segunda-feira, 3 de março de 2008

E que nome dar a isto?


Para quem acha que vai tudo bem ou quase por cá, por este jardim à beira mar plantado e mal amanhado, desengane-se. Quando não, veja-se:

Temos tido, recentemente, diversas manifestações de desagrado por parte de organizações políticas e laborais, em relação às medidas tomadas pelo actual governo. Centralizadas na capital ou espalhadas pelo país, todas têm vindo a espelhar mais ou menos espontaneamente aquilo que muita gente pensa e sente no quotidiano.


Até aqui nada de muito novo, que todos os governos de todos os países têm tido situações destas, desde que eleitos democraticamente e onde a livre manifestação seja um direito exercível.
A estas declarações e manifestações tem o governo respondido através dos canais habituais – os media – com afirmações onde se declara firme e não sujeito a pressões de rua.
Também nada de novo. Todos os governos são razoavelmente autistas. E não costumam ceder a pressões vindas da oposição ou dos populares. Em regra, quando estas se tornam demasiadamente fortes e ruidosas, acaba por cair – o governo.

O que não é nada comum, pelo menos por cá é, na sequencia destas manifestações, recorrer às bases de apoio partidárias para tentar calar ou abafar as vozes discordantes.
Marcou o partido da maioria um comício político (Caramba, há quanto tempo não ouvia ou escrevia esta expressão!) para uma semana depois de manifestações – previstas - de protesto por parte de uma classe laboral.
Assim, no lugar de ter que vir a terreiro com argumentos difundidos nos media, faz com que os seus simpatizantes e militantes façam passar a palavra governamental.
E isto é que é mesmo uma novidade nas técnicas de governar e fazer política. Pelo menos nos últimos decénios e por cá.

Resta saber se os militantes comparecerão, mostrando-se solidários com quem os convoca ou se, por outro lado, também entre eles haverá quem discorde das práticas e orientações dele emanadas.

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