domingo, 31 de agosto de 2008

Small business in town


Surviving


Buildings may burn, but nature keeps going on.
Wouldn’t it be nice if we could say the same about us, humans?



Texto e imagem: by me

sábado, 30 de agosto de 2008

Garffitis


Confesso que sempre tive admiração pelos produtores de graffitis!
Por diversos motivos, uns mais ligados às artes, outros mais a questões filosóficas como limites, convenções, liberdade.
Este exemplo, que me chegou por mão amiga, pouco tem de artístico, mas nada fica a dever a quebra de convenções, liberdade e sentido de humor.



Texto: by me
Imagem: by Carla Mota

Até prova em contrário


É, com toda a certeza, uma ideia rebuscada. Tanto que o é que eu mesmo a tenho meio confusa cá por dentro. Mas o estar confusa não implica não ter convicções. E eu acredito no que a seguir irei expor.
Prende-se com a onda de criminalidade violenta que nestes últimos tempos temos vivido por cá.
Sabemos Portugal como um país razoavelmente pacato. Os chamados “brandos costumes”. Também por cá tem existido crime e violência, mas nada que se compare ao que se vive noutros países europeus, para não falar em transatlânticos.
Volta e meia lá há um assaltozito, alguns especialistas na técnica do puxão, alguns avisos em comboios e autocarros contra carteiristas e outros amigos do alheio, mas a violência não caracteriza a Terras Lusas.
Assim, como se justifica a recente vaga de violência no crime? Armas, tiros com ou sem vítimas, actuações dignas das melhores civilizações ocidentais. E tantos em tão pouco tempo. Será que fomos, de súbito, invadidos por criminosos, vindos sabe-se lá de onde, todos com o firme objectivo de vir aqui colher o que os nativos não aproveitam? Não creio!
Estou em crer que esta onde de crimes violentos não tem acontecido por acaso. Tantos em tão pouco tempo não acontecem por mera casualidade ou coincidência.
Haverá quem diga que se trata de consequências da crise que se vive, do desemprego, da ociosidade de uns tantos, de influências do cinema e de um ou outro líder menos escrupuloso que organiza este ou aquele assalto. Também isso poderá ser a origem. Mas tantos em tão pouco tempo? Todos durante os meses de verão?
Claro que os media estão a deliciar-se com a situação! Durante aquilo a que alguém chamou de “Silly Season”, em que os políticos estão de férias, em que os escândalos de figuras públicas ficam a bom recato e em que, neste ano em particular, acontece um silencio organizado sobre os incêndios estivais (sejam eles em maior ou menor numero e com maior ou menor área ardida), sobrou o evento maior chamado “jogos olímpicos”. Mas mesmo este foi a prazo, sendo que, em terminados, pouco mais havia com que encher primeiras páginas e edições especiais. Nada como uns crimezinhos coloridos para abanar a modorra do calor (que por sinal não se tem manifestado, nem mesmo ele tem provocado notícias!).
Vai daí, venham todos eles. Nos bancos, nos correios, nos tribunais, nas ourivesarias, nas estradas. E, se houver umas imagens mais “interessantes”, como sejam uns tiritos, uns cacos de vidro, uns restos de carros, uns sinais de violência, ainda melhor.
Mas esta será a abordagem normal de qualquer director de informação de qualquer jornal ou televisão. Então, porquê mais notícias este ano que qualquer outro, porquê mais agora no verão que em qualquer outra ocasião? Porque, efectivamente, mais aconteceram agora e este ano que em qualquer outro.
Claro que os políticos e as organizações políticas esfregam as mãos de contentes!
A oposição porque tem motivo para atacar o governo e o seu partido, acusando-o de ineficaz no combate ao crime. E, de caminho, vai acrescentando umas acusações de instabilidade sócio-económica como justificação.
Ao governo e a quem o suporta, porque vai, este ambiente de medos e receios populares, desviando as atenções da efectiva crise económica que se vive. Para além da crise do petróleo (as petrolíferas continuam com lucros estrondosos), da crise do imobiliário (os bancos continuam a apresentar resultados obscenos), da crise do emprego (o INE fala de menor indicie, mas eu oiço mais gente a falar de estar sem emprego), do aumento da inflação e dos prognósticos pessimistas das entidades mundiais sobre Portugal, se o pacato cidadão tiver medo da sua segurança e dos seus bens, menos atenção dará a estas questões “menores” do dinheiro e da comida na mesa.
Acrescente-se que a existência de crime nas ruas e violento, dá justificação para, no próximo orçamento de estado, aumentarem as dotações das polícias em detrimento das sociais. E a população aplaudirá, calando a boca a qualquer oposição que o conteste.
Além do mais, a existência de medo por entre a população permite alterar leis punitivas e preventivas que, mesmo que ponham em causa as liberdades individuais, agradarão àqueles que tremem ao ver a sua própria sombra. Curioso é constatar a quantidade pequenas leis avulsas, propostas de lei e declarações de intenção que surgiram desde o início desta onda de violência. Ou bem que quem as cria são génios que acordaram com a solução destes males sob a almofada, ou bem que elas estavam pensadas e organizadas, apenas à espera da oportunidade de as pôr em público e em prática. Junte-se a esta minha surpresa a que tem sido manifestada, ainda que em círculos restritos, por alguns juízes e juristas. Que, à boca pequena, vão comentando as soluções tiradas da cartola por quem governa e legisla.
Por outro lado, o cidadão, em sabendo dos assaltos (tantos em tão pouco tempo!) e em vendo as reacções musculadas das polícias, com rusgas, operações stop, helicópteros nocturnos e demais aparato, agradece por ter estes governantes que intervêm quando necessário. Mesmo que isso implique ser-se identificado a qualquer hora do dia ou da noite, mesmo que isso implique haver casas vasculhadas e semi-destruidas por rusgas de façanhudos policiais, mesmo que isso implique que cada carro poderá agora ser identificado e registado pelo simples facto de passar junto a um carro patrulha ou posto policial sem que o seu condutor de tal o saiba, mesmo que isso implique o aumento das bases de dados que definem comportamentos económicos e sociais de cada cidadão, queira ou não ele contribuir para tal processo. Em nome da segurança, a liberdade de circulação e de anonimato vai-se esvaindo como água entre os dedos e com o aplauso da populaça.
A concretização de desejos, desde há muito manifestados, de uns quanto políticos e outros da nossa praça, e não só!

Assim, juntando todas estas pequenas, ou não, pedrinhas, acrescidas daquilo que conhecemos da arrogância e pleno-poder daqueles que nos governam, construo um muro de desconfiança em torno da recente onda de violência e criminalidade condensada no tempo que por cá tem grassado. E não acredito que ela aconteça por acaso, fruto de vontades autónomas de pequenos grupos de criminosos.
E acredito que mente ou mentes organizadas tenham, não direi que gizado, mas talvez incitado e permitido que a insegurança deixasse de ser apenas uma sensação para passar a era real. E dela tirar os proveitos respectivos!
Que a ideia é rebuscada, concordo. Que pode parecer uma manifestação da “teoria da conspiração”, também. Mas, até que alguém me prove o contrário, e solidamente provado, ela está enraizada na minha mente.



Texto e imagem: by me

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Na parede de uma escola

Lisboa, séc. XXI

Sapatos suburbanos


Não se trata de nenhum fetiche esconso e inconfesso. Apenas entendo que sapatos jogados fora contam bem mais que outras peças de roupa.
De um casaco, camisa ou calças caídos na rua pouco consigo imaginar sobre os seus donos anteriores, Quer estejam perto ou longe de um contentor de lixo. Agora calçado…
Sapatos só se jogam fora quando já não têm recuperação possível. Mesmo aqueles que fazem questão de andar à moda sabem que se para o ano já não se usa talvez daqui a uns três ou quatro volte a estar na berra. E os sapatos, botas ou chinelos guardam-se.
Quanto às peças de roupa, se jogadas fora, tanto pode ser por estarem estragadas sem remédio ou por o seu dono ter crescido para além das medidas, na vertical como é suposto, ou na horizontal como se desgosta.
Em qualquer dos casos, em encontrado calçado abandonado, fotografo-o, sendo que já vou tendo uma colecção razoável, de todos os tipos, formatos e utilizações.

Pois um destes dias, estava eu lá no bairro, disposto a fotografar mais uns exemplares e esperava que uns quantos transeuntes passassem entre mim e o local onde jaziam os sapatos.
Uma senhora, aí dos seus sessentas bem medidos, fez-me sinal para eu fazer o que tinha a fazer, que ela esperaria. Quando retomou o caminho, aproximou-se e perguntou-me:
Anda a fotografar o lixo da Tapada?
A minha figura, de facto, não é das mais discretas e o meu apontar de objectiva também não é o que há de mais comum, pelo que ela já me deveria ter visto por ali. Mas sempre lhe disse que não era bem isso que se passava, que morava por ali e que ia fotografando o que me dava na veneta.
Nem me deixou acabar o discurso. Em tom exaltado, recomendou-me que fosse ali, àquela rua nas traseiras do seu prédio, onde o lixo se ia acumulando sem rei nem roque. E que o barulho que ali ia acontecendo também teria que ser fiscalizado.
Fiquei a olhar para ela e para a sua fragilidade e desabafo, e fui-lhe explicando que essa não era a minha função e onde poderia ali por perto – o gabinete do munícipe – fazer tais reclamações.
Ai é?!” respondeu “Pois não sabia. Mas, de qualquer maneira, não vou lá! Eles é que têm que andar por aí, a ver o que se passa. E, sei lá, se lá fosse os que andam aí afazer essas festas ainda se vingavam… Não, eu não vou!

Pois é, são estas atitudes de retraimento e de alijar responsabilidades que fazem com que uns quantos ponham e disponham da vida de todos os outros.
E, se bem que os diversos serviços – segurança, higiene, urbanismo, que nós pagamos através dos impostos – devam estar alerta e funcionais, não podemos esperar que esteja em toda a parte e a todo o momento.
É função nossa, enquanto cidadãos, intervir com elogios e divulgações o que temos de bom e denunciar e corrigir o que temos de mau.
Quando não, teremos um pastor, uns quantos cães e a imensidão de ovelhas no rebanho – nós!

E ela lá foi, com o seu saco de compras, tal como eu com o meu saco de fotografia. Com a diferença que, neste, havia com que fazer essas denuncias e divulgações. E refutar a classificação de ovelha, negra ou não!


Texto e imagem: by me

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O chinelo


Já está aqui há mais de uma semana.
Mesmo em frente do café onde espanto o meu sono matinal, repousa encostado ao lancil do passeio, quase indiferente a quem passa.
E se digo quase indiferente é porque agora deve sofrer de solidão. Daquela triste e profunda. É que, quando o conheci por ali, estava acompanhado pela sua cara-metade, o chinelo do pé esquerdo, que jazia ali a uns vinte centímetros de distância. O divórcio aconteceu e ali ficou, o parente pobre e doente, acabado mesmo, à espera que alguém lhe dê um destino final.
Claro que me pergunto porque raio alguém foi levar um chinelo de um pé, deixando o seu par para trás. Bem sei que este de pouco poderá servir, mas levar um chinelo ou sapato e deixar o outro é, no mínimo, bizarro. Tanto mais que não conheço, aqui pelas vizinhanças, quem quer que seja a quem falte uma perna ou pé. Esquerdo ou direito.
Claro que poderá tratar-se de alguém com recursos mais que limitados, sem poder comprar um par destes chinelos e que, mesmo apenas com um desirmanado, se sinta feliz. Porque, afinal, o consumismo e as modas tocam a todos, com ou sem meios de satisfazer esta pressão social.

Mas eu olho para esta moda, importada de terras de além-mar, e fico-me a rir.
Com um desenho base idêntico, com mais ou menos decoração e variações de cores, não há veraneante imbuído do espírito de “não-quero-ser-diferente” que não ande com este pé de chinelo no pé. Que é bem e sinal de modernidade.
O que leva a concluir que as modas são cíclicas (há quem o afirme, defenda e pratique) ou, em alternativa, que eu e outros como eu somos ou fomos gente muito avançada para a nossa época. Porque, há mais de trinta anos, quando praticava judo, este era o calçado que usávamos para aceder dos balneários para o dojo e, no regresso, o que usávamos para tomar o duche após o treino, por via de eventuais contaminações de fungos do chão molhado.
Vendiam-se, então, nas drogarias, feiras e lojas de preços baixos, encontravam-se com dificuldade nas outras especializadas em calçado ou artigos desportivos. E ninguém teria a coragem ou ousadia de comparecer na escola ou trabalho com eles, os chinelos, nos pés.
Acredito que hoje, com o pedantismo que certas modas provocam, existam festas de chinelo, onde apenas serão admitas pessoas que os tragam calçados. E onde, para satisfação de algum fetiche escondido, todos observem, elogiem ou cobicem o chinelo do vizinho e o respectivo pé.
Quem sabe se o par deste não aparecerá numa delas, exibido qual troféu raro, já que o seu portador terá, no outro pé, um exemplar diferente, levando a moda do chinelo aos limites do “requinte” e “esquisitismo”.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sobre um saco de roupa no chão


Para quem tiver dúvidas, aqui fica o aviso: Escrever é muito mais fácil que fotografar. E este é um exemplo!

Num domingo de Agosto, a meio do dia e no meu bairro tipicamente suburbano, deparo-me com isto: um montão de roupa no chão, ainda junto ao saco que, possivelmente a transportava. Isto num parqueamento do principal cruzamento local. E bem encostadinho a um carro.
Só por si, roupa caída no chão, muita ou pouca, é incomum. Tanto mais que o caixote de lixo mais próximo dista uns bons cinquenta metros, pelo que dificilmente se poderá argumentar que se trata de algo não recolhido pelos funcionários municipais.
Fica, assim, a dúvida do porquê de tal situação e várias explicações me surgem, qual delas mais rebuscada. Mas não será a vida, por si mesma, suficientemente elaborada para nos surpreender a cada momento?

Consigo imaginar que, num bairro como este onde é frequente ver gente a mudar de casa, este saco tenha caído no processo.
As campanhas que vão sendo feitas, de há muitos anos a esta parte, para que cada um seja o dono da sua própria habitação, têm levado muito boa gente a criar situações de insolvência perante os bancos, sendo que muitos são os que as abandonam, nem sempre com a mais das transparências no processo. O mesmo se constata no tocante a casas arrendadas, de onde, em chegando ao final dos prazos-limite, se zarpa rapidamente e pela calada, quantas vezes de noite ou num fim-de-semana, quando os senhorios ou seus representantes não estão por perto para impedir a partida dos incumpridores e ficar-lhes com os parcos haveres que possuem.
Sinais de uns tempos de crise, digam o que disserem os nossos governos, onde as precariedades de emprego, a insegurança e indefinição dos futuros, os salários baixíssimos, os gordos lucros de bancos e enormes incentivos ao consumismo desenfreado, conduzem a situações de desespero.

Também consigo imaginar que estas roupas, que ainda que usadas não estão sujas nem rotas, não estejam aqui por acaso.
Recordo vários filmes, que nunca tal assisti ao vivo, onde ela atira pela janela uma mala com roupa, seguida ou antecedida por livros, discos e outros objectos pessoais, num despejo público do companheiro. Não se trata apenas de uma publicidade ao repúdio como também um vetar ao escorraçado o pacato recolher dos eus pertences.
Estes actos, que deixam a privacidade da domus, são uma espécie de cerimónia pública de divórcio, o oposto da festa do casamento, a materialização de uma raiva por vezes por muito tempo contida, por outras explosão instintiva face a uma descoberta insuspeita.
Este assim expor de roupa no chão, colocada de tal forma que o automóvel, para se deslocar, tem que forçosamente passar-lhe por cima, leva-me a imaginar que o dono do carro seja o mesmo que terá usado aquelas peças de vestuário, algumas bem íntimas. E que este saco aqui tenha sido colocado assim de propósito, já que a distancia ao prédio mais próximo não permite um arremedo por janela.

Cabe igualmente na minha imaginação que este saco tenha sido colocado cuidadosamente no caixotão de lixo, a uns bons cinquenta metros de distância.
Mas que de lá tenha sido retirado por um dos catadores de lixo que por aqui existem. Aqueles que vivem do que os restantes jogam fora, alguns dos quais que não se limitam a recolher o supérfluo mas que chegam ao ponto de recolher os restos de alimentos.
Alguns conheço eu de vista, que habituais são nas suas rondas. Uns, mais industrializados, com pequenas camionetas ou automóveis, vão recolhendo o que encontram nos ou junto aos contentores, com algumas especializações pelo caminho – sucata, moveis e electrodomésticos, papel – outros, mais modestos, com um pequeno carrinho de compras numa mão e um gancho adaptado na outra, vão revirando o conteúdo dos grandes caixotes, na esperança de encontrarem e recolherem algo que possa valer alguma coisa.
Este saco pode ter sido retirado de um dos contentores, mas não por um dos “profissionais”. Estes não fazem a inspecção à distância nem deixam a sua zona de “trabalho” conspurcada. Curioso de notar que os que vivem das sobras dos outros se preocupam mais com o asseio do espaço público que aqueles que produzem esta matéria-prima de sobrevivência.
Assim, e a ser este o caso, tratar-se-à de um novato na actividade, alguém que possui ainda vergonha de o fazer, alguém que desceu a este ponto na escala social mas que ainda não se conformou com tal. Que se afastou pudicamente, para que não fosse notório o seu rebuscar.

Considerando estas três abordagens, e mais uma ou duas que sem grande esforço, conseguiria aqui explanar, pergunto-me que fotografia poderia eu fazer que as exemplificasse. Considerando que não vi ninguém nas imediações com ar de ser o dono, permanente ou temporário, do saco e seu conteúdo, considerando que não quereria alterar nada do que aqui vi e que o vi em passagem a caminho do trabalho.
Ainda fiz mais umas quatro imagens, jogando com perspectivas e fundos e todas com o telemóvel. Mas esta foi a que me pareceu menos má, estando ainda assim, bem longe de poder retratar com eficácia tudo o que me surgiu na mente ao olhar para isto.
Não tem dúvida: imaginar e escrever é bem mais fácil que fotografar!



Texto e imagem: by me

domingo, 24 de agosto de 2008

Pedrada


Na panóplia de sangreiras e desgraças que os media usam diariamente, por vezes encontramos excepções. Uma pedrada no charco ou no espelho que eles querem fazer do país.
Eis um exemplo, in “Público.pt”

Uma mulher de 22 anos teve uma criança na ambulância dos bombeiros do Bombarral, à entrada da auto-estrada A8, tendo o parto sido assistido por uma médica da VMER - Viatura Médica de Emergência e Reanimação.
Os bombeiros transportaram a grávida e ao mesmo tempo o INEM enviou a VMER e o parto foi feito "a meio caminho para o hospital das Caldas da Rainha", à entrada da A8 (auto-estrada que liga Lisboa a Leiria), contou à Lusa Pedro Rodrigues, um dos três bombeiros que seguia na ambulância.
Diana, com 2,790 quilos, nasceu às 19h20, meia hora depois de terem sido chamados os bombeiros.
A mulher, que estava grávida do primeiro filho, é do concelho vizinho do Cadaval e estava num café do Bombarral quando avisou os bombeiros.
"Sabendo que ela estava com contracções de minuto decidimos iniciar o transporte, mas ao mesmo tempo passámos os dados ao INEM e combinámos esperar pela VMER à entrada da A8 em S. Mamede", relatou o bombeiro.
"Correu tudo muito bem e para nós foi uma alegria e uma grande emoção quando o bebé nasceu", disse o bombeiro de 25 anos que pela primeira vez efectuou um parto ao serviço da corporação.
"Mãe e criança estão perfeitas", disse à Lusa fonte do bloco de partos do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha.
O nascimento a bordo de uma ambulância é "um caso raro pois nesta zona as acessibilidades são muito boas (o Bombarral fica a pouco mais de dez minutos do Centro Hospitalar das Caldas da Rainha) e geralmente chegam a tempo", acrescentou a mesma fonte.


Imagem: by me

Vazio


Este recanto vazio faz parte de uma saída de emergência lá, onde trabalho. Usamo-lo, nas pausas, como local de fumadores, caso não chova. Em vindo o mau tempo, logo se verá como faremos.
A uns cem metros daqui, em linha recta, fica a nossa cantina. Em fim-de-semana, a meio de Agosto, está quase tão vazia quanto este pátio. E foi lá que me sentei para almoçar, não tanto para tomar uma refeição, mas mais para meter o combustível necessário ao dia de trabalho.
Vazio que estava, acabei por ficar numa mesa grande, de uns dez lugares, a uns bons metros de distancia de qualquer outra ocupada. De frente para a janela, sempre ficava com a ilusão de não estar ali preso, quando tantas outras coisas interessantes e apetecíveis há para fazer lá fora.
Na mesa ocupada mais próxima, alguns companheiros e companheiras almoçavam como eu e aproveitavam o tempo para conversar. No caso, sobre os assaltos violentos e as intervenções policiais mais ou menos eficazes, mais ou menos violentas. No quase silencio daquela grande sala de refeições, não podia deixar de ouvir, quisesse ou não.
Um dos comensais ia argumentando que, no caso do assalto ao banco BES, todos elogiavam o desfecho do assalto, com a libertação incólume dos reféns (hoje diz-se, polidamente, sequestrados). Com muita ironia, ia dizendo que ninguém referia que um dos atiradores da polícia tinha falhado o tiro, já que, dos dois bandidos, um deles não tinha morrido logo ali. E acrescentava que as forças decisoras ultrapassam a lei, decidindo a morte de gente num país onde a morte de alguém é condenada e punida e onde a pena de morte não existe.
Fiquei a pensar nisto, não podendo discordar, e perdi o fio à conversa. Apenas o recuperei quando o mesmo afirmou, em tom mais alto e apontando para mim:
Até aquele, que é de esquerda, está a beber Coca-Cola!
Fiquei furioso, ou triste, não sei bem!
Não tanto por ter afirmado que estava com aquela beberagem. Aliás, em tom jocoso e de cumplicidade, retorqui-lhe que estava com prisão de ventre que aquilo era um remédio santo para tal maleita.
Mas o que me perturbou foi o rótulo de “ser de esquerda”!
Não basta já a questão dos rótulos, que definem com algum rigor o rotulado, sem deixar azo a segundas interpretações ou alternativas. Teria que ser de esquerda, num tempo em que o ser se conota com uma atitude de contestação, de anti-americanismo, de pró-socialismo, de proximidade com partidos e ideologias tipificadas e esteriótipadas.
Não! Não sou de esquerda nem de direita ou de centro! Nem mesmo de cima ou de baixo!
Sou mais daquele ponto do espaço político onde a hierarquia, a existir, é a da competência e capacidade, onde cada ser vivo é-me tão próximo e importante quanto a minha mão ou umbigo e onde existe uma única elite, composta de todos os Homens.
Que, a partir do momento em que existe um rótulo e quem com ele se identifique, existem outros que dele estão fora, criando logo diferenças e níveis de importância. E, com isto, “Todos seremos iguais, mas uns mais que outros!
O único espectro político a que posso pertencer assemelha-se a este pátio: em regra vazio mas que, quando ocupado, somos realmente todos iguais – fumadores e nada mais! Seres humanos com as suas fraquezas e virtudes mas assumidamente iguais!


Texto e imagem: by me

sábado, 23 de agosto de 2008

Desgosto fotográfico


A história tem perto de trinta anos.
Vi no peitoril da janela um insecto. Pequenito e não voador, recordo que tinha cores bonitas e diferentes. E achei que era um bom assunto para fotografar.
Mas vários problemas se levantavam.
Desde logo o seu tamanho. Os menos de dez milímetros que possuía implicavam recorrer a técnicas de macro fotografia, pelo que decidi usar a objectiva de 50 mm invertida no corpo da Pentax LX. Esta técnica, que permite uma escala de reprodução bem grande, implica uma igualmente grande proximidade ao assunto, uns 20 mm, mais coisa, menos coisa.
Para a iluminação, haveria que recorrer à luz natural e reflectores, já que a proximidade inviabiliza o uso de flash, anelar ou clássico.
Assim, e decididas estas questões de cariz técnico, usei de um copo de vidro para evitar que o bichinho se fosse embora. Não me passaria pela cabeça fazer-lhe mal e iria liberta-lo assim que o fotografasse.
Mas o coitado não estava lá muito pelos ajustes, e não havia forma de estar parado. Fora do copo fugiria, dentro dele, e visto da abertura, ficava fora de foco e através do vidro com distorções de imagem. Que fazer?
Usando dos recursos existentes em casa e de um pouco de imaginação, concebi um dispositivo:
Sacrifiquei uma caixa de filtros, com uns 60 mm de diâmetro e, numa das metades, cortei-lhe o fundo. No seu lugar, colei-lhe uma placa de vidro, do tamanho dos filtros Cokin, que tinha mandado fazer para uma experiências com filtros neutros feitos com negro de fumo. (São fáceis de fazer mas um cuidado se impõe: a chama muito próxima pode partir o vidro com o calor)
Fiquei assim com o que necessitava: um recinto para conter o bicharoco e com altura e luz suficiente.
Montei todo o dispositivo (câmara em tripé, caixa, luz), assegurei-me da quantidade e qualidade de luz e foco e tratei de transferir o animal do copo para a caixa.
Quando coloquei esta sob a objectiva e espreitei pelo visor, ainda fui a tempo de ver os últimos estertores do pequenote. Esperneava e contorcia-se, enchendo com a sua agonia todo o enquadramento. E morreu!
Doeu-me! Juro que me doeu fundo na alma! Pela sua morte não desejada e que procurara evitar e por não perceber o que se passara. Só após uma análise aprofundada da situação dei com a coisa: os vapores da cola que tinha usado tinham intoxicado o insecto.

Até àquela data nunca tinha pensado seriamente no assunto. Mas os conceitos estavam cá, não teorizados ou definidos. Mas ficou perfeitamente claro para mim na altura.
O meu prazer fotográfico – egoísta, pela certa – não justifica em nenhuma circunstância a morte de animal ou planta.
Ou bem que consigo a imagem pretendida respeitando a vida e a integridade do ser vivo a fotografar, ou vou à procura de qualquer outra coisa onde assentar a minha objectiva.
Que a ética e o respeito pela vida não passa apenas pelos humanos!



Texto e imagem: by me

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Perigos no sub-solo


É daquelas coisas que me incomoda e de várias formas!
Já deixou de ser moda, para passar a ser habitual, o encontrarmos painéis de vídeo nos cais do metropolitano de Lisboa.
Por si mesmo não seriam problemáticos, não fora dois aspectos, qual deles o mais perigoso. A saber:

Misturado com publicidade e videoclips, surgem pequenas sequências de imagens com textos acoplados, a que se pode dar o nome de “notícias”. E a questão põe-se no facto de estas não possuírem identificação do responsável editorial. Quem selecciona temas, quem selecciona as imagens, quem selecciona os títulos, quem escolhe entre que clip de música ou de publicidade surgem.
E a questão editorial não é de somenos importância! É por se saber quem é o editor que se pode dar, ou não, credibilidade ao que ali vemos ou ouvimos. A credibilidade que damos a um periódico impresso como seja o jornal “Público” não é, certamente, a mesma que damos um outro que tenha o nome de “O crime” ou “A merda” ou “Incrível”, para citar apenas três que estiveram nas bancas até há alguns anos.
E a questão da credibilidade e da responsabilidade de um conjunto de notícias acaba por ser da maior importância, já que estas condicionam, gostemos ou não, os comportamentos da sociedade. O exacerbar determinado assunto, o omitir determinado pormenor, o ter uma opinião não isenta, pode e leva os receptores a formarem uma ideia do que se passa em redor que poderá não corresponder à verdade mas tão só às vontades de quem divulga o que ali se consome.
Daí a importância de se conhecer o ou os responsáveis pela informação para que possamos aceitar e consumir ou rejeitar liminarmente.
Notícias anónimas são tão perigosas quanto boatos ou cartas com antraz!

O outro aspecto igualmente perigoso é a forma como essas mesmas notícias – e publicidade, já agora – chegam aos passageiros que aguardam o comboio no cais: visualmente e auditivamente. Trata-se, de facto, de um suporta audiovisual.
Mas acontece que quer se queira quer não se queira consumir o que ali é apresentado não há como o evitar. Que se podemos desviar a nossa atenção visual de um dado ponto, já o mesmo não conseguimos fazer com o som. A menos que tapemos os ouvidos.
Desta forma, os tais conteúdos não assinados e responsabilizados chegam ao conhecimento deste público específico mesmo contra sua vontade.
Pior ainda: por entre os sons emanados pelos demais passageiros no cais e restantes origens sonoras, aquelas mensagens acabam por entrar na mente de quem ali está quase que sem que nos apercebamos de tal. Tanto as publicidades que nos podem levar a consumir produtos como as notícias que nos podem levar a tomar posições ou decisões no quotidiano. É uma espécie de lavagem ao cérebro que sabemos que está a acontecer e que não podemos evitar.

Ainda que possa parecer rebuscado, recordo de novo o clássico “1984” de Orwell, onde ver televisão era uma tarefa obrigatória para todos os cidadãos e cujo incumprimento era ou poderia ser punido pela polícia.
E o que se torna triste neste relembrar este romance, é que ele tem mais de cinquenta anos, já que foi escrito em 1948, misturando o regime Nazi com o que vigorava na Rússia, na Grã-bretanha e nos Estados Unidos. Tudo por atacado, numa antevisão por muitos considerada exagerada, quiçá dantesca, mas que, aos poucos, vamos constatando a sua implementação.


Texto e imagem: by me

Killing time


And something else!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Sem nome


Tenho que admitir: não sou consumidor de telenovelas!
Sei que este produto televisivo tem grande popularidade e alimenta boa parte da indústria televisiva, tanto na produção como na publicidade.
Mas também tenho que aceitar que eu mesmo tenho bastante mais que fazer com a minha vida que viver, dia após dia, os sonhos dos outros. E ter que ficar amarrado a esses sonhos, com algum dose de frustração se perder um detalhe que seja ou andar atrás das revistas cor-de-rosa tentando antecipar a vida virtual do pequeno ecrã. Prefiro viver os meus próprios sonhos, com as minhas felicidades e frustrações, construindo o meu futuro com as minhas próprias mãos e ter o prazer de o ver acontecer e saber que é meu.
Os sonhos dos outros, procuro-os pontualmente, e quando quero, na literatura e no cinema, sabendo que têm um principio e um fim bem definido.
No entanto, tenho que aceitar que parte do meu pão advém da existência de telenovelas, já que é a publicidade que lhes está associada que paga parte do meu salário. E que as experiências que tive na produção de telenovelas foram enriquecedoras, tanto do ponto de vista pessoal como profissional.
Não há bela sem senão!

Apesar de tudo isto, e ainda que o que a seguir conto se passar na concorrência, por vezes fico arrepiado até à medula!
Venho a descobrir, através de um jornal, que está em fase de produção uma telenovela cujo enredo acontece em torno da tauromaquia. Ao que soube, um dos principais personagens é um forcado e o publico que seguir este trabalho terá oportunidade de ver estas actividades logo a seguir aos noticiários, em horário nobre.
Lamento ter que usar este chavão, mas as telenovelas são “telelixo”, com a intoxicação diária que provocam. Mas inserir numa a lide tauromáquica é transformar isso em “televeneno”! É equivalente a introduzir imagens subliminares nas séries e outros entretenimentos, é um lavar publicamente uma actividade que sabemos condenada e condenável. É um tentar tornar popular uma prática que vive do sofrimento de animais, à imagem e semelhança do que se fazia, faz já 2000 anos, com os condenados às feras.
Se, um destes dias, foi feita uma sentença judicial impedindo uma transmissão televisiva de uma corrida de toiros, com o argumento que se tratava de um espetaculo por demais violento para ser transmitido em horário acessível a crianças e adolescentes, passível de as influenciar negativamente, como é admissível que se tente branquear esta decisão e contornar o impedimento com o pintar de cor-de-rosa o sangue dos bovinos que escorre das farpas espetadas no lombo?

Se as telenovelas são lixo e as corridas de toiros são crueldade, aliar ambas que nome pode ter? Deixo ao vosso critério o inventar o termo que a defina!


Texto e imagem: by me

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Medos


… O Sindicato da Hotelaria do Norte considera que a criação de uma lista negra de clientes dos estabelecimentos nocturnos seria um "precedente grave" e uma medida anticonstitucional. Uma posição em forma de comunicado e que reforça a opinião das associações de consumidores e de constitucionalistas. …

Este é um pedaço de um artigo que consta de um jornal diário de hoje. Aliás, é tema de artigo em dois diários on-line.
Mas, confesso, não sei muito bem o porquê desta polémica. Senão, vejamos alguns exemplos práticos do dia-a-dia:
Existe um museu, em Lisboa, onde só é possível entrar depois de se passar por um pórtico detector de metais e de, na recepção/portaria, se deixar o que quem lá está considerar “não adequado” ao local.
Existe um museu, em Lisboa, que condiciona a entrada de sacos e/ou mochilas do seus visitantes ao olhar criterioso dos vigilantes da entrada. A alguns é permitido sem mais, a outros se e só se os respectivos pertences forem deixados na recepção.
Na maioria das gasolineiras, não é autorizada a entrada na zona de conveniência e de pagamentos de combustível a quem estiver de capacete de motorizada na cabeça.
Bares e discotecas há, pelo país fora, que condicionam a entrada de clientes ao aspecto que possuem, impedindo o acesso, por exemplo, a quem calce sapatilhas ou chinelos.
Noutros bares ou discotecas, é restringida a entrada pelo número ou género, não sendo admitidos clientes do sexo feminino que queiram entrar sozinhas.
Há restaurantes, poucos mas alguns, de altos preços, que sugerem aos seus comensais masculinos, o uso de gravata. E, para quem não a tiver consigo, emprestam uma na altura.
Já se encontram dependências bancárias onde existem, bem visíveis, sinais de proibição de uso de capacete de motociclo.
Quem quiser viajar de avião, doméstico ou internacional, ou de camioneta internacional, terá que se identificar com BI, sob pena de ver recusada a venda do bilhete.
Eu próprio corro o risco de ver vetada a minha entrada em alguns locais a menos que retire o chapéu e óculos, sendo que, ainda assim, ponho dúvidas do que me acontecerá no interior desses estabelecimentos.

Posto isto, qual o mal de se restringir o acesso a bares e restaurantes a desordeiros constantes de listas e bases de dados de interdições? Não está o “Big Brother” a implantar-se em tudo quanto é lado, vetando e marginalizando quem quer que seja que não respeite os cânones sociais da decência e das formalidades-padrão?
Venham lá essas restrições e todas as outras de que se lembrarem. Porque o caminho que a actual sociedade percorre é, inexoravelmente e em nome de uma tal “segurança”, o do controlo total e da restrição da liberdade individual.

Porque o medo, que aos poucos se vai instalando por cá e por lá, se alimenta também do diferente. Da falta de coragem de se o ser e, por consequência, da marginalização de quem o é.



Texto e imagem: by me

domingo, 17 de agosto de 2008

Na noite


Às nove e meia já lá estava!
Tendo aprendido com a experiência anterior (e porque não tenho o equipamento disponível de momento) fiquei-me por uma esquina da rua onde não tinha candeeiros a incomodar e, se fosse caso disso e chovesse, poderia proteger-me com facilidade. Mas os binóculos iam na mão, com o firme propósito de os usar – caricato, isto de usar binóculos quando só se vê de um olho! – e de tirar o máximo proveito do eclipse parcial da Lua.
As nuvens, como de costume, iam tapando e destapando o fenómeno, mas ainda dava para o ver e constatar, ao vivo, os movimentos dos astros e as influencias que uns provocam nos outros.
Acredito que os selenitas fiquem de igual forma a olhar para o céu, vendo a deshoras ficarem sem a preciosa luz do sol. Tanto mais que, por lá, quando faz sombra faz igualmente um frio de rachar.
Estava eu, portanto, na esquina da rua, já mais perto da dez que das nove e meia, a olhar para o céu e para a lua através das lentes, quando oiço uma voz exclamar: “Olha para aquele, de binóculos para o céu!
Olhei em redor e tratava-se de duas mocinhas, aí dos seus 14 anitos, que transitavam a caminho da casa de uma delas.
Levantando a voz para que fosse ouvido do outro lado da rua, tive que insistir para que viessem ter comigo e usufruíssem do que tinha na mão. Desconfiaram, a principio, que de onde estavam nada viam, mas acabaram por vir, mais pela estranheza da figura que pelo fenómeno astral.
E ali estivemos, uns bons vinte minutos, a espreitar à vez e comigo a explicar o que estavam a ver: a sombra da terra na lua. De como e em que circunstancias tal sucede. E, de entre as várias perguntas que foram fazendo, uma me ficou na memória: “Como é que sabe tudo isto?
Espero que tenham ficado a saber que, ao contrário do que parece, os jornais não falam apenas de política, sangreiras e futebol, que a internete serve para outras coisas também que não apenas para os chats e o sacar músicas e que o vetusto “Borda dágua”, que se vende nalgumas papelarias antigas e pelas mãos de alguns pedintes, tem indicações úteis deste estilo. Não lhes quis falar de Atlas ou de Enciclopédias, que são coisas que, para aquelas idades, só os cotas usam.
A única coisa que não conseguiram ver (nem eu) foi o tom avermelhado que a Lua assume nestes casos. Que as benditas nuvens que, nestas noites fazem questão de aparecer, não deixaram que se notasse.
E foi pena! Que, a ser verdade o que o site da NASA conta, os eclipses previstos para o ano que vem não serão visíveis aqui de Portugal.


Texto e imagem: me by me

sábado, 16 de agosto de 2008

Challenges


It’s empty! Gi’me another one!

My DSLR Pentax is being repaired. As my Olympus is almost reserve to my “Oldfashion” project, I can only use my cellular or, if you prefer, the Sony-Ericson K800i.
When I got it, I intended to do some experiments with a focal fixed, always ready and “idiot-proof” camera.
With the modern technology and lens, we get use to do some zoom-in and zoom-out, playing whit “dof”, over and under exposure and all the other stuff that they allow us to do.
The use of a “phone-camera” make me think in some other way, working as close as I can, playing around with perspective, relying on the auto-focus and making the most of it, picking it up from my belt and shot, almost as fast as “Lucky Luke”.
It’s harder, whit this camera, to illustrate some of my writings, due to it’s limitations. But that’s part of the challenge. And fun!


Texto e imagem: by me

Telelé e volante


Foi noticia há uns dias no jornal “El periodico” da Catalunha:
Nos primeiros seis meses deste ano foram multados mais de 12.000 automobilistas em Barcelona pelo uso de telemóvel durante a condução.
Foi uma diminuição de alguns poucos pontos percentuais em relação ao ano anterior mas, mesmo assim, um valor extraordinariamente elevado que o município e restantes autoridades catalãs querem fazer baixar a todo o custo.
Há que esclarecer, em acréscimo, que este tipo de infracção se estende ao uso de qualquer sistema de telefonia sem fios que implique o uso de mãos, como será o caso do já velhinhos CB’s (Banda do Cidadão), que costumamos ver nos táxis e noutros veículos para contactos com centrais de tráfego.

Ora sendo verdade que, por cá, também isto é uma infracção ao código da estrada e que muito raramente vemos ou sabemos de alguém multado por tal, bem que gostaria de não continuar a ouvir falar em “Caça às multas” e afins. Por que se há coisa fácil de fazer é ver gente em condução com a mãozinha esclarecedoramente encostada à orelha, falando com quem ali não está e fazendo manobras assustadoramente incríveis com a mão que sobra.
Resta acrescentar que é francamente mais barato um sistema de mãos livres, com ou sem fio que uma multa ou mesmo o pagamento de danos por acidente. Para já não falar no custo moral de acidentes fatais.
E já que se fala no uso de telemóveis na via pública, que tal uma campanha para sensibilizar também os peões para que, ao usarem o aparelhinho, olhem para onde vão, evitando os confrontos, peito com peito, com outros utentes ou o atravessamento inconsciente das faixas de rodagem?
Que, goste-se ou não, o uso do telemóvel em andamento é quase o mesmo que tirar uma senha de vez para um cemitério próximo!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

R.I.P.


Smoking yard


At work!

At 6.00 AM, this is what il looks like.

Imagine 3 hours later!



By me, hardly awake and trying to get ready to began a working day

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

perspectivas


Dois cartazes, costas com costas


Em saindo do trabalho e fazendo um trajecto a pé não habitual, eis que dou com este painel publicitário. Bem junto da rodovia, está colocado de forma a que a sua mensagem seja vista por quem vai de automóvel.
E aquele que primeiro vejo e que me chama de imediato à atenção é o da esquerda na fotografia.

No topo, uma frase imperativa: “Faça a sua voz ouvir-se nas decisões do seu município.
Mais em baixo lê-se: “Seja responsável. A voz de cada um conta. Diga, sempre, o que tem a dizer. Participe.
E é patrocinado pela “Associação Nacional dos Municípios Portugueses
Não poderia estar mais de acordo! Aliás, ainda que não no poder local, faço isso mesmo, ou seja, digo o que entendo, quando entendo, onde entendo, perante quem eu entendo e como entendo!
Em qualquer dos casos, a mensagem está com graça, já que se vê alguém a gritar com um megafone virado para o céu (para os deuses?), sendo a base uma barra vermelha e atrás desse alguém um prado verde. Uma alusão subtil à bandeira e à nacionalidade. Igualmente subtil o facto de quem assim está ser um jovem.
É um apelo quase desesperado à participação dos jovens na coisa pública, na cidadania!

O que acaba por ter piada também (ou não!) é que este cartaz não é visível por quem for a conduzir ou conduzido numa viatura. Está virado para baixo, para onde seguem os carros e só quem vier a pé o verá. E, neste local, poucos serão. Muito poucos mesmo!
Aliás, e como se vê na imagem da direita, após o cartaz não é permitido estacionar ou parar.
Donde, o apelo à participação do cartaz acaba por ser como ele mesmo: virado para o céu, para o vazio, para onde não estará ninguém.

Em contrapartida, o outro lado do mesmo painel publicitário (fotografia da direita), aquele lado que é visível por quem for de automóvel, apela à compra de um colar. Ainda que em inglês, a publicidade diz que: “A vida tem os seus momentos… Torne-os inesquecíveis.
O colar, com três cores (vermelho, verde e azul sobre metal) assenta em fundo branco. As três cores primárias em cima do imaculado. E com a indicação do significado de cada uma das cores: “Noites quentes de verão, dias de praia fantásticos, fins de tarde inesquecíveis”.
Começando pelo simples facto de, se os momentos são importantes, realmente importantes, não nos esquecemos deles.
Segue-se o simbolismo de cada uma das cores ser representada por seis esferas, sempre um número par, o casal, o romantismo.
Remata-se com a marca da preciosidade: “Pandora”. Aquela que possui todos os dons ou a que é dom de todos os deuses, a mulher, a primeira mulher, criada por Zeus. Ou, ainda, aquilo que gera curiosidade, mas que é melhor não ser mostrado sob pena de se vir a mostrar algo de terrível, que possa fugir ao controlo. (in: wikipedia.com). Por outras palavras, tem todos os ingredientes do pecado ou da sedução.
Igualmente curioso é o facto de não nos dizer onde se vende nem quanto custa.

É assim que, analisando as opções de quem gere o espaço publicitário de rua na capital, entende-se que é bem mais importante vender jóias ou bijutaria apelando à sedução e ao romance que convencer os jovens a participar activamente na vida da comunidade, influindo na gestão do poder local.
A futilidade acima da cidadania.



Texto e imagem: by me

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Invejas amarguradas


Isto é o que toda a gente espera ver:
O “V” de vitória de um participante nos Jogos Olímpicos. E que esse mesmo “V” signifique uma medalha, ouro, prata ou bronze.
Não a havendo, vai-se dizendo que foi derrotado, que perdeu, que ainda não há medalhas para Portugal, que a nossa prestação está a correr mal… enfim, um conjunto de disparates!
E são-no porque menospresam aqueles que lá longe dão o seu melhor. Porque não duvidemos: dão mesmo o seu melhor!
O que acontece é que, o melhor de uns nem sempre é o melhor de todos. E que em cada uma das provas só pode haver um primeiro lugar. Presume-se que para o melhor.
Não o sendo, não sendo o melhor nem estando entre aqueles que sobem ao pódio não é, ao contrário do que muitos querem fazer crer e, entre eles, jornalistas, uma vergonha. Bem pelo contrário. Vergonha seria não fazer o melhor que cada um pode. O que não é o caso, bem longe disso.
Além do mais, esses mesmos que criticam a ausência de medalhas nem seriam capazes de fazer o que o pior dos que lá está é capaz de fazer sem se esforçar muito.
É que cada um dos que lá está é, apenas, dos melhores que cada país tem. E ser classificado, por exemplo, como 9º numa qualquer prova significa a ninharia de ser o 9º melhor do mundo. E, quantos são os habitantes do mundo? Ou, para ser mais restritivo, quantos são, no mundo, os praticantes dessa mesma modalidade?
Aqueles que lá estão, subam ou não ao pódio, tenham ou não uma medalha, são excepcionalmente bons naquilo que fazem. Com ou sem competição! Queiram ou não as invejas amarguradas de uns quantos críticos e jornalistas de maus fígados.


Texto e imagem: by me

Só para fumadores


Não se encontra todos os dias mas, volta e meia, lá se tropeça num: Restaurante para fumadores.
Vim a descobrir um, cá no meu bairro, e num local insuspeito: num centro comercial. Nas portas de acesso a este está uma informação de que ele, o restaurante, é para fumadores, no interior do espaço também.
Em conversa com uma empregada, fiquei a saber que a maquinaria purificadora do ar que mandaram instalar, custou a módica quantia de 5.000 euros cada uma das duas e que, para manterem a licença em dia, terão que pagar a manutenção, por 250 euros por mês.
Não sai barato, nada barato, este investimento. Mas o meu vício agradece bem como, suspeito, o de muitos possíveis comensais fumadores que ali, sem incómodos ou riscos de multa, poderão fumar o seu cigarrito com o café, ainda sentados à mesa. Um quase luxo, nos tempos que correm.
Pois, apesar dos avisos, há quem faça questão de frequentar o local e que se incomode com o fumo dos outros, como foi o caso de um casal de velhotes, que resolveu embirrar para o meu lado. Tiveram azar, que não lhes dei mais atenção que ao cigarro já fumado e apagado. Se não vou fumar onde é interdito, não incomodem quem fuma onde é permitido. Assim como assim, sempre há outros restaurantes onde podem ir!
Igual atitude tem a gerência, que entende que quem não gostar pode procurar outros locais. Valentes! Afinal, pagaram e pagam para dar tranquilidade a uma clientela específica. Os restantes, que se cuidem.
Assim, e porque fiquei cliente, pese embora a reduzida variedade da ementa, aqui fica a divulgação, na tentativa de o investimento resultar e eles manterem-se com esta atitude:
Trata-se do restaurante-churrasqueira REGALA, no centro comercial Floresta Center, na Tapada das Mercês, Mem Martins, Sintra, arredores de Lisboa.


Texto e imagem: by me

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Quatro elementos


Encontrei-os, aos três, no chão da rua: O tijolo, a pena e o vidro.
A quase bolinha verde andou comigo no bolso durante umas semanas. Fui fantasiando sobre que tipo de bijutaria seria, se de um colar, se de um anel ou mesmo se teria sido uma aplicação de alguma peça de vestuário.
Um dia, numa pausa de café, fui brincando com ela na mão e lembrei-me de a mostrar a quem estava comigo e contar os meus devaneios. Logo fiquei desiludido! Contaram-me que não passava de um pedaço de vidro polido, que se vende em sacos às dezenas, para fazer o fundo de aquários. Nada mais prosaico.
A pena, dei com ela no ar. Melhor dizendo, deu ela comigo, que veio trazida pelo vento, uma manhã ia eu a caminho do café. Achei-lhe graça, de pequena e leve que era, capaz de voar ou de fazer voar o seu original dono. Guardei-a com cuidado no bolso do colete e, posteriormente, numa caixinha em casa.
O tijolo… bem o tijolo é burro, ou seja, não possui buracos e é usado, por aqui, para forrar o chão de um pequeno parque cá no bairro, já ressequido mas ainda usado pela malta nova com as suas biclas e bolas. Este pedaço, em particular, estava avulso, que alguns dos que por lá vão, por feitio ou por bebedeira, sempre se vão encarregando de o ir destruindo aos poucos.
O que une tudo isto? O ar, a água, a terra? Nada em particular que não seja o fogo do sol que os iluminou enquanto os fotografei.
E, destes quatro elementos, certo é que os que não são oriundos da mão humana são bem mais bonitos. Como seria de esperar!


Texto e imagem: by me

domingo, 10 de agosto de 2008

Um domingo de manhã


Viver no subúrbio não é nem bom nem mau! É, apenas! E o pensarmos pelo melhor ou pior aspecto depende, em exclusivo, do nosso estado de espírito e da forma como analisamos a coisa.
Se pensarmos que eu faço questão de acordar pelo menos hora e meia antes de sair de casa – duas horas é o ideal – e que do trajecto desta até ao trabalho posso demorar entre hora e meia a duas, temos contas fáceis de fazer se disser que há que entrar pelas 9 da manhã: acordar pelas cinco!
Acrescente-se que, para cumprir estes tempos, num domingo em pleno verão, implica encontrar o bairro completamente deserto, sem que se veja vivalma que não uns pombos madrugadores e uns eventuais noctívagos de regresso cambaleante a casa. Some-se-lhe o facto de, numa manhã destas apenas ser possível tomar o café expresso da minha tranquilidade bem lá em baixo, já só junto à estação de comboios, e nem sempre servido de muitos bons modos. Acabamos por ter uma equação em que o sinal negativo/positivo começa a ter forma, bem como o estado de espírito.
Mas exactamente por ser domingo de verão e a estas horas, a conjugação dos diversos transportes colectivos que tenho que usar (um comboio, outro comboio, um autocarro e, se as coisas correrem mal, outro autocarro) torna-se complicada. A frequência é significativamente menor, pelo que o tempo de espera para cada um aumenta na mesma proporção.
Claro que, nestes casos, não se é surpreendido e já se conta com o pior. O que não significa que tal antecipação nos melhore o humor matinal, apenas o torna um pouco menos agreste nas arestas acutilantes.
E o chegar ao trabalho, nestas circunstancias, não acontece com a mesma frescura dos outros dias, da semana ou do ano. Em regra, nada bem disposto! Mas, por vezes…
Por vezes acontecem aqueles pequenos nadas que invertem as situações e nos fazem ficar de bem com o mundo e com a vida, apesar dos contratempos!
O ultimo autocarro que apanhei e que me deixou a umas centenas de metros do meu destino gastou, hoje, quase o dobro do tempo habitual. Em cada paragem, e depois das entradas e saídas do costume, as portas fechavam-se e ali ficávamos, uns segundos, parados. Dez segundos, vinte segundos, uma delas mais de trinta segundos.
Nestas condições, cada segundo parece meia hora, pelo que já havia quem protestasse. No caso, um velhote com francos sintomas de mau génio congénito.
Mas o motorista mantinha-se na sua e ali ficava aqueles pedacinhos. Até que abria de novo a porta da frente e dava entrada àquele ou àqueles passageiros que tinha visto em passo acelerado, ou mesmo de corrida, na tentativa de ainda neste carro embarcar.
Posso garantir que, depois de ver estes gestos desinteressados por parte deste motorista, o dia ficou bem mais bonito e nem pensei no tempo que já tinha gasto no trajecto.
Não lhe registei o nome, e muito menos a cara, ao motorista. Mas aqui fica, feita a correr, a imagem da traseira do autocarro, quando dele desci.
Aquela mesma imagem que aqueles passageiros por quem esperou não viram.
Bem haja!


Texto e imagem: by me

sábado, 9 de agosto de 2008

Delete or Format


Teólogos, sacerdotes e crentes no seu geral vão afirmando em uníssono: “ Se te portares bem será recompensado, se te portares mal serás castigado!”
Se por deus, deuses ou numa outra encarnação, isso já é uma outra coisa, dependendo da época, local e fé!
Mas a ideia é sempre a mesma: Liberdade ou livre arbítrio nos actos e pensamentos. E, intimamente ligada, a consequente responsabilidade.
Este conceito, que só posso aplaudir na sua essência, tem vindo a ser modificado com o passar dos tempos. Gradual mas firmemente, a liberdade nas decisões e consequente responsabilidade tem vindo a ser diminuída, trocadas que têm sido pela imposição real ou impedimento físico aos actos de cada um. Aos pensamentos, supostamente livres, vão sendo aplicados condicionalismos subtis, discretos na sua imposição mas eficazes na sua consequência.
Um dos exemplos acabados das imposições ou impedimentos que substituem o livre arbítrio ou a liberdade de agir encontra-se agora ou para breve na CP.
No lugar da tradicional compra de bilhete ou título de transporte, com a consequente verificação a bordo, surge agora o impedimento físico no aceder à plataforma e carruagens a quem não os possuir.
A responsabilização – tranquilidade para quem o adquiriu e fuga ao “pica” e eventual multa de quem não o tem e é apanhado – terminou! Agora é fisicamente impossível viajar de borla! A decisão de quebrar as regras e arcar com as consequências, neste caso, passou ao campo das impossibilidades.
Quando, um dia, nos for de todo em todo impossibilitado o fazer o que quer que seja que saia das normas, regras ou leis, aí deixaremos ser humanos, para não passarmos de robots de carne e osso, bem programados!
E, nessa altura, em caso de fuga, de rebeldia, de “Sistem Failiure” nada como a tecla “Delete”. Ou, em alternativa, um “Sistem Reinstal” num qualquer campo de arame farpado e electrificado!


Texto e imagem: by me

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Na morte em directo não há regras exactas


Opinião de Eduardo Cintra Torres: Na morte em directo, não há regras exactas


E se a polícia…? E se o tiro…? E se o refém…? E se fosse eu…? Este “e se” é poderosíssimo nas ocasiões de eventos inesperados e chocantes. Atravessa a história das tragédias há milénios. Idem com o debate sobre a exibição de imagens de violência e morte. Ele repete-se com cada novo caso.

Não há regras exactas que ajudem os responsáveis editoriais a decidir se devem mostrar imagens de momentos exactos de morte e de vítimas mortais de acidentes ou de violência. Não há e não pode haver, porque a nossa sensibilidade colectiva evolui e porque as situações variam imenso e há dezenas de factores a tomar em conta: vê-se mesmo o momento da morte? Há sangue? A que distância vemos o acto de morte? Morre criança ou adulto? Morre o “bom” ou o “mau”? Pode descrever-se por palavras mas não mostrar? Pode dar-se o som do tiro mortal mas não mostrá-lo? Pode mostrar-se a morte através de índicios ou símbolos (sangue, um sapato, etc.) mas não a morte ela mesma? Pode mostrar-se a morte em foto mas não em imagens em movimento? Pode reconstituí-la com actores ou em desenhos digitais mas não mostrá-la? Pode mostrar-se o momento antes da morte mas não ele mesmo?

A morte violenta e inesperada vivida em público é tão brutal que se criaram inúmeras convenções sociais, profissionais e até legais sobre a sua mostração. No meu livro A Tragédia Televisiva dediquei um capítulo a este tema e descrevi seis formas diferentes de abordar a morte na televisão.

Não deve haver regras exactas. É preferível e positivo que os jornalistas e os seus leitores e espectadores debatam o tema como o têm feito no PUBLICO.PT. Devem ser os jornalistas a agir consoante a sua consciência e os cidadãos a exprimir a vontade social. Em princípio, desde que se avise os leitores e espectadores de que há imagens chocantes, não se deve restringir a liberdade de informar e de se ser informado (porque neste caso há informação insubstituível nas imagens exactas do fim do sequestro).

Quanto ao directo televisivo, é mesmo assim: o poder enorme do directo é romper com as convenções de toda a gente e de não estar sujeito a censuras, autocensuras, convenções e tabus. A realidade em bruto. Por vezes é brutal.
A liberdade também.



Texto: By Eduardo Cintra Torres, in Público.pt
Imagem: by me

Bruxedos e poções mágicas


Debatia-me eu com uns ensaios de composição, luz e símbolos.
Em pleno Parque da Liberdade, Sintra, procurava eu os vetustos fetos para contrapor, ou talvez não, com este relógio acorrentado.
Comigo tinha um tripé de iluminação com um braço-picota, de onde suspendia o contador de tempo, tentando coloca-lo por entre as folhagens.
Brincadeiras minhas, que nem sempre têm bons resultados!
Pois estava eu nesta quando passa por mim uma fulana com uma catraia minorca. Quando dei por elas, estavam paradas de boca aberta, mais a pequena que a grande, a olhar para mim. E ouvi esta a dizer para aquela:
Vês? Estiveste no castelo das fadas e aqui está um bruxo! Se não te portas bem, ele leva-te!
Não resisti! Já tinha ouvido chamarem-me de Radovan Karadzic, de Bin Laden, de Hassan Hussein, de Pai Natal, de Vagabundo… Agora de Bruxo e, ainda por cima, com carga negativa, esta era novidade. Mais para mais, que a garota estava mesmo com medo, não sabendo se acreditar se não.
Acocorei-me e, sorrindo, disse-lhe que havia bruxos que faziam coisas boas e bruxos que faziam coisas más. E perguntei-lhe o que achava que eu fazia.
Para minha tranquilidade, e bons sonhos dela, entendeu que eu deveria fazer coisas boas e sorriu-me. E ficou por ali, primeiro ainda com algum receio, mas depois com à-vontade, enquanto eu dava uns dedos de conversa com a que vim a saber ser a mãe.
Ainda estive para lhe atirar, à mãe entenda-se, com o meu sarcasmo e ironia, dizendo que lhe teria perdoado se me apelidasse de Druida, mas que Bruxo não lhe aceitava. Mas não tive coragem, até porque não sei se entenderia a coisa.
Acabei por ter que “fechar a loja”, que as minhas bruxarias lúmicas se perderam com as sombras que, entretanto, surgiram. E fiquei com esta, a primeira e única com estes ingredientes.


Texto e imagem: by me

terça-feira, 5 de agosto de 2008

3ª a caminho da 4ª


Não que seja particularmente importante. Talvez o seja para quem faça um estudo aprofundado destas coisas mas, fora isso, não o é.
A verdade é que sou uma segunda geração de gente de televisão neste país. Meus pais, ambos, fizeram parte daquele privilegiado grupo que, nos primeiros anos, inventaram e descobriram televisão em Portugal.
Sem saber muito bem como, eu próprio dei comigo no mesmo ramo, em actividades similares. E sem que tivesse havido empurrão familiar para tal.
Torna-se engraçado, ao fim de trinta anos de ofício, estar a trabalhar com a terceira geração. Filhos de alguns e, nalguns casos, netos de alguns mestres nesta actividade.
O que me deixa realmente atrapalhado é constatar que está a caminho a quarta geração, senão na prática e já a agarrar no “ferro”, pelo menos em vias de ver pela primeira vez a luz do sol. E que, ainda que em tom de brincadeira, possam os futuros pais afirmar que “É mais um operador que aí vem!”.
Para os que o esperam, as maiores felicidades!
Para o que está para chegar, essas mesmas e mais algumas, se possível. E, neste pacote de desejos, um em particular e muito sincero:
Que sejas realmente o que quiseres e não apenas por ser tradição de família. Que como eles fizeram já não se faz e as histórias que eles te contarem não se repetirão.
A quarta geração está a caminho! Bem vinda!


Texto e imagem: by me

Adrenalina frustrada


A ser verdade o que a seguir se transcreve de uma notícia divulgada pelo jornal público, ou bem que os jornalistas andam distraídos ou bem que existe um pacto de “não-divulgação” entre as autoridades e os media.
Em qualquer dos casos, acredito que hajam por aí muitos escrevinhadores da adrenalina que se sintam frustrados, que na “Silly season” que se vive na época estival, nem há escândalos, nem há crimes de maior, nem há politiquices a relatar.
Está tudo de férias e pouco acontece para aquecer os ânimos. Nem mesmo um incêndiozito para quebrar a monotonia!


Área ardida duplicou até 15 de Julho face a igual período de 2007

A área ardida em Portugal nos primeiros seis meses e meio deste ano duplicou face ao mesmo período de 2007, segundo dados provisórios da Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF).
Os dados, disponíveis na página da Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), referem que entre 1 de Janeiro e 15 de Julho de 2008 arderam 4685 hectares entre povoamentos (1325) e matos (3360), o que representa um aumento de 52 por cento face a período idêntico do ano passado, quando arderam 2213 hectares.
Os números provisórios da DGRF mostram também que, até 15 de Julho, se registaram 4981 ocorrências, 1023 incêndios florestais e 3958 fogachos, mais 1364 do que em 2007.
No relatório, a Direcção-Geral dos Recursos Florestais destaca que, quando comparados “os registos do corrente ano com os valores médios do decénio anterior (1998-2008), verifica-se que houve menos 4099 ocorrências e arderam menos 19.301 hectares.
…/…


Texto: by me e in Público.pt
Imagem: by me

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Wheels versus Legs


Não é uma luta inglória nem mesmo um combater moinhos de vento!
Mas o pacato cidadão, enquanto peão, vem perdendo terreno a cada dia que passa para os automóveis. E em todas as frentes!
Ele é na prática automobilística, em que os direitos de quem anda nas ruas não são respeitados!
Ele é na usurpação do espaço, que seria seguro para quem anda a pé, para circularem ou estacionarem os popós, mais pequenos ou maiores, com duas ou quatro rodas!
Ele é o não fazer cumprir o código da estrada e o bom senso, por parte dos agentes policiais, que as mais das vezes encolhem os ombros perante a invasão de terreno pedonal por parte de veículos!
Ele é a justiça e a sua aplicação, que fazem cair por mor de amnistias e prazos alargados para além da caducidade, as multas ou coimas!

Por mim estou farto e continuarei a agir conforme me for dando na bolha. Para além das atitudes não muito ortodoxas, como partir alguns retrovisores exteriores ou retorcer os limpa-vidros, de preferência em dias de chuva, ou mesmo o passar por cima das viaturas que me obriguem a ir para o asfalto ou o fazer parar patrulhas policiais e confronta-las com as infracções, passo a usar ESTE MEIO.
Aberto propositadamente para aqui denunciar as situações de agressão por parte dos automobilistas aos peões. Mesmo que isso implique uma troca de palavras mais azeda com quem estiver sentado ao volante, como foi o caso desta aqui representada.
Em paralelo, e após o fazer da fotografia, será deixado no carro uma nota com a indicação do site onde poderá ver o seu corcel de ferro no momento do clique.
Da legalidade da situação, poderemos discutir em sede própria: justiça;
Da minha integridade física, irei dando novas se for caso disso;
Das reacções de oralidade também conto reportar, se valerem a pena e com a censura que antevejo aos impropérios que ouvirei, como foi o caso de hoje também.


Texto e imagem: by me



Isto não é publicidade!


Repito:
Isto não é publicidade!
Trata-se apenas da forma que uma família numerosa encontrou de, sem ofender susceptibilidades nem quebrar compromissos, pagar por uma fotografia, uns dedos de conversa e umas risadas!
Considero-me extraordinariamente bem pago!


Texto e imagem: by me
Chocolate: by them

domingo, 3 de agosto de 2008

Um não olhar!


Vinte anos!
Deveriam ser radiantes, ocupados em terminar um curso ou num emprego satisfatório ou a olhar desvanecida um namorado que lhe enchesse a alma.
No lugar disto, vive mais ou menos fechada no apartamento que partilha com pais e irmãos. Nada lê, pouco usa o computador que ali existe e ficou-se pelo 7º ano de escolaridade.
Posta a questão do porquê, foi-me dito que tinha um problema grave nos olhos, que pouco vê e que aguarda um transplante na lista de espera de um hospital central.

Estas vivências não acontecem numa qualquer aldeia rural, em que o presente e o futuro passam por uma horta ou um pomar, com as mãos no tanque da roupa e na panela do fogão.
É mesmo no séc. XXI, num bairro suburbano de uma capital da União Europeia. Onde se apregoam as igualdades de oportunidades e direitos e onde se afirma que o acesso aos cuidados de saúde é para todos os cidadãos!

E não! Estes não são os olhos desta nossa conterrânea! Que os meus toldam-se ao olhar para os dela!
E, nestes aqui, não encontro o desencanto do presente e o descrédito no futuro.
Vinte anos!



Texto e imagem: by me

Só na noite


Num autocarro, vejo um fulano, já velhote, sentado de rádio na mão. Um “transístor”, de tempos antigos, com dois botões e uma antena. E um altifalante. E este trabalhava.
Trabalhava porque o homem, ainda que tarde na noite, ia ouvindo o que dele brotava. Até aqui nada de novo ou de surpreendente.

O que faz com que este episódio seja bem diferente dos demais é que o som do rádio se misturava com o do motor da viatura, resultando numa mistura ininteligível e cacofónica.
Das palavras só se percebiam que o eram, sem significado ou significante.
Dos acordes, apenas uma vaguíssima ideia do que poderiam ser, soltos e desgarrados.

Este homem, viajando num autocarro citadino, solitário num banco duplo, segurando um pequeno rádio sobre os joelhos, não o ouvia!
Ouvia-se a si mesmo e ao passado, tentando com ele tapar o manto de solidão que lhe cobria a alma.
Aquele pequeno receptor a pilhas era o primeiro degrau de uma ponte de éter para um mundo que ali não estava, para pessoas que ali não viviam, para uma existência que ali não pairava.
Pobres daqueles que no meio da multidão se encontram forçadamente sós!


Texto e imagem: by me

sábado, 2 de agosto de 2008

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Don't forget:


Every time you point a finger, there are three more pointing back at you!

Me by me

Desacatos e media - 2


Cada um de nós, na medida do que lhe é possível, deve ser interveniente na sociedade, não apenas no papel de utilizador daquilo que ela tem para dar como também de fiscalizador ou verificador da sua legalidade ou moralidade (presumindo que a Moral é algo que existe e que deve ser aplicada).
Em verificando situações de desconformidade com as normas em uso deve ou bem que fazer com que elas sejam aplicadas ou, ao invés, fazer com que elas deixem de existir, se essa for a situação.
No caso dos media, estes estão entregues quase que a si mesmos, gozando da liberdade que se deseja e aplaude mas, também, abusando do poder que têm sobre os incautos, misturando informação com opinião.
E se a opinião se quer livre em todos os aspectos, já a informação se deve reger pelos códigos deontológicos e éticas da sociedade em geral e dos profissionais do sector em particular. Nomeadamente na que se refere a Isenção, Clareza e uso do Contraditório.

No passado dia 14/07/2008 escrevi e publiquei ESTE TEXTO que reflecte a minha opinião sobre um caso mediático, melhor, sobre a mediatização e respectivo tratamento de um caso público.
Hoje leio no jornal Público a notícia que em seguida transcrevo.
Espero que esta intervenção de quem, para além de nós, deve intervir não seja um caso isolado, alimentado tão somente por um pudor politicamente correcto, e que se estenda a outras situações igualmente gritantes que, diariamente, entopem as antenas.




TV’s "violaram" normas na Quinta da Fonte

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) considera que a cobertura televisiva dos incidentes na Quinta da Fonte pode ter violado "normas legais e deontológicas".
Numa análise "à lupa", o regulador dos media considerou os blocos informativos transmitidos pelos três operadores (RTP, SIC e TVI) em seis canais televisivos sobre os conflitos registados naquele bairro de Loures de 11 a 17 de Julho, num total de 124 peças. A ERC defende que 26 das peças tinham um "estilo opinativo no discurso jornalístico", e deu um período de dez dias às televisões para responder.
A ERC concluiu que terá sido o Jornal das 24, transmitido pela RTP-N, o programa informativo que registou mais peças sobre os acontecimentos com um "estilo discursivo opinativo", com seis peças num total de 12, seguido do Jornal da RTP2 (cinco peças em 11). Seguiram-se o Jornal Nacional e o Jornal da Uma (ambos da TVI), respectivamente com 5 em 15 e 4 em 12 peças em que a entidade reguladora considera também que se manifesta opinião, numa deliberação ontem divulgada pelo conselho regulador.
Essas peças "contêm apreciações valorativas dos acontecimentos e/ou dos intervenientes, nomeadamente com associação a etnias, expressões tendenciosas e utilização de metáforas". Exemplo: "Um juízo de valor numa peça transmitida no Telejornal e reproduzida na RTP-N em que as imagens dos conflitos" foram acompanhadas pelas palavras "são estas imagens que chocam o país e onde só se vêem ciganos".
O conselho regulador "identificou situações susceptíveis de ferirem normas legais e deontológicas". Prefere no entanto aguardar pela resposta das estações televisivas para avançar com uma conclusão mais clara quanto a eventuais sanções, mesmo que apenas no plano moral, indicou ao PÚBLICO o presidente do conselho, Azeredo Lopes: "Pretende-se acima de tudo um efeito pedagógico".
Também a ocultação ou não dos intervenientes nos tiroteios, tal como a forma como as peças jornalísticas foram apresentadas aos espectadores dos noticiários, ou ainda a existência ou não de contraditório, foram analisadas. Num total de 124 peças, concluiu-se que 27 não têm contraditório: "Enfatiza-se apenas um lado do caso, da comunidade cigana ou africana".




Texto principal: in publico.pt
Texto introdutório: by me
Imagem: by me