sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Um oljhar - Caçador de troféus


Há algum tempo, passeava-me eu em plena Praça da Catalunha, Barcelona, e oiço gritar:
“JC! JC!”
Como, de acordo com o título de um livro que tenho algures por aí e de que até nem gosto, “Não há coincidências”, olhei em redor, que deveria ser comigo. Era!
Dois jovens atravessavam as faixas de rodagem por entre o denso tráfego, e corriam para mim. E, à medida que se aproximavam, reconheci-os: dois ex-alunos.
Os abraços selaram o encontro e reafirmaram, se dúvidas existissem, que havíamos passado uns bons tempos, lá na escola.
E enquanto eu confessa estar ali apenas na condição de turista, ainda que desejasse ardentemente ali residir, contavam-me eles que tinham ido até lá por via de um estágio de fim de curso e tinham por lá ficado que haviam encontrado um bom e estável emprego. Viviam lá! Deixando-me radiante com a novidade. Ainda que um pouco invejoso, confesso.
Como este, vários têm sido os encontros, ao dos tempos, com gente que ajudei a aprenderem um ofício. Por acaso aquele de que gosto ou correlacionado.
Alguns de sucesso, outros com altos e baixos, que o mercado de trabalho está como se sabe e no audiovisual não está melhor.
Surpresa mesmo foi hoje!
Abordado à entrada de um centro comercial por umas mocinhas, num peditório daqueles de fim/inicio de mês e que recusei, uma delas pede-me que me deixe fazer-me uma fotografia com ela, que tinha gostado da minha barba. E eu, que gosto de desafios mas também de não perder oportunidades, propus-lhe uma troca: fazia-me ela a fotografia, fazia-lhe eu uma fotografia dos seus olhos. Que querem, caçador de troféus funciona assim!
Conversa vai, conversa vem, aproxima-se outra delas, que também fotografei, e uma terceira que, olhando para mim, me pergunta se eu não daria aulas. E na escola “TAL”.
Dúvidas que existissem, teriam desaparecido e acabámos por nos referenciar: tinha ela frequentado uma das minhas aulas, por pouco tempo, no último ano em que lá tinha trabalhado. E, lamentavelmente, não me recordava eu dela.
Lamentável ou talvez não, que ainda que fosse ela a estabelecer o contacto, não parecia particularmente contente de ter sido encontrada ali, num peditório para uma instituição de apoio a toxicodependentes.
Mas o mundo é o que é, com os seus altos e baixos. E não tive eu a coragem de lhe pedir para a fotografar agora, estando ela num baixo e com o passado comum tido.
Em alternativa, aqui ficam os olhos de uma das suas amigas!

Talvez após umas revoluções do globo, nos possamos encontrar de novo, desta feita estando ela num alto ou, pelo menos, num neutro. Nessa altura, quero fotografar os seus olhos, garantidamente.
Que caçador de troféus não perde oportunidade. Pelo menos a maioria delas!


Texto e imagem: by me

On photography - Escalpelizando uma fotografia


Fotografar é fácil! Basta que a câmara funcione, que o assunto esteja lá, que apontemos e primamos o botão! Tão simples quanto isto!
Tudo o resto que envolve a fotografia são complicações levantadas pelos fotógrafos ou, vistas as coisas de outra maneira, são soluções para resolver questões complicadas.
No caso da fotografia em análise, a questão levantou-se desde logo porque só existia metade do assunto a fotografar: a boneca. Faltava tudo o resto que a envolvesse e, conjugado com isso, quanto da boneca se iria mostrar.
Quando pus o olho nela o que me sobressaiu foram os olhos e a existência de feições trabalhadas, com rugas e covinhas. O resto do corpo, assumidamente de bebé, é interessante mas pouco apelativo.
Mas faltava o que a cercasse. E isto dependia daquilo que eu quisesse contar ou mostrar com a fotografia.
Mas quando, ontem de manhã no café, escrevi o texto que a acompanha, tudo se tornou bem simples. Estaria a falar da prática ancestral e horrenda da mutilação genital feminina, em África e no Médio Oriente, pelo que teria que deixar (à boneca) sozinha e indefesa. Fundo liso, negro, pesado.
A partir daqui, foi pôr a câmara e tudo o resto a trabalhar.
Fixei-a com um “Magic arm” da Manfrotto, mas poderia tê-la amarrado às costas de uma cadeira, por exemplo, que o efeito seria o mesmo.
Atrás dela, a um metro, mais coisa menos coisa, coloquei uma cartolina preta. Esta não ficou perpendicular ao eixo de visão ou objectiva, mas antes um pouco enviusada. Isto porque, como fonte de luz, usei a janela, larga e tapada com um quebra-luz branco opalino, que me dá uma luz difusa muito bonita, com sombras visíveis mas não muito delineadas. Ao angular a cartolina, evitei que a luz nela incidisse directamente, indo assim garantir o negro profundo que queria.
Mas, olhando para o conjunto, sentia-se pouco a profundidade desejada. Boneca e fundo eram um só, sem relevo. A mão colava-se com a cara, a cabeça com a cartolina. Uma lâmpada de 150 W colocada por cima da cabeça resolveu o problema, tendo apenas o cuidado de que a sua luz não incidisse no fundo. Claro que isto tinha uma questão adicional: a diferença de cor na luz da janela para a lâmpada. Mas o tom quente que esta provocava dava-me o toque de inocência e fragilidade que eu pretendia.
Decidida e resolvida esta questão, fiz uma primeira imagem.
Propositadamente, coloquei-a um pouco à esquerda, olhando para a direita. Pondo-a a olhar para um futuro distante se atingível. Mas não gostei!
Era demasiado boneca, demasiado brinquedo, faltava-lhe o impacto que queria provocar em contraste com o texto. E perdia-se o olhar, aquele que me tinha chamada a atenção em primeiro lugar. Rodei-lhe o corpo, fi-la olhar directamente para a objectiva e para o observador. Bem centrada no enquadramento, apenas um pouquinho desequilibrado com o braço e mão que falam para quem vê.
E ali estava o que queria, uma ponte entre a inocência de uma simples boneca e as atrocidades do texto.
É que, afinal, fazer uma fotografia é muito fácil. Basta sabermos o que queremos contar!

Texto e imagem: by me

Bicas e sorrisos


O café que frequento, na rua onde moro, abre muito cedo. Pelas 6.30 da madrugada. Não apenas para fornecer a dose matutina de café a quem sai para o trabalho como para vender o pão que irá cobrir as mesas de muitos pequenos-almoços da vizinhança.
Sendo que encerra pelas 22.30, tem dois turnos de trabalho, tanto na zona de fabrico como na de atendimento ao público. E se o primeiro é assegurado pelos donos do estabelecimento, atrás do balcão as caras vão mudando. Pela efemeridade dos contratos, pelos baixos salários e por outros motivos. Um destes “outros motivos” toca-me de perto.
No turno da tarde entrou, faz algum tempo, uma moça. Com ar rústico, quase campesino, consigo imagina-la atrás de um balcão de madeira, numa venda de aldeia. As suas formas opulentas, o carrapito na cabeça, a pintura demasiado forçada que usa na cara não são, definitivamente, típicos da zona da grande Lisboa.
Mas nada disto me afectaria – nem ao normal funcionamento do café – não fosse o seu relacionamento humano.
A forma como trata os clientes (um sorriso forçado para os homens, semblante fechado para as mulheres), uma atitude de desprezo para com as colegas que com ela fazem este turno e que pouco tempo lá estão (uma, duas semanas, por vezes apenas dias), o facto de atender todos como se de um grande e penoso favor se tratasse, o quase maltratar clientes que mostram simpatia ou um pouco mais de confiança para com colegas ou ex-colegas…
Num estabelecimento comercial não procuro que me saltem para o colo e me dêem beijos na boca (não seria mau, mas não o espero).
Mas não gosto de ser maltratado!
É por isso que, em calhando estar em casa de tarde e em sabendo que ela lá está a trabalhar, recorro a um dos outros cafés da rua. E, pela redução do movimento que neste constato de tarde, mais são os vizinhos que fazem o mesmo. E, pelas conversas de coscuvilhice que vou ouvindo aqui e ali, pelos mesmos motivos.
Lamentavelmente, parece que o seu relacionamento com um dos sócios (o do turno vespertino) fará com que por lá fique para sempre.
A minha sorte, no meio de toda esta conversa de “meter o nariz na vida dos outros”, só de manhã vou ao café para escrever. Ao fim da tarde, nem dou tempo a que a bica arrefeça na chávena. Nem azo a que me maltratem. Mas, em me apetecendo, opto pelo do lado. Que, assim como assim, pelo mesmo preço, tenho a bica e um sorriso. E este nem tem preço!

Texto e imagem: by me

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fruta da época


Já não sei quem mo contou, mas tenho-o por verdadeiro.
Entre o cérebro e o crânio existem várias membranas separadas entre si por fluidos. Serve este conjunto de protecção ao recheio da caixa craniana, evitando as pancadas que o cérebro pudesse fazer no osso, ao mesmo tempo que funciona como isolador térmico. Ao que parece, a massa cinzenta, para além de energia eléctrica, também usa energia térmica, e esta tem que estar bem dentro de parâmetros rigorosos.
Acontece que em havendo um golpe de calor ou frio na cabeça, provoca-se uma inflamação nessa protecção, originando uma produção extra dos ditos fluidos para regular a temperatura.
Mas sendo o crânio rijo e indeformável, este excesso de volume iria provocar compressões no cérebro, o que prejudicial como se imagina. Daí que os fluidos em excesso acabam por sair naturalmente por onde a natureza indicou: o nariz. Uma espécie de válvula de segurança.
A todo este processo chamamos nós de “constipação” e é a fruta da época que atravessamos.
Acontece que quando me constipo deixo de ter nariz. Este transforma-se em duas torneiras mal vedadas, sempre a pingar e, por vezes, em fio contínuo. A tal ponto que já não há força para fungar, o nariz fica hiper-sensivel de tanto assoar e os olhos, esses coitados, mirram e viram vermelho molhado. Uma lástima.
A isto acrescente-se que quem me cerca não fica particularmente satisfeito por ter perto de si um eterno fungão, aos espirros, muitos e fortes.
Em regra, trato a situação com medicamentos, que fazem o que têm a fazer dentro dos prazos previstos, ou seja, ao fim de alguns dias. Mas até lá, a coisa é complicada.
Pessoal, social e profissionalmente!
Imagine-se uma sequência romântica, e que o galã se ajoelha junto da sua amada e lhe faz a sua declaração de amor eterno. E que, junto com as palavras e suspiros que ambos proferem e deixam escapar, se ouve as fungadelas de um operador de câmara!
Talvez que um humorista pudesse pegar na ideia e fazer uma excelente cena cómica. Mas a vida real nem sempre é assim tão divertida!
Por mim, encontrei um expediente de recurso, como é apanágio dos portugueses:
Enquanto os medicamentos não fazem o seu efeito, mantenho-me a fungar e assoar durante as preparações técnicas e ensaios. No momento das gravações, entupo as narinas com dois valentes pedaços de algodão, servindo de tampão ao que de lá saia.
Não é cómodo nem bonito de se ver, mas o público fica na ignorância de haver um técnico com uma valente constipação.

Texto e imagem: by me

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Demagogia


No passado domingo foram detidos, numa povoação do interior do país, quatro cidadãos. No âmbito da mesma operação policial, foram apreendidas muitas armas, entre espingardas, pistolas e revólveres, bem como milhares de munições.
Tudo isto foi divulgado pelos rádios, jornais e TVS. Mas não se ficaram por aqui!
Das quatro pessoas detidas, souberam dizer de uma delas o nome, a idade e a profissão: padre. Dos outros três, nada constou. Nem nomes, nem idades nem ofícios. Poderiam ser agricultores, farmacêuticos, mecânicos ou arquitectos. Não sabemos!
O que sabemos, isso sim, é que em Portugal existem duas justiças: as definidas por lei e aplicas pelos juízes, com o apoio das forças policiais, e as definidas, executas e julgadas pelos media. Que, para os órgãos de comunicação, os cidadãos não são todos iguais, sendo julgados e condenados em função dos critérios arbitrários de editores e directores.
Pois que, ao darem relevância a um dos quatro detidos, omitindo tudo sobre os restantes, estão a julgar e condenar este, deixando em “liberdade”, porque no esquecimento, os restantes.
Aliás, confrontado um decisor de informação com a situação, foi-me respondido que o que é notícia é ter sido um padre e que os outros não contam (sic).
Assim vai a justiça em Portugal, a dos tribunais e a da praça pública e media.

Para este caso, tenho dois nomes feios para os classificar: “Demagogia” e “manipulação de informação”!

Texto: by me
Imagem: edit by me

Felicidade


O ser humano precisa de se afirmar no grupo a que pertence. Pelo que é e pelo que faz.
E um retrato, um registo para a posteridade, feito formalmente ou em tom de brincadeira, é uma forma de afirmação, objecto de observação e critica cerrada por parte do retratado.
Curioso é de observar que se manifesta ou critica sobre o que é ou o que faz expresso em retrato. E são dois grupos, manifestamente distintos. A fronteira fica algures na casa dos quarentas anos de idade, nuns casos mais acima, noutros mais abaixo.
No grupo dos mais novos, o que é observado e/ou criticado é aquilo que faz.
As poses, as expressões, as posições corporais, os relacionamentos com outros retratados.
O eventual – ou frequente – desagrado não se manifesta sob a forma de “não gosto” ou “fiquei mal”, mas antes pela ironia, pelos comentários jocosos, pela auto-critica. Frequentemente, com o menosprezo da sua própria aparência e uma crítica acutilante sobre os demais no grupo retratado.
Para estes, o que é importante num retrato não é o que são mas antes o que fazem e como o fazem.
Por seu lado, os pertencentes ao grupo mais velho preocupam-se francamente mais com o que são ou aparentam ser.
As manifestações de idade constatáveis pelo peso ou volume, pela posição do esqueleto, pela cor da pelagem ou pelas rugas são os factores que mais procuram ver num retrato, numa tentativa inútil de constatar que não parecem ser o que são. Que os olhos dos outros não vejam aquilo que sabem ser.
Estou em crer que a felicidade passa por uma são convivência com o “Eu” físico, tentando melhora-lo se se o entender, mas não o negando ou repudiando.
E, acima de tudo, não ligando a mínima à opinião que os outros possam ter sobre si mesmo. Ao vivo ou no papel.


Texto e imagem: by me

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Trocadilhos


Criar uma conversa simpática e divertida não é difícil. Bem pelo contrário!
Uma das minhas fórmulas é simples: negue-se, a um interlocutor desconhecido, uma afirmação por ele proferida e por ele sabida como certa e inquestionável!
Lá no meu “Oldfashion”, já estou habituado a usá-las e uma delas é a que se segue:
Se me afirma que tem lá em casa uma fotografia tirada, em tempos recuados, por uma câmara como a minha, afirmo que não tem. O olhar espantado é garantido e a insistência também. Eu mantenho a minha, chegando ao ponto, se a conversa o permite, de apostar o meu salário de um ano inteiro contra o que ele ou ela tiver na carteira na altura. Ainda ninguém aceitou a aposta, mas todos querem saber como posso ter tamanha certeza.
E é a minha vez de responder, com um sorriso maroto, que ninguém lhe tirou aquela fotografia, pois, caso contrário, já não a teria. Mas que lha terão feito e que a tenha em casa, não duvido.
Sorrisos, por vezes mesmo gargalhadas, um pedido de que me não levem a mal, pois que gosto de brincar com as pessoas, e o gelo está quebrado. Em 75% dos casos, faço mais uma imagem para o meu projecto.
Desta feita, a coisa foi diferente!
Tinha comprado o que se vê na imagem numa barraca de suposto artesanato africano. Os motivos da compra não vêm agora ao caso, mas sempre posso adiantar que tenho várias caixas com objectos semelhantes.
Pois em chegando ao barzinho da estação, em Lisboa e no regresso a casa, pousei-o em cima do balcão para poder lidar com a chávena, a colher e o açúcar do café que me haveria de manter acordado na viagem.
A empregada que me atendeu olhou para ele e perguntou, espantada:
“Que raio é isto?”
A minha resposta foi curta e esclarecedora:
“Isso mesmo que está a pensar!”
Da outra esquina do balcão um dos três vigilantes que faziam uma pausa na sua ronda afirma:
“É um camelo!”
E logo outro começou a trautear o refrão de uma velha cantiga de um programa infantil de tempos distantes:
“O Areias / é um camelo / tem duas bossas / e muito pelo.”
Pois eu, segurando a chávena entre duas sopradelas de arrefecimento, retorqui placidamente:
“Não é, não!”
“Como não!?”, logo perguntaram “Talvez uma girafa, mas mais parece um camelo.”
Pousando a chávena, esclareci:
“Não é uma girafa, mas também não é um camelo, garanto. Sabe, o camelo tem duas bossas e este só tem uma. É um dromedário!”
O mais velho dos três vigilantes não perdeu a ocasião e alargou o âmbito da troca de opiniões:
“Pois olhe que ele há por aí muitos camelos, sem bossa nenhuma, mas com duas pernas!”
Generalizou-se a conversa, empregadas de um lado, vigilantes do outro, eu mesmo na outra ponta do balcão, bem como um casal, que entretanto tinha chegado e que se debatia com uns sumos não sei de quê, acompanhados com não sei já que bolos.
Quando saí, em busca da nicotina que completaria a cafeína, faziam-se comparações entre o reino animal e o bicho-homem, com burros, ursos, cabras, cobras, águias, mulas, leões e outros.
O incómodo do fim de dia e o ainda inabitual pôr-do-sol a desoras tinham ficado à porta e todos eles levavam mais uma historinha para contar em casa.
Tal como eu mesmo, bem como a satisfação extra de ter distribuído uma mão cheia de sorrisos, completamente de borla.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Aditivos e subtractivos


Não vou falar sobre a origem da gripe H1N1, que alguns afirmam não ser fruto de evolução natural mas de trabalho laboratorial e estrategicamente colocada entre os seres humanos para desviar as atenções de outros assuntos quentes e prementes.
Também não irei falar sobre as eventuais ligações perigosas entre o vírus a circular e o medicamento que o combate, que alguns dizem ser o passaporte para a fortuna colossal de alguns dos seus influentes donos.
Da mesma forma, não me debruçarei sobre aquilo que alguns afirmam estar contido, e escondido, nas vacinas desenvolvidas e de um eventual diabólico plano de contaminação com objectivos esconsos.
Também me escaparei a comentar o direito a não ser e a obrigação em se ser vacinado, com os conexos direitos e obrigações do indivíduo e do colectivo.
Agarrarei, antes sim, uma questão pequenina mas importante que tem acontecido por cá, em Portugal.
Com anúncios em tudo quanto é media, começa hoje a ser ministrada a primeira leva de vacinas contra a gripe A. E, sendo certo que não seria possível dispor de vacinas para todos os cidadãos ao mesmo tempo, foi definido pelas autoridades com poder para tal, o grau de prioridades e quem seriam os primeiros a recebê-la. Quais os grupos de risco, que incluem portadores de doença crónica do foro respiratório e grávidas de risco, bem como técnicos de saúde.
Em tudo quanto é sitio se vem falando disto e desta forma. Mas só se fala que os políticos no poder fazem parte deste grupo prioritário a vacinar por que alguns decidiram prestar declarações, tanto aceitando como recusando serem vacinados.
Este grupo, que não de risco mas considerado prioritário, está definido como tal desde que foram definidas as prioridades, logo no início da crise, assim que se soube haver vacinas e que houve a necessidade de criar prioridades. E sobre tal, os media não se têm pronunciado de livre vontade. Quase que se poderia afirmar que os órgãos de comunicação social têm feito o possível para esconder a existência deste grupo do conhecimento da população em geral.
Indo mais longe, confrontados que foram alguns decisores da informação sobre o assunto, ainda antes de os políticos afirmarem querer ou não receber a vacina, recebi por resposta sorrisos amarelos, afirmações evasivas e ausência de consequências.
Correndo o risco de alimentar a chamada “teoria da conspiração”, será que houve instruções específicas aos media para tal comportamento? E vindo de quem?
E se isto acontece agora, o que acontecerá se ou quando os centros de saúde e morgues estiverem entupidos de utentes, com esta ou outra qualquer pandemia, real ou não? Talvez o mesmo que aconteceu com as coberturas noticiosas sobre incêndios florestais em Portugal!
Sugiro que se comparem os dados estatísticos oficiais sobre incêndios do ano em curso e anteriores. E que se comparem os tempos de antena e área de paginação que lhe foram dados, este anos e nos anteriores.
É que os aditivos e adoçantes não acontecem apenas naquilo que ingerimos pela boca!


Texto e imagem: by me

domingo, 25 de outubro de 2009

Três gerações, três continentes


Chegaram, mãe filho, este ao colo dela. Aliás, teria que ser assim se para trajectos maiores, que o pirralho era tão piquinino que o seu andar pouco mais era que pôr um pé à frente do outro para não cair.
Falámos um pouco e fizemos a fotografia. E quedámo-nos na conversa, mesmo depois da função terminada.
O pequenote, esse, é que pouco se interessou no que dizíamos. Partiu para descobrir novos mundos, na imensidão de uns dez metros em redor. E, sendo o seu caminhar o que era, cedo caiu.
À distancia a que estava, a mãe constatou que nada de grave acontecera. Tal como eu. O minorca, estendido ao comprido, de barriga para baixo, olhou em redor, sem choro ou beicinho, verificou a proximidade da mãe e lá se levantou para mais uma caminhada. Que acabou em queda de igual gravidade.
Afinal, é assim que aprendemos a caminhar, caindo, levantando-nos e continuando. E aprendendo como usar o que temos e onde e como pôr os pés.
A sua inexperiência era tal que, passado pouco, ei-lo de novo no chão.
A mãe, estrategicamente colocada na nossa conversa, ia verificando o resultado das quedas, ao mesmo tempo que se certificava que o seu trajecto não coincidia com o das bicicletas, shates ou patins que por ali pululam. Estava tudo controlado e tranquilo.
Quem assim não pensou foi uma velhinha, com ar de avó tremida mas extremosa, que à terceira queda do aprendiz de caminhante, achou que era demais.
Levantou-se do seu banco de jardim e, com uma dificuldade em caminhar equivalente à da criança, abeirou-se dele e levantou-o do chão. Regresando de seguida ao seu lugar sentado, não fora ser este selvaticamente ocupado por algum dos muitos outros idosos do jardim.
Pouquinho tempo depois, a cena repete-se: o pimpolho cai, a velhinha levanta-se e levanta-o e regressa ao seu repouso. Tudo sob o olhar vigilante da mãe, que ia cavaqueando comigo, à beira da minha câmara e tripé.
À terceira a coisa foi diferente: Depois de levantar o pequeno, que continuava sorridente como sempre, caminhou para nós com ele segurando-lhe o dedo. E a sua expressão advertia das advertências que haveria de dar à mãe “descuidada”.
Nada ouvi, que se encontraram a meio caminho, com troca de dedo agarrado. Trocado por calças, à altura dos joelhos, quando regressaram para junto de mim.
Com um sorriso, disse-me ela que este era um dos motivos para gostar do Jardim da Estrela: Fora aqui que ele dera o seu primeiro passo e era aqui que estava a aprender a andar. Bonito de ouvir!
Como que inspirado na conversa, o rapazinho afastou-se caminhando, de novo em direcção ao local onde a boa da velhinha continuava sentada. E a mãe, continuando a sorrir e fazendo contrastar o tom dos dentes com o da pele, acrescenta: “É melhor ir busca-lo antes que ela venha cá de novo!”
E foi, regressando ele ao colo e com a mãozinha esticada para a pelagem branca que me cresce no queixo e cara.
Quando, passado um pouco, se foram de vez, fiquei pensando que, na verdade, a melhor forma de aprender é ir caindo até aprender a coisa. E aproveitar a pequenez da altura para que as quedas sejam pequenas e pouco dolorosas.
Acontece, porém, que há sempre uma avozinha, cheia de boas intenções, que se intromete e tenta mudar o curso natural da vida. E que, ou bem que já se esqueceram que foram crianças e mães, ou bem que mais nada lhes resta fazer que interferir na vida dos outros, queiram ou não eles que isso aconteça.

E quem é que está na imagem? Pela certa que não se esperaria que eu aqui mostrasse os intervenientes neste episódio em torno do meu “Oldfashion”!
Em alternativa mostro este retrato. Que em comum com a estória apenas tem o local onde foi feito e minha câmara de madeira. Que a estória falou de três gerações e aqui mostro a Ana, vinda de um terceiro continente.
É que o Jardim da Estrela é assim como que um centro do mundo, onde de tudo acontece e onde de tudo converge.


Texto e imagem: by me

Um olhar




By me

Photography is...


When light gets our attention!
And when we are able to hold our pocket camera and the umbrella at the same time. Or not!

By me

Um retrato - Sofia


sábado, 24 de outubro de 2009

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A prática da arte


“…
A arte é uma fonte de conhecimento, tal como a ciência, a filosofia, etc., e a grande luta empreendida pelo homem para ir ajustando a sua concepção da realidade – que é o que o enaltece e torna livre - não pode prosperar se se manipularem ideias que já foram concebidas e realizadas anteriormente. As formas caducas não podem conduzir a ideias actuais. Se as formas não forem capazes de ferir a sociedade que as recebe, de a irritarem, de a impelirem à meditação, de fazerem com que ela veja que está atrasada, se não estiverem em ruptura, então não são uma autêntica obra de arte. Perante uma verdadeira obra de arte, o espectador deve sentir-se obrigado a fazer um exame de consciência e a por em dia as suas velhas concepções. O artista deve fazer com que ele compreenda que o seu mundo era estreito, e deve abrir-lhe novas perspectivas. Isto é: deve levar a cabo uma autêntica obra humanista.
Quando o grande público encontra plena satisfação em determinadas formas artísticas, é porque essas formas já perderam toda a sua virulência.
Onde não houver verdadeiro impacto, não haverá obra de arte. Quando a forma artística não é capaz de provocar o desconcerto no espírito do espectador e não o obriga a mudar de forma de pensar, não é actual.”


Texto: by Antoni Tàpies (Barcelona, 1923 - ), in “A prática da arte”
Imagem: By Rita Castro, Lisboa

Sem comentários!


Bancos querem ser pagos pelos impostos que cobram em nome do Estado
Na habitual carta que envia todos os anos ao governo antes da elaboração do Orçamento do Estado, a Associação Portuguesa de Bancos (APB) já enviou a sua lista de sugestões para o Orçamento de 2010. Este ano, na lista de pedidos apresentados, a APB reclama para os bancos o pagamento de uma contribuição em troca dos impostos que o sector liquida e cobra em nome do Estado.
A notícia é avançada pela edição do Jornal de Negócios de hoje, destacando o jornal que a lista da APB, liderada por António de Sousa, tem 24 sugestões dadas ao Governo. O principal pedido refere-se ao pagamento do serviço de liquidação e cobrança de impostos que os bancos fazem em nome do Estado. Em causa está, por exemplo, a retenção de IRS que é feita sobre os juros dos depósitos que os bancos liquidam aos seus clientes e entregam ao Estado…
Na proposta enviada ao ministro Fernando Teixeira dos Santos, a APB, escreve o Jornal de Negócios, justifica-se pelo facto de “as instituições financeira, pilares incontornáveis na transferência de grandes fluxos monetários, terem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no fornecimento das informações legalmente exigíveis”. Por isso, deve ser “analisada e introduzida uma compensação das instituições financeiras em face dos custos gerados pela retenção e liquidação dos mais diversos impostos e, bem assim, o cumprimento de todas as obrigações acessórias”.


Texto: in Público.pt
Imagem: by me

The dog!


During these more than three years of my “Oldfashion Project”, (here or here) I’ve being able to photograph all kinds of persons: from judges and ambassadors to beggars and garbage collectors, from famous writers and singers to anonymous clerks and bartenders, from just born babies to over 90 years old. The park is as rich of life as that and even more.
But the oddest picture I was asked to do is this one: not the owner and the dog but jut the dog!
Of course it would be better if he would stand a bit on the left or closer; of course it would be better if the sun would hit it to create a nice back light; of course it would be better if I’ve used a lower perspective; o course it would be better if…
But photographing with a fake old camera, a kind of view camera, with no viewfinder but my head in it, shooting standing beside it and with a cable release, having over than a second of delay, is not easy. Even worse if the subject is a young dog, with lots of other dogs hanging around with their owners.
Never the less, the owner liked it, so did I and I hope the same happened with the model.
Thank you, Oscar, for your patience!

Texto e imagem: by me

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sleeping beauty


Pingas


Escolha-se uma tarde em que a água no chão indique que choveu bem e as nuvens no céu avisem de mais chuva a caminho.
Encontre-se uma poça de água protegida do pouco vento que possa existir, com a superfície quieta como um espelho.
Aguarde-se por uma altura em que as pingas que caem do céu sejam escassas, daquelas que nem nos importamos que seja em cima de nós.
Junte-se a tudo isto a necessidade de ocupar o tempo até à chegada do autocarro que nos levará até à monotonia do trabalho diário.
E observe-se com atenção a poça, tentando saber se haverá algum pingo de chuva que caia no exacto local onde caiu alguma anteriormente.
Não sei o que afirmam as teorias das probabilidades. Mas, nos quinze minutos que me entretive com isto, não encontrei uma repetição que fosse.
Mas também não acredito que os restantes que comigo partilhavam a paragem e a espera contem encontrar tão cedo outro excêntrico que passe tanto tempo a olhar para uma poça de chuva e que, com o autocarro já à vista, faça algumas fotografias daquilo que via.


Texto e imagem: by me

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Rigores


- Oh pai? A água ferve a 90º?
- Não, filho, que disparate! A água ferve a 100º.
- Ah, pois… A 90º ferve o ângulo recto!

Piadas à parte, a verdade é que quantificamos tudo na vida. Pesos, volumes, distâncias, temperaturas, energias, tempo… Ainda não quantificaram os afectos, mas creio que não faltará muito.
Com as artes e as expressões pessoais, o mesmo se passa. Nas métricas, nos rimos, nas proporções, nos equilíbrios… As fórmulas algébricas definem à priori ou explicam à posteriori aquilo que apeteceu fazer, aquilo que o criador entendeu por bem materializar.
E estas quantificações impõem regras e normativos. Que, por um lado, definem e generalizam o conceito de qualidade e, por outro, padronizam técnicas e materiais usados por cada um para se exprimir. E tente-se lá encontrar uma tela redonda para pintar…
Com a fotografia sucede exactamente o mesmo!
Submergida que está à ditadura das normalizações dos fabricantes, é difícil a roçar a impossibilidade de se lhes fugir. E se fabricarmos nós mesmos os materiais (equipamento e consumíveis) é quase uma impossibilidade, as expressões de surpresa ou de desprezo por parte de quem atende o público ao lhe ser pedido um trabalho não normalizado acaba por ser hilariante, se não fosse trágico.
Tente-se mandar imprimir uma fotografia a partir de negativo ou de ficheiro digital que tenha, por exemplo, uma proporção de 1:7,5. Suspeito que só alguma lei recôndita e obscura que impede os empregados de balcão de rirem, inibe o ouvir-se uma valente gargalhada. E provocaria uma chamada de urgência para o hospício mais próximo que pedíssemos um enquadramento trapesoidal irregular.
O alfa-numérico das regras, leis e normalizações é tão castrante quanto um capador de porcos.
E o ângulo recto, com os seus 90º exactos, da esquadria do nosso enquadramento é a cereja no topo do bolo!

Texto e imagem: by me

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Jogos de poder


“Juro, por minha honra, cumprir com lealdade as funções que me são confiadas.”
Será esta a afirmação que ouviremos proferir, tantas vezes quantos os ministros e secretários de estado que tomarão posse para o próximo governo. Lerão de pé o texto contido no livro de termos, debruçar-se-ão sobre a mesa e assinarão no respectivo espaço.
Daí em diante serão formalmente ministros ou secretários de estado e, espera-se, cumprirão o juramento prestado.
Aquilo que podemos pôr em dúvida, e a experiência a isso nos conduz, é a que é que eles juram lealdade. Ao parlamento? Ao povo que votou? Ao partido a que pertencem? Ou a nada disto mas a outros interesses não confessos?
Infelizmente, as regras da democracia em Portugal não permitem esclarecer a que foram ou serão leais. Nem, caso o compromisso ali assumido não seja cumprido, penalizar quem infringiu o juramento.
Mas ministros e secretários de estado são escolhidos indirectamente pelo povo eleitor. Bem mais grave é o que acontece com os que se candidatam directamente perante os cidadãos.
Apresentam programas eleitorais, com conteúdos e promessas, constituem listas de pessoas a eleger e é nesse conjunto que cada eleitor vota.
Mas, passado o escrutínio, as promessas são ajustadas às circunstâncias, as decisões de cada eleito nem sempre são fieis ao proposto ao povo e, tão ou mais grave que isto, pessoas há que, constantes nas listas eleitorais, cedo quando não no primeiro dia renunciam ao mandato. Sem que nada lhes aconteça. Alguns, certamente, constam nas listas porque são figuras conhecidas, não tencionando, realmente, abandonar a sua vida pessoal ou profissional para cumprir o mandato recebido.
Mas sendo que não há nenhum juramento publico antes das eleições que vincule os candidatos, não se os poderão acusar formalmente de mentirem ou de atitudes desonestas.
Aconteceu que, este ano, vimos o despudor atingir graus extremos. Havendo três eleições distintas, gente houve que se candidatou a mais que uma. Nalguns casos, estando já eleita numa outra recente e parecendo querer abandonar o cargo para partir para outros voos, nem sempre em sintonia com o interesse colectivo dos eleitores.
É uma luta desavergonhada pelo poder, por vezes tão patente e explícita que faria corar de vergonha qualquer profissional da batota de um casino.
Ou transformando os pombos em meros animais irracionais!


Texto e imagem: by me

Ah pois é!


Portugal cai 14 posições no ranking da liberdade de imprensa
A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.
Apesar de classificar Portugal como estando “em boa situação” face à liberdade de imprensa, a organização internacional afirma ter-se verificado uma queda de 14 posições na lista dos mais respeitadores da liberdade de imprensa, passando a estar ao mesmo nível da Costa Rica e do Malí.
No ano passado, Portugal estava em 16º lugar, a par da Holanda, Lituânia e República Checa.
A Repórteres Sem Fronteiras alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de imprensa. “A Europa, que foi durante muito tempo um exemplo em matéria de respeito pela liberdade de imprensa”, recuou na lista, contabilizando apenas 15 países na lista dos 20 primeiros classificados, contra os habituais 18.


Texto: in Público.pt
Imagem: by me

Abandonados


Não se trata de nenhum fetiche ou quejando!
Apenas acho curioso a quantidade de sapatos, isolados ou aos pares (nem sempre irmanados) que podemos encontrar abandonados na rua, em particular nos bairros suburbanos como aquele em que vivo.
E, por vezes, fico a pensar as histórias e estórias que eles teriam para contar, os locais por onde andaram e, quem sabe, os pontapés que protagonizaram.


Texto e imagem: by me

Absurdos


E porque é que as máquinas são estúpidas? Porque não fazem perguntas, apenas apresentam respostas. Mas também porque nunca se enganam, apenas fazem aquilo para que foram construídas.
Numa noite que se sabia vir a ser chuvosa, bem chuvosa, os sistemas de rega trabalharam tal como programados e à hora certa. Apesar da queda de água dos céus, haveria que mandá-la de baixo para cima também, que assim estava montado o sistema automático.
Pergunto-me se a ideia seria, com o cloro da água canalizada, combater os ácidos, vindos das nuvens, que se acumulariam nas verdes folhas de relva.
Ou se, qual poliban a céu aberto, usar os repuxos de baixos com os repuxos de cima para limpar por completo a atmosfera.
Ou, ainda, se apenas houve um tosco que achou que as previsões meteorológicas não se concretizariam e foi para casa dormir com a consciência tranquila do dever cumprido.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

Uma rapidinha


A história conta-se em duas penadas:
Parou o carro onde o vedes, saiu dele e entrou na churrasqueira logo ao lado.
Fiquei quase possesso, já que se tivesse parado três metros mais à frente não incomodaria ninguém e nem sequer teria que andar mais.
Mal tive tempo de tirar a câmara do estojo do cinto e eis que regressa ao carro. Ainda fui a tempo de fazer um registo, à distancia que se constata. A matricula, essa, de tão longe que foi, que logo se afastou em marcha-atrás irregular, ficou de tal modo pequena e tremida que mal se aproveita.
Acredito, ainda que pouco, que se tratasse de uma emergência doméstica, que a situação aconteceu pouco depois do almoço. Talvez alguém em casa, a gritar desesperadamente com fome e que apenas um frango assado, encomendado pelo telefone para poupar tempo, amainasse os ânimos.
Mas eu sou ingénuo por natureza e acredito no pai natal, nas renas voadoras e nos prémios Nobel por antecipação.

Texto e imagem: by me

Photography is...


When light gets our attention!

Photography is...


When light gets our attention!

sábado, 17 de outubro de 2009

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Photography is...


When light gets our attention!
By me

Em luta


Pelo que me pareceu, a rapaziada que por ali andava tinha deitado para o chão aquele meio pastel de carne. Não sei se por não gostarem dele se porque carga de água. Mas ali ficou, com um comentário mental meu, que mais valia terem-no deitado no caixote, que disso por ali não falta.
Seja como for, os pombos acabaram por o ver e vieram por ele. Primeiro um, depois outro, depois aos pares e aos trios, acabaram por ali se juntar mais de uma vintena de pombos. Todos atraídos pelo meio pastel de carne, suculento e apetitoso.
Mas se eram muitos, poucos puderam descobrir a que sabia. Que desde cedo veio um pombo maior, corpulento e de penas rebrilhantes, que entendeu que aquilo lhe pertencia. E sua convicção era tal que mal conseguia dele comer, tal era a senha com que corria à bicada e assanhado com todos os outros que se aproximavam.
Estes, grandes e pequenos, machos e fêmeas, usavam de todas as artimanhas, desde chegarem-se em grupos até esperarem que ele se afastasse um nico, correndo com alguns, para virem pelas costas. Mas de nada servia, que ele a todos topava e a todos corria.
Incomodou-me! Afinal, ainda que fosse só meio pastel de carne, os seus sete a oito centímetros de comprido eram bastante mais do que caberia no seu papo e daria, pela certa, para partilhar com os restantes.
Avancei, de navalha aberta e, para espanto da garotada que por ali convivia, baixei-me e cortei o pastel em quatro, afastando as partes um pouco umas das outras. Daria para todos, pensei.
Como me enganava! No regresso de lavar a lâmina no chafariz do parque, dou com o tal matulão, bem no meio das partes no chão, a reclamar a sua posse em luta com os que se aproximavam. Tinha muito mais trabalho, que a área a cobrir era francamente maior, mas bicava a torto e a direito, sobre todos os que quisessem uma nica.
Fiquei francamente furioso. Afinal aquilo dava para todos! Em duas valentes passadas aproximei-me, enxotei todos em redor e, a pontapé, afastei francamente os restos mortais do pastel. Sempre queria ver como é que o valentão iria defender aquela área enorme. Não o fez!
Depois de ter andado de um para outro, apropriou-se do maior e defendeu-o com a mesma energia de sempre. Aos restantes acercaram-se os menos afoitos, mas ficaram confrontados com outros proprietários, de menor porte mas suficiente para defender aqueles pedaços menores. No lugar de um grande ditador, criaram-se quatro ditadores, cada um à medida do pedaço que defendia. Os mais pequenos, esses, acabaram por conseguir bicar apenas nas migalhas que saltavam para longe dos pedaços grandes. Até que tudo ficou consumido e limpinho, como se nunca ali tivesse estado. E partiram para outras paragens!

Para que não haja confusões nem erros de interpretação, deixo aqui uma imagem ilustrativa. Ficar-se-á assim com a certeza de que estou a falar de pombos num jardim e não de homens em torno de um lugar na política ou de um posto de chefia numa empresa.


Texto e imagem: by me

Um retrato - Sr. Jacinto


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Escatologia


A estrada de Benfica, em Lisboa, tem uns três mil metros, a olho.
Zona densamente habitada, parte do jardim zoológico até aos limites do concelho, passando por museus e igrejas, escolas e centros comerciais, bombeiros e cinemas, institutos e esquadras de polícia. Nos seus limites laterais estão um estádio de futebol, uma linha de caminho de ferro, um cemitério.
É uma zona com uma vida própria muito intensa e diversificada.
Ao longo desta estrada urbana, um grito mudo se repete pelas paredes, expresso na clandestinidade dos graffitis.
Esta interjeição escatológica, que anda na boca do povo quando algo corre mal ou a surpresa é intensa, é aqui semi-perpetuada até que as paredes sejam limpas, escrita entre a passagem do bófia e o cuscar do vizinho, fruto juvenil indiferente aos efeitos do spray no ozono.
Este protesto, que a nada se refere, estando apenas ali, protestando, exprime aquilo que sentimos, que pensamos, que por vezes dizemos. Sugere-nos aquilo de que não gostamos, aquilo que nos incomoda, aquilo queremos mesmo deitar fora, largar da mão, atirar pela janela!...
A mim, nestes tempos que correm, sugere-me a política e a campanha eleitoral que vimos acontecer.
Vimos acontecer e deixámos passar porque nos passa ao lado. Porque a porcaria que nela se constatou, a falta de originalidade em projectos de vida e de sociedade, a chicana e a baixeza com que se insultaram e denegriram, nos passa francamente ao lado, na quase certeza que vamos apenas ter mais do mesmo.
Com talvez outros protagonistas a fazer o mesmo.
A fazer aquilo que em letras grandes está pintado ao longo da estrada de Benfica.
MERDA!


Texto e imagem: by me

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Formação e diplomas


Ao longo dos anos, muitos têm sido os que se têm vindo a juntar ao grupo dos que fazem televisão. Novatos ou maçaricos, como eu próprio já fui ou, melhor ainda, como gosto de continuar a ser, procurando aprender a cada dia que passa.
À medida que vinham surgindo, as origens ou experiências que traziam iam variando:
De inicio eram nenhuma, que televisão não se fazia em nenhum outro lugar. Eventualmente vinham com conhecimentos e interesses no campos da fotografia ou do cinema. Mas, apoiados em cursos de formação ministrados na empresa e enquadrados pelos mais velhos, de alguma forma, e à medida das suas capacidades, acabavam por igualar os mais antigos e serem capazes de fazer qualquer trabalho.
Mas, com o passar dos tempos, foram surgindo escolas que proporcionavam cursos na área da televisão e audiovisual. Uma mais-valia para quem chegava: juntavam os conhecimentos práticos (reduzidos, como seria de esperar) aos teóricos e estéticos, bem mais difícil de ministrar em cursos de formação de poucas semanas. Acrescentando a isto, a prática com os mais experientes no trabalho e estavam criadas as condições para se obterem, em pouco tempo, bons profissionais.
Mas o tempo continuou a passar e os cursos privados nesta área foram aumentando. Mais escolas, mais alunos, mais professores, mais saídas profissionais, que o mercado aumentava, mais especializações. E o resultado foi bem o oposto do que seria de esperar.
Estes novatos vêm-se apresentado no mercado de trabalho menos bem preparados em termos teóricos que os que formados nos primeiros cursos. Pelo menos essa é a minha opinião, feita a partir de os receber à chegada e de os acompanhar durante os primeiros tempos de ofício. E de, durante algum tempo, ter leccionado em algumas dessas escolas.
Surpreendido com esta constatação, fui dando alguma margem de dúvida ao que pensava, supondo que, com a idade, eu mesmo estaria a ficar mais exigente ou menos tolerante para com os novatos.
O que me vem deixando apreensivo é o já ter ouvido alguns recém-formados por essas escolas o mesmo tipo de queixas: sentem-se mal preparados para ingressar no mercado de trabalho! Sabem manusear a ferramenta, o que produzem está dentro das expectativas, mas não sabem ou não entendem o porquê do que fazem. Em plena consonância com o que eu mesmo venho constatando.
E a questão põe-se no porquê disto.
Estarão essas mesmas escolas a baixar os seus padrões de qualidade e exigência, face ao aumento do número de estabelecimentos de ensino concorrentes? Será que os bons professores (ou competentes ajudantes de aprendizagem) se dividem por todos elas, fiando os lugares vagos ocupados por menos competentes? Será que, por haver mais escolas na matéria, haverá mais alunos a inscreverem-se, não por sentirem verdadeira vocação para a actividade, mas antes por ser uma alternativa ao ensino regular, onde nem sempre obtêm aproveitamento? Será que no negócio de “Eu cobro para ensinar, eu pago para aprender” o mais importante é a obtenção ou venda de um diploma, independentemente do mérito a que ele possa ou não corresponder?
Sejam quais forem as questões e as repostas sobre a questão, estas ou quaisquer outras, a verdade é que continuamos, e cada vez mais, a ter jovens a frequentar cursos e a, com isso, despenderem dinheiro e tempo, para com isso obterem um resultado que não é o expectável. Nem por parte deles, que o pagaram e gastaram, nem por parte dos empregadores, que acabam por ter técnicos menos bons nos seus quadros e a, ou investirem na sua formação, ou à menos qualidade não dar importância.
Pior que tudo isto é o eu acreditar que o que se passa no mundo da televisão e dos audiovisuais acontece em muitas, senão todas, as áreas do conhecimento e produção. E, com isto, criarmos uma sociedade diplomada mas incompetente.
E, consequentemente, uma sociedade estagnada e infeliz!


Texto e imagem: by me

terça-feira, 13 de outubro de 2009

domingo, 11 de outubro de 2009

Um olhar


By me

Finalmente alguém fala!


Coimbra, 10 Out (Lusa) - O Procurador Geral da República (PGR) afirmou hoje em Coimbra que na violação do segredo de justiça "não há inocentes", e que dela resultam graves atentados aos direitos fundamentais dos cidadãos.
Pinto Monteiro, que falava numa conferência no Curso de Direito da Comunicação na Universidade de Coimbra, considerou que da violação do segredo de justiça se "ferem direitos das crianças, das vítimas", e se faz a condenação de cidadãos.
Para Pinto Monteiro, o julgamento antecipado na comunicação social "é muitas vezes definitivo", porque os tempos da comunicação social e da realização da justiça são diferentes.


Texto: in Público.pt
Imagem: edit by me

Pequenos gestos


Nesta partilha do espaço público por carros e peões, o normal é ouvirem-se queixas destes acerca daqueles. E com bons motivos, que muitos são os automobilistas que não respeitam quem caminha, esquecendo-se que, fora do carro, também eles caminham.
Mas acontece que ter direitos implica ter responsabilidades e que estas passam pelo bom-senso e urbanidade.
Em aproximando-me de uma passadeira de peões não semoforizada, faço como toda a gente que tem amor à pele: olho para a esquerda para ver se algum carro se aproxima, a que distância e a que velocidade. Até porque, e como diz o outro, “Aqui jaz um que tinha prioridade”.
Se constato que se aproximam um ou dois carros, e já perto, dou um passo atrás e, se for caso disso, faço um gesto largo a ceder a passagem. Passando eu depois.
Aqueles dois, três, cinco segundos em que eu esperei mas em que nunhum carro foi obrigado a para subitamente, são bem menos incomodativos para mim, enquanto peão, que para o automobilista e a manobras que teria que fazer. E o sorriso e o gesto de agradecimento que, as mais das vezes, recebo em troca, pela certa que compensam o tempo que ali parei.
Claro está que, em iniciando a travessia, exijo a prioridade que tenho. E quem vier do outro lado, da direita, terá que parar, se for esse o caso. Primeiro porque o peão, ali, tem a tal prioridade; segundo, porque é perigoso, para carros e peões, que estes estejam parados na faixa de rodagem; terceiro; porque quem vem da direita teve tempo para me ver a atravessar e decidir o que fazer – passar antes de mim ou aguardar a minha passagem.
Dentro desta linha, aconteceu-me um episódio, há anos:
Caminhava eu com o meu sobrinho, na altura com uns 6 ou 7 anos, e, ao cruzarmos uma passadeira, perguntou-me ele porque agradecia eu quem nos dava passagem, se ali tínhamos a prioridade.
Respondi-lhe que o agradecimento fica sempre bem, mesmo que seja na sequência de um acto obrigatório. E que o automobilista, ao vê-lo, se sentiria bem e com vontade de continuar a dar a passagem nas passadeiras, obrigatório ou não.
Passados uns tempos, meses suponho, tenho a agradável surpresa de constatar que o meu sobrinho também agradecia ao ser-lhe dada a passagem na rua e na passadeira.
São pequenos gestos e conversas de bom relacionamento com os nossos concidadãos que nos podem melhorar a vida e provocar sorrisos. No caso deste episódio, foi mesmo um sorriso de orelha a orelha!


Texto e imagem: by me

Reflexão pré-eleitoral


Lamento ter plagiado o título de LISBOA SOS, mas não encontrei melhor.

By me

sábado, 10 de outubro de 2009

Light 1


Nothing much!
Just half an hour, walking around, in Sintra.

Light 2


Nothing much!
Just half an hour, walking around, in Sintra.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Guess what!


They do exist, I got one and here it is.
But I suppose that my luck was just not had any unlucky event until now.


By me

Raridades


Há anos que não vejo um dos de roda. Daqueles empurrados à mão e em que a roda grande, quase que de carroça, quando usada para o trabalho, é impelida por um pedal para dar movimento ao esmeril onde são afiadas tesoira e navalhas.
A única referencia que a esses encontrei, nos últimos tempos, foi o desenho tosco pintado numa tabuleta de uma loja do ramo, ali para os lados da Alameda.
Já vai sendo incomum encontra-los na versão seguinte: bicicleta. De quando em vez lá aparece um no meu bairro, mas rareia como freira em casino. Para quem quiser ver como são, encontrará uma semi-abandonada, algures num pátio, ali para os lados do bairro de Alvalade.
A versão corrente é motorizada. Na verdadeira acepção da palavra. Uma motorizada, em regra já velha, que transporta amolador, ferramentas e esmeril, este movido por uma correia de transmissão ligada à roda motriz. Menos esforço, mais rapidez e mais bairros suburbanos percorridos por dia.
Este que aqui vedes é original pela certa. Pelo menos ainda não havia visto este modelo, menos ainda com esta publicidade. Poderá não ser um clássico, mas é garantido que prende o olhar!
Mas, nos bairros que percorrerá, os clientes e as clientes não são chamados por aquilo que vêem mas antes por aqui que ouvem. A gaita do amola tesoiras e navalhas é única e a sua melodia tão típica como os velhos pregões da cidade. E, destes, já só restam os das castanhas assadas, agora já não nos velhos assadores de barros e embrulhadas nos jornais mas apenas nos anti-sépticos aço inox e folhas brancas e impolutas.
Durante anos procurei uma dessas gaitas. Primeiro por mera curiosidade, depois com a tenacidade do teimoso que sou. Corri todas as lojas de instrumentos musicais, as conhecidas e as que me foram indicadas. Fui a todas as lojas de brinquedos, grandes e pequenas. Calcorreei todas as feiras, citadinas ou saloias. Nada! Já não há, disseram-me. Só vendemos instrumentos afináveis, também ouvi. Coisa nenhuma!
Até que um dia, de conversa com um colega, ele me disse que tinha uma lá em casa, já velhota e meio partida. Logo lha pedi emprestada para, ao menos, a fotografar.
Uns quinze dias depois, ainda à espera da inspiração para a fotografar, passei pela feira da ladra. E não é que dou com uma, no meio de muita traquitana, mas em excelente estado? Claro que a comprei, após uma pequena disputa sobre o preço: dois euros e meio. E foi encostar em casa, junto com a outra, à espera de uma boa barrela e de inspiração, que ainda não sei como as abordar.
O que acaba por ter graça é que, algum tempo depois, pouco, dou com uma terceira. Numa feira de velharias e antiguidades (veja-se o meu sorriso amarelo ao dizer “antiguidades”). Conversa vai, conversa vem, e acabei por perguntar pelo preço. Não que, de facto, a quisesse comprar. Com duas em casa, esta só teria piada por ser de outras cores. Mas quando me pediram quinzes euros por ela, ri-me. A gaita era dele mas o dinheiro meu, pelo que ele ficou com ela e eu com ele.
Ainda um destes dias (convém que não demore muito) pegarei a sério nas que lá tenho em casa e as fotografarei. Bem como farei soar o pregão musical. Não que perceba eu algo de música, mas há-de sair afinado, pela certa.
Até lá, fiquem com uma peça rara do ofício de amola tesoira e navalhas. E remendador de tachos e guarda-chuvas.
Mas se tiverem mesmo urgência num destes serviços, sempre vos recomendo uma lojinha, ali na rua Francisco Sanches, a Arroios, Lisboa. Bom trabalho, simpatia e, de brinde, poderão vivenciar neste bairro antigo um ponto de encontro e cavaqueira de vizinhos e morada postal de quem, nas imediações, vive em quartos alugados. Um mimo, aquela loja.
Uma raridade, como este amola tesoiras e navalhas!


Texto e imagem: by me

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

What is it?


Does it matter?



By me

Um destes dias, por cá...


Reino Unido entra na era da vigilância 2.0

A cibervigilância feita pelos próprios cidadãos está a ganhar terreno no Reino Unido. Todos aqueles que queiram, a partir de casa, vigiar determinado local público (a partir das imagens recolhidas em directo por câmaras de segurança instaladas in loco) poderão ganhar cerca de mil euros por mês com esta actividade, que funciona através de um sistema de pontos. A era da videovigilância 2.0 parece estar a chegar ao país, que ameaça transformar-se num “paraíso de espiões”, acusam os críticos.
Uma empresa chamada Internet Eyes oferece aos seus clientes a possibilidade de alugarem câmaras de vigilância ligadas à Internet a um preço de 20 libras por câmara por semana.
Um aspirante a cibervigilante tem que começar por preencher uma ficha de inscrição online e depois o método é simples: os subscritores do serviço vão acumulando pontos pela actividade de vigilância. Quando vêem algo de suspeito (sempre atentos às imagens que vão fluindo em directo nos ecrãs dos seus computadores) têm de carregar num botão para enviar a imagem (com o respectivo descritivo do acontecimento) para os donos das câmaras.
Os utilizadores que detectem uma actividade suspeita, ganham um ponto. Se essa actividade resultar num crime real, os utilizadores ganham três pontos. E, nesta actividade, pontos equivalem a dinheiro.
De acordo com o The Times, esta empresa está a promover o serviço como um jogo online, estando até previsto que haja uma prova em rede, em Novembro, na localidade de Stratford-upon-Avon.
Esta iniciativa já recebeu inúmeras críticas. Grupos de apoio às liberdades civis asseguram que a iniciativa Internet Eyes poderá converter o Reino Unido num “paraíso de espiões”.
Charles Farrier, director do grupo No CCTV (que se poderá traduzir como “Não às emissões em circuito fechado”), qualificou a ideia de “terrível” em declarações à imprensa britânica. “Isto é algo que deve ser cortado pela raiz. Não só fomenta uma perigosa mentalidade de espionagem, mas também poderá fomentar perigosos abusos dos direitos civis”.
Tony Morgan, um dos responsáveis da empresa, assegura porém que o sistema oferece às empresas locais mais protecção, dissuadindo os delinquentes. “Isto poderia converter-se na melhor arma de prevenção de delitos que alguma vez existiu”, afirmou.
Estima-se que o Reino Unido tem cerca de 4,2 milhões de câmaras de vigilância espalhadas por locais públicos, o que equivale a um ratio de cerca de uma câmara para 14 pessoas.


Texto: in Publico.pt
Imagem: by me

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Rabisco photográphico


Será esta fotografia importante? Ou mesmo boa? Nem uma coisa nem outra!
Então, pergunto-me, por diabo a fiz?
Fi-la sabendo que não passaria de um rabisco photográphico, uma daquelas que fazemos porque apetece e nada mais. Pior: sabendo que não transmitiria a qualquer que a visse o que quer que fosse do que sentia na altura.
Esta photographia mais não é que um daqueles rabiscos que alguns fazem num papel, enquanto esperam que, do outro lado da linha, atendam o telefone ou termine aquele imenso “É só um minuto!”
Então, o que me levou a fotografar?
Depois de uma noite chuvosa, ventosa e que, a dar fé em notícias, nalguns lugares deu direito a desabamento de terras, foi uma madrugada de trabalho em que, à entrada para o subterrâneo que nos serve de estúdio, o negrume da noite era apenas cortado pelas luzes brancas ou amarelas da rua e do pátio e o seu reflexo nas nuvens que, baixas, corriam a boa velocidade.
Quando finalmente o programa terminou e consegui ver o sol, este brilhava intermitentemente por entre as nuvens que, mais altas agora, continuavam numa correria desenfreada. Tapa, destapa, tapa, destapa.
Nos intervalos destapados, tudo brilhava radioso, por receber todo o espectro de frequências. Até os sorrisos em redor alternavam, em sintonia, com o baço envolvente ou com brilho apetitoso.
Este é um destes momentos.
Poderia ter sido registado em qualquer outro dia solarengo, em que toda esta luz durasse muito mais que uns breves instantes. Mas não foi isso que aconteceu nem o que me apeteceu fazer.
Não passa de um rabisco que a luz escreveu na minha câmara, para minha satisfação momentânea.



Texto e imagem: by me

Outono


As coisas são como são!
Estava eu a preparar-me para trabalhar sobre o texto que se segue:

“… A seca meteorológica mantém-se em quase todo o território continental, sendo que 37% do território se encontrava em situação de seca moderada, 34% seca severa e 25% seca fraca. Apenas 4% se encontrava em situação de seca normal e chuva fraca.”

Eis senão quando, vindo da rua, oiço um barulho conhecido mas impensável. De início não queria acreditar, mas ele estava lá. A ponto de me ter levantado e ido à janela confirmar o que supunha. E de ter, acto contínuo, ido apanhar a roupa pendurada a secar.
Que chovia e ventava como mandam os bons manuais invernosos.
O Outono está aí, para quem tiver dúvidas. Esperemos que com água suficiente para inverter o relatório do Instituto de Meteorologia acima transcrito, referente ao mês de Agosto em Portugal.
Até porque, e para o complementar, o Instituto da Água diz-nos que:

“No último dia do mês de Setembro de 2009 e comparativamente ao último dia do mês anterior verificou-se uma descida no volume armazenado em todas as bacias hidrográficas monitorizadas.
Das 56 albufeiras monitorizadas, 2 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 21 têm disponibilidades inferiores a 40% do volume total.
Os armazenamentos de Setembro de 2009 por bacia hidrográfica apresentam-se inferiores às médias de armazenamento de Setembro (1990/91 a 2007/08), excepto para as bacias do Cávado/Ribeiras Costeiras, Tejo, Guadiana e Ribeiras do Algarve.”

E se juntarmos estes dois relatórios com o que nos vêm contando alguns municípios e as suas dificuldades em captar água do subsolo para consumo humano, precisamos mesmo que chova, por muito tempo.
Porque é que este tipo de informação não tem sido divulgada por governantes e media? Bem, não convirá avisar que a natureza está síncrona com a crise e com o desemprego e com a gripe e com a abstenção e com…

Texto e imagem: by me

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Em resposta


Alguém, num outro espaço da web, usou um verbo feio para o que consta por aqui: “Delatar”.
A expressão é pesada e recorda outros tempos e vivências, de má memória.
Mas também é sinónimo de “Denunciar” e “Participar”.
O objectivo deste blog é isso mesmo: denunciar, participar, delatar as situações em que os automobilistas atropelam os direitos de circulação segura dos peões.
Foi afirmado ainda, no mesmo local, que esta é uma questão de polícia e foi sugerido que se a deixe actuar.
Pois eu sugiro que se faça uma pequena experiência: Com um automóvel bloqueie-se um passeio, impedindo a passagem dos peões por ele. Ao mesmo tempo, bloqueie-se com um automóvel a saída de uma garagem particular. Em seguida, e ao mesmo tempo, telefone-se para a esquadra da PSP ou posto da GNR mais próximo e participem-se ambas as situações e peça-se a intervenção dos respectivos agentes. E verifique-se qual a situação que é atendida e qual a que é preterida.
As nossas autoridades seguem o exemplo do que afirmam os nossos políticos quando confrontados com a questão da mobilidade segura dos peões, ameaçada que está pelos automóveis: há que aumentar a fluidez do trânsito e a capacidade dos parques de estacionamento pagos. Por outras palavras (minhas), há que manter o negócio relacionado com o automóvel (vendas, combustível, assistência, manutenção de vias e outros serviços), deixando para segundo plano a mobilidade pedonal, com maior ou menor autonomia para tal.
Se os políticos, que criam as leis em nosso nome e as mandam aplicar, têm esta postura, que se pode esperar de quem as aplica, no caso as forças da ordem? Por vezes, nem mesmo quando confrontados cara a cara com as situações agem em defesa do peão.
No entanto, não nos podemos esquecer que os políticos, centrais ou autárquicos, ocupam o lugar que ocupam porque os cidadãos para tal os mandatam. Nem nos podemos esquecer que as forças da ordem são funcionários públicos ou, se preferirem, são funcionários ao serviço de todos os cidadãos. E se os mandatados e os funcionários não funcionam, resta aos mandadores e empregadores, os cidadãos, intervirem na sociedade, denunciando o que há de errado, tão alto quanto puderem, até que as situações sejam corrigidas. Quer se trate de os políticos cumprirem a vontade dos cidadãos, quer de os funcionários públicos satisfazerem as necessidades básicas dos cidadãos. Que, para além da segurança de bens, passa primeiramente pela segurança das pessoas.
E não creio que alguém tenha algum tipo de dúvida que, e para além de tudo o que diz a lei já existente, caminhar nas faixas de rodagem é atentar contra a própria segurança!
Donde a denúncia, a participação, a delação destes casos é, e para além de um grito de revolta, uma forma de tentar obrigar a que quem tem essa obrigação acautele a segurança dos cidadãos na via pública.



Texto: by me
Imagem: by me, Av. Gomes Pereira, Lisboa, 16/09/2009

Cavalo (cara) de pau


A notícia, lida num website, rezava assim:

“Faro, 03 Out (Lusa) - Um automóvel embateu sexta-feira à noite num cavalo à solta na Estrada Nacional 125-10, que da acesso à Praia de Faro, Algarve, e o acidente provocou dois feridos ligeiros, disse à agência Lusa fonte oficial.
Fonte do Comando Distrital de Operação de Socorros (CDOS) explicou que o alerta da ocorrência foi dado cerca das 20:00, altura em que um veículo ligeiro embateu "num cavalo que se encontrava na EN 125-10".
O acidente provocou dois feridos ligeiros que foram transportados para o Hospital Central de Faro.”

Nada encontrei sobre se o cavalo sobreviveu, se foi internado ou mesmo que tipo de ferimentos sofreu.
Mas não me espanta, já que os cavalos rareiam cada vez mais, em oposição às cavalgaduras, que superabundam.


Comentário: by me
Imagem: algures na web

One more lost shoe