quinta-feira, 30 de abril de 2009

Girando


Nem sempre as coisas vêm quando, como e onde queremos ou esperamos.

A melhor hora para vaguear num centro comercial é entre as 19 e as 20/20.30h. Os da tarde já saíram, os da noite ainda não chegaram… Com a cabeça meio vazia de ideias, por vezes é um bom lugar para, mantendo o corpo em movimento, deixar a mente passear algures nem se sabe bem onde.
Tal foi o caso deste dia em particular.
Parei junto a uma loja de brinquedos. O que esta tem de particular é quase tudo o que vende é em tecido, madeira ou metal. Praticamente nada em plásticos.
Entrei, mais numa de curiosidade que para comprar fosse o que fosse. Mas acabei por ficar com o olhar preso em algo que comprei e uma ideia me assaltou. Perguntei mas não tinham.
Um pião! Faz muito tempo que não vejo um, mais ainda um a rodar e muito mais tempo que não atiro um. Para o solo ou para cima de outro.
Refiro-me aos de madeira, propulsionados por uma corda ou cordel. Apenas para rodar no chão, conseguir pô-lo a rodar na mão ou, bem mais agressivo, no jogo do descasca.
Este, que encontrei noutra loja do mesmo centro, são bem mais suaves, sem o bico afiado que quebrava ou lascava os pobres irmãos onde poderia acertar.

Vinda a hora de jantar, lá fui para onde costumo parar por estas bandas. Sentei-me e após o pedido estereotipado, tentei que ele falasse comigo. A rodar, direito ou invertido, na mão, nas mãos, nos dedos, entre os dedos… Passeei-o e passei-me no tempo em busca de recordações longínquas e das palavras-chave que haveriam de brotar do aparo sobre o papel. A foto ficaria para depois, então se veria o que seria.

A meio da pizza sou interrompido. A chefe de sala, com um sorriso bem simpático a condizer com todo o resto dela e com as suas palavras, veio saber o que estava a fazer aquele cota barbudo ali, sozinho, a bambolear um pião nas mãos e com o olhar bem para além do Bojador.
Lá lhe expliquei, por alto, o que me movia e ao pião. Surpresa!
Aquela Susana, de 25 anos, recordava-se do seu avô (seria bisavô?) que os fazia à mão, com cavilhas de ferro e torneados com a navalha que pendia fundo no bolso de qualquer português. Pelo menos, dizia ela, lá para os lados das caldas, onde crescera.

Ter nas mãos um pião de madeira feito industrialmente num qualquer país da União Europeia, durante um jantar solitário num estabelecimento de uma cadeia internacional, dentro de um centro comercial e encontrar uma jovem descendente de um fabricante artesanal de piões! Não é todos os dias!!!
Não só não é todos os dias como se sobrepôs por completo a qualquer outra coisa que quisesse contar sobre piões.
O mundo gira, gira, gira como um pião.


Texto e imagem: by me

Queixumes


Ser administrador do condomínio em que se reside é uma questão de sorte.
Se tudo correr bem, se todos pagarem as suas quotas atempadamente, se nada se avariar seriamente, é uma lindeza. Manter a contabilidade em dia, os contratos de energia e água, bem como os dos elevadores e higiene, uma ou outra lâmpada fundida ou interruptor avariado. Nada demais.
Se o azar nos bater à porta, pode ser mais complicado. Reparações de telhado, pinturas exteriores, infiltrações de água, avarias na maquinaria, faltas de pagamento... Implica o dispêndio de mais tempo, mais contactos, conversas não tão boas ou mesmo agrestes, acompanhamento de obras em todas as suas fases... Uma seca! Ou uma molha, dependendo da época do ano.
Agora se o azar nos bater à porta e entrar acompanhado da falta de sorte, do Zodíaco aziago, de mau-olhado e espíritos conjurados, aí... Bem, aí as coisas começam a cheirar mal!

Não, não é apenas uma figura de estilo. Quando digo “cheirar mal” é isso mesmo que quero dizer: mau cheiro, aromas nauseabundos, odores pestilentos!

Num outro prédio onde morei, fui administrador por duas vezes. Numa delas tive que substituir o telhado por inteiro, com tudo o que implica lidar com empreiteiros não muito honestos e acompanhar os trabalhos bem de perto.
Na outra, entupiram os esgotos. Não me refiro aos esgotos de um apartamento, nos sanitários, com o consequente levantar de azulejos, partir de loiças, molas desentupidoras e mangueiras de alta pressão.
Refiro-me mesmo ao esgoto colectivo, abrangendo todo o prédio. Nove pisos, a quatro apartamentos por cada um, acrescidos de duas lojas, uma das quais um cabeleireiro, fazem muita porcaria.
Se a construção do esgoto colectivo não for cuidada, se possuir alguma curva mais apertada e se os utilizadores mandarem pelo cano todo o tipo de dejectos e detritos, incluindo os inorgânicos, cedo ou tarde entope. E aí a coisa cheira mesmo mal, já que transborda na primeira saída a montante que encontra livre, as mais das vezes nas caves onde se situam as arrecadações. E como elas não são acedidas diariamente, quando se dá pela coisa, já a coisa dá pelo tornozelo, um mar de coisas indescritíveis e, no mínimo, repugnantes.

E tinha que me tocar no meu período de administração! Que fazer?
Não sabendo se a questão era na zona privada do edifício se na zona pública de responsabilidade municipal, comecei por contactar os serviços públicos.
Foram céleres no atendimento e lá vieram com as suas máquinas e marretas, bombas e mangueiras, botas até à virilha e máscaras apropriadas. E lá descemos até à antecâmara do inferno. Eles equipados para estas aventuras, eu não tanto nem tão habituado a estas andanças.
Apesar de o problema se situar na zona do condomínio, resolveram-no.
Com um linguajar atroz, apropriado à matéria em manobra, mas uma bonomia e bom-humor insuspeitos, resolveram a coisa em quatro tempos: sugar, partir, desentupir, reparar.

Ao vê-los, e a mim mesmo, naqueles propósitos, com aquelas tarefas e com aquela matéria, não pude deixar de pensar:
Recebem o salário mínimo; lidam com a imundice dos outros cidadãos; erradamente, são considerados o último degrau da escala social, pouco faltando para serem votados ao desprezo; fazem uma tarefa que eu, e todos os outros, só faríamos em último caso, em desespero e se nos batesse à porta.
E, apesar de tudo isto, ainda conseguem trabalhar e contar anedotas, rir e manter o bom-humor, terem atitudes de solicitude para com quem é apanhado nestas situações e, no final, recusarem gratificações para além da tabela oficial.

Quem é que anda por aí a queixar-se? E de quê?
De barriga cheia e de mãos lavadas, provavelmente!


Texto: by me
Imagem: algures na web

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Reciclagem


Pois é!
A moto está aqui há já mais de dois meses. Bem mais, suponho!
Presa com corrente e cadeado, a ferrugem já se faz notar e acaba por dar pena vê-la a degradar-se assim.
O boneco, esse, esteve bem mais de duas semanas num vão de escada lá do meu prédio. Creio que terá lá ido para na sequência de uma mudança de residência de alguém que não o quis levar consigo. Vá-se lá saber que recordações ele acarreta.
Seja como for, um outro alguém entendeu que dois objectos velhos ou quase e em estado de abandono poderiam resultar num terceiro, público e visível. Para bem dos nossos humores e respectivas bílis.
Claro que a moto continua por lá. O boneco, esse, foi já retirado, suponho que por um dos que, diariamente, percorrem o bairro em busca de sucata ou não tanto que possam aproveitar.
Mas, enquanto ambos ali estiveram, provocaram visíveis e sentidos sorrisos.


Texto e imagem: by me

Aviso


União Europeia abre a porta à semana de trabalho de 78 horas

Cinco anos de negociações entre as instituições da União Europeia (UE) para a revisão da legislação que limita o tempo de trabalho a 48 horas semanais caíram ontem por terra, abrindo a porta a uma corrida dos Estados-membros à actual possibilidade de derrogação até às 78 horas.Depois de várias sessões de negociações desenvolvidas desde o início do ano entre o Conselho de Ministros da UE (onde estão representados os governos dos Vinte e Sete) e o Parlamento Europeu - "co-decisores" em matéria legislativa -, as duas instituições anunciaram na madrugada de ontem o colapso do processo.A ruptura foi provocada pelo desacordo total entre os negociadores sobre o futuro da cláusula de derrogação prevista na legislação comunitária que, desde 1993, limita o tempo de trabalho na UE a 48 horas semanais. Esta cláusula, utilizada sobretudo na quase totalidade dos 12 países de Leste, a par do Reino Unido e Alemanha, permite aos governos utilizar a regra para estender a semana de trabalho até às 78 horas.Uma proposta de revisão da legislação apresentada pela Comissão Europeia e aprovada em Junho pelos governos, pretendia enquadrar melhor esta derrogação, limitando-a a 60 horas por semana - ou 65 em casos muito específicos - ligando a sua aplicação a convenções colectivas e dando a cada trabalhador o direito de recusar trabalhar mais de 48 horas.Embora considerasse estas disposições socialmente recuadas, o PE dispôs-se a aceitá-las desde que a derrogação passasse a ser considerada "excepcional e temporária" e fosse eliminada progressivamente num prazo de 36 meses. A maioria dos governos rejeitou a proposta, recusando qualquer referência ao fim do regime de excepção.Paradoxalmente, o desacordo entre governos e deputados cria uma situação bem mais negativa no plano social do que a prevista na nova legislação pelo facto de a cláusula de derrogação quase sem restrições se manter em vigor.Pior: tal como reconheceu Vladimir Spidla, comissário europeu responsável pela política social, a "consequência" do fracasso das negociações é que "um maior número de países-membros vai começar a utilizar a derrogação à semana de 48 horas", sobretudo para as profissões submetidas a perío-dos de prevenção, como os médicos ou os bombeiros.Esta situação resulta do problema específico da contabilização dos tempos de guarda que era, aliás, a grande questão que a proposta de revisão da legislação pretendia resolver. O problema foi criado com um acórdão do Tribunal de Justiça que, em 2003, decretou que o tempo que um médico passa de banco no hospital, embora sem estar a trabalhar, tem de ser contabilizado como tempo de trabalho no tecto das 48 horas semanais. A maior parte dos países contabiliza total ou parcialmente estes períodos no tempo de descanso. Desta forma, a única maneira de deixarem de estar em infracção ao direito comunitário será através do recurso à derrogação. Portugal é um dos poucos países que já contabilizam estes períodos como tempo de trabalho.


Texto: in Público.pt
Imagem: by me

terça-feira, 28 de abril de 2009

Desespero


On photography - Red, Blue and Green carnation


Red carnation has been, for the last 35 years, a symbol in Portugal. It represents the revolution of 1974, on April the 25th. Why?
Well, some says that a soldier, seeing a flower seller, asked her for one to use on his gun barrel. Other tells us that a waitress of a first class restaurant went, as usual, to the market to buy flowers so that they could decorate their tables. When arriving to the restaurant, early in the morning, it was close due the revolution. And, since those carnations couldn’t be used next day, she began to give them to the soldiers.
One way or the other, red carnation became a symbol, all over the country. And, today, wearing a carnation on the lapel or exhibiting it firmly hold on a tight close fist on the April 25th means being celebrating the revolution, the end of the dictatorship, the returning of the freedom and democracy.

Last year our president went to the parliament to his tradition speech, about that day. And, for the first time for more than 3 decades, a president didn’t wear a carnation on that day. This year, he did it again.
It was and is polemic, his attitude. And I never heard a satisfactory explanation about it. But I guess he mean that the revolution is over, even dead, and, with it, all those dreams from the left-wing and about social and human equality . The right-wing turn is definitely and assured.
I must say that he, the actual president, has done a good work doing that turning. Now as president and when he was the prime minister.

This photograph was done to illustrate a text on how Portuguese people is left aside on the main decisions about their country and future, having the illusion of taking decisions on the elections. And that is just an illusion! Democracy in Portugal is an illusion, as well as freedom!
The reasons for this photograph weren’t casuals. Instead of an erected Red carnation, the real symbol of the revolution, I use this flabby one. The Bluish sky, symbol of infinity and future, is partially covered with clouds, announcing cold and rain. As for the Green of hope, well, is still in my heart and mind.
And, for sure, I still believe that the future is in our hands. But we have to build it ourselves, not leaving it in others hands and responsibility. Sometimes again our will!
But, maybe, we have to change our political and society organization.



Texto e imagem: by me

domingo, 26 de abril de 2009

A culpa é nossa!


A culpa é nossa!
Veio o Presidente da República, no seu discurso alusivo ao 25 de Abril, exortar os partidos políticos a intervirem mais e mais construtivamente na vida portuguesa. Na prática, o que ele quis dizer é que teriam que ser mais úteis e deixarem-se de apenas se oporem uns aos outros e de procurarem um lugar no poleiro do poder.
Não que eu acredite em que esta pessoa tenha sido sincero. Principalmente sabendo que esta mensagem veio de alguém que afirmou, estando no tal poleiro do poder, que “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”!
No entanto, neste caso, o homem tem razão. Toda. O que não definiu foi a origem da necessidade deste pedido ou alerta. E esta está em todos nós.
Está naqueles que fizeram a revolução, há 35 anos.
Que terminaram com uma ditadura, com um sistema de partido único.
Que permitiram a liberdade. De actos e de pensamentos.
Que permitiram que as opiniões se pudessem organizar e serem escolhidas como as melhores por parte de cada cidadão. Democracia.
No entanto…
No entanto os cidadãos a quem foi dada a possibilidade de viverem em liberdade e democracia distanciaram-se delas!
Atribuíram e atribuem aos partidos e seus representantes as tarefas de gerir e governar o país, e não mais os cidadãos eleitores intervêm.
Acontece que o poder entregue e não fiscalizado por parte dos eleitores é perigoso. Perigoso por que, e estamos a constatar isso mesmo nos tempos que correm, os candidatos são-nos mais por acesso ao poder que por vontade de serem úteis aos seus concidadãos. E os que já lá estão (poder central ou autárquico) fazem tudo o que podem para de lá não saírem. Tanto uns como os outros, ao apresentarem-se ao eleitorado, mais que programas concretos de sociedade e de projectos de futuro, limitam-se a prometer aquilo que o bom-senso sabe não ser realizável (e a prática o tem demonstrado). Tão ou mais grave que isso, boa parte do jogo eleitoral é praticado com ataques aos adversários. Os candidatos passam mais tempo a afirmar o quanto os outros são maus que a dizerem o quanto os seus projectos são bons.
No meio de tudo isso, os cidadãos deixam-nos lutar a seu bel-prazer e, no dia de eleições, apenas fazem uma cruz como se de totobola se tratasse. E durante todo o restante tempo, pouco fazem para que as suas vontades sejam ouvidas e consideradas. Ou fiscalizar o trabalho dos eleitos.
Na prática, e visto que o acesso ao parlamento apenas pode acontecer por membros de partidos políticos ou por eles indicados, o poder em Portugal, o poder de o gerir, está dependente de organizações privadas – os partidos políticos. E estes, corporativamente, mais não fazem que ignorar todo e qualquer movimento ou opinião não coincidente com o que eles mesmos pensam.

Quando, há 35 anos, aconteceu a revolução, sentimos todos que o futuro estava nas nossas mãos e que havia que o construir. Falhámos!
Construímos, em nome da democracia e liberdade, um sistema que nos usa e cujos interesses não são os nossos mas apenas os dos partidos.
Talvez seja altura de repensarmos o nosso sistema de governação. Se continuamos a usar este gasto e estafado ou se partimos para outro. Porque este está falido! Cabe-nos retomar o futuro nas nossas mãos e reconstrui-lo.


Texto e imagem: by me

sábado, 25 de abril de 2009

Talvêz pegue de novo por cá


Ex-ministro alemão das Finanças incita trabalhadores a sequestrarem patrões

O presidente do partido alemão de esquerda Die Linke e antigo ministro das Finanças, Oslkar Lafontaine, incitou hoje os assalariados a sequestrarem os patrões, à semelhança do que tem acontecido em alguns conflitos sociais em França.
“Quando os trabalhadores franceses estão em cólera sequestram os seus patrões. Eu desejaria ver isso acontecer aqui também, para que se dêem conta da cólera, que as pessoas temem pela sua existência”, declarou à rádio pública WDR-Hörfunk.
Ex-presidente do SPD, partido social-democrata, e titular da pasta das Finanças do chanceler Gerhard Schroeder de 1998 a 1999, Lafontaine deixou o governo por o considerar demasiado centrista.
Os sequestros de gestores têm-se multiplicado em França. Desde o início de Março ocorreram sete casos, o que ilustra a radicalização dos movimentos sociais. Na Alemanha, a federação de sindicatos DGB alertou esta semana para o risco de aparecimento de problemas sociais motivados pela crise.



Texto: in Público.pt
Imagem: By me

sexta-feira, 24 de abril de 2009

On photography - faith


Faith! That’s all you need! Faith!
Faith in Nature and the way it works!
Faith in science and its knowledge!
Faith in yourself and your ability to do things!
That’s all you need! Faith!

Oh, I almost forgot:
You also need a DSLR camera, a tripod, an old body cap that you can waste (black one), a piece of thin cardboard, some tape, glue, some aluminum foil (kitchen type), scissors and some pins (just in case you let one fall out there on the street). If you take with you a bag full of patience, it will help.

Cut the inside of de body cap. On the outside glue the cardboard in a very flatten way.
On its center cut a small hole, with some 5mm or so. Then, tape a little piece of aluminum foil, as flat as you can. The tape has to be just on the borders, not all over it.
And, just on the middle, make a tiny little hole with the pin. Very gentle, so that it will not get hard borders on the inside.
You may need to build another set, in order to get another hole, smaller or larger. But the smaller it is, the sharper picture you will get.

Take off the lens of your camera and put instead what you have just build.
Chose a bright day and use the camera on the tripod. Have the sun on your back. I’ve never seen anything so dreadful as this to produce flares!
I don’t know if I told you before, but you also need patience. Lots of it. In order to see trough the viewfinder when there is almost nothing to be seen. And do tests. Lots of tests! Tests on framing (you can’t see, remember?) and tests on exposure.
All this will depend also on the camera and its characteristics. As for me, having a Pentax, I use manual exposure, allow the camera to work with a non automatic lens and select manual focus.
For this photograph, I use ISO 200, 1/8 of second. Later, I played a little with its gamma curve, increasing just a bit its contrast.

Did I told you that yesterday was the “world’s day of pinhole photography” and that this was done to celebrate it?


Texto e imagem: by me

quarta-feira, 22 de abril de 2009

If I were taller

Bus stop


By me

Recorte


Acredito que não tenha sido por acaso ou inocentemente que o jornal “Correio da manhã” juntou estas duas pequenas notícias, acompanhadas das fotografias dos respectivos protagonistas.
Mesmo num jornal diário como este.


Texto e imagem: by me

terça-feira, 21 de abril de 2009

On photography - What, what for and why or perspective essay


The grand-grand-grandfather of this friend of mine went to Brasil when young and made fortune. I’m talking of something on early XIX century.
He then return to his motherland and build this huge farm. With some residential houses, for him and family and for their workers, warehouses, barns, stables and even a small chapel. And when I say “small” I’m referring to its height. Being a short guy, he builds it according to his size: the front door has just 1.70 meters height!
Somehow, trough time, the family lost it all and now is abandon and partially in ruins.
My friend’s idea was get there and do, now a days, the same pictures he had in the family album and boxes. Done since there is photography, showing festivities as weddings, christening, crops celebrations and so. And it doesn’t mater if the motives were about the landlord or their workers.
Remember that, until some 40 or 50 years ago, photography was something special, reserved for special moments and for wealthy people. Not wide spread as today.
So we when on a weekend and camp just outside the complex, using the still existent well for water.
Having the photos on our hands, we scout the place, deciding which picture belonged to each building, at what hour was done and divided the all set of photos into two groups: one for each one of us. His wife didn’t care for photography and their daughter was too young to help us.
Next day, Sunday, we start shooting. Looking for the exact position of each photo, trying to get the same light. Everything equal except time: persons and ruins.
At some point before lunch, we found ourselves with that strange pain in our back. Both of us. And we laugh to each other due to the position we had to make those pictures: neither standing nor knelling. Just halfway and bending over.
At lunch we talked about it. The only explanation we got was the size of the original owner, but he was dead long before the first pictures were done. We even decided to use our tripods in order to see if every one were made at the height and perspective. And save our kidneys.
And most of them were, if not the exact same height, at least similar.
It was just when returning to Lisboa that we found the “why” of that. A quite natural “why”, but only the history of photography explain it.

---If you read this far, I suggest you don’t read anymore for a while. Can you find the answer by yourself? Could you, if you have been there with us, saved us time and pain?---

The reason for that strange position of us resides on technology.
On those days, late 1800s early 1900s, every photograph was done with large format cameras, 9x12 or 13x18, even larger. And those cameras needed, always, a tripod. Impossible to do any other way.
Later, they used some roll film cameras, those from Kodak or other, looking like a box or, other models, folding cameras with bellows. And the viewfinder was a little and single lens on a corner with a mirror inside. We trough it vertically and had the camera chest levelled.
Even later, they had those marvellous cameras, the TLR (Twin Lens Reflex). Also chest level operated. Like Rollei, Yashica, Bronica and others.
Try to have your eyes chest levelled and you will find yourself as we where: neither standing nor knelling. And with some pain on your backs!

If light is what we capture and memory is its reason, perspective is how we do it. It is our main tool, besides our eyes and mind.



Texto e imagem by me


About this photograph


There is this photograph, published by My_Innocent_Dreams.
At the first look it may seam a bad photograph:
It is over and under exposed, the skyline is just cutting the picture into two equals sections, the second lady have to much space above her head, her eyes are over the skyline and her head is almost at the center of the framing. Everything against rules and conventions!
But, who says that photography as to follow rules or conventions?

First of all, I do like the out of focus. It makes the foreground lady apart from everything else, creating an isolation feeling.
Then, I do like that backlight touch, on her face and on the head and shoulder of the other figure, allowing the separation between each element and the next one.
I do like the melancholic look of the first and the almost imperceptible smile of the second.
I do like the triangle created by the first one eyes, the lines on the clothes on the second one, which are pointing to her eyes and those close it by looking to the nearest face.
The second figure and the foreground are some how chaotic, being all almost centered, out of focus, difficult to “read”. All that creates a huge contrast with the face, well focus, defined and framed, which is looking down, into an intimacy position.
This corrected and pleasant foreground and the chaos of everything else give isolation and wondering feelings to the portrayed figure. Maybe a truth portrait of this person.
Further more, and since they are both young, those moments of feeling lost in life are common, through they are looking for a place in the world and, some times, is not easy to find it.

If I had to make this picture, I would change its perspective, having the camera a bit higher so that the skyline wouldn’t be on the center.
Since the sky is already “burned”, maybe I would give a little bit more on exposition, having the faces brighter.
Maybe I would close a bit the lens, so that those branches on the top right would disappear and the second lady’s face would be less centered.
But, then, I would have a conventional picture, pleasant and “readable” by everybody. And I wouldn’t get those feelings I can find here!

Photography is not just the light (from the Greek “Photo”) and perspective, linear and imposing perspective created by lens.
Is also, and mainly, a way of self expression and communication.
And this photograph got its goal on both ways. Even if in a non conventional framing and enlightened way.
But, once more, who says that photography as to follow rules or conventions?



Texto: by me
Imagem: by My_Inocent_Dreams

segunda-feira, 20 de abril de 2009

CSI Clássico


Muitas e estranhas coisas podem ser encontradas na linha de caminho de ferro. O difícil mesmo é não ser surpreendido!
Mas, por favor, não se deixem enganar por aquilo que vêem numa primeira olhada.
A chulipa de betão desta linha não está marcada e identificada com um qualquer alarme electrónico. Estou em crer que, ao invés, se trata de uma alarme arrancado à pressa de uma qualquer peças de roupa não licitamente subtraída de uma loja. E, se bem conheço a vizinhança, que isto se passa no meu bairro, acredito que venha do supermercado lá de cima.
A minha dúvida, ou surpresa, é saber como passou este alarme pelos avisos sonoros dessa loja.
Mas deve ser segredo de ofício, que quem quer que o tenha feito não virá, garantidamente, aqui divulga-lo. Que perderia o negócio e, eventualmente, ganharia concorrência. Para já não falar numas visitinhas autoritárias ao seu domicílio.
Em qualquer dos casos, aqui fica o testemunho.


Texto e imagem: by me

domingo, 19 de abril de 2009

On photography - if I were taller


This friend and teacher I had used to say:
“There are only two kinds of pictures: those made with a tripod and those trembled and blur!”

Of course this is an extreme definition but, some how, it is correct. It doesn’t matter how careful we can be, all our photos will be trembled unless we use a tripod. Is just a matter of enlarging them and we can see that in every picture. Even when using a very brief exposure time such as 1/2000 or shorter.
Experience help to minimize this problem, but the handling of the camera is also important. And the way we hold the new and compact cameras, those that don’t have an eye level viewfinder but just an electronic screen, imposing some 20 to 25 cm between camera and face, are the worst.
We can’t make those steady triangles with our body, arm, forearm and chest, both forearms and chest, holding the camera steady to our face. It is almost impossible make a sharp and perfect photograph without that!
As for me, I took that definition not literally but into consideration through the years. So, I have several tripods, from the old, heavy duty and unusual shape “Benbo” to the one classic and portable “Gitzo”, from the ultra light and small “Bilora” to the one made of wood and having something like 70 years old. This is the one I use on my “oldfashion” project.
I can recommend the “Benbo” for its robustness and ability for having your camera how close you want, where ever you want, how ever you want, and never worry about sand, water, mud or so at the lower sections of the legs.

But I also read, somewhere:
“If you can’t have a good tripod, get a monopod!”
And this is so truth! Having the camera on a tripod gives us the sense of security. But if it isn’t as steady as we think, we will have trembled pictures the same way. With a monopod, we know there isn’t that steadiness and have extra attention to it.
So, I got, through time, two monopods: my main one, an all duty “manfroto”, light, going as height as I want and fast to use, and my first one, used now a days as a stand for an extra flash, since it have some small three legs on the bottom, allowing it to stand alone.

And I go far than this, as for stands and steadiness concern: I also use some grips, from different brands. They are useful for small cameras and, most of all, to have a second or third flash secured where ever I want, from a door or doorpost to some pole on the street, the pelmet of a window, the back of a chair or even the window of a car. Getting that other light into those dark corners or doing a nice back light in parties or others meetings. Nice to be forgotten on the trunk of a car or inside those heavy cases where we carry all kinds of stuff.

But I go further on the steadiness business: I have some done by myself: the beanbag and the WC chain.
As for the first, is just a piece of an old trouser, just half of the leg, with one end close and the other having Velcro. Carried all times into my vacations bag. If and when I want to do a night photograph, I go to the groceries, get some beans and half fill up it. Then, I put it on the top of a wall, on a car, on a rock, where I need, and adjust its shape to receive the camera, positioning it just as I want. At the end, I put it back into my bag and use the beans, or rice or whatever I used, to do some meal. Comfortable to photography and stomach!
The WC chain is the smallest and lightest stand I know. With 2 or 2.2 meters long and having a photographic screw at one end, we fix it on the camera, level the camera with our face, steep the other end and push up all the set. This way, we prevent the gravity from act and our muscles from trembling. Whit practice, we can go down as three stops in time exposure and get acceptable pictures. With practice!

But, since I’m not a common user of the photographic paraphernalia, I use the monopod to go as high as I can, doing what I call “If I were taller” series. I put a small camera on my monopod, tilt it a bit down if needed, turn on the timer and, holding the set from its bottom, I get it as high as I can. This way, I get some unusual perspective. To do some still live, portraits or even reportage. Of course I have to consider the delay, being never sure of the exact moment of the shooting. As for framing, well, is a question of guessing, practice and luck.
This is one of them.



Texto e imagem: by me

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mensagens


Estes dois manequins encontram-se na montra de uma loja.

Tenho que confessar que o seu ar sorumbático, triste, distante, não é nem um pouco apelativo para que vá lá comprar o que quer que seja.

No entanto, tenho que admitir, nem sou teenager, nem rapariga nem nunca me passaria pela cabeça procurar uma loja intitulada masmorra para comprar vestuário.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Perfeições


Este é um cartaz para propaganda política. Montado para os diversos eventos eleitorais que se avizinham para este ano.
Eu diria que está óptimo, completo, inequívoco.
Seja o que for que lhe possam por cima, de tinta ou de papel pintado, era apenas para consporcar a perfeição, em nada adiantando para o esclarecimento dos cidadãos eleitores e apenas contribuindo para aumentar o índice de falsas promessas e mentiras que abundam pelo país. Venham de que quadrante vierem.
Em havendo um concurso de cartazes, este ganharia o primeiro prémio, sem sombra de dúvidas.
Que o que é perfeito tem que ter reconhecimento!


Texto e imagem: by me

On photography - intrusions


I was young, I had my camera and the world was there to be photographed.
And I had this foolish and naïf idea that my pictures could make some difference, changing it into something better!
Through the years I learned a few things about it:
First, I realize that I wasn’t the good photographer I wanted. Not even the tenth part of it.
Secondly, I decided that I wouldn’t ever be in the competitive and fierce world of free-lancing photography. I want to photograph what I want and like and not what some editor may want, with the doubtful criteria dictated by the selling numbers.
And, at last, I realize that my pictures where nothing but some trophies, hanged in some wall or in the darkness of some archive. They aren’t changing anything. Neither what so ever in the life of those I photographed.
Except the intrusion on their life, getting some snapshots without their permission. The poor and weaker the person is, the strong feeling of intrusion I have!
This is why, all together, I seldom photograph strangers without permission. At least there must be a look or a smile.

On those very early 80’s, I didn’t knew this. That’s why I’ve done this picture, a situation that makes my soul hurts even today. Further more because I know that it was taken on a December 24th, in the afternoon.
This boy shouldn’t be there, selling newspapers, while everybody where buying some late Christmas present, the same kind of presents he should be dreaming about. Seen on the shop window, just in front of him!
Where ever you are, who ever you are, I hope you forgive me for this photograph!



Texto e imagem: by me

sábado, 11 de abril de 2009

Bom proveito!


Não entendo. Juro que não entendo!
Em tudo quanto é sítio, ou quase, ao servirem a refeição atiram-nos com um simpático “Bom apetite!”
No entanto, e atendendo à língua portuguesa, “apetite” significa “vontade de comer”.
Ora se me encontro num restaurante ou semelhante, e pedi a refeição é porque, no mínimo, tenho vontade de comer ou, indo mais longe, tenho fome. O apetite já o trago!

O que deveria ser dito, se é que há que dizer algo de agradável, será antes “bom proveito” ou “que lhe saiba bem” ou ainda “espero que lhe agrade”.
“Bom apetite” é um disparate, nestas circunstâncias!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 10 de abril de 2009

On photography - Survival kit


I don’t like to go to exhibitions on the opening day.
First of all they are too formal to my way of living, with everybody having lots of frivolous and useless chatting.
More than that, all those persons are smiling, waving their heads, stating how much they are liking what they are seeing when, most of the times, they are not.
But the worst isn’t that! Are the speeches or presentations of some pictures, becoming boring till the bones staying there.
And we either get some stupid excuse like “I have to pick up my grand father at school” or “I have a plain to catch to Timbuktu” and leave or we have to stay there, politely, until the end, trying not to make a loud yawning.

That was what happened that time.
The author, who I just knew from some forums on the web, sends me a nice invitation. And I went there.
Besides the photographs on the walls, some good, some not, we had to fill up the other room, where a presentation awaited us. As boring as it could be! And, since there were more people than chairs, we have to see all that standing where we could, most of us against some wall.
But I was lucky!
Since it took place on a quarter unknown to me, I took all my gear with me. And I did a photographic walk around before it was time to enter.
By “All my gear” I mean my back pack with camera, some lens, flash, filters and so on, and my monopod, just in case for some macro photos or alike that may need some stand. And it was it, my monopod, that saved my day!
At the bottom of the room, behind the last row and in the dark, I use it as a shepherd’s crook. Due to the darkness, and because I opened and closed it discreetly, I was able to be there until the very end.
I was tented to share it with some others, standing against the wall and looking at me with envy. But I had to survive that experience and I keep it for myself all the time.
At the end, I still had the strength to smile and say some nice words about the show. And I promise my self never, ever, went to an opening exhibit without my monopod!

And where is it on the picture?
Well, it doesn’t matter its brand or if it’s made of wood or metal. As long as it’s strong enough to hold me for some two hours.
But you will see it in some other photo to be shown here, soon.


Texto e imagem: by me

Graffity efémero


Talvez ela tenha mudado de opinião.
Talvez a falta de reciprocidade.
Talvez a má colagem.

E ficamos sem saber quem é a Lili e quem ela adora.




Texto e imagem: by me

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Pois!


"O que mais gosto em televisão são os pássaros nas antenas!"

Pois, o problema é que nem eles!


Texto e imagem: by me

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Porque me deu na telha

By me

Deus e cor


Uns dias antes tinha estado mesmo na fossa, mais por baixo que barriga de jacaré. Por isso, quando me abordaram no comboio, não só não os afastei como é meu hábito como ainda caí na patetice de lhes dar a minha morada. Assim, quando naquela tarde os dois “Elder’s” me bateram à porta, tive que os convidar a entrar e conversar com eles. Afinal o convite tinha sido meu…

Tenho que admitir que possuo alguma admiração por aqueles que, tendo uma fé, dão o seu tempo e o seu esforço por ela, na tentativa de “salvar almas”, seja lá isso o que for.
E como sou curioso do género humano, tentei tirar partido da situação, aprendendo com eles o possível, apesar da dificuldade do fazer a ponte entre um crente e um agnóstico.

As suas técnicas de catequização eram bastante primárias, para não ir mais longe. Faziam acompanhar os seus discursos bem ensaiados com ilustrações em tons aguarela, bem semelhantes àqueles que eu não conheci de perto nas aulas de moral e religião da escola. Não só a coloração, como o próprio traço eram de uma ingenuidade própria para cativar crianças… de outras épocas. Mas quem sou eu para criticar os métodos (desde que legítimos) de missionários?

Desta conversa retive, e retenho, três aspectos principais:
Em primeiro lugar, a maioria das minhas perguntas bem materialistas não podiam ser ali respondidas. A todas ou quase era-me dito que as respostas só as poderia obter em sessões posteriores, quando os rudimentos estivessem aprendidos;
Em segundo lugar, deveríamos, eles e eu, ajoelharmo-nos para rezar, mostrando assim a nossa humilhação perante o criador. Como não sou crente, fiz algumas fintas e escapei-me desta. Entre outras coisas, porque seria uma hipocrisia da minha parte;
Mas não me escapei de ouvir – e nunca mais esquecer – um dos seus dogmas sobre a criação do mundo e do Homem.
De acordo com eles, o criador terá povoado o planeta em dois locais simultaneamente: o Médio Oriente e o continente Norte-Americano. Neste, o género humano vivia no paraíso, porque de acordo com as leis divinas. Mas, a partir de dada altura, alguns desviaram-se delas, passando a viver na luxúria, no deboche, na violência.
E então, de castigo, o criador escureceu-lhes a pele!

Quando ouvi isto, ainda ponderei a situação, mas achei que o preço a pagar pelas vidraças quebradas era demasiadamente alto comparado com o prazer que sentiria vê-los sair pela janela do meu 7º andar.
Engoli em seco e tentei acabar a conversa rapidamente, procurando mostrar a minha boa educação para com as visitas.
À saída, ainda tentaram dar-me uns papeis com excertos do seu livro sagrado, para que o pudesse conhecer melhor. Perante a minha recusa em aceitar, visto que não seria por excertos que poderia conhecer a sério uma religião, entreolharam-se e ofereceram-me o exemplar que possuíam.
Ainda lhe dei uma olhada, mas nunca fui mais longe que isso.
Queima-me os dedos e a retina ler um livro que tão primariamente defende o racismo e a segregação racial.
Não! Não na minha casa nem na minha convivência! E, se pudesse, não na convivência dos demais seres humanos!
Porque estes que ali estiveram, são infra humanos!



Texto e imagem: by me

terça-feira, 7 de abril de 2009

Seca política e a participação dos cidadãos


O instituto nacional de meteorologia fala-nos do mês de Março como o mais seco dos últimos onze anos.
Curiosamente, vem na mesma linha do relatório sobre o ano de 2008, em que o classifica como particularmente seco, chegando mesmo a considerar algumas zonas do território nacional como em “seca severa”.
Nenhuma destas observações tem qualquer tipo de cariz político ou equivalente. Baseiam-se em medições de pluviosidade actuais e nas estatísticas dos anos em que houve estatísticas. E “contra factos não há argumentos”.
Há antes, ou pode haver, medidas de contenção e de boa gestão dos recursos que a Mãe Natureza nos disponibiliza. Economia no consumo doméstico, parcimónia no consumo industrial, reduções de perdas na distribuição, boa gestão por parte das entidades públicas.
Mas aquilo que tenho ouvido das entidades governamentais (afinal eleitas para gerir os recursos e bens públicos) em pouco ou nada referem esta situação de escassez. Não vejo campanhas apelando à redução ou racionalização do consumo de água por parte dos cidadãos, privados, públicos ou empresariais.
Claro está que nos encontramos em ano de eleições – várias – e não ficaria bem na fotografia que os poderes actuais viessem pedir mais sacrifícios para além dos já exigidos pela crise económica.
Já basta a baixa do poder de compra, as restrições aos créditos, os despedimentos e lay off, encerramento de empresas e a afins.
A menos que surja algum argumentista político a discursar, usando a Mãe Natureza por todos os males e acusando a falta de chuva como responsável pelo estado de crise que vivemos. Escusando assim os poderes públicos e responsabilidades nas tarefas de regular actividades, bancárias incluídas, e de providenciar o bem-estar dos cidadãos, eleitores ou não.
A seca, que se evidenciará mais lá para o verão nos preços dos supermercados e nas dificuldades em tomar duche, será uma dor de cabeça para as forças políticas no poder, ao tentarem re-eleições. E uma bênção para as forças da oposição, que explorarão até ao tutano as mesmas circunstâncias.


No entanto:
Quando foi a última vez que VOCÊ poupou água?


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Livres? Claro!


Seja qual forma como tentemos abordar o tema, a verdade é que estamos sempre e eternamente presos.
Confinados a uma cela ou na superfície do planeta, com horários, cartões identificativos e códigos de conduta.
A qualidade da prisão é que varia. Alguns vêem no abrir da fechadura a sua liberdade, outros no vencer a atracção terrestre. Uma chave uns, asas outros. Há quem vá mais longe e não possua relógio ou recuse o bilhete de identidade.
Mas depois de cada fronteira, depois de cada quebrar de grilhetas, apenas constatamos que continuamos presos. Por outras grades, por outros conceitos, por outras obrigações.

Quando, há uns anos largos, conversava com um Argentino, logo a seguir à guerra das Malvinas ou Faulkland, dizia-me ele: “Nós? Somos livres! Podemos sair à noite e tudo!”
Ou ainda aquele outro jovem que dizia: “Esta semana estou livre. Os meus pais vão de férias para fora.”

Mas a liberdade não é um estado legal ou material. É um estado de espírito!
O exercício da liberdade começa, antes de mais, dentro de nós. Por aceitarmos ou não por limite o que nos impõem. O deixarmos ou não a nossa mente vogar e decidir o que fazemos. O termos ou não uma verdadeira consciência de nós mesmos e do que nos cerca.
A nossa verdadeira prisão somos nós próprios, na nossa condição de seres humanos de carne, osso e sangue. Pensantes e conscientes.

Quando formos capazes de saber e não apenas dizer, “eu posso”, com toda a plenitude do que isso significa, então seremos realmente livres.
Até lá, enquanto nos sentimos limitados por um planeta, regulamentos ou grades, mais não seremos que sempre prisioneiros daquilo que os nossos sentidos nos transmitem.
E tanto assim é que somos obrigados a comunicar codificando e descodificando estas letras e imagens, presos que estamos a estas convenções.

E enquanto você o faz, vou ali dar corda ao relógio e trancar a porta.


Texto e imagem: by me

Músicas


Noutros tempos, algumas noites eram passadas assim:
Direitos a Campo D’Ourique, jantar no Velha Goa. Cozinha indiana que se recomendava, apesar de não ser barato, na altura.
Depois de excitadas as papilas gustativas e apaziguadas com um bom vinho – regra geral do Dão – descíamos para a cave.
A conversa continuava entre copos, as mais das vezes os que trazíamos de cima.
Até que as luzes baixavam e ficávamos a ouvir.
Rão Kyao.
Umas noites a solo, outras com acompanhamento.
Não havia quem não se deixasse levar pelo seu ritmo, pela alma que impunha no seu sax.
Quando acabava, encostava-se aos clientes e com eles fica à conversa um pouco. E voltava ao minúsculo palco para mais um bom pedaço de prazer acústico.
Saíamos sempre com pena de ter terminado.

É este tipo de música que também podemos encontrar nas Ramblas ou no Barri Gotic de Barcelona.
Sem nos esforçarmos muito.
Sem termos que pagar bilhete.
Pagando apenas aquilo que o nosso prazer nos mandar.
Como este saxofonista em que tropecei.
E onde me deixei ficar, sentado nuns degraus de pedra. Com mais não sei quantos mais que ali estavam. Sorrisos cúmplices entre a plateia e de agrado para o artista quando parava para descansar.
O tempo parou ali, entre aquelas pedras centenárias.



Texto e imagem: By me

domingo, 5 de abril de 2009

Paradinho da Silva


A estória que a seguir conto foi por mim protagonizada faz já uns bons anos. Só por si ela, a estória, nunca deveria ter acontecido, já que os comportamentos descritos – o meu e o do automobilista envolvido – não serão dos mais edificantes.
Mas aconteceu e tudo acabou em bem, sendo hoje motivo de risota ou, pelo menos, de sorrisos.
O que eu não sabia, na altura, é que já alguém tinha tido o mesmo problema cívico e tinha tido uma abordagem equivalente à minha. Bem mais elaborada, por sinal. Visivel AQUI - CLICK.
E a conclusão que daqui se pode tirar, para além dos conteúdos óbvios dos relatos, é que o ser humano, perante os mesmos problemas, acaba por encontrar soluções equivalentes, seja qual for o ponto do planeta em que se esteja.

Em tempos dei aulas numa escola profissional localizada no centro de Lisboa. Ficava ela numa curva de uma rua por onde passavam – e passam – os eléctricos da Carris.
Pois havia aquele cidadão, que nunca cheguei a conhecer, que costumava estacionar o carro, como muitos outros, em cima do passeio. O que não seria grave, visto este ser bem largo e permitir a passagem de peões, não fosse o facto de ser na curva. E, devido aos eléctricos, ele tinha que chegar o carro bem à frente, mesmo até tocar na parede, ou o amarelo não passaria.
Um dia, talvez devido a uma noite menos bem dormida ou a pressa de conseguir ainda um cafezinho antes da primeira aula, dei de novo com o tal carro. E entendi que não deveria por a minha vida em risco por causa da sua atitude egoísta. Vai daí, pus um pé em cima da roda e, usando-a como degrau, icei-me e passei-lhe por cima do capot. Não andei aos saltos em cima dele, mas também não tive qualquer tipo de cuidado com a forma de caminhar.
Claro está que alguns alunos bem como o funcionário da porta me viram e não faltaram alguns comentários jocosos.
No dia seguinte o carro lá estava de novo. Aliás, o local era tão reservado ao seu dono que já havia marcas do pára-choques no estuque da parede do prédio. E, tal como o carro, havia também um número anormal de alunos, dentro e fora do portão, à espera de verem o que se passaria. E, como o que mais custa é sempre a primeira vez, passei-lhe por cima de novo.
Ao terceiro dia a coisa repetiu-se, apenas com uma diferença: tinha boa parte da população estudantil à minha espera e, incluso, alguns professores que, discretamente, espreitavam por algumas janelas. E passei-lhe por cima mais uma vez, por entre a gritaria de aplauso da malta nova e uns sorrisos dos colegas.
Nunca aconteceu a quarta vez. O carro nunca mais ali estacionou e não mais alguém da escola teve que vir para o asfalto, calçada para ser exacto, por via daquela figura. Mas também nunca ninguém me veio pedir contas sobre os danos no capot do carro, que as chapas hoje pouco mais são que papel. E, no entanto, o meu acto e a minha figura em nada primaram pela discrição. Terá sido, certamente, a vergonha e o receio de ser confrontado com o que costumava fazer que o ou a terá impedido de me procurar.
Tudo isto antes da introdução dos parquímetros e dos amaldiçoados (por alguns) fiscais da EMEL. É que, as mais das vezes, só à bruta ou com medo algumas pessoas aprendem a respeitar os seus concidadãos.


Texto e fotografia: by me

sábado, 4 de abril de 2009

Se quereis alguma coisa bem feita...


… fazei-a vós mesmos!

Assim diz o povo e tem toda a razão.
Estes três da direita quiseram ser fotografados pela minha câmara mas não por mim, que me queriam na imagem também.
Acedi, desde que alguém fosse simpático o suficiente para premir o cabo disparador, depois de eu tudo preparar.
A primeira abordagem foi a dois agentes da PSP que patrulhavam o jardim. Azar, que de cívicos e com vontade de ajudar o próximo pouco tinham e recusaram liminarmente o pedido.
Acabou por ser uma dona, com ar de Hippie, o que quer que isso seja por cá que não seja uma forma de vestir que se espera encontrar nos vendedores de artesanato em feiras. E decorria uma feira de artesanato mesmo ali ao meu lado.
Pois tudo deixei preparado, corri ao local e fizemos pose. E a dona premiu o botão do cabo disparador.
Não sei se tremendo de excitação por o estar a fazer, se de inveja por não estar no lugar de algum de nós, se por inépcia total, conseguiu fazer aquilo que eu pensava não ser possível, usando um cabo disparador numa câmara bem assente num tripé: produzir uma fotografia tremida.

Se é verdade que todos os dias aprendemos qualquer coisa, para nosso bem e da humanidade, desta lição ainda não consegui tirar o sumo. A menos que o lugar do fotógrafo seja sempre, mas sempre, atrás da câmara e nunca, mas nunca, à sua frente, pois obterá resultados desastrosos.



Texto: by me
Imagem: by a desconhecida

sexta-feira, 3 de abril de 2009

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Um já está


Agora só faltam cinco pontos para a árvore voltar a ser livre e crescer como entender.


Texto e imagem: by me

Alguém me explique...


... que raio quer isto significar!
Cartaz supostamente incitador à participação dos cidadãos nas eleições para o parlamento europeu que em breve teremos.
Texto e imagem: by me

quarta-feira, 1 de abril de 2009

On photography - curvilinear truth


For more than 20 years we had this almost annual photographic meeting.
Named “Encontros de Fotografia de Coimbra”, it spreaded through the city of Coimbra, in churches, public buildings, universities, art galleries, bars and coffee shops, hospitals, museums, hotels and so on.
There we could see exhibitions covering all kinds of photography, from some of the XIX century to some done on propose to the event. Known or unknown photographers, nationals or not. From classic approaches to experimental photography. At the same time, we could attend to some conferences or workshops about the main subject of that year.
If I do well remember, I missed just two of them: the first because I didn’t knew of its existence, the other because I was sick. And, if I was working with some classes, I went there twice the same year: one, during two days, to see, taste and fell photography and to chose from all of them those that we could attend with the class, next week end, in just one day, after a trip of 200 km by bus. The options were of location, importance of author and work, subjects and their own interests, since they had the chance of chose some of them.
It was a very nice and fun day, all together, thinking, talking and breathing photography!
As everything else in life, those meetings faded away until they died. And I miss them!

Among all of those exhibitions, there is this one that I remember well.
It was a mixture of photographs and objects and was about a Russian cosmonaut.
We could see him as a baby, as a teenager, as a student, as a civilian and as a military officer. Wearing uniform or his space suit.
And they showed us as well his watch, his pen, some of his notebooks, parts of his uniform, medals, wallet and others.
At the end, they had this huge card waiting for us. There we could read that everything see before in that room was a fake. A huge cheat! The man wasn’t a cosmonaut, not even a Soviet citizen. It was Spanish (Catalan, if I well remember) and all the photographs and objects were build on propose for that exhibit.
Most of the public was chocked. They felted they had been taken as fools, believing in all that.
Some others gave felted laughers, understanding that as a big joke. I even heard some applause.
Most of them discovered there that photography is not a copy of the reality! And that the only truth we can find in photographs is the one the public take for guaranteed. Being not important the fidelity of the image with the original subject or the message.

As for the picture above, I can imagine what you have seen there.
But I can assure you that it is the inner curve of an elbow, belonging to a friend. It was done with a pocket camera and thinked for this text, or some alike.
And where is the truth in photography? In our minds, I guess!


Texto e imagem: by me