quinta-feira, 17 de abril de 2008

Sobre "Jail - at work"


Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, uma fotografia não é uma representação do que foi fotografado!
Claro que, ao olharmos para ela, vemos as pessoas, os locais, os objectos. Aquilo que o fotógrafo viu com os olhos e com a objectiva. Vemos o pedaço de espaço-tempo que ele imortalizou com a sua perspectiva.
Mas também vemos, e isso é o principal numa fotografia, o seu estado de alma, a sua perspectiva interior. O facto de ele ter escolhido aquele instante e não um pouco antes ou depois, de ter optado por aquele ponto de vista e não um pouco mais ao lado, o ter sido com aquele ângulo de visão e não mais aberto ou fechado, mostra-nos como ele se sentiu naquele momento, ao olhar, ver e captar.
Indo ainda mais longe, mostra-nos, caso ele – o fotógrafo – nos mostre a fotografia que realizou, que ela é de facto um reflexo dos seus sentimentos e estados de alma. Porque senão o fosse, e ainda que tivesse obturado a câmara, teria ficado esquecida num qualquer arquivo ou caixa.
O corolário desta afirmação (A fotografia é um retrato do fotógrafo e não do fotografado) é fácil de encontrar.
Aqueles que, por um qualquer motivo, transportam consigo em permanência uma câmara fotográfica, acabam por fotografar inúmeras vezes o mesmo assunto. Com variações de luz, de hora, de circunstância. E de elementos variáveis como pessoas, animais, sombras…
O que faz, então, o fotógrafo fotografar o que já fotografou? Registar o que já está registado? A forma como viu o que já está visto! Como sentiu aquilo que conhece de perto. E os sentimentos, tal como a luz, mudam ao sabor dos acontecimentos. Umas vezes abordagens positivas, outras negativas, um pôr-do-sol pode ser um fim de dia ou um inicio de noite. A mesma porta será uma entrada ou uma saída. O mesmo sorriso um convite ou um sarcasmo.
A fotografia não retrata o que está à frente da objectiva mas antes o que está atrás do visor!
A fotografia é uma impressão digital da alma, em que a luz mais não é que a tinta!

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