domingo, 31 de maio de 2009

Viva quem faz!


Era uma festinha!
Com bonecos feitos com balões, castelo insuflável, prendas e lanche. Abrilhantado pelo “Sr. Lino”, que cantou Kuduro e Kizomba com letra adequada aos presentes. Talvez deva dizer, em rigor da palavra e do género, das presentes.
Que a festa era promovida pela organização “Ajuda de mãe”, entidade particular de apoio a jovens adolescentes, e adultas como me foi explicitado, mães solteiras. Com fortes dificuldades económicas ou sociais.
E o público era em consonância: mulheres de todas as idades e cores, algumas absurdamente novas, todas com crianças de colo ou pela mão. Alguns dos pequenotes com pouco mais que uns dias de vida. Aliás, e como comentou uma decana Caboverdiana com quem conversei, tão pequenos e novinhos que havia de que ter cuidado em não os pisar, espalhados que estavam pelas poucas cadeiras de plástico e pelo relvado contíguo.
Soube do que se passava porque o perguntei, abelhudo que sou. E quando, um pouco depois, um dos sócios do quiosque de gelados foi até lá, também movido pela curiosidade, lá lhe expliquei, acrescentando que era uma causa meritória.
Passada que foi uma meia hora, mais coisa, menos coisa, eis que vejo dirigir-se àquelas que pareciam ser as organizadoras a sócia do quiosque. Com um caixote de tamanho médio que segurava com ambas as mãos.
Falou o que tinha a falar, deixou o caixote e afastou-se. Com um sorriso para mim e a afirmação, a uns bons dez metros de distância: “A minha boa acção do dia!”
Não sei se tinha gelados (talvez não que o calor era muito e pouco durariam), se qualquer outra guloseima. Mas valeu a pena ver e saber que aconteceu. No Jardim da Estrela.
Viva quem faz e que possui estes olhos!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Think!


Para proteger a democracia?????


Eu sei que na lapela do meu colete anda este emblema.
E que ele é, na sua raiz, antagónico com o conceito de eleições ou mesmo de democracia.
Mas, tenho que admitir, uma coisa é o conceito de sociedade que gostaríamos de ter e pelo qual nos batemos, outra é aquilo que podemos conseguir em tempo útil de vida. E não creio que os meus netos, ou mesmo os seus netos, alguma vez possam chegar onde eu mesmo gostaria de chegar.
Donde, há que co-existir com a democracia e com as semi-liberdades que ela nos permite. Mas nunca permitir que ela, a democracia, regrida ou que as liberdades diminuam. Ou que as proibições e obrigações, por via de lei, cresçam e nos limitem na nossa condição de cidadãos.
Leio, na versão on-line do Público, o artigo que a seguir se transcreve. E assusto-me com o seu conteúdo, com a possibilidade de, uma vez mais, darmos uns valentes passos atrás no sentido das liberdades de consciência.
Quando a liberdade e a democracia passam a impostas e obrigatórias, deixam de o ser!


Para "proteger" a democracia
Carlos César defende voto obrigatório em Portugal
O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, defendeu hoje o voto obrigatório nas eleições em Portugal como forma de “proteger” a democracia e aumentar a responsabilidade dos políticos.
“Defendo o voto obrigatório porque, se a democracia não se proteger, quando precisarmos de autoridade democrática, ela será precária e, quando precisarmos de decidir, duvidaremos sempre da legitimidade das decisões”, afirmou Carlos César, num jantar realizado na Casa dos Açores em Winnipeg, no Canadá.
Para o presidente do executivo açoriano, também dirigente nacional do PS, esta questão “tem que ser resolvida de uma vez por todas”, defendendo que é necessário “ter a coragem de, democraticamente, defender a nossa democracia”.
No discurso que proferiu perante mais de 500 pessoas que se reuniram na Casa dos Açores nesta cidade canadiana, Carlos César considerou que “deve ser criado um movimento no país para que a obrigatoriedade do voto vigore, tenha protecção constitucional e legal”.
Para Carlos César, que também é membro do Conselho de Estado, desta forma “a democracia será revigorada, transmitindo transparência à vontade do povo português e maior responsabilização à acção dos políticos”.
No mesmo sentido, destacou a importância dos emigrantes açorianos participarem de forma cada vez mais activa na vida política dos seus países de residência. “Um açoriano, se for cidadão canadiano, não é menos cidadão açoriano. Até é mais. Não só é açoriano, como é canadiano, e isso é bom para os Açores, é bom para o Canadá e é bom para todos os cidadãos”, afirmou.
Carlos César tem hoje contactos com as autoridades políticas canadianas em Winnipeg, antes de viajar para Toronto, onde decorrem domingo as comemorações do Dia dos Açores.


Imagem e comentário: by me

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sobre gaffitis


Pessoas há que abominam os graffitis. Por mim, até lhes acho graça!
Por um lado, o acto de os fazer é um puro acto de rebeldia, de inconformismo. O fazer o proibido, às escondidas de quem fiscaliza ou se pode queixar, tem algo de romântico que me atrai, ainda que não os faça.
Por outro lado, uma cidade limpinha, sempre em consonância com o que os arquitectos desenharam e conceberam é demasiado certinha para o meu gosto. O escrever coisas nas paredes, ou nelas afixar coisas, faz da cidade um espaço vivido, com pulsação, em que os seus habitantes tratam de a moldar a seu gosto, que até pode ser discutível, mas que não tem que ser em exclusivo o que saiu das pranchetas e que tem o carimbo de “aprovado” do município.
Por outro lado ainda, prefiro que a questão da definição de territorialidade seja afirmada por escritos nas paredes, com tinta, a que seja com sangue, no empedrado da calçada durante uma rixa.
Por fim, os graffitis servem para pôr à prova a nossa imaginação de várias formas. Quer seja para tentar ler o que consta ali, quer seja para tentar descortinar quem e com que aspecto o fez. E, enquanto o fazemos, o tempo vai passando, sendo menos penoso o esperar pelo comboio, autocarro ou a hora do encontro.
Claro que mais pode ser dito em prol dos graffitis, nomeadamente o sentido de liberdade que os seus autores possuem ao ficarem indiferentes com o espaço disponível e usarem tão só aquele que querem. Esquecendo por completo os limites da superfície. Mal comparado, ou talvez não, talvez que só sejam compatíveis com os autores de graffitis os autores das pinturas e gravuras rupestres dos nossos antepassados pré-históricos.
Poluição visual urbana? Nem de perto nem de longe!


Texto e imagem: by me

Crise


A crise está de tal forma que já nem horas se dão: cada um que se organize!

By me


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma não notícia


A coisa aconteceu lá do outro lado do mundo. Tão lá do outro lado que os relógios diferem onze horas. Longe p’ra chuchu!
Pois lá desse lado, onde impera o Oceano Pacífico que de pacífico nada tem, a Terra sismou.
De magnitude 6,1, aconteceu a 270 Km a sul das ilhas Kermadec, a uma profundidade de 12000 metros, mais coisa, menos coisa. E 6,1 é obra!
É o suficiente para provocar bastantes danos numa cidade, com um número considerável de vítimas mortais. Para já não falar nos que ficam sem casa. Acontecimento digno de mobilizar os media do mundo inteiro, de pôr em marcha planos de ajuda humanitária bem como discursos de condolências dos altos dignitários.
Mas nada disso aconteceu! Aliás, não fora uma pequena notícia no Sapo on-line, que refere a agência Lusa, que cita uma agência sismológica Norte Americana, nem de tal teríamos conhecimento. De um sismo de grau 6,1!
E não vale a pena ficar-se de boca aberta perante esta omissão ou ausência de informação.
Este arquipélago é tão pequeno, mas tão pequeno mesmo, que é desabitado, excepção feita a uma das ilhas, onde existe uma estação de observação sísmica.
Não há mortos, não há feridos, não há danos materiais. Nem ajudas humanitárias ou políticos em movimento.
Logo, não há notícia. Simples!


Texto: by me
Imagem: edit from Google Earth

sábado, 23 de maio de 2009

Cenário


Volta e meia pergunto-me se o mais apaixonante no “Oldfashion” será quem fica à frente da objectiva se o cenário.


Texto e imagem: by me

Cidadão indignado


Estava eu, descansadinho da Silva com o meu artefacto no Jardim da Estrela, quando os vejo aproximar. Ela com vinte e poucos e com o microfone na mão, ele na casa dos trinta e com a câmara na mão.
Fui olhando com atenção, tentando, em vão, perceber para que empresa ou estação trabalhariam. Acabei por o saber, após lhes perguntar: Um canal de TV on-line, recente, com pouco mais de um mês de existência. E aproveitaram eles para me pedir se poderia responder as umas perguntas sobre os jardins de Lisboa. Claro!
Aliás, achei tal graça à situação, que acabei por puxar dos galões e falar-lhes do meu próprio ofício. De mestre para mestre, pensava eu, que a forma como manusearam as ferramentas me demonstrou bem o contrário. Mas, sendo que ninguém nasce ensinado, acabei, por no final, ainda lhes dar uma ou duas dicas que, penso eu, lhes terá facilitado e melhorado a função.
Em chegando a casa lá fui ver o tal canal on-line. Não tanto por mim, mas antes para perceber o que vai acontecendo neste suporte em língua portuguesa. E foi aí que fiquei incomodado. Muito incomodado mesmo!
Trata-se de um canal temático. Mas o seu tema é o apoio à candidatura à câmara de Lisboa de Pedro Santana Lopes. E nada me disseram sobre tal questão, quando me abordaram!
Não bastava a recente bronca com o PS e o “Magalhães”, há mais quem o faça e, pelo que vi na web, até nem será novidade: falar com os cidadãos e não lhes dizer que as suas palavras serão usadas em prol deste ou daquele projecto político. Concorde-se ou não com ele.
A grande vantagem da Internet é, sendo quase completamente acrata, não possuir limites aos seus conteúdos e utilizações. O problema são mesmo os abusos, neste e noutros sentidos. E um canal de vídeo on-line que só discretamente se identifica com uma campanha política não é, em meu entender, uma forma lisa, clara e honesta de o fazer. Eu diria que é bem o seu oposto.
Não creio que a CNE (Comissão Nacional de Eleições) ou a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação) concordem com estes métodos sub-reptícios e nada transparentes. Estou mesmo em crer que este canal on-line e a forma como recolhe depoimentos fere alguma ou algumas das demasiadas regras, normas ou leis que existem em Portugal.
Não sou munícipe de Lisboa. Mas, se o fosse trataria de dar voz bem alta a este caso junto dos eleitores, para que saibam os métodos por um dos candidatos empregue!


Texto: by me
Imagem: edit by me

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Da ignorância ao crime


A coisa aconteceu pelo pôr-do-sol, como não podia deixar de ser.
Na estação fluvial do Cais-do-Sodré, em Lisboa, vejo um vigilante da empresa Securitas com um escadote debaixo do braço. E fiquei curioso até porque, ao que sei, não fazem eles trabalhos de manutenção nas instalações que vigiam. Deixei-me ficar por ali.
E constato que, afinal, o escadote era para poder aceder aos pontos de amarração das guias das bandeiras que drapejavam nos três mastros. As amarrações estão bem altas, tão altas que só mesmo de escadote ou equivalente se lhes chega. Suponho que por via de brincadeiras ou vandalismos.
Põe-se o homem, diligentemente, a arrear a primeira, da União Europeia. No final, depois de solta e arremessada ao chão como se de um trapo velho se tratasse, enrolou as guias e amarrou-as de volta onde estavam. E tratou de encostar o escadote ao segundo poste, onde alteava a bandeira Nacional.
Há que dizer, neste ponto, que não dou nenhuma importância a essas coisas dos códigos e símbolos nacionais. Nem a esse disparate que é a existência de fronteiras e a posse de terra. Como se o Homem pudesse reclamar a posse de tal se, ainda ele era menos que amiba e ela já por cá andava. E ele não será mais que fosseis antigos e ela continuará a por cá estar.
No entanto, e apesar desta minha posição, se os códigos devem ser cumpridos, então que o sejam no todo e não apenas em parte, dependendo da vontade arbitrária de cada um ou consoante as circunstâncias e o grau de humor.
Assim, e no que toca a bandeiras, há duas regras absolutas e, suponho, universais: A bandeira Nacional não pode estar hasteada às escuras (daí o ser arreada ao pôr-do-sol) nem pode estar mais baixa ou ser descida, no seu próprio território, antes de qualquer outra hasteada no local. O Símbolo Nacional não pode ser menosprezado!
Assim, ao ver o vigilante preparar-se para arreara a bandeira Nacional antes da terceira, por sinal a da empresa de transportes fluviais, achei que deveria intervir pedagogicamente, falando com ele e explicando-lhe como as coisas se passam de acordo com a lei.
Ignorou-me por completo e continuou a tarefa. Insisti, lembrando-lhe mesmo que o que estava a fazer poderia ser considerado crime contra a pátria e, como tal, punível por lei.
Foi desabrido na resposta e continuou o que estava a fazer!
Aqui fiquei incomodado! Uma coisa é ignorar a lei, outra é deliberadamente infringi-la. E, tirando do saco o bloco de apontamentos e do bolso a caneta, pedi-lhe os dados de identificação constantes no cartão que, regulamentarmente, tinha pendurado no peito. Recusou-mos liminarmente e, perante a minha insistência, acrescentou que só os daria a um agente da autoridade.
Sei, de fonte segura e da prática, que já por cá ando há muitos anos, que não é assim. Mas como em nada adiantava discutir com ele, que o seu humor assemelhava-se ao de uma tarântula com crise hepática, afastei-me.
Dirigi-me ao interior da estação e pedi a um seu colega para falar com o chefe do terminal, ou com quem que o representasse. Meio a custo, lá consegui chegar-lhe à fala e explicar-lhe o sucedido.
Acto continuo e pelo rádio deles, perguntou ao vigilante em causa o que eu queria saber. Não o confirmei visualmente, mas não creio que me tenham mentido. Tal como não acredito que o nome e posto do meu interlocutor tenha sido inventado quando mo disse a pedido.
Tenho esses dados, e mais alguns complementares, anotados no meu bloco. E ainda não sei que destino lhes dar. Se os fazer chegar à empresa onde o vigilante trabalha e às forças de segurança ou se me fico com o susto que ele apanhou com a conversa que o chefe do terminal teve com ele à medida que me afastava.
Porque, ou bem que as regras são para serem cumpridas ou, em as sabendo, assuma-se a responsabilidade da sua infracção.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A santa veio a LIsboa

A imagem da Nossa Senhora de Fátima veio a Lisboa, cruzou o Tejo e foi dormir a Almada.
Esta é uma visão de quem não é crente e se preocupa mais com o Homem que com o Divino, o que quer que isso seja.



Descendo a cidade velha.

O povo à espera do outro lado do rio.

Olha a vela e o copo! Um euro!!!!!!!!!!!!!!!!!

Olha o lenço para dizer adeus à senhora de Fátima! Um euro!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Para vender os artigos piedosos, tudo se junta nestes momentos: coxos, anões, cegos, novos e novas, velhos e velhas.

Nos grandes ajuntamentos religiosos, para além dos vendilhões surgem também os vendedores da imagem da imagem, os média, com o seu circo tecnológico e as suas ligações directas a….

Lisboa é uma cidade bonita, de onde quer que a vejamos. Sendo que a estátua cruzou o rio em barco militar, o navio escola Sagres não poderia faltar.

O que me fez passar horas a fio em local privilegiado com mais de cinco quilos de equipamento foi isto: a frota de barcos dos crentes que não quiseram deixar de incorporar a procissão no Tejo. Admito que esperava mais e mais coloridos.

O que me fez passar horas a fio em local privilegiado com mais de cinco quilos de equipamento foi isto: a frota de barcos dos crentes que não quiseram deixar de incorporar a procissão no Tejo. Admito que esperava mais e mais coloridos.

Pertinente seria perguntar se alguma embarcação terá sido fiscalizada (meios de salvamento, licenças de navegação, etc.) ou se os bombeiros terão feitos alguma intervenção salvadora na água, à semelhança do que houve que fazer em terra, com os que se sentiram mal e tiveram que ser assistidos.

E o São Pedro foi dando uma ajudinha, com o seu tapa-destapa.

E o São Pedro foi dando uma ajudinha, com o seu tapa-destapa.

Os barcos de passageiros que cruzam o Tejo fizeram serviços especiais para acompanhar o evento.

A tradição não perdoa e há que dizer “adeus” à santa aquando da sua passagem. Nunca percebi bem este gesto e nunca entendi se é para desejar “boa viagem” se é para mostrar “estou aqui”.

A tradição não perdoa e há que dizer “adeus” à santa aquando da sua passagem. Nunca percebi bem este gesto e nunca entendi se é para desejar “boa viagem” se é para mostrar “estou aqui”.

Talvez o momento mais importante desta tarde:
Encontrar uma equipa de vídeo a trabalhar e constatar que, para além das duas que ali vi, todas as restantes pessoas que a tal se dedicam naquela empresa são mulheres. Cinco ao todo, entre os vinte e poucos e os trinta e poucos. O destino final é a web e, segundo me foi dito, todas são jornalistas encartadas.
Era tempo de as tradições latino-machistas se irem desvanecendo.
Parabéns a elas que o fazem e à Rádio Renascença que as contratou!


Digam o que disserem, a cidade de Lisboa é sempre bonita, seja a que horas for.

Um photógrapho, aproveitando os últimos raios de sol, depois do banho de religiosidade.

Texto e imagens: by me

sábado, 16 de maio de 2009

Uma questão de vocábulos


Em letras pequenas, sobre fundo amarelo, pode ler-se: “Com a presença de…”.
No meu tempo dizia-se “Abrilhantado com…”.
É mesmo uma questão de vocábulos, que o sentido é o mesmo. Ainda que, neste caso, se refira à imagem de Fátima e não a um grupo musical.
E cada um vai à festa de que gosta!


Texto e imagem: by me

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Da teoria à prática, de novo


Vou tornar a insistir na mesma tecla, por muito desafinada que possa parecer perante o diapasão do senso comum. Mais não é que uma opinião ou conjectura e não vai beber em nenhum movimento apocalíptico ou anti-ordem É apenas fruto da junção de meia dúzia de factos do conhecimento público. Como qualquer outra teoria, é argumentavel em seu favor ou contra.

Não creio que este vírus de gripe que ameaça o bicho homem tenha surgido casualmente.
Começando pela oportunidade temporal, acontece numa altura em que o comum do cidadão questiona seriamente o sistema económico vigente, pondo em causa bancos e governantes, empresas e organizações.
E todos sabemos que entre saúde e bem-estar e dinheiro e o que ele representa, a esmagadora maioria das pessoas preferem a primeira. “Haja saúde que o resto se verá!”
Pondere-se ainda a localização do foco inicial: o México. O local certo para ameaçar as sociedades do chamado “mundo ocidental”, já que se trata de um pólo turístico mundial, a preços relativamente acessíveis e com visitantes oriundos de todos os continentes. É assim fácil que uma doença altamente transmissível entre humanos se dissemine pelos quatro cantos do mundo. Ou fazer crer em tal.
Por outro lado o México, não sendo um país terceiro mundista, está logo ali ao lado do gigante USA, com as suas fronteiras permeáveis, como sabemos. Suficientemente perto para assustar o cidadão comum ali residente. E, se algo como uma pandemia atingisse os EUA, que pensariam os residentes noutros países?
Por outro lado ainda, que impacto teria nos media mundiais se tal vírus surgisse num país como o Butão, ou o Uruguai ou o Zaire? Ou ainda numa qualquer ilha do Pacífico? Países com pouco peso na economia mundial e com pouco tráfego transfronteiriço e, em regra, afastados dos media e do comum do cidadão.
Acrescente-se que, no México se tem vivido recentemente fortes perturbações sociais advindas da luta contra o narcotráfico e entre quem o quer dominar. As medidas tomadas para diminuir os eventuais contágios fizeram fechar o país e afastar as aglomerações de cidadãos, chegando mesmo a ser possível o tomar de medidas restritivas à livre circulação que, de outra forma, dificilmente seriam aceites.
Falta acrescentar aqui um ponto: o haver cientistas que defendem que este vírus não surgiu naturalmente, fruto de uma qualquer evolução natural, mas antes que é a consequência de trabalho de laboratório. Esta afirmação, bombástica diga-se, tem sido levada a sério por quem se preocupa com esta questão, tão levada a sério que está a ser investigada pela OMS e outros cientistas no mundo.

Entenda-se que, com a construção desta teoria, não estou a apontar o dedo a ninguém em particular. Ou a nenhuma organização maquiavélica em particular.
Mas, se por um lado, tenho dificuldade em aceitar coincidências incómodas, por outro não posso esquecer que o conceito de “terrorismo” não é exclusivo de movimentos como o IRA, a ETA, a Al Qaeda ou semelhantes. Nem tem que ser oriundo de organizações ditas ilegais e objecto de repressão por parte de governos.
Aliás, sabemos da história do ultimo século, que o terrorismo tem sido usado por diversas formas por diversos governos e organizações para a obtenção de resultados em estratégias globais ou locais. Lembre-se a questão do “espaço vital”, das faixas de segurança e das armas de destruição massiva. E de como estes conceitos permitiram e permitem ainda, de uma ou outra forma, controlar populações inteiras, nem sempre pelos meios mais pacíficos.

Espero, do fundo do coração, que esta teoria mais não seja que o fruto de uma imaginação fértil e que, a breve trecho, se constate estar completamente enganado. Mas, até agora, ainda nada me fez assim pensar!




Texto e imagem: by me

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Da teoria à prática


Dirão, quiçá com razão, que se trata da teoria da conspiração.
No entanto, sempre achei uma coincidência terrível o surgimento da chamada “Gripe A”, em tempos “Gripe suína”, numa altura em que se falava, e não de outra coisa, da crise mundial económica.
Como consequência desta gripe, deixou de se ouvir, ou quase, dos Lay-off, dos despedimentos, do encerramento de fábricas e das falências de bancos. Ou das quase falências de bancos, que os estados tudo têm feito, com o dinheiro dos contribuintes, para o evitar.
Vem agora esta notícia bem curiosa, de algum modo ao encontro da minha ideia. Espero estar enganado, mas ainda nada me convenceu do contrário.



“OMS investiga hipótese de vírus ter sido desenvolvido para testar nova vacina
Adrian Gibbs, de 75 anos, que colaborou nas pesquisas que conduziram ao antiviral Tamiflu, admitiu, em entrevista à Bloomberg, que pretende publicar hoje um relatório assinalando que a nova estirpe de vírus gripal pode ter sido, acidentalmente, resultado de um erro humano.
O H1N1 poderá ter surgido devido a experiências científicas com o intuito de desenvolver vírus que possam ser utilizados por laboratórios farmacêuticos na produção de vacinas.
Gibbs refere que chegou a esta conclusão ao traçar as origens do H1N1 através da análise do seu modelo genético.
A OMS recebeu, no fim-de-semana, o relatório com as conclusões do investigador e está analisá-lo, segundo o director-geral adjunto da organização, Keiji Fukuda, adianta o portal da Bloomberg.
Contudo, os Centros para a Prevenção e Controlo das Doenças dos Estados Unidos, que já receberam igualmente o relatório por intermédio da OMS, consideram que há falta de evidências que sustentem a tese de Adrian Gibbs.
O investigador australiano foi um dos primeiros cientistas a analisarem o "mapa" genético do vírus H1N1, que foi identificado há três semanas no México, epicentro da epidemia da gripe A.
Para o "número dois" da OMS, um vírus que resulte de experiências laboratoriais ou de testes de vacinas pode indiciar a necessidade de maior segurança.
Segundo o mais recente balanço da OMS, a gripe A já infectou 5.251 pessoas em 30 países, causando a morte de 61”
In: Sapo.pt


Imagem e comentário inicial: by me

Just for the fun - steps


terça-feira, 12 de maio de 2009

On photography - 800th


Most photographers walk around the world. And the world can be earth or his home town.
They look for the right situation to photograph. And it can be light or subject.
And they want to show what they got with their camera, what they felt. They want to communicate and, some times, use their work to make some difference. Being that difference of aesthetic, political or social order.
As for me, some of my work is quite different.
Instead of walking around the world, I choose a single spot.
Instead of looking for subjects or light, I wait for them, on that very same spot. The sun and the leafs on the trees will change through the day or year. So does shadows and brightness. As well as the people who stands in front of my camera. I just have to stay there and wait.
And I don’t care a bit about the communication factor on this project. At least, the communication that, usually, can be found on photographs. Is the interaction between photographer and poser that is important. The talks, the stories, the smiles, themselves.
Technically and aesthetic, those photographs done with the “Oldfashion” camera aren’t good at all. But I must say that it isn’t a priority on my project.
The idea is older than 25 years. It has been growing through time, having several influences like the “Family of the Man” exhibit, the work of August Sander, the Catalan “Vidiotron” and many, many others.
And my main objective was to find some answers on sociologic or anthropologic issues. But, with the variety of situations and conversations, the course of this journey had change. The original questions are still to be answered, but new questions came up, at least as important as the original ones.
And this project, build to last two years, is now on its third one and, for sure, it will celebrate its fourth. As long as the weather helps, my legs keep its strength and the equipment, home made as it is, don’t fail.
Not just for my curiosity about the mankind. That was my goal and I do not give up on it. But is the pleasure of being there, the pleasure of listen those stories and, some times, confidences, the pleasure of provoking those smiles, those so many smiles, all those pleasures… I don’t know if I want to stop them.
As for the picture above, it’s the 800th done on this project.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 11 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Serviço de limpeza


Esta história foi-me contada faz tempo. Não a sei como verdadeira ou falsa, mas sempre aqui fica:
O dono de um RolsRoyce saiu da estrada e, na berma, partiu o semi-eixo. Contactou o representante, que de imediato se prontificou a ir buscar o carro, resolver a questão e entrega-lo em casa do cliente.
Muito tempo depois de ter recebido o veículo de volta, estranhando não receber a factura da reparação, contactou-os de novo. E a resposta foi simples:
Não havia factura a emitir pois que os RolsRoyce não partiam os semi-eixos, donte nunca tinha havido reparação alguma a cobrar.

Vem esta história a propósito de uma declaração do nosso primeiro-ministro, José Sócrates, afirmando que “em Estados Democráticos a polícia não é atacada”.
Em boa verdade, não foram disparados tiros de caçadeira contra uma esquadra de polícia, em Setúbal. Tal como aí os carros patrulha não foram apedrejados nem alvos de coctails Molotov. Nada disto aconteceu, pois estamos num Estado Democrático.
Ou, então, é exactamente o oposto!
Num caso ou no outro, podemos sempre usar os utensílios acima mostrados, ou outros com bem maior poder de limpeza, com aço e chumbo, para deixarmos de ouvir e ler demagogias, mentiras e promessas nunca intentadas.



Texto e imagem: by me

sábado, 9 de maio de 2009

Fechado para obras


O que tem esta imagem de especial? Pouco ou nada, não fora tratar-se da Estrada de Benfica, uma das artérias de entrada em Lisboa, de ser sábado de manhã e estar fechada ao trânsito para restauro do pavimento.
O que não aconteceria, garanto eu, não fosse tratar-se de um ano de eleições, legislativas e autárquicas e haver que mostrar obra feita.
E será fácil, cada vez mais fácil, ver empresas de obras públicas a comporem os seus orçamentos com a enormidade de obras, as mais das vezes de superfície, por esse país fora.
Quem nos dera que mais eleições houvessem!
Ou que os autarcas e demais gestores públicos não se reservassem a cumprir as suas funções apenas para estas alturas!


Texto e imagem: By me

Novo acordo ortográfico


Trein???


Luso-chinês?Luso-croata?Luso-ucraniano?
Luso ignorância?


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Novas oportunidades


Este é um cartaz de propaganda promovida pelo Estado Português.
Refere-se ao programa “Novas oportunidades”, onde os cidadãos terão possibilidade de, através da continuação dos estudos, enveredar por novas carreiras, mais aliciantes e bem pagas.
Até aqui tudo bem! Sem dúvida que o conhecimento é uma boa base de partida para uma boa carreira profissional. Compensadora a nível da satisfação pessoal e da remuneração.

No entanto, vejo este cartaz a pergunto-me o que esperará os jovens que sigam este aviso. Há algo aqui de tão errado, mas de tão errado mesmo, que se eu fosse empregador poria sérias dúvidas em contratar que se me apresentasse desta forma.
Dão por ela? Não? Prestem um pouco de atenção!



Nada ainda?
Bem, mais de trinta anos de ofício em televisão tenho eu e nunca, mas nunca mesmo, vi um operador de câmara segurar a sua ferramenta deste jeito. Nunca no ombro esquerdo!
Conheço já não sei quantos modelos de câmara, por experiência própria e por ver demonstrações e catálogos. E, juro, nunca vi um modelo concebido para ser usado no ombro esquerdo. E, de tal, bem que se queixam os canhotos e aqueles que têm dificuldade em usar o olho direito no visor.
Donde, que raio de formação poderá ter um jovem que assim aprenda a trabalhar? Transportar a câmara às costas, como se de um saco de batatas se tratasse e segurando-a por um dos seus pontos fracos? Para já não falar na ergonomia do apoio de ombro, feito e adaptado para o direito.

Talvez que este cartaz, para além do “sorriso Pepsodente”, tenha uma outra mensagem que se me escapa. Talvez que eu tenha que seguir este programa de “Novas oportunidades” para aprender algo de novo no meu ofício. E deitar fora os trinta anos dele que tenho!



Texto e imagem: by me

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Insólito


Eu sabia que, um dia, veria algo assim:
Este passeio, numa avenida bem movimentada cá do meu bairro, sem um carro que fosse nele estacionado.
Não sei há quanto tempo estava assim nem quanto tempo mais assim se manteve. Vi, e registei, apenas de passagem a caminho do trabalho.
Mas fica para a história que, no dia cinco de Maio do ano da graça de dois mil e nove, pelo menos durante dez minutos da parte da tarde este passeio cumpriu as suas funções:
Permitir que os peões caminhem em segurança no espaço que lhes está reservado.



Texto e imagem: by me



De outros tempos


Talvez que não seja fácil de reconhecer, pelo menos à primeira vista.
Encostada a um gradeamento de jardim, num bairro popular e habitado maioritariamente por cidadãos seniores, encontra-se esta engenhoca.
O sol que lhe incide é uma raridade, já que este lugar é, regra geral, sombrio por via do arvoredo e dos prédios. Talvez que, por isso mesmo, a ferrugem visível seja justificada. Ou talvez o abandono, que é equivalente no do gradeamento. Aliás, não sei o que será mais vetusto: se as grades se a bicicleta adaptada a oficina de amolador de facas e tesoiras e de reparador de guarda-chuvas.
Estes últimos, hoje em dia, já pouco se reparam, que as lojas de produtos ao preço da chuva evitam o trabalho. Daí que os arames, de calibre adequado para substituir e unir varetas retorcidas e ponteiras quebradas, de pouca serventia sejam.
Quanto ao esmeril, bem, não creio que passe de moda, por muito baratas que possam ser as facas de cozinha, hoje com gumes feitos a lazer e serrilhas para todo o serviço. E quem é que, nos tempos que correm, embota uma tesoira em tecidos mais grossos para fazer uma peça de vestuário ou aplicar um remendo?
Sobrarão, para consertar sombrinhas ou amolar facas e tesoiras, os contemporâneos do dono desta oficina. Que, se não estiver reformado, pouco faltará.
Tal como faz falta aos meus ouvidos e memória, aquele toque inconfundível de uma flauta de pan de plástico, avisando quem está em casa da presença do amolador.
Por essa flauta já eu procurei, indo a todas as lojas de instrumentos musicais e a umas quantas feiras de calendário. Alguns não sabem o que é, outros sorriem perante a memória. Houve mesmo quem, com ar de desdém, me avisasse que aquela era uma loja séria e que só vendiam instrumentos que se pudessem afinar. Suspeito que as suas emoções e o seu gosto pelo ofício também precisem de uma afinação!
O mais próximo que encontrei, em formato e sonoridade, foi uma flauta de pan em cana, que pelo seu tamanho diminuto, se assemelha às originais itinerantes. Mas é uma semelhança vaga.
Apesar de tudo ser já pertença quase que exclusiva de memórias e recordações, com a crise que vamos vivendo se apliquem umas folhas de lixa e umas gotas de óleo e vejamos de novo os amoladores na rua. Com as suas flautas ecoando pela rua fora, chamando à janela quem recorda e quem desconhece.
E se algum passar na minha rua, pela certa que lá irei, que tenho aí uma tesoira e algumas facas que bem podem passar pelas suas mãos.


Texto e imagem: by me


terça-feira, 5 de maio de 2009

Deu tempo


Deu tempo para parar em frente de um dos cafés da minha juventude de estudante e recordar um pouco de então.
Deu tempo para me decidir a entrar para ter a certeza sobre se os bolos de hoje ainda são, ali, tão saborosos quanto o eram há 35 anos.
Deu tempo para me sentar a uma mesa e pedir um quarto de leite Vigor e um Bábá. E constatar que a minha memória e as minhas papilas gustativas estavam em pleno acordo.
Deu tempo para puxar do portátil e, ali mesmo na mesa do café, analisar e tratar uma imagem para publicar.
Deu tempo para, passar a limpo o rascunho rabiscado no comboio, agora com a certeza da ilustração, e de, juntando-os, fazer os três up-loads habituais.
Deu tempo para que o meu olhar se cruzasse com o do empregado e de lhe pedir a conta. E pagá-la, já agora.
Deu tempo para sair da “Nova Bagdad”, na Av. da Igreja, e continuar a ouvir aquela maldita e desconcertante buzina de automóvel. Que, de tanto ser usada de seguida, já estava a ficar rouca.
Aproximei-me do carro que assim protestava e verifiquei tratar-se de um pequeno utilitário, regular e legalmente estacionado, com parquímetro pago e tudo, que tinha ficado “entalado” por um outro, estacionado em segunda fila, ocupando uma das faixas de rodagem.
Meteu conversa uma comerciante da zona, cansada como eu de tanto aquilo ouvir. Meti eu mesmo conversa, no caso para lhe perguntar se já teria ligado para a polícia.
Não tinha, que estava sem bateria no telelé. Tal com estava chateada até à medula dos seus 20 anos ou coisa parecida, de ali ter ficado presa e de há mais de meia hora estar a protestar sem que o dono ou dona do carro aparecesse.
Lá lhe cedi o meu telemóvel, ligando primeiro para as informações a fim de saber o numero da divisão de trânsito. Ela queixou-se e, disse-me de seguida, avisaram-na que a patrulha e respectivo reboque tanto poderiam demorar 5 minutos como duas horas, dependia do trabalho que lhes estivesse atribuído e das prioridades.
Estava-mos nesta quando os meus olhos se arremelgaram: do café do outro lado da avenida saiam dois quarentões, com ar despreocupado, trazendo um deles umas chaves de automóvel na mão. E se tivesse apostado em como vinham para ali, teria ganho.
Confrontado o dono do carro com a situação, tratou de se desculpar, que tinha estado na conversa na pastelaria e não tinha dado pelos protestos.
Fiquei na dúvida se o haveria de impedir de seguir viagem ou de o encaminhar directo para um otorrino, que deveria de padecer de surdez grave e crónica.
Acabou por se ir embora, que eles estavam com pressa. Bem como a mocinha, que estava possessa com o caso.
Por mim, ainda tive tempo para acabar o passeio, meio em jeito de turismo na terra natal, que é uma boa forma de ganhar alento para se enfrentar uma noite longa de trabalho, enfiado num estúdio sem luz solar e a ouvir descrever parte das trafulhices dos políticos de hoje.
Até mesmo aquela mais de meia hora de buzina me pareceu soft, perante o que me esperava.


Texto e imagem: by me

Partilhas


“Não se importa de me dar lume?”
Cinquentona, quiçá mais, muito pintada, estava sentada num murete baixo do cais da estação cá do meu bairro.
E, enquanto acabava de abrir o maço de cigarros e de tirar um, acrescentou:
“Sabe, devo ter um isqueiro aqui na mala, mas não há jeito de dar com ele.”
A mala em questão estava no chão, entre as suas pernas. Enorme e disforme, mostrava uma capacidade de conter objectos apenas usada pela metada. O que significava, a olho nú, que deveria conter meia infinidade de objectos insuspeitos.
Dei-lhe lume, que entre fumadores é daquelas coisas que não se recusam, e continuei o meu deambular pelo cais, tentando com isso matar o tempo até à chegada do comboio.
E, quando de regresso do seu extremo, vejo-a de novo de conversa com um passante. Desta feita um rapazola que se debruçava sobre ela, suspeito que para manter o tom da conversa em reservado.
Deveria ter sido ele a aborda-la, já que, e ainda que à distância, a vejo a rebuscar no seu malão meio cheio e a dele retirar o maço de cigarros. E a dar-lhe um.
Ficou ela, sentada, com o malão entre pernas. Seguiu ele um pouco mais à frente, para outro ponto do murete onde, sentando-se, o acendeu com um isqueiro que tirou do bolso das calças.

Entre fumadores é assim. Uns dão lume, outros cigarros, dependendo do tom do pedido e da disposição de quem oferece.
O pulmão, esse, cada um com o seu, que nada de promiscuidades.



Texto e imagem: by me

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Treze minutos


Descia eu a avenida Alvares Cabral neste domingo 3 de Maio, passava já das 19 horas, quando os vi chegar.
Estranhei a manobra e fiquei curioso sobre qual a ocorrência que os levaria a parquear desta forma.
Vi os dois agentes da PSP, de cabeça descoberta, a fecharem as quatro janelas da viatura, a trancarem-na e a atravessarem a avenida logo ali, a escassos 20 metros dos semáforos. E fiquei ainda mais curioso, tanto mais que aparentavam um ar descontraído, não transportando consigo nenhuma pasta ou documento, o habitual aquando da comparência em ocorrências.
Afinal, entraram na “Tangerina”, uma loja de conveniência, bem simpática por sinal, para tomarem um cafezinho ou equivalente.
Tive eu tempo de atravessar a avenida, de fazer o registo fotográfico e de regressar onde estava. E ainda de me sentar no beiral da loja, contando o tempo da ocorrência: treze minutos.
No regresso, os dois agentes ainda tentaram atravessar a avenida ao arrepio do sinal vermelho para peões. Mas a presença de transeuntes, que aguardavam pelo verde, fê-los recuar e esperar pela regulamentar informação luminosa.
E lá seguiram em patrulha, onde quer que ela fosse.

Não me espanta que, com exemplos destes, a cidade esteja como está no que se refere ao respeito dos automobilistas para com os peões.



Texto e imagem: by me



domingo, 3 de maio de 2009

On photography - making love and having sex


I was on this gallery, seeing photographs and talking with the author. At some point, he asks me why I carry all that stuff: a heavy bag, full of equipment and my monopod hanging from the strap of the bag or hold on my hand.
I don’t remember what I answer him, but I suppose it would reflect my will of being able to photograph what ever I want and be ready for that, not depending on the limitations of some small pocket camera. Even if I always argued that we cam make good or satisfactory pictures with any camera, from the most sophisticated one to those now fashionable “pin hole”. As long as you know its limits and have good use of them.
Years latter I got this camera with a cell phone around it. Nice one, with a good lens, its just point and shoot. Almost “idiot proof”. My goal was to exercise with a focal fixed camera and impose my self the practice of perspective, the now a days poor sister of zoom lens.
Recently, I bough this pocket camera. Very nice lens, good resolution, easy to use and as light as it can be. And always ready to use, hanging on my belt all the time, just like a side gun. Lovely photographic notebook.

If some one asks it again, today, the same question, my answer would be different: I like to make love, not just have sex.
With my reflex, digital or film one, I can embrace it, lean my face against it, caress it at the focus or zoom ring, touch it gently where it reacts, having a smooth reaction, under the shape of a photograph.
With my pocket or cell phone camera, we just point and shoot and that’s all. We cant even lean on it, since the viewfinder has to be seen from a distance of 20cm, at least. There is no romantic involvement between camera, photographer and subject, there is no “preparations” or “warming up”. Just sex, not love!
I do believe that photographs are created in our mind, with our eye’s lens and everything else, from the framing and light measuring to all the post production tasks (editing, printing, framing and so) are just the technical needs to satisfy that need or creation. Necessary steps to materialise our imagination!
But all that process is also part of the fun, and we need to have fun at work, or it will become an obligation. And no one likes obligations!

Recently I have this family in from of my “oldfashion” camera. A couple and two children. The lady have the most wonderful smile I ever seen, bright, contagious, appealing! I was so fascinated with it that, being an image hunter, I desire to have that smile, almost as a trophy.
But, that day I went to that photographic practice on a light version, taking with me just the fake old camera with its tripod and my pocket camera, hanged on my belt. And none of them would be able to do the portrait she deserved.
The “oldfashion” camera as to be at the tripod, not just because of its weight but also because its shape: square and big.
As for the pocket one, its lens is just 5 times power. I couldn’t have just her face unless I got to close to her, being to aggressive. On the other hand, the non existence on lens shade would prevent me of using that very strong back light from a low sun as I like. Not even my hand doing the role would do the job, since it hasn’t the focal length needed and I would have always some ugly flares.
If I did ask her to portrait that lovely smile, either I wouldn’t be able to do the right framing or I would have the wrong light. I didn’t ask her!
It wouldn’t be an act of love, that picture! It would be just having sex.
Maybe, one day, we all be together, there or somewhere else. And I will be ready for that smile with my DSLR, leaving my pocket camera on the belt.

As for this photograph, it was an act of love, today, framing, playing with light and the deep of focus. And using my Pentax K100D with its Sigma 70/300 at a comfortable distance. Even if the sun wasn’t as low as I like.




Texto e imagem: by me

sábado, 2 de maio de 2009

O bitoque


Então que tal está a achar o nosso bife? Pergunta-me o empregado solícito.
Bem, respondo, com alguma dificuldade debaixo do ovo!



Texto e imagem: by me