domingo, 15 de outubro de 2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

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Ao contrário do que muitos pensam, a sorte nada tem de fortuito ou aleatório.
A sorte acontece quando a preparação encontra a ocasião.

É que de pouco adianta caminhar na rua, pisando notas sem dono, que sem se olhar para o chão nunca as encontramos.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Factos e opiniões



Depois de quase sete horas de espera numa coisa que se chama “Serviço de urgências básicas”, consegui ser visto por um profissional de medicina.
Após ser examinado, diagnosticado, prescrição escrita e a posologia explicada, perguntei-lhe se seria habitual todo este tempo de espera.
Respondeu-me que o Estado tinha dinheiro para ajudar os bancos mas não para investir na saúde. E que sem dinheiro não há técnicos disponíveis. Até porque muitos, enfermeiros e médicos, migraram para onde pudessem ganhar a vida. E que só com dois médicos de serviço era complicado atender tanta gente, principalmente quando a questão das prioridades em função da gravidade do caso são uma verdade. As famosas cores de pulseira. Tinha eu tido a sorte ou falta de sorte de a minha só ser verde e não laranja ou amarela.
E rematou dizendo que em frente ao centro existe um cartaz desta última campanha eleitoral prometendo mais profissionais de saúde.
Quando saí, e antes ainda de ir aviar a receita na farmácia, vi o cartaz. Não poderia deixar de o ver, pelo tamanho e localização.
E percebi o amargo da sua observação quando vi que os candidatos representavam a anterior governação nacional, exactamente aquela que levou tantos a procurarem vida melhor lá fora.
A conversa com o profissional terminou com um “A conversa está boa, mas tenho um caso amarelo à espera. Se não se importa…”

Saí rapidamente.

By me 

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Felicidade



O ser humano precisa de se afirmar no grupo a que pertence. Pelo que é e pelo que faz.
E um retrato, um registo para a posteridade, feito formalmente ou em tom de brincadeira, é uma forma de afirmação, objecto de observação e critica cerrada por parte do retratado.
Curioso é de observar que se manifesta ou critica sobre o que é ou o que faz expresso em retrato. E são dois grupos, manifestamente distintos. A fronteira fica algures na casa dos quarentas, nuns casos mais acima, noutros mais abaixo.
No grupo dos mais novos, o que é observado e/ou criticado é aquilo que faz.
As poses, as expressões, as posições corporais, os relacionamentos com outros retratados.
O eventual – ou frequente – desagrado não se manifesta sob a forma de “não gosto” ou “fiquei mal”, mas antes pela ironia, pelos comentários jocosos, pela auto-critica. Frequentemente, com o menosprezo da sua própria aparência e uma crítica acutilante sobre os demais no grupo retratado.
Para estes, o que é importante num retrato não é o que são mas antes o que fazem e como o fazem.
Por seu lado, os pertencentes ao grupo mais velho preocupam-se francamente mais com o que são ou aparentam ser.
As manifestações de idade constatáveis pelo peso ou volume, pela posição do esqueleto, pela cor da pelagem ou pelas rugas são os factores que mais procuram ver num retrato, numa tentativa inútil de constatar que não parecem ser o que são. Que os olhos dos outros não vejam aquilo que sabem ser.
Estou em crer que a felicidade passa por uma são convivência com o “Eu” físico, tentando melhora-lo se se o entender, mas não o negando ou repudiando.
E, acima de tudo, não ligando a mínima à opinião que os outros possam ter sobre si mesmo. Ao vivo ou no papel.

By me

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Os cinzentos



Tenho uma certa tendência para não aceitar como sinceros e/ou honestos aqueles que se escondem atrás de um fato e de uma gravata todos os dias do ano, excepto quando de folga ou de férias.
A sensação que tenho é a que não me estão a dizer aquilo que pensam ou sentem mas tão somente  aquilo que foram industrializados a pensar ou sentir. Ou, ainda pior, aquilo que foram forçados a dizer.
Infelizmente tenho (temos?) inúmeros casos que consubstanciam esta sensação. Desde muito atrás no tempo até tão recentemente que parece que o estou a viver neste mesmo momento.
E, sobre estas pessoas, não me apetece fazer uma imagem.

By me

domingo, 8 de outubro de 2017

Veja-se esta fotografia ao som de Piazola



By me

Acordem!



Um dia, estava eu entretido com umas fotografias em casa, quando me tocam à campainha.
Fui ver quem era naturalmente, e não muito bem disposto, que não gosto lá muito que me interrompam quando estou nestas coisas.
O casal que me aguardava no patamar da escada patenteou bem o seu espanto. Que se não bastassem as barbas e o cabelo solto, de dentro de casa vinha o clarão de talvez 2.000 watt de potencia de luz.
Queriam eles convencer-me a comprar-lhes um seguro de saúde. Tiveram azar! Que não tenho eu nenhum seguro de saúde, que não quero ter nenhum seguro de saúde e que não recomendo ninguém a ter nenhum seguro de saúde.
Tenho por certo que o Serviço Nacional de Saúde deve ser eficaz, rápido e para todos, seja qual for a sua condição económica. E todos contribuírem para ele, na proporção dos seus rendimentos e através dos impostos que pagam.
A existência de seguros privados de saúde é mais um factor de clivagem social, em que os que não têm possibilidade de a eles acederem ficam com as sobras da saúde em Portugal. Isto porque quantos mais forem os que a isso aderirem, menos são os que fazem com que o sistema público funcione, quer através da sua influência na sociedade, exigindo-o, quer fazendo “sangrias” nos profissionais e demais recursos.
Em sendo banal haver seguros privados de saúde, privam-se os que os não os têm de aceder aos correctos cuidados de saúde.
E eu, que até poderia com algum esforço ser utente de um desses seguros, faço questão de o não ser, recorrendo ao público e exigindo que este seja tão bom como os melhores.
Não há cidadãos de primeira e de segunda e todos, sem excepção, têm direito à saúde. Tal como ao pão, à habitação, à educação… Recuso-me a colaborar em sistemas diferenciadores de classe!
Disse-lho. Ouviram, com o nível de espanto a aumentar nas suas caras e com algumas tentativas, falhadas, de me convencerem do contrário.
O golpe de misericórdia que receberam aconteceu quando lhes disse que o que eles faziam para ganhar a vida (vender seguros de saúde) não lhes dava rendimentos suficientes para a eles acederem. E que quantos mais vendessem menos possibilidades teriam de ter um bom sistema público de saúde.
Não sei se a minha porta, neste prédio de muitos apartamentos, terá sido a última em que tocaram no meu andar. Mas o certo é que se afastaram para o elevador, deixando de parte as restantes visíveis.

Aconteceu isto há uns anitos. E continuo a acreditar no mesmo. Com a frustração de ver, a cada dia que passa, as privatizações e delapidações do que é público a acontecerem. Cada vez mais rápido e cada vez mais fundo.
Por este ritmo, em breve terá acesso a coisas básicas apenas quem tiver recursos para as pagar. Aqueles que já têm dificuldade em manterem-se vivos ficarão excluídos, classificados de “resíduos humanos” e estando apenas à espera que passe o camião do lixo ou a carreta, para os levar.

Não sei se é isto que os estas linhas lêem querem.


Mas p’la certa que não é o que eu quero!

By me

sábado, 7 de outubro de 2017

Promessas



Tenho uma promessa feita para os próximos trinta anos.
São daquelas coisa que se fazem e que se prometem, mais que a outrem, a nós próprios. Solenemente, mesmo que sem documentos ou testemunhas.

Conto cumpri-la todos os dias, pelo menos durante esse período.

By me 

Mil palavras



Já lá vão uns anos valentes (quase trinta) e a irmã de um colega e amigo andava então no 8º ano (seria 9º?).
Levada pelo entusiasmo que via nele e nalguns amigos, quis frequentar as então chamadas “actividades extra-curriculares”, no caso fotografia.
Mas vinha de lá bem frustrada, que os professores que tinha, apesar da boa vontade, pouco sabiam da coisa.
Conversa vai, conversa vem e dei comigo a combinar com eles um conjunto de sessões com a turma.
Seis sessões de duas horas, das quais uma prática, onde, e para além do domínio do equipamento, se falaria de estética e de semiótica.

Para uma primeira experiência lectiva da minha parte, a coisa até que nem correu muito mal. As idades variavam dos 13 aos 17 anos, a câmaras de cada um eram do mais díspar possível, trazidas de casa com especiais recomendações paternas, mas o entusiasmo e a vontade de aprender superava tudo.
A penúltima sessão foi a prática. Engendrei exercícios vários sobre perspectiva, gestão do espaço, exposição e assunto, a executar nas imediações da escola (Reboleira) numa espécie de “raly-papper fotográfico”, e dividimos a turma em dois grupos. Evitava-se assim a “molhada”, permitindo um maior rendimento e concentração. Eu acompanhei um, os outros dois professores o outro. Na sessão seguinte, depois de revelados e impressos, seriam comentados. A avaliação, devido à escassez de tempo e aos objectivos do trabalho, seria em grupo, feita por eles.
A coisa correu como o previsto, mais ou menos.
O que eu não previa, de forma alguma, era a surpresa final.
Já por alturas das despedidas, foi-me entregue solenemente um embrulho.
No seu interior, esta fotografia nesta moldura.
Era uma fotografia feita pelo grupo que eu não tinha acompanhado, oferecida como recompensa da minha presença (a minha ida lá tinha sido “de borla”).
O vigor, a alegria e o grito à liberdade desta imagem e o facto de a terem feito, escolhido e tratado para ma darem tornou-a imensamente mais valiosa que qualquer pagamento em dinheiro que pudesse ter recebido.

O vidro original já sofreu uns desaires e a luz já reduziu um pouco o contraste original. Mas das raras fotografias que tenho expostas aqui em casa, esta estará sempre em lugar de destaque!


Uma imagem vale mais que mil palavras!

By me

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Ilustração



Esta é a imagem que é hoje publicada no jornal “Diário de Notícias” para ilustrar um artigo sobre os artigos estranhos que são recolhidos na Estação de Tratamento de Águas Residuais de Lisboa.
Digamos que não será um tema fácil de ilustrar sem recorrer a fotografias de detritos. O que não é algo bonito de registar e menos ainda de ver num jornal. Papel ou net.
Mas é também difícil de encontrar uma correspondência directa entre o tema da reportagem e o que nos mostram. Presumimos que seja um dos locais da instalação técnica, mas é apenas uma presunção. A nossa imaginação fará o resto do trabalho.
Mas o que me fez parar para ver a fotografia e ler o texto foi a invulgaridade cromática.
Fico na dúvida se será natural ou se terá tido uma “ajudinha” de um editor de imagem. Mas, e ao contrário do que se possa pensar, não é assim tão incomum quanto isso o encontrar situações em que tudo ou quase é monocromático. As mais das vezes não damos é por isso.
Está a fotografia assinada por Jorge Firmino/Global Imagens.

E fica o elogio a uma boa fotografia sobre um assunto difícil.

By me