sábado, 24 de fevereiro de 2018

A taça



Um dia ofertei esta taça a uma pessoa.

Tenho muito orgulho em ter essa pessoa por perto e que mereça a taça.

By me

No autocarro



Tenho por verdade – e até que alguém me convença do contrário – que o Fotógrafo é um ser conservador.
Quando não, vejamos:
O Fotógrafo só reage ao fora do normal. Bonito ou feio, agradável ou o seu oposto, aquilo que sai da rotina, o incomum, o surpreendente.
Poderá ser um retrato trabalhado em estúdio, uma paisagem, um momento festivo, um incidente público. Seja lá o que for, será sempre algo que lhe prendeu a atenção, que, por qualquer motivo, o fez pensar “isto é um bom motivo para fotografar”.
Mas raramente - muito raramente mesmo - vemos imagens neutras, de assuntos banais, aqueles assuntos, momentos ou acontecimentos que, de tão neuros que são, não nos apercebemos deles. Uma pedra no chão, no meio de muitas outras quase iguais, não será motivo de fotografar. A menos que a luz ou a forma ou a cor a evidencie das restantes. Ou que a sua simples existência faça recordar o Fotógrafo de um qualquer episódio passado. E, nesse mesmo momento, aquela pedra deixa de ser “mais uma no meio das outras” para passar a ter um significado especial, mesmo que não explícito na fotografia resultante.
Temos assim que o Fotógrafo só se apercebe – e reage – ao que quebra a rotina, o equilíbrio, a normalidade. Bom ou mau. Belo ou horrendo.
Por mim, tenho vindo a desenvolver um projecto pelo seu oposto.
Todos os dias, uma ou duas vezes, faço uma fotografia do que está à minha frente. Sem escolher o momento porque me atrai ou repele, mas tão só porque – e é uma decisão anterior – me lembrei de o fazer e a temática geral do projecto é “nos transportes, sentado e sem rostos”. Sempre com o telemóvel, com o que isso implica de “bloco de apontamentos, ausência de controlos de profundidade de campo, distâncias focais, exposição elaborada…
Claro que neste captar de imagens “pseudo-aleatórias” há escolhas que faço. Enquadramento respeitado o tema, o que vi quando me lembrei de fotografar e que nem sempre se mantém até que o registo seja feito, um ajeitar de perspectiva para dar coerência ao projecto…
São imagens sem pretensões artísticas ou interventivas. Ou talvez sejam.
Para mostrar – a mim e aos outros – como o Fotógrafo é conservador e só presta atenção ao que lhe “estraga” o seu sentido de equilíbrio universal a ponto que o querer registar. E, no entanto, o banal, o que respeita o “equilíbrio universal”, o entediante de tão habitual, pode ser belo e atractivo. Apenas não nos apercebemos disso, na nossa busca pela originalidade, pelo ser “mais que”, pela necessidade nos evidenciarmos junto dos nossos pares.

Escrevo estas linhas em casa, pelo que não posso fazer uma imagem que respeite o projecto. Mesmo que estivesse num transporte público, o simples facto de fazer uma fotografia depois de isto pensar e escrever estaria a subverter a ideia original. E não fará sentido ilustra-lo com uma fotografia já feita, escolhida com algum critério não aleatório.

A que agora exibo é tão só a última que fiz até à data, dentro deste projecto.

By me

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Graxa



Método usado para controlo de imagem pessoal e promoções comerciais.
Usado pelos ingénuos que acreditam que os destinatários o são.

O seu uso prolongado provoca alterações cromáticas na língua, curvaturas acentuadas nas costas e mau hálito.



By me

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Amor anarquista



Bom mesmo de se estar apaixonado é que se podem dizer e ouvir as maiores tolices ou totais disparates que gostamos sempre e somos sempre bem recebidos.

Abaixo o politicamente correcto, que o amor é anarquista.

By me

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Relógio



Aquilo que me deixa possesso com o toque do despertador é saber que fui eu que o programei!

By me

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Kodaline



Sempre gostava de saber que os membros desta banda saberão que o seu nome é um nome registado. Da Kodak.
Se a memória me não falha, tal como as pesquisas que fiz um tanto a correr, trata-se de película rígida de grande formato para cópia de negativos, pancromática e surgida nos finais dos anos quarenta do séc. XX.
Tal como com o Kodalith, também cheguei a fazer umas experiências com o Kodaline nos meus inícios de laboratório, nos anos oitenta. Mas perdi o interesse por tais películas técnicas, ficando apenas fã do Thecnikal Pan, também da Kodak, devido à quase inexistência de grão. Pese embora a extrema baixa sensibilidade que tinha que ser usada para se obter os seus belos tons contínuos.


Mas estou em crer que, pela popularidade da banda e quantidade de fãs, ou o registo da marca perdeu o prazo de validade ou venderam o nome.

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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Hulk



Para que não me acusem de favoritismo ou negligência, aqui fica um retrato do sexto membro do agregado familiar.
O mais pacato, o mais silencioso, o mais discreto.

E sim, tenho um agregado familiar diverso e não exactamente comum.

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Culinária



Numa rede social aparece um artigo patrocinado, convidando-me a comprar este objecto. Por 14,9$.
Dizem-me que é para bater em carne de frango ou de porco, antes de cozinhar.

Não sei o que me diriam se fosse encontrado com ele numa rusga policial.

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Encontrado no arquivo



Levar a sério o que diz um político reduz o esperma, pode causar a infertilidade e, em havendo coerência legislativa, a lei do tabaco deveria aplicar-se às declarações políticas, que só poderiam ser proferidas ao ar livre ou em sítios com a adequada extracção de ar e de credulidade.

Manuel António Pina, in “Jornal de Notícias”, 2008


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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Maldades



O título do jornal leva-me, de novo, a algumas cogitações antigas.
Diz-nos ele que “Advogado do casal defende que pena de 25 anos não é suficiente para Pedro Dias”.
Posta a questão “É uma pena suficiente para um dado crime?”, convém que nos debrucemos sobre o significado e para que serve uma pena de prisão.
Desde logo, dirão os mais puristas (ou ingénuos) servirá como forma de “reeducação”. Assim castigado, e enquanto durar o castigo, terá o condenado oportunidade e tempo para pensar no crime ou delito cometido, interiorizar que ele é contra o normal funcionamento da sociedade e que não o deverá repetir.
Em seguida, os mais defensores de um mundo seguro dirão que não querem no seu seio um criminoso e que, enquanto preso, aquele ou aquela não poderão voltar a colocar em risco a tranquilidade dos cidadãos “normais”.
Por fim, e bem mais obscura razão, como vingança. Que se ele, o criminoso, cometeu um determinado acto condenável, deverá “sentir na pele” sofrimento igual ou superior ao que infligiu às suas vítimas.
Posto isto, convém também analisarmos o que é uma pena de prisão. É algo desagradável, mau, condenável. E tanto assim é que se alguém privar de liberdade um seu semelhante, isso é considerado crime. Uma maldade a ser punida.
Por outras palavras, a prisão ou privação de liberdade de um ser humano é considerada uma maldade e o sistema de justiça impõe maldades a quem infringe a lei.
Visto ainda de outro modo, uma maldade passa a ser aceitável ou boa se decretada pela justiça, que reflecte a opinião e desejos da sociedade.
Pode assim concluir-se que a sociedade é má na sua essência, já que aceita a prática de maldades desde que seja ela a decretá-las.
Claro que a sociedade – o conjunto de humanos organizados – acaba por perceber que pratica maldades e tenta reduzir a sua imposição. Inventou assim que certos crimes ou delitos podem ser punidos com pena de prisão ou com pagamentos em dinheiro. Como se cada dia de privação de liberdade tivesse um valor estipulado. É a deturpação materialista da lei de Talião que, por sua vez, remonta aos tempos da Babilónia: “Olho por olho, dente por dente”.

Voltando ao artigo em questão, é normal que as vítimas – ou os familiares das vítimas – entendam que a pena aplicada e prevista nos doutos códigos é pouca. E pedem mais, muito mais. Mesmo que a pena seja a máxima possível, como é caso.
O que nos leva a concluir que a sociedade – os humanos e não a organização – é vingativa e quer fazer aplicar maldades a quem as comete. Não considera a eventual recuperação do criminoso nem a sua exclusão para tranquilidade das pessoas.

O que caba por ser interessante no meio de tudo isto (e para terminar cedo um assunto que poderia ser muito demorado e que aqui é abordado de um ponto de vista meramente abstracto) é que ensinamos as crianças que a vingança é coisa feita e que não deve ser praticada.

By me