terça-feira, 25 de julho de 2017

Modas



“Já ninguém fala de peidos.”
“Pois não! A moda agora é falar de Siresp.”
“Nah! Isso também já não está na moda.”
“Tens razão! Agora fala-se de ciganos.”
“Nem isso, que é requentado.”
“É verdade! A moda agora é dizer: Tens 24 horas para…”
“Já quase nem me lembrava disso. E são duas voltas do ponteiro ou três dias, a oito horas de trabalho diário?”


A duração da moda hoje depende da veemência e verborreia dos jornalistas. E como estamos em época de férias…

By me

segunda-feira, 24 de julho de 2017

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É uma piada clássica dizer que “o cúmulo da força é dobrar uma esquina”.
Mas não é!
O que é mesmo difícil é dobrar uma personalidade.
Podemos limar arestas, arredondar os seus gumes, amaciar a sua rudeza… Podemos até moldar os efeitos acção/reacção.

Mas dobrar uma personalidade é tarefa para além da força humana.

Informação



“Como Serge Daney gosta de dizer, “ficamos cegos diante da hipervisibilidade do mundo.” De tanto ver já não vemos nada: o excesso de visão conduz à cegueira por saturação. Essa mecânica contagia outras esferas da nossa experiência: se antigamente a censura era aplicada privando-nos de informação, hoje, ao contrário, consegue-se a desinformação imergindo em uma superabundância indiscriminada e indigerível de informação. Hoje, a informação cega o conhecimento.”
By Joan Fontcuberta, in “A Câmara de Pandora”

“Ainda um dia alguém vai ter que me dizer, como se eu fosse muito estúpido, porque raio uma fotografia tem que estar bem nítida, exposta e organizada, de acordo com as normas técnicas e estéticas em vigor”

By JC Duarte, in “um caderno de apontamentos qualquer”

By me

sábado, 22 de julho de 2017

Boa ou má



Tenho para mim que não há boas ou más fotografias.
O conceito de bom e de mau é um conceito social que, muitas vezes, entra em conflito com as opções de quem fotografa.
Pior: Limita quem fotografa a fazer o seu trabalho pela opinião da sociedade, deixando para trás, tantas vezes, a sua própria capacidade de inovar e criar.
Entendo que uma fotografia é boa quando consegue satisfazer o seu autor. Quando ele olha para ela e se revê no que nela “lê” e sente. Isto é uma boa fotografia!
A partir daqui entra em campo a questão do gosto dos demais e da eficácia da comunicação.
Se a fotografia agrada à maioria leva o carimbo de boa. Se também agrada aos especialistas será excelente.
Mas, e antes de mais, a fotografia, o trabalho realizado que transformou aquilo que foi visto e sentido naquilo que o fotógrafo entende por um equivalente fotográfico, tem que agradar ao seu autor.
Claro que a fotografia também é uma forma de comunicação. Por isso existem os livros, as galerias, os álbuns, os grupos. As mais das vezes fotografa-se para que outros vejam e sintam o que o fotógrafo viu e sentiu.
E quando tal acontece, a fotografia é eficaz na sua função de comunicar.

Mas também sabemos que comunicar, mesmo que com fotografia, implica o partilhar de códigos comuns. Tal como a escrita. Ou a música. Ou a escultura. Se quem o vê não entender os códigos usados por quem o fez, a ponte da comunicação não existe.
Daí que exista uma tendência generalizada em fotografar usando de códigos (técnicas e estéticas) que sejam do entendimento generalizado dos destinatários. Algum tipo de formalidade no fazer de fotografia.
Esta formalidade, este usar de códigos generalizados na fotografia, acaba por fechar portas à capacidade que cada um possa ter de se satisfazer com o que faz sem pensar nos outros. Acaba por limitar a criatividade absoluta, obrigando a criar de acordo com os códigos instituídos.
Mais do mesmo, portanto!

Claro que os chamados “profissionais” a isso são obrigados. Têm que agradar aos clientes!
A sua principal preocupação, ao fotografar, é que os sentimentos expressos nas fotografias que fazem, se alguns, sejam entendidos por quem lhes paga o trabalho. Que é isso que deles se espera.
Se a gestão do espaço e dos elementos nele (composição), se a nitidez ou as relações entre o claro e o escuro não estiverem de acordo com a técnica e estética em vigor (os códigos de comunicação) dificilmente será vendida. Quer seja uma fotografia de um acontecimento social, uma reportagem de guerra, paisagem ou vida animal. Não aparecerá numa revista ou jornal, ninguém a verá num cartaz publicitário nem constará no álbum de casamento.

Será uma necessidade do fotógrafo definir aquilo que lhe agrada e aquilo que agrada ao consumidor. E ter a coragem de o assumir.

Nunca disse a um aluno ou formando “Essa fotografia é má!”
O mais que fiz foi dizer-lhe “Não gosto” ou “Não entendo”. E, acto continuo, pedir que ma explicasse, que sobre ela discorresse em voz alta. E que me dissesse se ela correspondia ao objectivo a que se tinha proposto. E se esse objectivo era pessoal ou comunicação de massas.
A classificação de boa ou má seria a dele, de acordo com isso e com a conversa.


Que o mais importante é a satisfação do próprio. O resto é socialização.

By me

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Leituras

Já tinha começado a ler quando o comprei, o ano passado mas, por qualeur motivo, deixei-o de parte.
Retomei-o agora, numa tentativa de reduzir as pilhas dos “por ler”.
“Fotografia e activismo”, de Jorge Luís Marzo, Editorial Gustavo Gili, 2006, Barcelona

“…
El activismo nace – más do que habitualmente se piensa – de la necesidad de articular mecanismos de autogestión y redes de socialización política que respondan a las verdaderas necesidades de una comunidad, de una sociedad determinada, com lo que de flexibilidad y adaptación conlleva eso, pues auqune a muchos les peses, las sociedades son contingentes y se negocian constantemente.
… ”


Cinzeiros



Foi um destes dias.
Estávamos para entrar numa exposição, incomum e num local emblemático de Lisboa, e constato que no chão havia pontas de cigarro.
Uma meia centena, talvez mais, à esquerda, à direita, em frente da porta. Algumas, poucas, com aspecto de terem sido propositadamente pisadas para as apagar, a maioria apenas ali caídas, ardidas até se apagarem.
Estranhei e procurei com os olhos aquilo que ali deveria estar para obstar a tal espectáculo. Não havia.
Nem amovível nem solidamente colocado no solo, não se via nenhum cinzeiro. Nem ali, junto à porta daquela exposição bem publicitada, nem em qualquer outro lugar. Coisa nenhuma até onde a vista alcançava.
Pergunto-me se os promotores da exposição, que bem cobraram por cada visitante, ou os gestores do espaço, que bem receberam pela sua cedência a quem organizou o evento, não poderiam ter por ali algum receptáculo, mesmo que corriqueiro e pouco atraente, que evitasse aquele lixo público.
Que certo é haver fumadores, que certo é não ser permitido fumar no interior de exposições, que certo é que há que deixar as pontas de cigarro nalgum local.

Infelizmente, as nossas pontas de cigarro ficaram ali, no chão, a fazer companhia a todas as outras que lá jaziam.

By me

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Notas



Eu não gosto de ser maltratado. Talvez haja quem goste, mas eu não gosto.
E uma das formas de ser maltratado de que não gosto é ser colocada em causa a minha honestidade ou bondade nas acções. Sem que me conheçam de lado algum ou tenham motivos pessoais para de mim desconfiarem.
Não gosto! Incomoda-me! Faz vir ao cimo o pior de mim!
É por não gostar que suspeitem de mim que não ando de avião. Ou no TGV francês. Ou no AVE espanhol. Qualquer um que embarque é objecto, sistematicamente e sem excepções, de revista aos seus bens e ao seu corpo. Como se todos os passageiros fossem potenciais criminosos e tenha que haver um despiste. De todos se suspeita, indiferenciadamente.
Como não gosto que suspeitem de mim, mais para mais sem me conhecerem, não gosto do tratamento a que me querem sujeitar. Pelo que não uso estes meios de transporte.
Mas há outra circunstância de que não gosto. Que me faz sair do sério. Que me faz ficar furibundo e recusar posteriores relações. Comerciais ou outras.
Refiro-me às lojas que fazem questão de verificar a validade do dinheiro que lhes é entregue para pagamentos. Passando as notas por máquinas ou tintas capazes de diferenciar as verdadeiras das falsas.
Isso é colocar em causa a minha honestidade, é supor que poderia eu entregar-lhes dinheiro falso. É suspeitar de mim, apesar de não me conhecerem de parte alguma.
Não gosto. E faço questão de lhes dizer que não gosto. E de lhes dizer que não tenciono regressar a um estabelecimento comercial onde todos os clientes são considerados falsários até prova em contrário. Eu incluído.

Dirão que tenho mau feitio. Pois que digam!
Mas tenho para mim que se não devo fazer aos outros o que não gosto que façam comigo, o contrário também é verdade: não gosto que façam comigo aquilo que não faço aos outros.
E eu não ando por aí a suspeitar de tudo e todos, entendendo que o mundo existe para me enganar, vigarizar, burlar ou fazer de mim vítima de um qualquer outro crime ou dano.

Mas o certo é que não quero relacionar-me com gente que suspeita de mim só porque sim e que me trata como um potencial criminoso.

By me

Dinheiro



Foi aprovada a lei que proíbe transacções em dinheiro vivo acima de três mil euros.
Para além desse valor terá que ser usado qualquer outro meio de pagamento como cheque ou transferência bancária.
Esta lei, cheia de bondade, é agora criada para promover a transparência económica, fugas ao fisco e obstar a corrupções e lavagens de dinheiro ilícitas.
No entanto…
No entanto esta lei obriga a que os cidadãos tenham uma conta bancária. Por outras palavras, esta lei obriga a que os cidadãos tenham um contrato com terceiros para fazerem a sua vida. Terceiros esses que têm lucro com esses contratos.
Imaginemos, por exemplo, que eu vou poupando do meu salário (como se isso fosse possível nos tempos que correm!) e que ao fim de três ou quatro anos consigo o suficiente para comprar uma câmara fotográfica boa. Ou um carro usado em condições. Ou umas férias. Ou uma remodelação da casa.
Porque raio tenho eu que comunicar a uma entidade terceira que o faço? Porque raio tem uma entidade privada que ficar com os registos de tal transacção? Porque raio tem uma empresa que lucrar com as minhas poupanças se nada faz nesse sentido? Porque raio tenho que dizer ao mundo e a privados que comi salsicha no lugar de costeleta durante três anos para ir de férias?
O mundo em que vivemos está gradual mas firmemente a acabar com a privacidade dos cidadãos e a transformar os bancos em, mais que fiscais, chulos do trabalho e esforço de cada um.

E o totalitarismo securitário tanto acontece à direita como à esquerda ou ao centro. O desejo de dominar, controlar, mandar nos cidadãos é terrível, venha de onde vier.

By me 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

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Tenho que agradecer a um médico, a um psicólogo e a um político pelas suas declarações públicas.
Com elas ajudaram a fracturar a sociedade portuguesa, fazendo estalar o verniz e mostrando o pior que ela tem.
Confesso que fico surpreendido pela quantidade de homofóbicos e xenófobos que existem neste país.

Faltam os misóginos e os marialvas, mas não deve demorar muito.
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