sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sou enxertado em corno de cabra!


Não adianta o que possam dizer sobre o meu feitio. Faço e comporto-me porque o entendo e às opiniões dos demais pouca atenção dou.
No caso presente, refiro-me ao recusar-me a comprar ou usar produtos de origem francesa. A menos que seja a única solução e, mesmo assim, pondero-o seriamente.
Esta minha atitude advém do facto de a França ter, em 1995, testado o seu arsenal nuclear, à revelia da opinião dos seus parceiros políticos e militares, e antes de assinar um tratado de não proliferação de armas nucleares.
Bem pior que isso, foi fazê-lo no Pacífico, no quintal dos outros, por lá deixando os resíduos dos testes, no subsolo e nas águas.
A decisão de o fazer mereceu o apoio da maioria da população francesa, que não me recordo de ter ouvido ou lido protestos de maior. O que torna este acto, mais que uma decisão de um governo, uma decisão do país no seu todo.
O meu protesto, de então até agora, não impediu o acto. Mas impede, certamente, que os que o fizeram lucrem com o meu consumo, seja de que tipo de bens for. E, em podendo, faço disso alarde, tentando que os meus concidadãos me sigam as pegadas.

Lamentavelmente, os motivos para não consumir produtos franceses não param de aumentar.
A recente decisão, e sua concretização, de expulsar os ciganos Romenos e Búlgaros de solo francês, apenas reforça a aversão que tenho ao país e aos seus naturais.
É que, e para além dos tratamento discricionário para com uma minoria étnica (imperdoável em qualquer circunstância), esta atitude acontece agora com a crise económica, com o constatar que a França não cumprirá os acordos tidos para com a EU, como aliás não tem cumprido e inconsequentemente, como ainda acontece numa altura em que o desemprego grassa por toda a Europa, França incluída.
E se, tempos houve em que a mão-de-obra barata e não qualificada eram bem-vinda e em que todos os emigrantes eram bem recebidos, formal ou informalmente, acantonados em “Bidonville”, agora que os postos de trabalho escasseiam, há que correr com os que, eventualmente, podem competir com o nacionais por um salário qualquer.
Claro que, na sua maioria, os ciganos não iriam trabalhar de trolhas ou estivadores ou na apanha do tomate ou quejando.
Mas esta atitude governamental, com o apoio da sociedade francesa, serve de placebo pseudo-paliativo para a crise de emprego, fomentando as exclusões por nacionalidades ou etnias, em prol dos nativos.
E se a revolução francesa, com o seu mote “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”, criou um novo e belo rumo para o mundo ocidental, a França pouco tem feito, neste último quartel, para honrar a sua história. Bem pelo contrário.
E enquanto me lembrar do que vai fazendo, não compro produtos com essa origem. E divulgo-o!
Digam o que disserem os demais, que eu sou enxertado em corno de cabra!


Texto e imagem: by me

2 comentários:

Pedrocas disse...

Compreendo que seja uma atitude reprovável esta do governo francês para algumas pessoas, mas por outro lado é uma atitude lógica, tendo em conta que os elementos expulsos encontravam-se de forma ilegal no país, não contribuindo para o seu desenvolvimento, nem sequer para a sociedade em geral. Tomara que Portugal tivesse metade da coragem francesa para executar também uma limpeza semelhante, decerto veriamos a taxa de criminalidade baixar, de facto. Porque imigrante que se encontre ilegal num qualquer país, que outra fonte de rendimento poderá ter senão a do furto e roubo?

JC Duarte disse...

A essa pergunta com que termina o seu comentário saberão dar resposta os muitos milhares de portugueses que, no seu tempo, daqui saíram ilegais e que aos seus destinos chegaram e ficaram ilegais por muitos anos.
A menos que os considere também desonestos e criminosos.