia da colocação das prendas. Depois do fogão decorado e os mais pequenos terem recolhido à cama, foi a sua vez de colocar as prendas para toda a família, indo então deitar-se, que não poderia ver as que lhe eram destinadas antes dos outros acordarem.
Acordou ele a meio da noite, com vontade de urinar, e dirigiu-se à casa de banho. Mas logo lhe passou a vontade.
Com receio que furasse o bloqueio à cozinha, tinham atado uma cadeira com tachos e panelas ao puxador da porta do seu quarto. Quando a abriu, tudo se espalhou pelo chão, acordando a casa por inteiro.
Não me recordo, ao certo, qual ou quais as prendas que recebi nesse ano. Tenho a vaga ideia de ter sido um “Renault 16” do “Tour de France” que esventrei e em cujo interior coloquei um pesado íman de bicicleta. Com ele ganhava toda as provas de todo-o-terreno que na rua se faziam.
Mas ainda hoje, quando a família se reúne, ninguém me acredita que, então, só queria mesmo ir à casa de banho.

By me

Colecções




Em rigor, não sou um coleccionador. Não tenho temas preferidos, não tenho organização no que vou juntando. Tenho apenas dois factores que me fazem ir juntando peças: serem bem baratas e serem fotografáveis no espaço de que disponho. O resto… é o que vier à rede.
Um destes dias passei por uma loja de inutilidades, também conhecida por “decoração”. Dedica-se ao chamado “artesanato do mundo” e quase todos os continente ali estão representados, quer as peças lá tenham sido feitas, ou não.
Saltou-me à vista esta!
Pequena de caber na mão, proporcionalmente barata mas, acima de tudo, por nunca ter visto uma representação do presépio num barco. Para ser mais rigoroso, naquilo que parece ser um papiro, o tipo de barcos típicos do rio Nilo, à época dos eventos.
Mas, e em olhando com mais atenção, constata-se que as personagens têm ar de andinos, a vaca e o burrinho afinal são llamas e que a embarcação é em muito semelhante às que são usadas no lago Tititaca, nos Andes, América do Sul.
Apesar de ter ou duas falhas na tinta, irá para a secção das coisas ainda mais estranhas.

By me 

sábado, 22 de dezembro de 2012




Sonhei eu que o mundo tinha acabado e que não mais teria que levar com o PPC e seus muchachos!
A realidade é dura.

By me





As abordagens aos temas são sempre sujeitas às interpretações de quem aborda. A objectividade numa reportagem sempre foi uma falácia ou mito.
Sobre este natal também não é possível fazer-se de outra forma. Por muitas tradições e boas-vontades que possam existir, só o vejo assim:
Escuro e sombrio.

By me 

Just for the fun



By me

Um retrato - Inês



A malabarista

By me

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sugestão




Sugestão de ordem prática, fruto da experiência.

Não guardar longe do local de utilização as reservas ou stock de reposição.
Exemplos: o bidão de gasolina. As recargas de tinta da caneta. O papel higiénico.

By me 

Temei, oh descrentes!




É isto que vejo da minha janela quando aqui venho espreitar pela primeira vez hoje: um dia cinzento, com as nuvens a mostrarem, maldosamente, que o sol brilha lá por cima mas que o não mostrarão por completo.
O tal fim do mundo previsto pelos Maias e replicado pelos arautos da desgraça e pelos brincalhões, sem falar dos oportunistas, afinal não aconteceu. Nem era suposto acontecer.
Que aquilo que os antigos previam para esta data era o fim de um ciclo e o início de outro. Tudo o resto mais não foi que interpretações e delas sabemos haver muitas e imaginativas.
Mas numa coisa estavam os velhos Maias certos: para além de todo o mediatismo em torno do seu calendário, hoje é mesmo o fim de um ciclo e início de outro. Melhor dizendo, inicia-se hoje uma época terrível que teremos que viver, melhor ou pior.
Refiro-me, para já, a que esta foi a noite mais longa do ano, em virtude de ter acontecido o solstício de Inverno. Fruto das rotações, translações e ângulos de eixo, no hemisfério norte começou o Inverno. E, no hemisfério sul o Verão.
Fenómeno previsível com facilidade, que vem anunciado nos almanaques e que as criancinhas aprendem na escola.
Mas este novo ciclo que hoje se inicia tem mais de especial. Será o pior Inverno de que temos memória, a confirmarem-se as medidas tomadas pelo actual governo e as inércias dos cidadãos. Nada tem a ver com movimentos astrais mas tão só com conjunturas económicas, decisões político-doutrinárias tomadas por quem está, erradamente, no poder, e a incapacidade daqueles que com elas sofrem se unirem e agirem para um “basta” monumental e definitivo.

Os velhos e sábios Maias tinham razão! Hoje não é o fim do mundo mas o início de algo muito mau. Se nós deixarmos!

By me

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Uma maldade




Pois talvez que seja uma maldade. Talvez que o ter perdido a barba tenha deixado a descoberto aquele lado mais ruim que há em mim. Talvez mesmo vá fazer inveja aos que têm horários normais, de segunda a sexta e garantidos os fins-de-semana, natais e afins.
Mas certo é que hoje, quinta-feira, me vou deitar mantendo o despertador travado.
Amanhã, sexta-feira, só acordo quando o corpo pedir ou com o ruído do fim das coisas (deve fazer barulho, não?).
E se for alguém a tentar distribuir publicidade, tanto pior para ele.


By me



Estou a ouvir as notícias há um quarto de hora e já ouvi falar em mais milhões de euros que milhares de cêntimos eu consigo movimentar num ano.
É tão fácil alguém decidir sobre dinheiro que lhe não pertence!

By me 

Passei-me!




Eu estava do lado de lá. Mesmo na beirinha da passadeira.
Do lado de cá, também na beirinha da passadeira, uma senhora, já bem idosa, e o que pareceu ser a sua neta, talvez comuns cinco anos.
Entre nós esta passadeira, pintada de amarelo e devidamente sinalizada na vertical. Como manda o código.
Mas entre nós também havia um corrupio de automóveis, que ignoravam heroicamente, tanto as tentativas delas como as minhas e os respectivos olhares directos nos motoristas.
Pareci ser impossível atravessar aquele rio ininterrupto, que não respeitava o código da estrada, apesar de ser uma rua, em Lisboa.
Passei-me!
Ignorando as diferenças de peso e respectivas inércias entre carros e eu mesmo, avancei afoitamente à frente de um. Que vinha mais devagar, é verdade, mas que também não dava sinais de querer ceder a passagem. Acabou por ter que travar intempestivamente.
Avancei um pouco mais e, sem dar a passagem ao que tinha parado, fiz o mesmo ao que a seu lado também não queria parar. Creio que a minha presença nos asfalto, bem como os olhares que lhes deitava não deram azo a dúvidas: aqui temos prioridade!
E foi assim que, especado no meio da faixa de rodagem, fiz sinal a avó e neta para passarem. Que fizeram, com a calma própria das idades extremadas e a tranquilidade de não terem que correr para fazerem o seu caminho.
Os de trás apitaram. Talvez que se não desloquem nunca que não nos seus carros. Talvez que não tenham crianças pequenas ou idosos na família. Ignorei-os e aos seus motivos e buzinas.
Só mesmo quando as vi, em segurança, do outro lado da rua dali saí, com um sorriso e uma muito ligeira vénia para os automobilistas.
Não mo retribuíram, nem um nem outra. Mas também não o esperava.

Porque é que a fotografia não mostra esses carros todos? Tive que esperar uns bons dez minutos de câmara na mão para a conseguir fazer. Quando não, como mostraria que a passadeira lá está?

By me

Assimetrias




O termo que me vem à cabeça é lamentar. Mas seria sobranceira da minha parte dizer que os lamento.
O correcto será dizer “Eu não seria capaz!”
Todos os dias fazer os mesmos trajectos, todos os dias vestir a mesma roupa, igual à de todos os outros, todos os dias ser um anónimo na multidão.
Não que eu procure protagonismo. Enfim, creio que não mais que todos os demais.
Mas ser mais uma formiguinha no carreiro, um número em muitos ficheiros, ter uma vida uniforme, igual e previsível todos os dias…
Eu não seria capaz!
É das quebras das rotinas, nas assimetrias, por pequenas que sejam, no poder sair do carreiro se e quando me apetece que alimento a alma.
Que quando a alma passa fome, o corpo bem que pode morrer.

By me

Veterano




É uma daquelas sensações que qualquer fumador conhece de perto: o seu último cigarro.
Se for um fumador de longa data e dependente, terá uma de duas reacções: ou encolhe os ombros e diz: “Vou ali buscar mais”, ou diz: “Eh pah! Deixei-me apanhar! Malta, esperem aqui que vou ali buscar mais!”
Claro que se for mesmo um veterano olha para o último e diz: “Este é o último aqui. Tenho ali mais.”
E há também aquele código de honra entre fumadores, quando um pede um cigarro a outro e este lhe apresenta o maço ou a cigarreira contendo apenas um. Dirá o “crava”: “Eh pah! Já só tens um. Deixa estar, obrigado.” E quem oferece, se for um veterano e quiser mesmo oferecer, dirá: “Tira, que eu tenho mais.”
É assim, o último, tal como o primeiro, é sempre marcante. Cigarros ou outras coisas.

Por exemplo, não me recordo do meu primeiro dia de vida. Sei que foi marcante, sei que devo ter levado uma palmada e ter chorado (para me ir habituando), mas não me recordo dele.
Foi o meu primeiro dia de vida e não me recordo!
Agora este, hoje, dizem que será o último dia, que amanhã acaba tudo.
Tal como os cigarros, que sou veterano na arte de fumar, vou tratar que seja marcante. E dele aproveitar até à última fumaça.
Só que, tal como veterano fumador, também já sou um veterano de viver. E tenho em carteira uma boa reserva de dias ainda. E sei-o!
Vou tratar este dia como faço todos os outros: considerar que é o último e tirar dele o máximo proveito. Sabendo que amanhã farei o mesmo e melhor ainda.
E se acontecer neste último dia antes de todos os outros, alguém mo pedir, mostrar-lhe-ei a cigarreira, perdão, o calendário e direi: “Aproveita. Tenho mais.”

By me